Acordei cedo para pegar o café da manhã que começava as 8h e seguir o roteiro do dia. Desci pontualmente no saguão do hotel, e nem cheiro de café da manhã. Perguntei ao recepcionista, ele disse que não sabia o que tinha acontecido, pois a mulher ainda não estava lá para preparar. Fez uma ligação e descobriu. O horário de verão terminou, ou seja, não eram 8h. Eram 7h. Eu tinha esquecido totalmente. Acordei mais cedo do que precisava, então voltei para o quarto.
As 8h desci novamente e inaugurei o café-da-manhã. Não lembrava como é bom tomar café de hotel, e o café em si realmente estava uma delícia.
Fiz o check-out e resolvi ir a Gerakas Beach antes de ir ao Norte da ilha, com a minha mania de achar que sempre dá para fazer tudo. Muitas estradinhas sinuosas pelas montanhas depois, cheguei na praia, que fica no final do final do sul da ilha. Muito bonita, pena que o céu estava um pouco nublado. Tirei algumas fotos e curti a praia deserta, pois só apareceram pessoas depois que eu estava indo embora. Entrei no carro e voltei correndo que nem louca pelas estradinhas no meio do nada.
Cheguei em Zakynthos Town e segui de lá rumo ao Porto de Saint Nicholas, de onde eu queria pegar o barco para o Shipwreck, que ficava na outra ponta da ilha. Fiz o caminho pela costa, mas me perdi muito pelas estradinhas. Entrei na contramão e tive que pedir informação várias vezes. As pessoas me olhavam com uma cara de desacreditadas "é muito longe daqui" ou "vai levar umas 2 horas pra você chegar lá", "o caminho é complicado", "tem que saber chegar lá", mas eu prefiri fingir que só ouvi "você consegue chegar lá".
Andei, andei, andei sempre correndo contra o tempo até começar a subir pelas montanhas. Muitas curvas e subidas intermináveis, que já estavam me deixando enjoada. As placas diziam que faltavam poucos quilômetros, mas não chegava nunca. Duas horas e meia depois, finalmente cheguei ao Porto e descobri que não iria encontrar pessoas suficientes querendo fazer o passeio até o Shipwreck. Eu não podia acreditar que tinha ido até lá realizar meu sonho de pisar naquela praia e não iria conseguir.
Uma família de ingleses muito simpática estava indo fazer o passeio nas Blue Caves, então aproveitei pra ir junto. Até consegui convencê-los de ir até a Shipwreck de barco e pagaríamos um pouco mais quando voltássemos. Mas não teve jeito. Com aquele barquinho não dava pra chegar lá. De qualquer forma, as cavernas são muito lindas e em determinados pontos a água é de um azul iluminado inacreditável. E o tempo nem estava tão bom assim, imagino como deve ser num lindo dia de sol de verão. Perguntei ao senhor que dirigia o barquinho há anos o por quê de a água ser tão clara em determinados pontos das cavernas. Ele disse que não sabia e, rindo, acrescentou "I only work here". Mergulhei no mar jônico e 45 minutos depois estávamos de volta ao Porto.
Já eram 15 para 13h e eu tinha que pegar o ferry em Zakynthos town as 15h. Calculei que se eu levasse o mesmo tempo pra voltar, nem chegaria a tempo. E eu estava passando muito mal, porque as curvas das bad roads estavam me enjoando e pra completar, o balanço do barquinho entre as Blue Caves me fizeram ficar muito pior. Eu tremia muito e não conseguia comer nada.
De qualquer forma, já que não consegui ir até a Navajo Beach de barco, não podia sair da ilha sem ao menos ver a praia de cima. Então subi as montanhas mais uma vez agora rumo ao oeste para chegar ao topo. Eu realmente estava muito mal, minhas pernas tremiam no pedal da embreagem e por alguns momentos achava que não ia conseguir. Passei por uns caminhos desertos, achei que estava errado e voltei. Então pedi informação pro primeiro carro que passou e ele disse para segui-lo. Ótimo. Várias curvas cada vez mais altas depois e chegamos ao topo da montanha, onde dá pra ver a Shipwreck. É realmente incrível ver ao vivo lá de cima aquele cartão postal. A paisagem do navio naufragado em harmonia perfeita com as cores da água do mar mescladas à areia branca, em meio a um refúgio de pedras é única. É inexplicável.
Mas eu estava quase vomitando, atrasada e sem a menor idéia de como eu ia voltar para pegar o ferry a tempo. Conversei com o mesmo senhor que disse para segui-lo até a Shipwreck. O seu avô é de Zakynthos, então ele me contou toda a história do navio naufragado naquela praia, enquanto meu estômago fazia redemoinhos. Segundo ele, o barco transportava narcóticos e como a máfia italiana ficou sabendo, tiveram que abandoná-lo em alto mar e o barco acabou indo parar em Navayo Beach. Não tinha lugar mais paradisíaco para encalhar.
Pedi a ele que me explicasse qual a melhor forma de voltar pra Zakynthos Town e ele então falou para segui-lo novamente até pegarmos a saída do topo. Foi um anjo que caiu do céu. A partir dali, fiz um caminho de volta diferente do que tinha vindo, pelo oeste da ilha, e pelas montanhas. Mas pelo menos era só uma estrada e eu não tinha como me perder. Era só seguir as placas. Mais ou menos, pois em determinado momento a placa não indicava pra qual lado era Zakynthos. Bem nesta hora apareceu um carro na direção contrária. Lá de dentro, um cara totalmente empolgado me falou que era pra esquerda (talvez eu já tivesse pedido informação pra ele antes) e então ele disse "Don't drive alone!". Fui correndo loucamente e passando muito mal, passando por curvas e precipícios, mas a paisagem ainda assim era gratificante.
Quarenta e cinco quilômetros depois cheguei no Porto de Zakynthos Town às 14h da tarde. Mal podia acreditar que tinha chegado tão rápido. Sobrou tempo até pra comprar um coca-cola pra melhorar meu enjoô que estava de matar. Larguei o carro no estacionamento do porto, conforme combinei com o menino da rental store e entrei no ferry aínda pálida. Troquei de roupa e deitei nos bancos da popa da embarcação vislumbrando um pôr-do-sol de lado. Já estava melhor quando cheguei em Kylini e entrei num ônibus direto para Atenas. Mais 5 horas de viagem, com parada de 20 minutos e às 21h30 estava em Atenas. Era incrível o mar de luzes que os carros formavam no pedágio da estrada, em certa altura. Contei 20 linhas recheadas de carros um ao lado e na frente do outro. Acho que nunca vi tantos carros juntos. Chegando na rodoviária, mais um ônibus até Omonia para pegar o metrô até Katehaki e andar até em casa. Ufa.
Um comentário:
Dine do céu... que corageeeem é essa sua louca? hahaha...
Admiro isso, provavelmente se estivesse aí entraria em depressão por ficar entocada no quarto... rs
ah, dine... qdo vc se aventurar pelos butecos daí, se puder, traga aquelas 'bolahachas' de apoiar cerveja, meu querido namo faz coleção... hihi
bjuuu.
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