16 de dez. de 2008

One more weekend

Sábado dei uma volta pela Akropoli e fui andando até o Templo de Zeus, que estava fechado. Como ainda não tenho o mapa de Atenas, lá fui eu pedir informação pra achar o estádio Panathinaiko, onde ainda não tinha ido. O bom é que aqui todo mundo sempre diz que é mais longe do que realmente é. Duas pessoas me disseram que levava cerca de 15 minutos pra chegar lá, mas na verdade eram só 5.

Segui as direções e logo cheguei ao antigo estádio Panathinaiko, construído em 566 a.C. e reconstruído em 329 a.C., inteiramente em mármore branco. O estádio foi restaurado em 1870 e em 1895 foi reformado para a realização dos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna em Atenas. Um casal de turistas, que também estava lá apreciando, começou a conversar comigo em inglês, e continuamos conversando por um tempo, até que eles falaram algo em português entre si e descobri que eram brasileiros, de Porto Alegre.

Mais tarde, fui pra balada com Patrick (tcheco) e Andrej (romeno). Nos encontramos em Syntagma perto da meia-noite e pretendíamos ir a Glyfada. Mas a rua onde pega o tram, que fica em frente ao Parlamento, estava bloqueada, pois tinha uma galera na frente do edifício para iniciar mais um protesto. Então mudamos os planos e fomos andando até Monastiraki, passando por uma galera de policiais por toda a parte. Fizemos um verdadeiro tour por várias baladinhas. Entre elas, tentamos entrar numa que parecia bem legal e pelo que Patrick me contou, ele já foi meio que expulso de lá porque estava numa "pegação" selvagem com uma grega. Como precisava de reserva pra entrar, tentei engabelar o segurança. Primeiro que ele não acreditava que eu era brasileira, disse que eu era inglesa e que tinha sotaque britânico. Falei que se tinha sotaque, era americano, pois tinha morado nos Eua. Depois perguntou meu nome e ele acreditava menos ainda: "Então você é brasileira, de pele branca, tem nome francês, morou na América e agora está aqui?". Mostrei meu passaporte brasileiro pra comprovar. Até que ele leu meu sobrenome e perguntou se era o mesmo dos cristais. Expliquei a origem da família e tudo mais. Gastei uns 15 minutos conversando com a criatura e ele só disse que eu tinha uma história bem interessante e lógico que não deixou a gente entrar.

No fim da noite, Patrick já havia gastado mais de 115 euros em bebida e eu cheguei em casa as 7h da manhã. Definitivamente curei meu trauma de taxistas gregos, pois os 2 últimos que peguei foram gente boa. Dessa vez, fiquei conversando com o taxista para saber a opinião dele sobre as manifestações e ele se empolgou tanto que até ficou falando mais depois que já tinha parado o carro para me deixar.

Domingo, dia de descanso. Patrick contou que dormiu no metrô voltando pra casa, e fez o caminho de Piraeus(porto) - Aeroporto três vezes. Ou seja, andou Atenas inteira várias vezes e foi acordado pela mulher do metrô algumas vezes, dizendo que se ele não saísse de uma vez, iam chamar um táxi para ele voltar pra casa.

Descobri que tem um lugar ótimo perto de casa que vende suvlakis deliciosos. O melhor, é que fica aberto aos domingos, coisa rara por aqui.

15 de dez. de 2008

One more week in Athens

Terça fui pra academia e quinta, depois da musculação, resolvi experimentar uma aula de yoga em grego. A professora foi bem gente boa e de vez em quando falava em inglês pra eu entender o que tinha que fazer. As meninas que fazem a aula também foram bem queridas, me emprestaram uma esteira e todas elas trabalham na DDB, que também fica aqui no prédio e que é uma das maiores agências de publicidade do mundo. (No Brasil, é sócia da DM9DDB).

11 de dez. de 2008

Segunda

Acordei cedíssimo para encontrar Claudia em Omonia para vermos umas questões do meu visto. Estava morrendo de sono e enjoada da noite de ontem. Comecei bem a semana...

Mandei dinheiro pro Brasil e fui ao banco ao lado do correio com Claudia, tomamos um café e fomos trabalhar.

Passei no mercado antes de ir pra casa. Enquanto singelas musiquinhas de Natal tocavam entre as gôndolas, o centro de Atenas pegava fogo. Estava cansadíssima e as filas do caixa estavam enormes, cheias de gente comprando pinheirinho, velas e enfeites de natal.

Chegando em casa, vi na TV os manifestantes quebrando e queimando tudo no centro. Hoje foi o pior dia. Fiquei boquiaberta assistindo as cenas de destruição, de fogo e bombas por todos os lados. Inclusive o banco que tínhamos ido de manhã tinha sido todo destruído. Nem o pinheirinho e a decoração de natal que estava prontinha pra inaugurar escapou. Só se via a fumaça negra subindo aos céus. Como disse o Rodrigo, estava mais pra festa junina.

A polícia foi instruída a praticamente não fazer nada, pra não piorar a situação. E ainda há uma lei que proíbe a entrada da polícia nas Universidades (onde os manifestantes se refugiam), desde um acontecimento histórico de quando a polícia entrou nas Universidades e matou pessoas. Ou seja, estamos vivendo uma guerra com fraiz.

As manifestações continuaram durante toda a semana. O mais engraçado é ficar assistindo na TV os gregos comentando o que está acontecendo. Eles colocam vários quadrinhos com pessoas falando ao mesmo tempo, com aquele jeito grego e exaltado de falar. Fica uma gritaria nervosa, todo mundo falando ao mesmo tempo e não dá pra entender nada.

10 de dez. de 2008

Domingo

Fui dar uma volta no centro. Desci em Monastiraki, comi um suvlaki em plaka e fui subindo a rua Ermou, até encontrar uma construção incendiada, carros queimados, cheio de bombeiros, TV filmando e turistas tirando foto.

Andei mais a frente e vi várias lojas isoladas, que tinham sido apedrejadas, vitrines quebradas e policiais por toda a parte.

Depois, Claudia me ligou para que eu tomasse cuidado andando pelas ruas, por causa das manifestações que estavam acontecendo em virtude do que aconteceu ontem a noite. Um grupo de anarquistas atacou a polícia, que deu um tiro e acabou acertando um menino de 15 anos, que morreu. A partir de então começaram as manifestações, que não tem previsão de parar tão cedo. Depois encontrei com Claudia e Vassili em Syntagma. Tomei sorvete de kaimaki, tradicional da Grécia. As ruas estavam bem vazias e a polícia passava de carro, avisando pra sairem do local pois os manifestantes estavam chegando ali.

Voltando pra casa, Michal me ligou para fazermos alguma coisa. Nos encontramos em Ambelokipi, onde algumas ruas também estavam isoladas por causa das manifestações. Entramos num pub, onde tomamos vinho e comemos uma sobremesa de iogurte. Mais tarde, Patrick, mais duas amigas tchecas que estavam na casa deles este fim de semana e o romeno psicopata nos encontraram lá. Patrick, a amiga tcheca e eu emendamos para uma baladinha em Monastiraki. Estava tudo meio vazio e muitos lugares fechados, por causa das manifestações. A tcheca não falava inglês e tive a oportunidade de treinar mais um pouco de alemão. Acabamos pulando para uma outra baladinha que estava mais animada e cheguei em casa quase 3h.

01 a 06/12

Mal dá pra acreditar que já estamos em dezembro. Essa semana até que estava quente. Uma delícia pra quem acabou de voltar do frio congelante de München.

Essa semana fui ao Factory Outlet, próximo ao Aeroporto, fazer umas comprinhas.

Quinta-feira finalmente tomei coragem e estreei na academia. Vou tentar freqüentá-la a partir de agora.

1 de dez. de 2008

Wilkommen in München

Tinha planejado sair de casa as 6h20, mas quando acordei e olhei no relógio já eram 6h15. Corri para o banho, terminei de arrumar a mala, e saí correndo para pegar o metrô para o aeroporto.

Estava morrendo de sono e ainda cansada da semana. A viagem foi um tanto angustiante, pois eu estava na janela, as outras duas poltronas estavam ocupadas e a comissária de bordo demorou séculos pra retirar nossas bandejinhas de comida. Senti uma espécie de claustrofobia, presa naquela poltrona.

Cheguei em München as 10h10, pois é 1 hora a menos de fuso. Peguei um trem para a Hauptbahnhof. A estação é enorme, não consegui achar a saída que o hostel indicou e saí de lá pedindo informações, mas ninguém sabia direito. Andei um pouquinho, resolvi atravessar a rua e eis que pela graça de Deus eu estava na rua do Euro Youth hostel.

Deixei minhas coisas no locker, e peguei um free walking tour que ia começar em meia hora. Não sou fã de guias turísticos, mas eu estava tão cansada e sem clima que resolvi ver qual era. Em três horas vimos os principais pontos turísticos que ficam próximos. Foi meio chato e estava excessivamente frio. As piadinhas de guia turístico com american/british sense of humor não estavam combinando nem um pouco. De qualquer forma, visitamos a Marienplatz, a alte und neue Rathhaus (antiga e nova prefeitura), a Frauenkirche, The legend of the Devil's Footprint, The National Theater, St Peter's Kirche, Maximilianstrasse, Hofbräuhaus, Open Air Market, New Jewish Cultural Centre, etc.

Já estava escuro quando peguei o U-Bahn para o hostel. Pensei em pegar o challenge beer tour, que leva a galera pra vários bierkellers em uma noite, mas resolvi ir ao Hofbrauhaus por conta própria, pois já tinha o ticket do trem comprado e estava de saco cheio de tours em grupo. Agora sim, eu tinha entrado no clima de München.

Primeiro, aproveitei um pouco mais do Christmas Market na Marienplatz. Passeei por lá e comi um crepe de nutella maravilhoso. Depois, entrei em algumas lojas, o preço e as roupas pareciam ótimos. Pena que não tinha tempo para ir às compras. Saí de lá com um brinco e fui para a Hofbräuhaus, a cervejaria mais tradicional e turística de München.

O lugar é enorme, diz que cabem até 5.000 pessoas. Dei alguns giros por lá até encontrar uma mesa bacana que pudesse me acolher. Conheci quatro suíças de Asppenzell muito simpáticas. Depois de uma caneca de chopp tamanho único de 1L (que a gente levou junto), fui com elas para o outro Christmas Market que estava rolando no mesmo lugar onde acontece a Oktoberfest. Eu nem sabia que tinha outra feira de natal acontecendo. Uma das meninas roubou uma lamparina de algum lugar no meio do caminho e guardou as canecas dentro. Tava todo mundo pra lá de Bagdá e quando vi já estava com outra cerveja na mão. Comprei um cachecol e antes de ir embora, um crepe de maçã pra acordar 100% no dia seguinte.

Peguei o U-Bahn de volta para o Hostel, onde havia uma dupla de australianos tocando violão e cantando músicas boas. Tomei um jägermeister e muita água. Tinha um pessoal bacana curtindo, mas infelizmente estava exausta e tive que ir dormir.

O Hostel é ótimo, os funcionários são prestativos e dormi num quarto mixed de 18 dormitórios.

Acordei domingo ouvindo português. Tinham mais duas brasileiras de Porto Alegre perto da minha cama. O café da manhã era excelente. Fiz o check out e parti para o BMW museum. O lugar é incrível. Me emocionei ao entrar num lugar tão bem pensado e projetado para visitantes.

Depois, segui para o Parque Olímpico e subi na Olympiaturn, a torre de onde se tem a vista panorâmica de Munich de uma altura de 250m. De lá da pra ver o estádio olímpico e também o Allienz Arena bem de longe. Então fui para a Alte Pinakotheken, onde estão expostas pinturas a partir do séc XV. Como algumas salas estavam fechadas, a parte mais interessante eram as obras renascentistas italianas de Leonardo da Vinci, Sandro Boticceli e Raphael.

De lá peguei um tram para Marienplatz, onde provei weisswurst com repolho agridoce e batata. Já eram 16h quando estava chegando no Hostel para pegar minha mochila, sendo que meu vôo era as 17h45 e levava 45 min de trem até lá. Saí correndo até a Hauptbahnhof e por muita sorte, o S8 para o aeroporto não demorou nem 5 minutos pra chegar.

Chegando ao enorme aeroporto de München, saí correndo para o Terminal 2, onde tinha que achar o inexpressivo guichê da Aegean Airlines em meio a multidão. Uma moça me informou que deveria ir ao andar de cima, mas chegando lá outro funcionário disse que era no andar de baixo. Desci correndo até achar a Aegean. O Senhor falou que eu estava super atrasada e me indicou onde devia fazer o check in, que nem nome da Aegean tinha. Mas tinha fila. Gritei "Aegean Airlines? To Athens??". A mulher respondeu afirmativamente, e anunciou a todos que a preferência era para Atenas, pois o vôo já estava saindo. Então furei a fila, e o cara atrás de mim me seguiu, pois também estava atrasado para o mesmo vôo. Ainda perguntei se podia levar linguiça (que comprei pra Claudia) e vidro (a caneca enorme da Haufbräuhaus) na bagagem de mão. Ela disse que o risco era meu, não havia tempo para despachar nada.
Lá fui eu correndo com o cartão de embarque, até achar o Gate 20. Surpreendemente as Wursts passaram batido pelo raio X.

Sentei na última janela do avião. Não sei se era o lugar, mas por um breve momento, a turbulência foi forte. De qualquer forma, dormi praticamente a viagem inteira. Só acordei quando achei que estávamos passando por uma turbulência fortíssima, mas na verdade o avião já estava pousando.

28 de nov. de 2008

Back to Athens

Quarta-feira, de volta a realidade. Quinta fiz massagem que a Upstream está oferecendo aos funcionários. Uma delícia e veio a calhar, depois de tanto carregar minha mochila pra lá e pra cá viajando.

Quinta e sexta tivemos cardápio especial na hora do almoço de comida indiana. Até me presentiei com um sorbet de abacaxi de sobremesa, que vem dentro da própria casca da fruta. Sexta pedi também uma entrada com crab cake e mais donuts de chocolate a tarde.

Depois do trabalho, fui pra casa da Cláudia comer pizza e beber vinho. O vinho branco do norte da Grécia é ótimo. A Mariana, a Bruna e a Georgia (filha dela), também foram. Bem divertido, assistindo ao DVD do Furacão 2000.

Tinha planejado dormir cedo, mas cheguei em casa tarde e tinha que fazer a mochila pra viajar. Ainda não tinha me recuperado de Istambul.

Thessaloniki

Chegamos em Thessaloniki por volta das 11h da manhã. Comprei minha passagem de trem para Atenas para mais tarde, para ter tempo de dar um giro em Thessaloniki. Deixei minha mala no locker da estação e segui com Alley, a americana, para o ponto de ônibus. Ela me deu 2 passes e me explicou tudo o que eu podia ver mais ou menos próximo.

Visitei uma igreja e fiquei abismada com a religiosidade desse povo. Primeiro que na entrada há vários tipos de velas a venda. Cada um que entra compra as velas, as acendem e colocam num lugar determinado. Depois beijam as imagens dos santos várias vezes - sim, todos colocam a boca no mesmo lugar.

Depois visitei um arco construído no período romano, a praça aristóteles, a white tower e o monumento do cavalo. Segui caminhando pela water front, onde lembra uma espécie de beira-mar, porém com frente para uma baía. É uma região muito bonita, cheia de cafés e restaurantes bem decorados. Provei um crepe delicioso e fui conhecer uma espécie de mercado sujo e bagunçado que tem nas ruas, onde você encontra de tudo, de roupa a comida. Fui até uma igreja chamada Aghia Sofia e peguei o ônibus de volta para a estação.

O trem de Thessaloniki para Atenas não é dos melhores. A viagem foi um pouco cansativa e cheguei em casa perto da meia-noite.

Lovely Monday in Istanbul

Acordei cedo para tomar banho e fui acordar Mete que perdeu a hora. Tomamos café da manhã e seguimos rumo a Taksim Square para dessa vez pegar um ônibus até Suhltanahmet. Descemos próximo ao Grand Bazaar, que é enorme e tem milhares de lojas de jóias, ouro e prata, além de porcelanas e outros artefatos.

Estava um lindo dia de sol e céu azul. Passamos por uma praça linda até chegar no famoso Blue Mosque. Muito parecido com a mesquita que fomos ontem, porém é impossível descrever a beleza das seis minaretes que se vê do lado de fora. A cúpula por dentro é forrada de azulejos de cor azul e arabescos florais. Lá fomos nós tirar os calçados novamente. Ficamos relaxando um bom tempo deitados no tapete da mesquita e observando o comportamento dos turistas.

O que mais me chamou a atenção em Istanbul é que em qualquer canto da cidade se houve de tempos em tempos (acho que quatro vezes ao dia) as vozes de lamentações dos muezins vindas das minaretes de dezenas de mesquitas espalhadas pela cidade. É uma espécie de canto exótico, que chamam os muçulmanos para rezar. Era exatamente meio-dia quando estávamos justamente entre três mequitas (entre elas a mesquita azul e a Basílica Santa Sofia) quando começou a tocar novamente os cantos, que se revezavam, parecendo uma conversa entre elas, pois cada hora vinha de um lugar diferente.

Antes de seguirmos ao Topkaki Palace, adquirimos um pouco de energia comendo um kebap aberto e também provei um suco natural de romã, feito na hora. Gastamos mais de 2 horas no Palácio, que hoje é museu de grande magnitude com seus jardins, cheio de salas e salões enormes, onde se destacam porcelanas, jóias com brilhantes e diamantes, armas, etc.

De lá fomos à Basílica Santa Sofia, que infelizmente está fechada na segunda-feira. Puro amadorismo, deveria ter me informado antes. Então fomos tomar um cappuccino e pegamos um ônibus de volta para Taksim Square. Comemos um kebap tradicional com uma bebida típica de iogurte com sal. Um tanto estranho, pois estava esperando algo levemente adocicado. Finalizamos com uma sobremesa com todos os grãos e frutas secas que se tem direito.
Voltamos para o bar perto do hostel para jogar mais umas partidas de gamão antes de eu partir de Istambul. Peguei minha mochila, me despedi de Mete e peguei um metrô e um tram para a estação de trem. Despedidas são tristes. Me emocionei ao me despedir da Turquia e de Mete e mais uma vez estava voltando para casa com aquela sensação de que há tantas pessoas especiais nesse mundo.

Embarquei no trem para Thessaloniki, onde faria conexão para Atenas. Era um sleeping train, extremamente confortável. Tinha uma cabine com duas camas só para mim. Perguntei a uma menina quantas horas de viagem eram e descobri que ela é americana e está morando em Thessaloniki. Disse que podia me dar todas as dicas e direções para conhecer a cidade no dia seguinte, já que eu estava planejando ficar algumas horas lá antes de ir para Atenas.

Teria dado pra dormir muito bem no trem até o outro dia, senão fosse as interrupções agressivas da polícia de madrugada. Eu havia trancado a porta da minha cabine e estava dormindo profundamente. A polícia bateu horrores na minha porta até acordar. Acho que o meu passaporte foi o último que eles conseguiram pegar. Perguntaram se eu era estudante, disse que sim. Uns 10 minutos depois eles voltaram para entregar os passaportes carimbados. Achei que agora ia poder dormir tranqüila. Mas logo fui acordada novamente para mais uma carimbada. Dessa vez um senhor ficou me perguntando mais coisas, se tinha alcool ou cigarro, deve ter confundido minha cara de sono com cara de drogada. Mais alguns minutos, passaporte em mãos e agora sim, direto para Thessaloniki.

26 de nov. de 2008

Um pé na Ásia

Acordei às 8h30 e fui tomar o café da manhã. Só tinha mais uma pessoa no local. Mete é da Austrália e já tinha ido para Istambul quando era mais novo. Mas dessa vez, ia conhecer os pontos turísticos. Então resolvemos ir juntos.

No caminho, encontramos Korai, o turco que conheci na noite anterior. Ele não gostou que Mete estava indo junto, ficou com ciúmes e disse para o australiano que eu era a namorada dele. Falei que não tinha nada a ver, tentei explicar a situação e ele ficou ainda mais aborrecido, falou "finish", que ele não ia mais seguir adiante e que eu podia ir junto com Mete conhecer a cidade. Ok, perdemos o guia turco. Mas em compensação, Mete é quase turco e também fala um pouco da língua. Os pais dele são de Cyprus e muçulmanos.

Seguimos em frente e paramos no estádio do principal time da Turquia, BJK. Mais a frente, chegamos ao Dohlmabahce Palace, onde compramos o tour completo. Tentamos escapar da guia várias vezes, para fazer o tour mais rápido, mas não deixaram. Quase 2 horas depois, resolvemos seguir a pé pela costa do Estreito de Bósforo - que liga o Mar Negro ao Mar de Mármara e também marca o limite dos continentes asíatico e europeu na Turquia - e chegamos até Suhltanameht, a região onde estão os principais pontos turísticos. Antes, paramos na Galata Tower, de onde se tem uma vista panorâmica e lindíssima de Istambul.

Depois, cruzamos a ponte que jurávamos ser a Galata Bridge, mas pegamos uma outra. De qualquer forma, atravessamos o continente a pé, pois parte de Istambul é na Europa e outra parte na Ásia. Paramos no caminho para comer um fish kebap (sanduíche de peixe) fresco feito no barco com peixe recém-pescado.

Alimentados, entramos numa mesquita muito bonita achando que era a tal da Blue Mosque, mas depois descobrimos que não era. Tivemos que tirar os calçados para entrar e as mulheres tinham que cobrir a cabeça com um véu. Simplesmente adorei o ambiente, é muito calmo e relaxante. É como uma igreja vazia, sem bancos, toda forrada de tapete feito à mão. É muito interessante sentar no tapete e assistir aos religiosos descalços se ajoelhando, deitando e realizando todo o ritual da reza. Sem contar que antes de entrar na mesquita, eles também se lavam nas torneiras que tem no lado de fora, independente do frio que está, como uma forma de purificação. Por coincidência, na hora que estávamos saindo encontrei os dois canadenses que estavam no ônibus.

De lá fomos para o Spice Market, onde também vendem tudo o que dá pra imaginar. Desde variadas pimentas, peixe e todos os doces turcos tipicos até carteira de identidade falsa. Foi uma diversão ficar provando um pouco de tudo, pois você pode experimentar. Mete foi me explicando o que era cada queijo e cada doce. Comprei uma caixa de turkish delights para levar pro Brasil.

Já eram quase 5 horas da tarde e já estava escurecendo. Fomos entao â procura da estação de trem para comprar meu ticket de volta para Atenas. Nos perdemos bonito, e depois de um dia inteiro andando, nossas pernas latejavam. Quando finalmente encontramos a estação de trem, descobrimos a volta imensa que demos sem precisar. Comprei a passagem e encontramos um casal de alemães muito simpáticos que nos deram algumas direções. Pegamos um ônibus de volta para Taksim Square e fomos à caça do famoso baklava, sobremesa com pistache típica da Turquia e da Grécia, que eu queria experimentar e Mete adora. Entramos numa doceria e dividimos vários doces diferentes. Delícia.

Depois passeamos pela Istiklal Street, e resolvemos parar no Starbucks para tomar um hot chocolate. Os funcionários do café são muito simpáticos. Mete me contou que talvez ele apareça no próximo filme do Nicholas Cage, que na Austrália, deve ser lançado em março. Depois, demos mais algumas voltas, e como ainda não era tarde, fomos tomar uma cerveja turca perto do nosso hostel. Provei a Efos, muito gostosa e suave, enquanto Mete me ensinava a jogar gamão. Perdi a primeira, mas ganhei as outras duas partidas, com uma ajudinha do dono do lugar, profissional no jogo. Foi muito divertido. Depois, aprendi a falar os naipes em inglês, jogando baralho. Agora fazem sentido as cartas (K)ing, (Q)ueen e (J)ack. Nunca tinha notado que os baralhos do mundo inteiro estão em inglês. Mete é adorável, muito querido e legal de conversar. É um gentleman e faz questão de fazer todos que estão a sua volta se sentirem bem. Foi realmente um prazer passarmos o dia juntos.

Já havia passado da meia-noite. Estávamos exaustos e fomos dormir.

Türkiye'ye Hoşgeldiniz!

Dispensei a primeira parada da madrugada e continuei dormindo. Só saí as 5h da manhã. Estava ainda escuro e muito frio. Voltei ao ônibus e dormi até as 9 horas da manhã. Mais tarde, parada no Duty Free. Não sabia que também tinha para quem cruzava a fronteira de ônibus. O motorista cara de chileno muambeiro voltou com várias sacolas. Pedi um club sandwich no Everest e voltei para o ônibus.

Logo depois, Türkiye'ye Hoşgeldiniz! Welcome to Turkey. Hora de passar pela imigração. Estava uma ventania fora do normal. Saímos do ônibus quase voando. Por incrível que pareça, os dois canadenses tiveram que pagar 45 euros pelo visto cada um, e o inglês, 15 euros. Eu, como sou brasileira, não paguei nada. Pelo menos aqui somos bem-vindos. Passaporte carimbado e lá fomos nós adentrar a este país peculiar. Era tanto vento que passamos por uma espécie de tempestade de areia, que simplesmente cobria todas as janelas do ônibus e não dava pra enxergar um palmo à frente. Ainda bem que logo parou.

Paramos próximo ao meio-dia numa cidadezinha pobre da Turquia. Fiquei conversando com o inglês e conheci um americano que mora no Alaska. Chegamos em Istambul às 14h30. Meus companheiros de ônibus iam ficar em hostels na parte baixa e mais turística da cidade. Então nos despedimos e peguei um microbus que estava incluso para Taksim Square, na parte alta da cidade, onde ficava o Hostel que eu havia reservado.

A primeira impressão que tive é que os turcos tem muito orgulho da sua pátria, pois encontra-se a bandeira da Turquia erguida em todos os lugares.

Cheguei na praça ainda um pouco atordoada da viagem e totalmente perdida. Pedi informação e cheguei no Chambers of Boheme Hostel, que fica numa portinha numa ruazinha perpendicular a principal rua da Taksim Square, uma espécie de rua XV de Curitiba, porém bem mais movimentada. A primeira impressão não foi das melhores, mas depois o lugar revelou-se razoável. O quarto era de 4 dormitórios mixed room e shared bathroom. Mas só havia eu e um espanhol que havia chegado na mesma hora, e que estava em Istambul para uma conferência. Ele trabalha no banco central da Espanha.

Tomei um bom banho e saí para trocar dinheiro, pois não tinha uma lira turca, e conhecer as redondezas. Foi só pisar na rua que veio um turco conversar comigo. E não desgrudava. Ele foi comigo trocar dinheiro e na agência de turismo. Não sabia mais o que fazer para me livrar da criatura. Já era noite e começou a chover forte, então acabei indo até a loja da família dele que vendia relíquias e tapetes. Tomei café, chá turco e chá de maçã. Depois fomos comer algumas comidas típicas da Turquia. A chuva não parava. Fomos até uma lanchonete comer um doce e esperar a chuva passar para eu ir pra "casa". Acabamos combinando de nos encontrar no dia seguinte de manhã, e ele iria me ajudar nas direções dos pontos turísticos.


*** algumas palavras em turco ***

Hello - merhaba
How are you - nasilsiniz
I'm fine - iYiYim
Thank you - Tesekkür ederim


Chegando no quarto, o espanhol havia acabado de chegar. Perguntei se não havia no hostel alguma sala para socializar e conhecer outras pessoas. Ele disse que neste não tinha, mas me convidou para ir junto com ele e mais alguns amigos para algum lugar. Acabei indo e conheci um italiano que trabalha com cinema em Roma, e também estava numa conferência de cinema em Istambul. Disse que tinha trabalhado com dois diretores famosos do Brasil, Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos. Também conheci uma outra italiana e uma menina que mora em Istambul, que nos levou a uma balada no topo de um prédio (onde geralmente são aqui) que se chama 360. Lá de cima, se tinha uma vista noturna de 360 graus de Istambul através das janelas panorâmicas. Incrível. A parte ruim é que cada drink custava 25 liras, ou seja, 25 dólares.

Partiu Istambul

Passei a semana planejando e organizando a viagem para o Egito. Quarta-feira fui trocar dinheiro, mas a casa de câmbio não tinha nenhuma moeda egípcia. Refiz os cálculos e achei que iria gastar muito dinheiro para 4 dias.

Já estava com o roteiro pronto, sabia decor quais passagens ia comprar, o hostel que ia ficar e tinha contatos de brasileiros no Cairo. Mesmo assim, acabei mudando de idéia e adiei meu sonho de ir ao Egito. Com certeza este país e o respectivo investimento para chegar lá merecem mais tempo.

Já era quinta-feira quando resolvi ir para Istambul. Os trens já estavam lotados, por isso adiei meus dias de folga e comprei a passagem de ônibus para sexta-feira a noite. Fui trabalhar de mochila e fui direto para Larissa Station. O metrô estava em greve, foi um caos pegar o ônibus de manhã transbordando de gente com uma mega mochila nas costas. A noite, peguei o suburban railway que estava funcionando e depois fui a pé até a estação de trem.

O ônibus atrasou meia hora, e estava muito aqüem das minhas expectativas. Seriam 21 horas de viagem num meio de transporte que nem banheiro tinha, e minha mochila nem cabia no estreito compartimento de mochilas. Pra completar, havia uma senhora ao meu lado, que visivelmente estava descontente com a idéia de ter alguém sentada ao lado dela durante a viagem. Mesmo assim, fomos conversando e ela acabou se revelando simpática.

Na primeira parada, me mudei para outro banco que estava vago. Os ônibus para Istambul geralmente vão metade vazios, por isso cada um tem 2 poltronas para si. Foi ótimo, pois haviam 2 canadenses com cara de chineses e mais um inglês próximos. Ficamos conversando até 1 hora da manhã. Estava comentando com o inglês sobre a diferença da escrita entre o inglês britânico e americano, pois em Londres vi escrito "organise" com "s" por exemplo. Ele explicou que todas as palavras que terminam com "ise", como "realise" por exemplo, são com "s" e insistiu que a língua deles é a correta, afinal foram eles que inventaram.

Weekend

Acordei super bem disposta. Estava precisando de uma boa noite de sono. Ajeitei a casa e fui trabalhar na tarde de sábado, pois precisávamos fazer a última revisão das mensagens de texto simuladas pelo sistema, antes de serem enviadas. Depois, fui até Maroussi dar uma volta, pois Rodrigo tinha comentado que era uma região bem legal. De fato, é. Pena que as lojas estavam fechadas mas deu pra ver as vitrines e provar um docinho típico da doceria que estava aberta, cuja vitrine é um sonho. Vou ter que voltar lá pra fazer umas comprinhas.

Do outro lado da estação de Maroussi ficam os cafés e restaurantes, um mais lindo que o outro. É um mar de cadeiras estofadas no calçadão, cobertos por guarda-sóis sofisticados. É incrível o cuidado que se tem com a decoração dos ambientes. Cada lugar que voce vai é unico, e dá pra perceber que cada detalhe é pensado para tornar aquele ambiente especial.

Cheguei em casa às 21h30 e me encontrei com a Bruna, amiga brasileira da Claudia, perto da estação de Syntagma. Como ela tinha se atrasado um pouco, acabou pegando um táxi. A motorista era mulher, segundo ela, uma das primeiras taxistas de Atenas.

Bruna então resolveu me mostrar o lounge bar do Grande Bretagne Hotel, o mais tradicional da cidade, muito bem freqüentado pela elite de Atenas. De lá partimos para Kolonaki e entramos numa baladinha mais tranqüila, pequena e aconchegante, muito bem decorada com espelhos e lustre de cristal. Provei o famoso Ouzo, a cachaça grega, que quando em contato com gelo, adquire uma aparência leitosa e tem um suave sabor, parecido com anis. Aprovado.

Depois fomos para uma outra balada, que antes tentamos entrar e ainda não estava aberta. Só tinha alguns gatos pingados e os garçons lá dentro. As baladas aqui costumam começar mesmo lá pelas 2h da manhã. Mais uma vez, o lugar era peculiar, a arquitetura
faz toda a diferença.

Saímos de lá para ir no Vila Mercedes, uma boate imensa que tem aqui. Mas, antes, resolvemos pegar um táxi para Psiri, a região que todo guia turistico cita ser a mais badalada. A Bruna já estava pra lá de Bagdá, e o taxista pra variar era um idiota. Nao sei bem aonde ele deixou a gente. Fomos andando e quando vimos entramos num restaurante argentino, quando por coincidência começou a tocar uma música brasileira. Saímos de lá e estavámos presa dentro de um estacionamento. Tivemos que pedir pra alguém abrir o portão.

Seguimos em frente e encontramos um extenso bar universitário, cheio de estudantes bêbados fumando narguile. A Bruna, então, me introduziu à cachaça com mel quente, tradicional da ilha de Creta. Compramos uma jarra, e tínhamos que virar os copinhos como se fosse porradinha. Pior que era gostoso. E quente mesmo. Depois sentaram dois meninos na nossa mesa e eu perdi as contas de quantas jarrinhas foram parar na nossa mesa. Quando fui ao banheiro, que geralmente é no andar de baixo, como em todos os lugares aqui, já vieram me perguntar se eu era a amiga da Bruna. Não faço a menor idéia de como eles sabiam. Enfim, eles estavam preparando as narguiles lá embaixo e eu provei quase todos os sabores que tinham.

Não agüentava mais cachaça com mel quente e a Bruna fissurou no meninos dos olhos azuis. Então fomos até a tal balada "bouzuki" que ele ia com os amigos. Foi ligar o rádio do carro, começou a tocar a música "não deixa o samba morreeeeeer". O Brasil está na moda aqui na Grécia. Cantávamos empolgadissimas, enquanto o menino não dizia nada.

Chegando lá, percebi que bouzoki sao as baladas gregas típicas. Extremamente decoradas com uma atmosfera um tanto árabe. O lugar por dentro era um luxo. Música grega rolando a noite inteira, a mulherada dançando qualquer coisa parecida com dança do ventre em cima das mesas, e algumas rodas de homens dançando a dança grega. Enquanto um deles fica se requebrando no meio da roda, os outros posicionam-se ajoelhados ao chão, batendo palma. Um tanto
quanto gay.

Como já tinha passado das 5h30 da manhã, voltei pra casa de metrô. É muito engraçado, porque todo mundo está bêbado a essa hora. Uma menina jogada na poltrona soluçava, enquanto outra ficava rindo sozinha. Fiquei conversando com um português e um tcheco que desceram na mesma estação e estão estudando inglês aqui em Atenas.

Domingo acordei de ressaca e estou pra dizer que a ressaca grega é a pior espécie que existe.

11 a 14.11.08

A semana que antecede o lançamento da campanha no Brasil está bem puxada. Bastante trabalho.

Sexta-feira provei no almoço beringela refogada com feta, queijo típico da grécia. É uma delícia.

10.11.08 - Segunda-feira

Não comecei a semana cansada como imaginei. Pelo contrário, estava ainda bem elétrica do fim de semana. Tive energia até pra ir ao mercado antes de ir pra casa. Talvez tenha sido efeito do frappe grego que experimentei hoje de manhã. É o tradicional café gelado daqui - gostoso - mas um pouco enjoativo. No verão deve ser melhor.

11 de nov. de 2008

Domingo em Londres

Acordamos às 8h30 e fomos ao Green Park, perto do Buckingham Palace, onde haveria a troca da Guarda às 11h30. Ficamos lá esperando começar, e nada. A Paula veio nos encontrar e mais tarde, a Ivy e o Clayton, o namorado inglês. Tinha uma galera de turistas também aguardando. Já havia passado do meio-dia e nada. A pontualidade inglesa só podia ser lenda. Foi aí que Clayton disse que hoje era um dia especial, o memorial day da 2a Guerra Mundial, motivo pelo qual também todo mundo andava com uma flor vermelha de broche na roupa desde ontem. Enfim, hoje não haveria troca da Guarda, pois outras ações estavam sendo realizadas pela cidade.

Pegamos o metrô para o British Museum. No caminho, paramos num pub para almoçar. Provei o tradicional Fish and Chips, que tem em toda esquina de Londres. Depois, fomos até o museu, que é enorme. Tive a sorte de estar com a Paula, que foi uma ótima guia, já que tinha ido lá duas vezes. Me mostrou as highlights e outras salas que eram imperdíveis, como a do Egito, por exemplo. Um fato interessante é que grande parte do Parthenon, mais especificamente 56 frisos, quinze placas de mármore e doze esculturas, estão no British Museum. Acho que agora quase dá pra dizer que vi o Parthenon inteiro.

Não eram nem 5h da tarde e já estava escuro quando chegamos em Candentown, que é tipo um flea market onde você encontra de tudo, localizado onde eram antigos estábulos. Estava chovendo e transbordando de pessoas. Saí de lá correndo para a estação de Liverpool Street, para pegar o trem para o Aeroporto. O vôo atrasou um pouquinho, e cheguei em Atenas quase 2 horas da manhã. Não tem metrô este horário, mas por sorte o único ônibus da madrugada estava saindo e parou pertinho de casa.

Presa em Londres

Acordei as 5h da manhã. Ainda estava escuro quando saí de casa para pegar o segundo metrô do dia para o aeroporto, às 6h07.

Viagem longa de 04 horas e fuso horário de 02 horas. Por isso, quando cheguei em Stansted, em Londres ainda eram 9h30. Para passar pela imigração, existem zilhões de guichês para passaportes de UK ou União Européia. E lá no fim do saguão, há um mísero guichê sinalizado por uma placa um tanto preconceituosa, "Rest of the world".

Preenchi o formulário e me dirigi ao atendente. Mostrei meu passaporte e ele começou a fazer milhares de perguntas. Tive que mostrar todo o meu dinheiro, documentos e passagens de volta. Como ele viu que eu ia ficar 3 meses na Europa, perguntou se eu não trabalhava no Brasil. Então falei que não estava mais trabalhando, e isso foi o suficiente pra ele achar que eu não podia entrar em Londres. Depois, ainda achou estranho a minha amiga ter me dado a carta convite de estadia com todos os documentos dela, sendo que eu não a conheço de longa data.
Pediu para eu sentar e vi que ele comentou com o superior: "She is only with this bag, but she has quit her job in Brazil to travel". Me chamou, disse que eu seria revistada e entrevistada e depois veriam o que iriam fazer comigo (com a maior cara de desdém). Então lá fui eu pra salinha da imigração.

Chegando lá, entrei numa outra salinha, onde um funcionário de uma empresa terceirizada pela imigração me deu um folheto em inglês para ler. Entre outras informações, eu li que tinha direito a um telefonema de até 2 minutos, que se fosse vegetariana, havia refeições para vegetarianos, que se eu não gostasse da forma como fosse tratada eu podia reclamar, etc. Na hora meus olhos ficaram úmidos e eu pensei, acho que estou sendo presa. Foi o que perguntei a ele: "Am I being arrested?". Daí ele me explicou que "não era bem assim", que eu não tinha feito nada de errado, mas no fim das contas era a mesma coisa, pois eu estava detida, assim como todos os meus documentos e não podia sair daqueles metros quadrados até que me autorizassem.

O primeiro procedimento foi tirar uma foto, e ele ainda disse "smile". Pouco tempo depois, sairam 4 fotos da minha cara sorridente. Então, como não havia nenhuma mulher no momento, ele me revistou com um aparelho de detector de metais. Em seguida, tirou tudo da minha carteira, contou todo o meu dinheiro, anotou tudo e tive que assinar. Depois, revistou toda a minha mochila com as suas luvas de borracha, item por item, inclusive minhas calcinhas e absorventes. A parte boa é que ele acabou encontrando o meu roteiro de viagem, com todos os pontos turísticos de Londres, assinalados e organizados por dia. Ele perguntou se podia levar o papel para a imigração ver, eu falei "sure!". Depois enfiou tudo dentro de qualquer jeito, e me levou para tirar as impressões digitais. Dedo por dedo de cada mão, depois todos os dedos juntos. Nunca tirei tanta impressão digital na minha vida. Lavei as mãos, ele trancou minha mochila na grade de bagagens detidas e me deu uns papéis da imigração. Um deles estava assinalado que eu tinha sido detida por dar informações insuficientes para ser aprovada a entrar no pais, de acordo com o parágrafo X, ou presa por ter infringido o parágrafo Y. Só não sei aonde estavam esses benditos parágrafos. Enfim, implorei para que fizessem tudo o mais rápido possível, pois tinha que voltar a Atenas no dia seguinte e estava perdendo o pouco tempo que tinha para conhecer Londres. Ele disse que ia levar tempo, pelo menos umas duas horas e podiam me deixar lá até 24h. Assustador. Como não tinha nada pra fazer naquela sala entendiante e sem janelas, aceitei um sanduíche de atum e tomei água para me acalmar um pouco. Usei meu telefonema para avisar a Ana Flávia que eu ia me atrasar (se é que eu ia entrar), pois ela já estava me esperando na estação de Liverpool Street.

Haviam dois portugueses também detidos, segundo eles, porque acharam que as fotos da ID deles eram falsas. Achavam que eles não eram portugueses, mesmo eles falando o português de Portugal, comendo vogais freneticamente. Tadinhos, estavam lá desde ontem e ainda choravam. Eles tinham passagem de volta para Porto naquele dia e nem assim queriam deixá-los ir, pois teriam que voltar para Milão, de onde vieram. Dormiram lá na sala, sendo que só havia 1 pseudo colchonete finíssimo, enquanto tinha um outro ser também lá capotado que estava dormindo nas poltronas desde ontem. Tentei animá-los um pouquinho, e ver o lado legal da situação (ok, difícil, já que eles estavam lá há muito tempo.) O fato é que eu me enchi de uma energia positiva e um otimismo extremo tomou conta de mim. Fiquei tranqüila, mesmo com os portugueses me falando: "não é por nada não, mas acho que você vai dormir aqui hoje".

Mais de meia hora depois, chegou a moça da imigração para fazer a entrevista. Todos os funcionários da imigração daquele aeroporto eram negros, enquanto os da empresa terceirizada eram todos brancos e gordos. Enfim, voltei à salinha. Ela pediu para que eu sentasse na cadeira perto da parede, e assim ficamos na diagonal. Percebi que era uma estratégia psicológica de posicionamento, como nos interrogatórios de filme.

Tive que mostrar novamente todo o meu dinheiro e cartão de crédito, e foi anotado mais uma vez a quantidade de dinheiro que eu tinha. Ela então começou a me perguntar tudo o que se pode imaginar e mais um pouco. Desde a minha profissão, do meu trabalho no Brasil, o que os meus pais fazem, onde está minha família, se tenho namorado, nome e sobrenome de quem eu conhecia em Londres, daonde conhecia, como conheci, quando conheci, por que só um dia em Londres. Enfim, é tanta pergunta que fica difícil lembrar. Como tinham alguns contatos de telefone no meu papel do roteiro, ela me perguntou quem era cada uma das pessoas que tinha ali anotado. E tudo o que eu falava, ela escrevia. Ainda bem que ela era gente boa, e modéstia a parte, eu dei uma entrevista que merecia no mínimo um bloco do Programa do Jô. Meus olhos brilhavam quando eu dizia que tinha vontade de conhecer o mundo inteiro e que viajar era importante para o meu trabalho no Brasil, pois trabalho com criatividade e preciso ver coisas novas, respirar outros ares, para ter novas idéias e que é isso que me faz sentir viva. Notei que ela se empolgava junto e simpatizou comigo. Me senti o máximo com as minhas respostas pomposas. No final, perguntou se eu tinha algo a acrescentar, então disse que estava com todas as passagens de volta compradas, inclusive do Brasil, e que estava tudo certo. Ela anotou tudo e foi falar com o big boss para dar o veredicto final. Implorei mais uma vez para que me desse a resposta o mais rápido possível, porque meu tempo estava passando. Eu frisava isso sempre que possível durante a entrevista. Se ela me perguntava quem era Fulana, eu dizia "minha amiga grega, que também está aqui, e que vou tentar encontrá-la. Se eu tiver tempo, claro". E de vez em quando olhava no relógio também.

*** Um trecho da entrevista ***
- Why are you going to London?
- To know the city, for tourism.
- But to know what?
- London!!! You know!
- But what in London?
- What everybody wants to see in london, the touristic points.
- Ok, so tell me the touristic points.
E lá fui eu falar alguns pontos turisticos que, por acaso, lembrava o nome.

Alguns minutos depois, a mulher da imigração voltou, pois depois do mega interrogatório, ela ainda tinha esquecido de perguntar algumas coisas. Voltamos à salinha. Ela questionou à respeito dos outros vistos que tinham no meu passaporte. O que eu fui fazer nos Estados Unidos e na Argentina e por quanto tempo fiquei em cada lugar. Expliquei tudo certinho e fiquei ainda mais feliz, por ter ganho mais pontos a meu favor. Estava praticamente certa de que iriam me liberar.

Enquanto aguardava, resolvi ir ao banheiro. Depois que saí, sentei para ler uma revista e percebi que tinha uma plaquinha em cima da porta, avisando que tinha câmera lá dentro do banheiro. Era só o que faltava.

Fiquei conversando com os portugueses para passar o tempo. É torturante ficar trancafiada naquela salinha, enquanto Londres está lá fora te esperando e você tem muito pouco tempo. E também frustrante e desgastante ter que passar por tudo isso para conhecer uma cidade. Depois, chegaram mais dois coreanos para nos fazer companhia.

Aproximadamente meia hora mais tarde, a mulher da imigração voltou à sala com uma cara de enterro. Na hora pensei que ia ter que voltar para Atenas. Mas ela me chamou e disse que tinham me autorizado a entrar em Londres. Fiquei super feliz e agradeci. O cara da empresa terceirizada fez um comentário do tipo "você vai pagar um café pra ela?". Como não tinha entendido direito a brincadeira, resolvi também fazer uma piadinha "ah! tenho que pagar pelo café e o sanduíche também?" Eles só deram risada. Fiquei tão empolgada que já estava saindo. O cara quis me matar. Tinha que assinar um papel antes. Assinei e perguntei se eles iam guardar minhas fotos e impressoes digitais. Ele respondeu "infelizmente temos que fazer isso", num tom sarcástico. Ok. Três horas depois de chegar no aeroporto, finalmente saí pela porta empolgadíssima, com um visto de 6 meses carimbado para UK. Logo me dei conta que esqueci de pegar a mochila. Voltei lá e pedi para desaprisionarem a minha companheira. Saí correndo rumo ao trem expresso para o centro. Mais 45 minutos e eu estava na estação de Liverpool Street. Estava frio e chovendo. Eu já não lembrava mais o que era chuva. Liguei para a Ana, que estava com a irmã dela, a Carol, e nos encontramos perto do telefone público.

A Ana já tinha um guarda-chuva para mim, então seguimos rumo ao nosso roteiro frenético "como conhecer London em 1 dia e meio". Fomos ao London Bridge e Tower of London caminhando ao lado do rio Tâmisa, até chegar a St. Pauls Cathedral, que é linda, mas infelizmente a hora que queríamos entrar estavam fechando. Eu diria que em menos de 2 minutos a mulher conseguiu tirar todo mundo de lá.

Depois fomos a Trafalgar Square, onde estava tendo um show, onde centenas de pessoas erguiam bandeirinhas. Visitamos a National Gallery, onde quadros incríveis estão expostos datados a partir do ano de 1500 e pouco. Eu realmente nunca tinha visto telas tão interessantes, enormes e retratando momentos especiais, com uma técnica indescritível para a época, uma perfeição que não se encontra na arte atual. Jogo de luzes, expressões faciais, dimensão, vestimentas e texturas que pareciam reais. Eu realmente não esperava encontrar um conjunto de qualidades tão visíveis e bem preservadas, além de que é incrível pensar no quanto a Europa era evoluída nesse sentido, enquanto o Brasil ainda estava sendo descoberto.

Começou a escurecer depois das 16h. Já era noite quando fomos ao Big Ben, Westminster Abbey, Parlament e London Eye, que ficam próximos um do outro. O bom de London é que todo mundo fala inglês e eu posso entender o que está escrito em todos os lugares, além de que tem bastante gente bonita. Estava precisando ver paisagens não-gregas e sair um pouco da minha vida de analfabeta de Atenas. Muitas fotos e frio depois, fomos a Picadilly, que é quase uma Times Square de NY. Várias lojas, telões publicitários iluminados, muitos turistas (como em toda Londres) e vários pubs e restaurantes mais adiante. Escolhemos um lugar para sentar e jantar. Comi um jack potato de frango e um muffin de blueberry para matar a saudade. Estávamos exaustas. Falei com a Paula, que conheci em Creta, e ela foi nos encontrar em Picadilly. Fomos a um pub tomar uma cerveja, e voltamos para casa próximo de meia noite. Por causa do fuso, era como se fossem 2 horas da manhã, e ainda tinha acordado as 5h. Dá pra imaginar o estado de putrefação. Pegamos 3 ônibus para chegar em Kingston, onde a Ana mora (na grande Londres). Estava um frio de arrepiar. Conheci parte do pessoal que mora com ela, tomamos banho e capotamos.

Paraskevi

Mais uma sexta-feira. Passei o dia com uma sensação meio esquisita, energia em baixa. Comi o resto da sopa de ervilha que fiz ontem e arrumei a mochila para a viagem do fim de semana.

6 de nov. de 2008

Pémpti

Não sei se já comentei, mas os tchecos tem um hábito peculiar. Ao chegar no trabalho, tiram o sapato e vestem uma sandália. Passam o dia inteiro no escritório de meia e com as sandalinhas de "velho". É isso o que eu chamo de se sentir em casa.

Tetárti

A quarta-feira amanheceu com o primeiro presidente negro eleito nos EUA. O manager pediu aos tchecos que escrevessem mensagens usando o tema Obama, já que a campanha deles já foi lançada.

Hoje foi o último dia de Thomaz, pois ele ficaria só 1 mês. Perguntei a ele, na hora do almoço, até quantos litros de Coca-cola ele já tomou em um dia. Resposta: seis litros.

Depois do trabalho, fui ao centro com Claudia. Tirei foto 3x4 por 7 euros (um roubo) e troquei dinheiro. Chegando em casa, preparei beringela refogada para o jantar.

Tríti

Terça-feira. Macarrão carbonara no almoço, reunião à tarde e shopping à noite.

Achei que resolveria minhas pendências lá, mas não tinha lugar pra tirar foto 3x4 nem casa de câmbio. Saí com um headphone pro ipod e um calça da Zara. As lojas fecham às 21h, então vou ter que voltar qualquer dia. Hoje percebi que o shopping é grande e tem vários cafés e restaurantes diferenciados, todos muito bem arquitetados.

5 de nov. de 2008

Deftéra

Segunda-feira. Hoje Claudia não veio trabalhar e o Rodrigo teve que sair um pouco mais cedo.


Decidi melhorar minha alimentação, então depois do trabalho, fui ao Carrefour fazer compras. Voltei com milhões de sacolas, mal consegui carregar até em casa. Comprei desde 1L de azeite de oliva, sal, sabão em pó, frutas, e várias outras coisas, ou seja, ficou pesado de carregar. Quando cheguei em casa, me dei conta que acabei levando 2 pacotes de sal por engano.

Kyriaki

Comecei o dia visitando o estádio olímpico. Como cheguei lá depois do meio-dia, já imaginava que não iria poder entrar, até porque depois descobri que ia ter jogo mais tarde. De qualquer forma, encontrei alguns seguranças que falavam inglês e eles deram um jeito de eu entrar com eles. O Parque olímpico é lindo e o estádio é bem moderno.

Depois, aproveitei para continuar a linha de metrô, fazendo um caminho por onde nunca havia passado, dando toda a volta pelas estações de Atenas. Como este trem passa por cima da terra, deu pra conhecer um outro lado da cidade, mais residencial, cheio de prédios similares com suas sacadas esprimidas cobertas pelo toldinho típico. Parei na estação de Victoria, onde provei um prato do fast food grego Goodys e segui rumo ao National Archaelogical Museum. Incrível o tamanho, os detalhes e a quantidade de estátuas que datam de até 700 anos a. C.

Depois, segui para Monastiraki e fiquei andando pelas ruas lotadas de Plaka, uma região deliciosa de andar. Dei uma olhada nas bugingangas gregas que vendem no Flea Market e voltei pra casa exausta.

3 de nov. de 2008

Sáwato de Sol

Dia de conhecer as praias de Atenas. As vezes a gente esquece que é uma cidade litorânea.

Peguei o tram (bonde elétrico) que vai até Glyfada, passando por várias praias. Parei em Voulas Beach e de lá teria que pegar um táxi para Lemos Beach, que Claudia recomendou, pois é uma das melhores praias que não ficam tão distantes. Pedi informação a um casal grego que saía de um restaurante em Voulas sobre como chegar em Lemos, e como eu estava sozinha, eles me ofereceram uma carona até lá. Muito queridos. Quando falei que era brasileira, a mulher começou a rir e, toda empolgada, falou que tinha visto hoje na TV um comentário que ela queria saber se é verdade. Ela ouviu que no Brasil, toda menina que nasce já sabe que vai fazer pelo menos 7 cirurgias plásticas na vida. Achei engraçado e curioso, mas claro que desmenti, e acrescentei que a maior parte da população não tem nem como pagar. Mas que entre quem pode, é muito comum colocar silicone (comentei que tinha várias amigas que já fizeram), e que também é mais barato o procedimento no Brasil. "What's the problem with their breasts?" - ela perguntava.

Chegando em Lemos, havia 2 praias privadas, nas quais você tem que pagar 12 euros para entrar. Claro que fiquei numa teceira que era de graça. Quando eu estava pensando em como ia voltar para casa, Claudia me ligou, e disse que Theodosis, o irmão do namorado dela, estava na praia ao lado e que podia me dar uma carona. Excelente. Ele não fala muito bem inglês, mas conversamos bastante. Havia bastante trânsito, então demoramos a chegar no centro.

Estava morrendo de fome, pois não tinha almoçado e já eram 18h. Fui ao Mc donalds de Syntagma e aproveitei a promoção "por 1 euro" e comi 2 chickenburguers pequenos e 1 McShake. Compensei tudo o que não havia comido.

A Vodafone junto com o Iphone 3G estavam realizando uma grande ação promocional na praça de Syntagma. Três estandes com distribuição de brindes acompanhavam um estande central, iluminado, com telão e vários iphones de demonstração a quem tivesse curiosidade. Preenchi um cupom para participar do sorteio do aparelho que ia ter mais tarde, seguido de um show de hip hop.

30 de out. de 2008

Paraskevi graças a Zeus!

Sexta feira. Esse fim de semana programei pra ficar quietinha em Atenas.

À noite fui com Claudia, o namorado Vassiles, o irmão dele e mais um amigo ao aniversário da Mariana, uma amiga brasileira que também mora em Atenas. Claudia já tinha me avisado que era uma balada latina, ou seja, um tanto quanto bizarro.

Logo na entrada, vários seres vestidos com suas respectivas camisas sociais semi-abertas. Ao som de salsa e outros ritmos latinos, um amigo brasileiro da Mariana que trabalha lá, dançava e todo mundo o imitava. Parecia ginástica na praia, porém dentro da balada. De vez em quando tocava "música brasileira", como "pegue a latinha e bate uma na outra.. tchá tchá" ou "jogue seus braços pra trás, balança seu pescoço.... morto muito louco". Surreal ver os gregos fazendo as coreografias enfileirados.

Entre as músicas de dançar aos pares, um egípcio me convidou para dançar. Como ele era professor de aeróbica e dança (e também decorador de ambientes, se eu entendi certo), ele me conduziu muito bem, no final já me sentia no palco da dança do Faustão. Ninguém acredita quando falo que sou brasileira, todo mundo acha que sou inglesa. No fim da noite, tive até que me virar num portunhol forjadíssimo com um grego que insistia em conversar em espanhol, sonhando que é igual à língua portuguesa.

Thursday

Greve do metrô, pra variar. E eu esqueci completamente na hora de ir pra casa. Passei no mercado e fui feliz e contente pra estação. Achei que tinha perdido o trem e peguei outro pra fazer conexão. Quando cheguei em Doukissis Plakentias estava tudo fechado. Me dirigi a saída, mas naquela rua não passava o ônibus certo. Esperei outro metrô pra voltar pra estação de Pallini e peguei um ônibus até Ethniki Amyna, de onde peguei outro ônibus até em casa. Crazy traffic, mas até que foi interessante, pois sempre faço o caminho por baixo da terra, e assim pude conhecer melhor Atenas através das janelas do ônibus.

Desci 2 pontos antes, então resolvi pegar o próximo pra ir mais adiante. Estava transbordando de seres humanos. A hora que abriu a porta quase fiquei presa. Já basta meu dedo que ficou na porta do carro hoje de manhã. Enfim, cheguei em casa tarde.

29 de out. de 2008

Wednesday

Hoje tivemos a notícia de que a campanha vai sofrer mudancas bruscas e vamos ter que praticamente começar tudo do zero. Coisas da legislação brasileira. Mais trabalho pela frente.

Enquanto estávamos em reunião, Thomas, meu vizinho tcheco engraçadão, trocou o casaco da Claudia com o meu de cadeira, pois ambos eram vermelhos. Bem engraçadinho.

*** Um diálogo com a embaixada ao telefone ***
- How can I get a visa to Egypt?
- Where are you from?
- From Brazil.
- Where?
- Brazil!
- Brazil?
- Yes. I'm brazilian.
- Where is Brazil?
- In south America.
- In south America?
- Yes.. Brazil... B-r-a-z-i-l.
- Hmm... Hold on.

E transferiu a ligação. Até os tchecos já estavam dando risada.

Feriado

Hoje é o Dia do Não aqui na Grécia. Pelo que disseram (ninguém sabia explicar muito bem) é o dia que o país disse não à Itália em relação a algum acordo de guerra.

O fato é que pude dormir até acordar, limpar a casa, lavar roupa e descansar o dia inteiro.

28 de out. de 2008

Monday

Agora são só 4 horas de diferença com o Brasil de fuso horário.

Pela primeira vez desde que estou aqui, o céu de Atenas amanheceu nublado. Hoje começou a esfriar um pouco.

Pouca gente trabalhando, pois aproveitaram pra pegar day off e emendar o feriado. O trânsito vazio, assim como as bandejas do refeitório. Como hoje nem comida tinha, pedimos suvlaki pelo telefone.

Os tchecos foram advertidos no final da tarde, por causa do comportamento que estão apresentando. Sair mais cedo, chegar atrasado, ir pra balada e nao conseguir acordar. Parece que não estão tão satisfeitos com o trabalho dos meninos.

A Saga rumo a Shipwreck - Don't drive alone

Acordei cedo para pegar o café da manhã que começava as 8h e seguir o roteiro do dia. Desci pontualmente no saguão do hotel, e nem cheiro de café da manhã. Perguntei ao recepcionista, ele disse que não sabia o que tinha acontecido, pois a mulher ainda não estava lá para preparar. Fez uma ligação e descobriu. O horário de verão terminou, ou seja, não eram 8h. Eram 7h. Eu tinha esquecido totalmente. Acordei mais cedo do que precisava, então voltei para o quarto.

As 8h desci novamente e inaugurei o café-da-manhã. Não lembrava como é bom tomar café de hotel, e o café em si realmente estava uma delícia.

Fiz o check-out e resolvi ir a Gerakas Beach antes de ir ao Norte da ilha, com a minha mania de achar que sempre dá para fazer tudo. Muitas estradinhas sinuosas pelas montanhas depois, cheguei na praia, que fica no final do final do sul da ilha. Muito bonita, pena que o céu estava um pouco nublado. Tirei algumas fotos e curti a praia deserta, pois só apareceram pessoas depois que eu estava indo embora. Entrei no carro e voltei correndo que nem louca pelas estradinhas no meio do nada.

Cheguei em Zakynthos Town e segui de lá rumo ao Porto de Saint Nicholas, de onde eu queria pegar o barco para o Shipwreck, que ficava na outra ponta da ilha. Fiz o caminho pela costa, mas me perdi muito pelas estradinhas. Entrei na contramão e tive que pedir informação várias vezes. As pessoas me olhavam com uma cara de desacreditadas "é muito longe daqui" ou "vai levar umas 2 horas pra você chegar lá", "o caminho é complicado", "tem que saber chegar lá", mas eu prefiri fingir que só ouvi "você consegue chegar lá".

Andei, andei, andei sempre correndo contra o tempo até começar a subir pelas montanhas. Muitas curvas e subidas intermináveis, que já estavam me deixando enjoada. As placas diziam que faltavam poucos quilômetros, mas não chegava nunca. Duas horas e meia depois, finalmente cheguei ao Porto e descobri que não iria encontrar pessoas suficientes querendo fazer o passeio até o Shipwreck. Eu não podia acreditar que tinha ido até lá realizar meu sonho de pisar naquela praia e não iria conseguir.

Uma família de ingleses muito simpática estava indo fazer o passeio nas Blue Caves, então aproveitei pra ir junto. Até consegui convencê-los de ir até a Shipwreck de barco e pagaríamos um pouco mais quando voltássemos. Mas não teve jeito. Com aquele barquinho não dava pra chegar lá. De qualquer forma, as cavernas são muito lindas e em determinados pontos a água é de um azul iluminado inacreditável. E o tempo nem estava tão bom assim, imagino como deve ser num lindo dia de sol de verão. Perguntei ao senhor que dirigia o barquinho há anos o por quê de a água ser tão clara em determinados pontos das cavernas. Ele disse que não sabia e, rindo, acrescentou "I only work here". Mergulhei no mar jônico e 45 minutos depois estávamos de volta ao Porto.

Já eram 15 para 13h e eu tinha que pegar o ferry em Zakynthos town as 15h. Calculei que se eu levasse o mesmo tempo pra voltar, nem chegaria a tempo. E eu estava passando muito mal, porque as curvas das bad roads estavam me enjoando e pra completar, o balanço do barquinho entre as Blue Caves me fizeram ficar muito pior. Eu tremia muito e não conseguia comer nada.

De qualquer forma, já que não consegui ir até a Navajo Beach de barco, não podia sair da ilha sem ao menos ver a praia de cima. Então subi as montanhas mais uma vez agora rumo ao oeste para chegar ao topo. Eu realmente estava muito mal, minhas pernas tremiam no pedal da embreagem e por alguns momentos achava que não ia conseguir. Passei por uns caminhos desertos, achei que estava errado e voltei. Então pedi informação pro primeiro carro que passou e ele disse para segui-lo. Ótimo. Várias curvas cada vez mais altas depois e chegamos ao topo da montanha, onde dá pra ver a Shipwreck. É realmente incrível ver ao vivo lá de cima aquele cartão postal. A paisagem do navio naufragado em harmonia perfeita com as cores da água do mar mescladas à areia branca, em meio a um refúgio de pedras é única. É inexplicável.

Mas eu estava quase vomitando, atrasada e sem a menor idéia de como eu ia voltar para pegar o ferry a tempo. Conversei com o mesmo senhor que disse para segui-lo até a Shipwreck. O seu avô é de Zakynthos, então ele me contou toda a história do navio naufragado naquela praia, enquanto meu estômago fazia redemoinhos. Segundo ele, o barco transportava narcóticos e como a máfia italiana ficou sabendo, tiveram que abandoná-lo em alto mar e o barco acabou indo parar em Navayo Beach. Não tinha lugar mais paradisíaco para encalhar.

Pedi a ele que me explicasse qual a melhor forma de voltar pra Zakynthos Town e ele então falou para segui-lo novamente até pegarmos a saída do topo. Foi um anjo que caiu do céu. A partir dali, fiz um caminho de volta diferente do que tinha vindo, pelo oeste da ilha, e pelas montanhas. Mas pelo menos era só uma estrada e eu não tinha como me perder. Era só seguir as placas. Mais ou menos, pois em determinado momento a placa não indicava pra qual lado era Zakynthos. Bem nesta hora apareceu um carro na direção contrária. Lá de dentro, um cara totalmente empolgado me falou que era pra esquerda (talvez eu já tivesse pedido informação pra ele antes) e então ele disse "Don't drive alone!". Fui correndo loucamente e passando muito mal, passando por curvas e precipícios, mas a paisagem ainda assim era gratificante.

Quarenta e cinco quilômetros depois cheguei no Porto de Zakynthos Town às 14h da tarde. Mal podia acreditar que tinha chegado tão rápido. Sobrou tempo até pra comprar um coca-cola pra melhorar meu enjoô que estava de matar. Larguei o carro no estacionamento do porto, conforme combinei com o menino da rental store e entrei no ferry aínda pálida. Troquei de roupa e deitei nos bancos da popa da embarcação vislumbrando um pôr-do-sol de lado. Já estava melhor quando cheguei em Kylini e entrei num ônibus direto para Atenas. Mais 5 horas de viagem, com parada de 20 minutos e às 21h30 estava em Atenas. Era incrível o mar de luzes que os carros formavam no pedágio da estrada, em certa altura. Contei 20 linhas recheadas de carros um ao lado e na frente do outro. Acho que nunca vi tantos carros juntos. Chegando na rodoviária, mais um ônibus até Omonia para pegar o metrô até Katehaki e andar até em casa. Ufa.

27 de out. de 2008

Perdida na Ilha de Zakynthos

Saí de casa as 5h30 da manhã. Ainda estava escuro. Pensei em pegar o metrô, mas como começa a funcionar a partir deste horário, achei que ia demorar a chegar na estação. Resolvi pegar um táxi na rua e não demorou a parar um. Logo depois, o taxista parou para pegar mais uma pessoa, pois aqui na Grécia os táxis levam vários passageiros na mesma corrida. Fiquei feliz que era um policial (aqui eu confio neles). Se fosse no Brasil, ficaria com medo. Fiquei quieta a viagem inteira e deixei os dois conversando, pra ver se o taxista esquecia que eu não falava grego e resolvesse me engambelar.

Passamos por umas ruas meio congestionadas neste horário, provavelmente por causa da saída das baladas. Apenas 3,30 euros depois eu estava em Larissa Station, a estação nacional de trem de Atenas. Comprei o ticket até o lugar mais próximo do Porto de Kylini, de onde sai o ferry pra Zakynthos, e fui esperar o trem, que saía 6h05.

Acho que nunca viajei tão sem saber como ir, qual trem pegar, como chegar ao Porto, onde dormir na ilha e como voltar. Mas como diz a música, "nós não precisamos saber aonde vamos, nós só precisamos ir".

Entrei no trem que era feio por fora, mas por dentro até que não era ruim. Sentei ao lado de uma senhora grega e tentei me comunicar com ela pra saber em qual estação eu tinha que descer, pois ainda tinha que pegar outro trem em Kiato. Finalmente usei a palavra nova do meu vocabulário "epomini" pra dizer próxima! Me senti triufante ao quase formar um diálogo em grego.

O trem parava o tempo inteiro, e um pouco mais de uma hora depois, chegamos finalmente em Kiato. O dia estava começando a clarear. Segui a senhora que estava do meu lado e ela fazia gestos para seguí-la. Pegamos um outro trem (este sim estava em bad shape), e ela foi muito gentil em procurar qual era a poltrona que eu tinha que sentar. Um amor de pessoa.

Agora eu podia dormir tranqüila, pois tinha mais de 3 horas de viagem pela frente. O trem fazia o caminho pela costa, e as paisagens iam se transformando aos poucos, revelando lindos visuais. Em certo momento, me senti viajando pela rua principal das praias de Itajuba e Barra Velha, com construções muito parecidas em frente ao mar.

Um senhor estava sentado ao meu lado, perguntei se ele falava inglês para saber se podia me contar por onde estávamos passando. Descobri que além de não falar outra língua, ele também não tinha vários dentes na boca. Ele tinha o braço quebrado, um sorriso angustiante e se esforçava pra me perguntar coisas. Insistia. Eu não entendia nada. No fim das contas, até que a gente conseguiu comunicar algumas coisas, a intenção dele era boa, pelo menos.

Perto das 10h fui até a minha "amiga" do trem anterior perguntar se onde eu ia parar já estava chegando. Eu não conseguia decorar nem como falava o nome da cidadezinha que eu tinha que descer. Um casal ouviu, e disse que iam descer no mesmo ponto, então foi só acompanhar os senhores. Eis que no meio do nada, desci do trem e adentrei a pé em Relená (mais ou menos esse o nome) em busca de um táxi ou ônibus para Kylini. Pedi informação a um senhor que andava pela rua, mas ele só respondia em grego. Enfim, entendi que ele tava indo pra lá também, que era só segui-lo. Como já eram quase 10 pras 11 e o ferry deveria sair as 11h05, peguei um táxi até o porto para garantir que chegaria a tempo. Chegando lá, comprei o ticket e a mulher disse que o barco só saía as 13h30 e que tinham me informado errado no telefone. Então lá fui eu conhecer as redondezas do simpático e bonito porto de Kylini para ver o tempo passar.

A viagem de Kylini para Zakynthos é linda, feita de uma hora de águas claras de um azul esverdeado impossível que se perdem no horizonte. O ferry é bem aberto e moderno, deixando a viagem ainda mais agradável. Grande parte do pessoal que estava viajando para lá eram alemães e ingleses. Zakynthos fica no oeste da Grécia e ao sul da Itália. Fiquei conversando com um alemão que não falava muito inglês, o que foi bom pois me forcei a praticar o alemão enferrujado de anos. Fiquei feliz que consegui dialogar em alemão, não sem recorrer a algumas palavras em inglês, é claro.

Chegando em Zakynthos, o visual da ilha se aproximando cercada pela imensidão azul é de encher os olhos e pensar que valeu a pena ter chegado até lá. Eu tinha saído de casa as 5h30 da manhã e quando finalmente pisei na ilha já eram 16h.

Lá fui eu e minha mochila percorrer o centrinho de Zakynthos atrás de algum hotel barato e de um loja de aluguel de automóveis. Para minha surpresa, estava praticamente tudo fechado, pois além de ser o último fim de semana da temporada (e já estava bem out of season), também era a hora da siesta. O comércio fecha as 15h e só volta a abrir as 17h30. Andei, andei e encontrei uma agência de turismo aberta, onde conversei com uma moça muito simpática de Budapeste, que me explicou tudo o que eu precisava da ilha, de uma forma muito prática e rápida, do jeito que eu precisava. Contei que queria ver tudo em um dia, e ela me passou o telefone de um pessoal que faz o passeio de barco até o Shipwreck, na praia que é cartão postal da Grécia e que me fez ir até lá.

Planejei ir ao sul da ilha, em Gerakas Beach para aproveitar o fim da tarde, e depois ir até Laganas para tentar encontrar mais pessoas e achar uma pousada mais em conta. Não tem albergues na ilha. Andei pra lá e pra cá no centro atrás de hotel, mas só encontrei um por 40 euros. E o máximo que consegui pexinxar foi pra 35. Resolvi alugar um carro de uma vez e parar de andar pra lá e pra cá, mas estava tudo fechado. Só encontrei a Europcar aberta. Queria cobrar 40 euros por um carro! Voltei na minha amiga de Budapeste e contei sobre a dificuldade que estava tendo. Eles alugavam carro ali por 25 euros mas não estaria aberto amanhã para devolver. Ela se esforçava pra me ajudar, mas nao tinha jeito.

Depois de perder mais tempo andando e me desesperando porque ia ter que gastar todo meu dinheiro com hotel e carro, voltei na Europcar pra alugar o dito cujo, e a mulher então me pede a carteira de habillitação internacional, que eu nem trouxe pra Grécia porque estava vencida. Tinha pesquisado antes de sair do Brasil, e li que a carteira brasileira é válida por 3 meses, assim como nos Eua. Até porque já tinha alugado um carro em Creta. Mas franchisings como Europcar, Hertz e cia não aceitam. Fiquei com muita raiva da mulher. Estava perdida em Zakynthos, sem carro nem lugar pra dormir, e o tempo passando. Voltei na agência de turismo pra falar com a minha amiga de Budapeste e ela disse que de qualquer forma, ali também exigiam a carteira internacional. Mas me disse para ir até Laganas onde encontraria várias rental stores que não exigem nada, mas também não oferecem seguro nenhum.

Ônibus naquela ilha, eu podia esquecer. Devia passar 2 por dia. Pechinchei um táxi pra me levar até Laganas e o senhor me deixou na beira da praia. Resolvi curtir um pouco antes que o sol fosse embora e depois segui em busca de hotéis. Andei bastante, mas a maioria estava fechado. Encontrei um que estava lotado por uma empresa e outro que estava totalmente sem móveis porque iam fechar no dia seguinte. Então saí em direção à praia, me troquei no banheiro da piscina do último hotel que fui perguntar, e resolvi caminhar um pouco na areia. Como já eram quase 6 horas da tarde, fui atrás de uma rental store antes que fechassem. Aluguei um carro amarelo chamado "Alta" da Suzuki. Bem simples, meio batido, mas por 15 euros eu não podia pedir nada melhor. Na mesma loja, chegou um cara que tinha um hotel e acabei me hospedando lá por 30 euros. O café da manhã me convenceu.

Fiz o check-in, deixei algumas coisas no quarto e voltei para praia, agora de carro. Encontrei duas escocesas extremamente trêbadas, que gritavam, riam alto e me abraçavam com os copos na mão. Nunca ouvi a língua inglesa tão alcoolizada. Os respectivos maridos tinham voltado pra Pousada e elas estavam lá, felizes da vida.

Voltei pro hotel pra tomar um banho e depois fui a um barzinho na beira da praia comer alguma coisa. Eles chamavam o pessoal pra dançar a dança grega e também apresentavam um pouco da dança em meio a um círculo de fogo. Coisa pra turista ver. Tomei um drink cremoso com chocolate e o dono do lugar me deu o telefone dele pra irmos a algum outro lugar tomar alguma coisa depois que fechasse o restaurante. Ia ficar muito tarde.

Estava muito cansada, mas antes de voltar pro hotel resolvi tomar uma água num barzinho que era mais uma balada, a única que estava um pouco agitada. Não tinha muita gente, mas mesmo assim tinha de tudo lá. Velhos, gays, adolescentes, drogados, bêbados, enfim, tudo o que se pode imaginar vestindo tudo ou muito menos do que se pode imaginar. Além de drinks psicodélicos no estilo suco gummy incrementado num baldinho com vários canudinhos que brilham na luz negra, tinha também gás hélio pra inalar por 3 euros e jogos de fliperama. Havia também uma mulher totalmente fora da casinha, vestindo um mega mini short jeans, com as células adiposas tranbordando também pela mini blusa branca, que ficava dançando eroticamente e sem noção na porta de entrada do lugar. Ela grudou num ser albino que surgiu na balada e que veio falar comigo qualquer coisa que eu não entendi e então a mulher veio atrás e tentou me agarrar à força. Tive que usar também a força pra impedir que aquela criatura me beijasse. Credo. Voltei pro hotel sonhando com a minha cama e pensando que definitivamente, balada não é a minha praia.

Sexta 24.10

Os tchecos desistiram da idéia do fim de semana, acharam que seria muita correria (se eles soubessem como são meus fins de semana).

Falei com Ruy hoje, ele está em Istambul, na Turquia. Marco, o australiano, também está lá. Como o fim de semana já estava quase começando, foquei no plano B. Mas como terça é feriado, lembrei que os ônibus deviam estar cheios. Liguei pra rodoviária e de fato só tinha ônibus as 12h30 para Zakynthos. Ia chegar muito tarde na ilha, mas então descobri que dá pra ir de trem.

Quinta 23.10

Michal, um dos redatores tchecos, me convidou para ir a Delphi e Meteora no fim de semana com a namorada dele e Patrick. A idéia era alugar um carro e ir pra lá, mas ainda não tinham certeza. Seria bom porque eu já queria ir pra lá de qualquer jeito.

23 de out. de 2008

Quarta 22.10

Hoje na hora do almoço um romeno sentou na nossa mesa, perguntando se éramos brasileiros. Depois de algumas palavras trocadas, sentou uma italiana e ele falou pra ela: "Achei que eles era mais interessantes, mas eles são boring". Como se a gente não estivesse ali ouvindo. Resposta da Claudia: "se voce acha a gente boring, eu acho você crazy".

21 de out. de 2008

Terça 21.10

Depois de doze horas de sono, acordei super disposta para trabalhar.

Como hoje era dia de greve dos metrôs e ônibus, voltamos de táxi para casa.

Liguei o som, e fiz a faxina em casa.

Como começar bem a semana

Acordei cedo como todo dia de trabalho e fiquei esperando Panayotis, meu vizinho, aparecer. Já eram 9h20 e nada. Olhei na porta, nenhuma luz acesa, nem barulho. Toquei a campainha. Nada. Achei que tinha ido sem mim. Liguei para o celular, e 2 toques depois, ele apareceu na porta, com cara de quem levantou agora. Ele não tinha conseguido acordar, e pediu meia hora. Falei que ia esperá-lo, porque se fosse de metrô ia acabar chegando no trabalho no mesmo horário.

Quase 10h da manhâ, e Panayotis descobre que perdeu as chaves de casa. Ele pegou a minha emprestada e fomos atrás de um chaveiro para fazer cópias. O trânsito estava infernal. Na primeira key store, precisavam de 1 hora pra copiar a maldita chave. Recomendaram um outro lugar. Fomos até lá e estava fechado. Então fomos em um terceiro chaveiro, onde finalmente conseguimos fazer a cópia.

Cheguei no trabalho quase meio-dia. Panayotis tinha ligado pra lá, avisando do nosso atraso e do ocorrido.

Eu estava cansadíssima do fim de semana. Mal conseguia me manter "viva" e estava com uma dor de cabeça fora do normal.

Assim que cheguei em casa, dormi até o outro dia.

Super Paradise

Acordamos as 8h. Tomamos o café-da-manhã na varanda com vista para as construções brancas que se perdem no azul das águas. Ruy tinha cereais, banana, maçã, iogurte, leite, mel, pão e queijo philadelphia. Segundo ele, cuida de mim melhor do que minha mãe. Então seguimos rumo ao nosso roteiro de domingo: conhecer várias praias em um dia. Antes, passamos no rental store e peguei outro quadriciclo.

Primeiro fomos a Panormou Beach, que fica mais ao norte da Ilha. Só havia a gente em meio àquela paisagem exótica. Estava ventando um pouco e o céu estava encoberto. Estendemos as toalhas na areia, e começamos a praticar yoga. O sol surgiu assim que começamos as primeiras posturas. Foi um tanto surreal praticar yoga por quase 1 hora numa praia deserta de Mykonos. Só uma lancha se aproximou pela água, em certo momento.

Depois voltamos e seguimos para Psarou Beach. Andar pelas estradinhas de quadriciclo é uma diversão a parte. Você tem que subir e descer morros até chegar nas praias, e a paisagem que antecede cada descida é surreal. Assim que chegamos em Psarou Beach, vários guarda-sóis de palha, cadeiras de deitar acolchoadíssimas, lanchas, hotéis e restaurantes com baldes de champagne. Estávamos na praia mais elitizada de Mykonos. Deitamos num desses acolchoados e sentimos o sol penetrar pela epiderme. Delícia.

As 13h partimos para a Super Paradise Beach. No caminho, passamos no mercado e compramos água, sanduíche e batatas. Chegando na praia, eu mal acreditava no que meus olhos estavam vendo. As águas cristalinas cobriam a branca extensão de areia, em meio a um cenário exuberante de pedras. Não dá pra descrever tamanha beleza natural. O fato é que, de fato, eu estava no paraíso.

É comum a prática de naturismo nas praias de Mykonos. Inclusive um desses seres despidos se ofereceu pra tirar uma foto (e inclusive Ruy é praticante). Dava pra contar nos dedos quantas pessoas tinham na praia. A Super Paradise era quase só nossa. Entramos no mar Egeu, geladíssimo, e curtimos a tarde na praia que faz juz ao nome que tem. Mais tarde, apareceu um grupo de pessoas falando alto e fazendo um book estilo fotos de família. Só podiam ser brasileiros. Fui até lá interagir, também eram de São Paulo.

Voltamos para o hostel no final da tarde. Antes, mais um gyro frango no caminho. O responsável do hostel, que ia me levar pro porto, não estava lá. Então Ruy teve que me levar de scooter. Nem sabíamos onde era. Comprei o ticket em cima da hora e saímos correndo atrás do ferry que saía as 18h55. Cheguei as 18h50 no porto. Ufa. Me despedi do meu amigo-personal-massagista-professor-de-yoga-motorista-particular-cantor-compositor-poeta e da energia do fim de semana zen e maravilhoso de Mykonos. É incrível como Ruy fala coisas sobre mim que talvez nem eu mesma sabia, ou fingia não saber. E assim como a despedida em Santorini, dessa vez também deixei escorregar algumas lágrimas, sem saber o porquê. É uma salada de emoções distintas, e uma sensação boa de que há tanta beleza no mundo e nas pessoas.

Dessa vez, tive que ficar no deck do barco. Quatro horas sentada numa cadeira de plástico. Não tinha a menor idéia de que seria assim. Mas acabou sendo bem agradável, pois os australianos do hostel também estavam lá e eu fiquei conversando a viagem inteira com Marco. Fiquei tirando sarro do sotaque australiano, é muito diferente do americano e as vezes, palavras muito simples ficam difíceis de entender. Chegamos em Piraeus, o porto de Atenas, as 23h30. Meia hora de atraso. Fomos juntos pegar o metrô e torcer pra não perder o último trem do dia na conexão.

Marco é muito querido, mandou uma mensagem perguntando se eu tinha chegado bem em casa, pois eles perderam o último trem e ficaram andando 1 hora cheio de mochilas pesadas nas costas até chegar no hostel. Eu peguei o último trem no último minuto, e cheguei em casa exausta.

*** Um comentário que o vento levou ***
- Brasileiro tá ganhando dinheiro ein. Como tem brasileiro aqui na Grécia.

Mykonos Island

Acordei cedo para tomar banho e terminar de arrumar a mochila. Peguei o metrô para o aeroporto e fui ao portão de embarque(dessa vez munida de potinhos de 50 ml de shampoo e condicionador).

Pra variar, tinha brasileiro no vôo, então fiquei conversando com um casal muito simpático de São Paulo que estava de férias e peguei umas dicas sobre o Egito, de onde eles tinham vindo há poucos dias.

A viagem é brevíssima, mal dá tempo de tomar todo o suco de laranja. Cheguei em Mykonos as 12h30 e fui encontrar alguém do hostel que estaria me esperando. Ninguém estava com a plaquinha, mas 2 minutos depois apareceu. O simpático responsável pelo hostel me levou até lá, pelas ruelas da ilha paradisíaca.

Quando cheguei no hostel, Ruy estava tomando café da manhã. Dessa vez, não por acaso. Como ele já estava lá há mais dias, reservei no mesmo lugar, até porque saía bem mais em conta do que os que eu vi na internet. Dei sorte porque havia reservado um quarto com shared bathroom, mas como estavam todos lotados, fiquei com um banheiro privativo e uma linda vista da Ilha.

Fui dar uma volta pelo centrinho, que ficava há uns 200 metros dali, e almocei um gyro de frango. É cheio de lojinhas com artigos turísticos, como todo centro de ilha turística. E tem também várias lojas de grifes famosas entre as suas ruazinhas rústicas.

Como o hostel ficava numa ladeira (como tudo em Mykonos), aluguei um quadriciclo fofíssimo para andar por lá. Voltei para o hostel, e fui com Ruy para a praia, ele de scooter, eu de quadriciclo. Fomos para Paraga Beach, e curtimos um fim de tarde relaxante. O tempo estava um pouco nublado, mas deu pra aproveitar. Na volta, meu quadriciclo não pegava de jeito nenhum. Liguei para a loja de aluguel de carros, e o menino veio até lá para dar um jeito. Voltei com Ruy, paramos para jantar e depois fomos para o hostel.

Fiquei conversando com dois australianos que estavam hospedados no mesmo lugar, antes da sessão de massagem que dessa vez eu não iria dispensar. Ruy colocou sons de natureza no laptop e preparou o chão com uma esteira e coberta. Trinta minutos de mãos cheias de energia e relaxamento. Para finalizar, quiropraxia: estralou meu corpo inteiro, e senti que carregava 5 kgs a menos.

Mykonos estava bem tranqüila, totalmente antagônica à sua característica de agitação e baladas do verão, pois é um dos destinos internacionais mais procurados e badalados quando faz calor. Por isso, não havia quase nada aberto, apenas uma balada bem frenqüentada pelo público gay, pelo qual a Ilha também é conhecida.

Como queríamos acordar cedo no dia seguinte, ficamos conversando na varanda do hostel, vislumbrando a vista noturna de Mykonos. Ruy pegou o violão e começou a tocar e cantar (muito bem inclusive), e os australianos e australianas que estavam sentados na varanda de cima, ficaram curtindo o som com a gente. Foi uma noite muito agradável.

Sexta-feira!!

Dia tranqüilo no trabalho. Depois do expediente, fui ao centro com Claudia. Vimos o Parlamento, algumas lojas, e os barzinhos que tem aos montes em Kolonaki. Escolhemos um para fazer um happy hour. Comemos um sanduíche e provei a Mythos, uma cerveja grega que parece Skol. Mais tarde, mais uma amiga brasileira da Claudia chegou e antes de irmos embora, mais algumas que iam sair depois. A maioria é casada, uma tem quatro filhos, mas mesmo assim elas se produzem e vão pra balada.

Cheguei em casa por volta das 23h e ainda tinha que arrumar minha mochila para passar o fim de semana em Mykonos.

17 de out. de 2008

Quinta

Agora que tinha me recuperado do fim-de-semana, estou cansada denovo. Preciso dormir urgente.

First tour - Athens by night

Fomos almoçar no Carrefour, provei um prato típico, parecido com moussaka, porém ao invés da beringela, é macarrão. Gostoso, mas com beringela é bem melhor.

Mais tarde fui com Lina, Michal e Patrick (tchecos) num barzinho no centro e logo depois, Ivy e Paula, as meninas que conheci em Creta, foram lá nos encontrar, pois estariam em Atenas até amanhã. Era um lugar bem pequeno, mas muito legal, com uma boa música tocando. Como não tinha cerveja grega, provei um chopp tcheco, chamado Pilsner Urquell. Era um pouco amarga, mas gostosa.

Voltamos para casa as 2h30, e como não tem metrô neste horário, pegamos um táxi. Lina explicou aos taxistas o caminho e disse o máximo que devíamos pagar, pois os taxistas aqui tem uma fama horrível. E não é para menos. O motorista que me levou disse que não falava um A em inglês, e de repente ele virou numa rua nada a ver, e ficou se fazendo, como se estivesse procurando por alguém. Ficou andando devagarzinho, e eu fiquei perguntando o que ele queria, se estava perdido, precisava de ajuda, ou estava procurando alguém, mas ele só resmungava. Parecia uma mula grega. Então alterei minha voz falando qualquer coisa em inglês ou português, só para ele entender que estava errado e que era pra me levar pra casa logo. Ele deu mais uma volta no mesmo lugar, achando que eu era idiota. Eu tentava me comunicar, mas a nossa conversa eram na verdade, dois monólogos independentes. Ninguém fazia a menor idéia do que o outro estava dizendo. Então uma hora ele saiu do carro, na maior lentidão do mundo, enquanto o taxímetro continuava rodando. Ele foi falar com alguém como se estivesse indo pedir informação, mas dava pra ver que ele não estava perdido coisa nenhuma. Quando ele voltou, apontei brava para o taxímetro, disse que não ia pagar, que era ridículo e que ele ia descontar depois, mesmo que ele não estivesse entendendo nada. Falei inclusive que ia chamar a "Police!", como Lina tinha me orientado caso o taxista fosse um idiota. Então ele falou "Finish!" e mandou eu sair do carro. (finish ele sabia falar). Já tinham me falado que eles fazem isso. Falei que não, que ele ia me levar. Liguei pra Lina e ela explicou o caminho ao motorista. Então ele finalmente me levou em casa. A conta tinha dado quase 7 euros. Dei 5, ele gesticulou que faltava "2" mas eu disse que "nao, ok?", aí ele insistiu, mas depois acabou concordando e só gesticulou pra eu sair logo do carro dele. Patético.

Tuesday

Lina veio me perguntar o que fiz no fim de semana, pois sexta eu havia perguntado o que ela achava de eu ir para Santorini e Creta num fim de semana. E ela definitivamente falou pra eu não fazer essa loucura. Conclusão: me achou uma louca.


Hoje foi engraçado quando Thomas, o vizinho tcheco, resolveu fazer uma brincadeirinha com os seus colegas tchecos no trabalho. Os outros dois tiveram que dar uma saída para ir ao banco, então ele deixou um recado na mesa deles "me procure imediatamente", como se tivesse sido escrito pela assistente de RH. Quando eles voltaram, ficaram todos preocupados, e sairam procurando a mulher em todos os lugares, enquanto Thomas continuava sério e confirmou que ela realmente tinha deixado ali. Esse menino é meio estranho, quando ele vem trabalhar, fica com o computador mais um laptop. ouvindo música eletrônica tão alta que a gente consegue ouvir, e bebendo diariamente 1 L de Coca-Cola, mais café (que as vezes é o frappe-gelado super mega forte daqui) mais acholatado, etc. Segundo ele, é o único jeito de ele se manter acordado. E fica acordado até demais.

16 de out. de 2008

Segunda-feira zumbi

Hoje foi difícil de acordar. Acho que nem acordei de verdade durante o dia inteiro. Mega cansada do fim de semana intenso e de vez em quando ainda sentia o balanço do ferryboat. Fui dormir cedo para me regenerar e voltar a virar gente.

14 de out. de 2008

Domingo na Ilha de Creta

Assim que começamos a navegar, escutei alguém falando português do outro lado. Fui até lá falar com Paula e Ivy, duas brasileiras que moram em Londres. Sentei com elas pra conversar, e Paula estava contando de uma viagem de ferry cruzando as águas da Argentina, onde ela viveu praticamente uma cena de Titanic. Do terceiro andar, se via água nas janelas, mesas indo de um lado para o outro, portas de vidro quebrando, tripulação aos berros de desespero, dizendo que não queriam morrer e botes salva-vidas insuficientes para todos. Neste momento olhei embaixo do banco e vi que o nosso não tinha nem colete salva-vidas. Ficamos ali conversando e depois fui procurar um lugar bom pra dormir, afinal era o tempo que eu tinha para isso. O ferry é bem grande, e como tinha pouca gente, quase haviam 4 poltronas por pessoa. Quando vi já estavam todos deitadões ocupando as poltronas e dormindo pesado. Fiz a mesma coisa.

Aportando em Creta, ouvi berros vindos do outro salão. Alguma coisa deve ter caído ou caiu alguém no chão, pois percebi que o ferry estava balançando horrores. Chegamos as 4h30 em Heraklion, a vila mais "cidade" de Creta, e fomos atrás de um telefone público. As meninas ligaram para o hostel onde elas pretendiam se hospedar, mas o quarto só iria liberar mais tarde. Então fomos juntas pegar o ônibus para Chania, as 5h30 da manhã e chegamos no Hostel que eu tinha "semi reservado" as 8h da manhã. Constantino foi nos buscar na estação de ônibus, muito gente boa e atencioso. As meninas foram realmente um achado, pois dividimos aquela diária que eu teria que pagar só para tomar banho e escovar os dentes.

Depois fomos dar um giro pela praia que era muito perto, e almoçamos num restaurante à beira-mar. O garçom não falava inglês, e como se não bastasse, era um mala. Dava vontade de sair correndo dali. Comi um greek plate saboroso e sugeri que alugássemos um carro para aproveitar o dia, já que a Ilha de Creta é enorme, estava ventando muito e de vez em quando chuviscava.

Aluguei um Getz azul da Hyundai e saímos para nos perder em Chania. Entramos numas ruazinhas sinuosas que não nos levavam a lugar nenhum. As ruas são estreitas e o trânsito é meio louco, mas chegamos a Old Town. Além do Old Harbour, dá pra ver uma arquitetura muito fofinha, que lembra uma pequena Veneza, cheia de cafés, restaurantes e lojinhas. Tomamos um café e seguimos rumo à highway para conhecer algumas praias.

De mapa na mão e música grega no rádio, chegamos 40 minutos depois em Kolimbari. Não ficamos muito tempo e fomos para Kissamou, mas a ventania estava fora do comum e o mar de ressaca. De qualquer forma, valeu pela paisagem das estradas e das praias, lógico.

Na volta, sem querer, pegamos um caminho alternativo para Chania, a "old road", que nada mais é do que uma estradinha sinuosíssima que vai subindo pelas montanhas de Creta, com curvas piores do que a subida da serra para Campo Alegre, com uma pequena diferença: só cabe um carro na estrada e ela é de duas mãos! Sim, a qualquer momento podia vir um carro na direção contrária, por isso tinha que ir devagar. Estávamos ficando desesperadas, porque além da possibilidade de estar no caminho errado, a highway não parecia estar nem um pouco próxima.

Não havia uma alma para pedir informação, até que passou um carro e graças a Deus a mulher falava um pouco de inglês. Disse que tínhamos mesmo que seguir aquela estradinha, porque já tínhamos andado bastante e que depois devíamos pegar mais informações para tentar chegar a highway.

Seguimos em frente até achar que tínhamos pego uma rua errada e tive que fazer a volta numa dessas curvinhas estreitas de duas mãos. Acabamos descobrindo que o caminho era mesmo aquele. Continuamos andando e eu já não agüentava mais ter que prestar tanta atenção, porque qualquer descuido podia provocar um acidente. Pelo menos a civilização estava ficando mais próxima, mas nada de aparecer a highway.

Pedimos milhares de informações, mas todo mundo fala grego em Creta. Até que alguém disse para seguirmos reto numa estrada de barro, porém ela acabou em cones de obras de manutenção. Tinha uma vendinha neste local, mas o senhor só falava grego. Ele se esforçava pra explicar, mas a gente não entendia lhufas. Até que ele fechou a vendinha, pegou o carro dele, e falou para segui-lo. Era inacreditável a bondade daquele senhor. Segui o carro dele, e eu definitivamente jamais iria fazer aquele caminho se ele não estivesse na frente. Entramos num atalho (nem dá pra chamar de rua) no meio do mato até chegar numa estrada (que ainda não era a highway, mas já era um grande passo). Não sabíamos como agradecer tamanho esforço, então pedimos para tirar uma foto. O sorriso mal cabia no rosto dele.

Continuamos a estrada até chegar numa bifurcação que tinha pixado "Chania" com uma flecha para a esquerda. Acho que era pegadinha porque acabamos voltando para o mesmo lugar. Fomos pedir informações em tudo quanto é estabelecimento até achar alguém que falasse inglês e descobrimos que haviam 2 caminhos para a highway. Seguimos um que demorou, mas chegou lá. A essa altura já tínhamos andado a maior parte do caminho por ruas alternativas. Dá pra imaginar a euforia que sentimos ao finalmente entrar na highway, depois de horas vagando perdidas. Deixei as meninas no Hostel e resolvi ir de carro para o aeroporto pegar meu vôo para Atenas. Constantino me explicou o caminho e disse que era tranqüilo, só 20 min de carro.

Ainda bem que eu tinha tempo para me perder. Porque me perdi muito, e levei 1 hora para chegar no aeroporto. Pedia informações, mas só ouvia grego, grego e grego. E era muito mais longe do que eu pensava, não chegava nunca e tinha que subir muitas ruas até lá.

Estava andando muito tempo sem ver nenhuma placa, então parei o carro no acostamento, liguei o pisca-alerta e pedi para que alguma alma em alta velocidade tivesse a boa vontade de parar. E logo parou um mais a frente. Fui até lá e ele disse que realmente eu devia seguir em frente.

Anoiteceu, começou a chover e as placas ficavam cada vez mais difíceis de ler. Minha lente estava embaçada de maresia pra ajudar. Não consegui ler uma placa e segui reto. Achei que devia voltar e por sorte, alguém no meio do nada, estava chegando em casa, e eu entrei junto no portão para pedir informação. Um grego muito bonito me disse que realmente eu havia passado reto. Voltei e segui o caminho certo, porém estava andando demais novamente e não via placa alguma. Achei que tinha algo errado e parei o carro novamente, liguei o pisca-alerta e implorei pra que alguém parasse. Me senti uma idiota no acostamento, de havaianas amarelas, à noite, na chuva, totalmente perdida, fazendo gestos de "me ajude por favor". Ninguém parou dessa vez. Resolvi então ir em frente e achei um boteco de beira de estrada. Me disseram para ir adiante. Algum tempo depois, finalmente achei o aeroporto. Larguei o carro no estacionamento e fui fazer o check-in. Então descobri que meu vôo não era às 20h35, e sim às 20h55. No fim das contas, tive que esperar mais um pouco. Quando cheguei em casa, ainda estava no balanço do ferryboat.

O Diário de Uma Motocicleta - Santorini Island

Não ouvi o despertador tocar. Acordei as 8h36 atrasadíssima para pegar o metrô que vai para o aeroporto. Ainda bem que tinha deixado tudo bem organizado e consegui sair de casa as 9h, correndo com a mochila nas costas para pegar o metrô das 9h10, o mesmo que pego para ir trabalhar. Nunca corri tanto, estava suando quando olhei a placa que dizia que faltava 1 minuto para chegar o trem. Não esperei nem 30 segundos e o bendito já apareceu. Se eu o perdesse, outro só depois de meia hora e eu perderia o meu vôo para Santorini.

Chegando ao aeroporto, fui para a Aegean Airlines fazer o check-in, e na fila encontrei uma porção de brasileiros que estavam indo para Mykonos. Já estavam fazendo a última chamada para Santorini, então tive que pular a fila. O atendente era bem charmoso e ficou falando dos cristais por causa do meu sobrenome. E eu tinha 5 minutos para estar no portão de embarque. Saí correndo mais uma vez.

Fiquei triste porque jogaram fora meu shampoo e condicionador, esqueci totalmente que não podia levar na bagagem de mão. Tinha um senhor que tinha comprado um whisky no freeshop, tirou da sacola e colocou na mala, e ficou transtornado quando soube que ia ter que deixar lá. Tentou de tudo, mas não conseguiu, até porque o vôo já estava pra sair e não tinha mais como despachar.

A viagem a Santorini é feita de breves 35 minutos de vôo sobre diversas ilhas lindas, todas contornadas de branco e azul. Esse fim de semana estava ventando fora do normal, e eu realmente fiquei com medo de voar. Antes do pouso, o avião fica muito próximo do mar, eu olhava para um lado e via pedras, do outro lado muita água, e nao dava para ver o que vinha pela frente. O fato é que o avião cada vez mais se aproximava do mar e eu fiquei rezando para que realmente tivesse um pedaço de terra na frente.

Chegando ao aeroporto, pedi informações turísticas pra ter alguma noção do que fazer, aonde ir e como me mexer por lá. Paguei 15 euros num taxi que me deixou em Thira (Fira), onde tem vários restaurantes e lojas. O taxista me contou que todos os ferrys tinham sido cancelados por causa do tempo, e eu tinha que ir para Creta, pois meu vôo de volta para Atenas saía de lá. Graças a Deus um único ferryboat ia partir as 21h30, comprei o ticket e subi rumo a linda paisagem de Santorini.

A ilha é encantadora, e peculiar com suas construções brancas no estilo mediterrâneo, à beira dos penhascos. Logo no início, conversei com um casal de franceses muito simpáticos, que me deram algumas dicas para me localizar por lá. Tem gente de tudo quanto é lugar, também conversei com uma chinesa que estava viajando sozinha. Fui passeando pela vista maravilhosa, que a cada passo mostrava uma paisagem ainda mais incrível. Entre as ruelas de Thira há uma quantidade enorme de cafés, restaurantes, lojas (muita loja de jóias), artesenato e outros artefatos turísticos.

Estava andando feliz e contente entre um destes corredores, quando alguém me chama. Olho para trás, e encontro Ruy, o brasileiro com quem conversei na Acrópole domingo passado. Foi muita coincidência a gente se encontrar naquele lugar. Ainda não acreditando na coincidência, fomos comer um gyros (que é tipo uma tortilha mexicana em forma de cone) gostoso e barato. Como Ruy tinha alugado uma scooter, fomos juntos conhecer as praias do outro lado da ilha. De cima da motoca, filmei uns trechos da estrada para o documentário sobre o mundo que Ruy disse estar fazendo. Mais de meia hora ao som estridente da scooter e em meio às paisagens surreais da estrada, chegamos a Kamari, uma praia exótica, de areia preta vulcânica. Demos uma volta, tiramos algumas fotos, enquanto Ruy recitava uma poesia dele que já ganhou prêmio. Sentamos para tomar uma água e ficamos conversando por um bom tempo sobre a essência da vida.

Depois, fomos de scooter até Perissa. Nos perdemos no caminho, um casal de alemães tentou nos ajudar até que conseguimos chegar na praia. Enquanto Ruy foi estacionar a moto, uma mulher bizarra dona de um restaurante me abordou e já foi gritando e me apresentando pra todo mundo como a amiga "brasileira" dela. A praia é muito bonita, embora alguém tenha pixado "putia" nas pedras. Achei engraçado.

A volta de Scooter para Thira foi difícil, muito vento, frio e areia no olho. Quando finalmente chegamos, fomos direto procurar uma pasta bem quente para jantar. O céu estava encobrindo no final da tarde e já estava anoitecendo, por isso infelizmente perdi o famoso pôr-do-sol em Ya, onde tem a vista mais linda da ilha e dizem que o pôr-do-sol é um dos mais belos e coloridos do mundo. Vou ter que voltar para ver.

Fomos então tomar um café antes de eu pegar o ônibus para o Porto. Provei um greek coffee, que é um café fraco cheio de pó, diferente e gostoso. Fiquei com a sensação de que eu assisti a um mega longa metragem da vida de Ruy durante o dia, e de que eu realmente tinha que encontrá-lo aqui para que ele me dissesse exatamente as coisas que eu precisava ouvir. É difícil descrever, mas tudo o que conversamos foi muito intenso e fez toda a diferença naquele momento.

Chegando no Porto, o ferry ainda não estava lá. Ia atrasar 2 horas. O mar estava agitadíssimo. Eu achei ótimo porque ia chegar as 2h40 da manhã na Ilha de Creta e teria que esperar até 5h30 para pegar um ônibus de Heraklion pra Chania. Fiquei ouvindo música até chegar o ferry, e duas horas depois estava embarcando.