14 de out. de 2008

O Diário de Uma Motocicleta - Santorini Island

Não ouvi o despertador tocar. Acordei as 8h36 atrasadíssima para pegar o metrô que vai para o aeroporto. Ainda bem que tinha deixado tudo bem organizado e consegui sair de casa as 9h, correndo com a mochila nas costas para pegar o metrô das 9h10, o mesmo que pego para ir trabalhar. Nunca corri tanto, estava suando quando olhei a placa que dizia que faltava 1 minuto para chegar o trem. Não esperei nem 30 segundos e o bendito já apareceu. Se eu o perdesse, outro só depois de meia hora e eu perderia o meu vôo para Santorini.

Chegando ao aeroporto, fui para a Aegean Airlines fazer o check-in, e na fila encontrei uma porção de brasileiros que estavam indo para Mykonos. Já estavam fazendo a última chamada para Santorini, então tive que pular a fila. O atendente era bem charmoso e ficou falando dos cristais por causa do meu sobrenome. E eu tinha 5 minutos para estar no portão de embarque. Saí correndo mais uma vez.

Fiquei triste porque jogaram fora meu shampoo e condicionador, esqueci totalmente que não podia levar na bagagem de mão. Tinha um senhor que tinha comprado um whisky no freeshop, tirou da sacola e colocou na mala, e ficou transtornado quando soube que ia ter que deixar lá. Tentou de tudo, mas não conseguiu, até porque o vôo já estava pra sair e não tinha mais como despachar.

A viagem a Santorini é feita de breves 35 minutos de vôo sobre diversas ilhas lindas, todas contornadas de branco e azul. Esse fim de semana estava ventando fora do normal, e eu realmente fiquei com medo de voar. Antes do pouso, o avião fica muito próximo do mar, eu olhava para um lado e via pedras, do outro lado muita água, e nao dava para ver o que vinha pela frente. O fato é que o avião cada vez mais se aproximava do mar e eu fiquei rezando para que realmente tivesse um pedaço de terra na frente.

Chegando ao aeroporto, pedi informações turísticas pra ter alguma noção do que fazer, aonde ir e como me mexer por lá. Paguei 15 euros num taxi que me deixou em Thira (Fira), onde tem vários restaurantes e lojas. O taxista me contou que todos os ferrys tinham sido cancelados por causa do tempo, e eu tinha que ir para Creta, pois meu vôo de volta para Atenas saía de lá. Graças a Deus um único ferryboat ia partir as 21h30, comprei o ticket e subi rumo a linda paisagem de Santorini.

A ilha é encantadora, e peculiar com suas construções brancas no estilo mediterrâneo, à beira dos penhascos. Logo no início, conversei com um casal de franceses muito simpáticos, que me deram algumas dicas para me localizar por lá. Tem gente de tudo quanto é lugar, também conversei com uma chinesa que estava viajando sozinha. Fui passeando pela vista maravilhosa, que a cada passo mostrava uma paisagem ainda mais incrível. Entre as ruelas de Thira há uma quantidade enorme de cafés, restaurantes, lojas (muita loja de jóias), artesenato e outros artefatos turísticos.

Estava andando feliz e contente entre um destes corredores, quando alguém me chama. Olho para trás, e encontro Ruy, o brasileiro com quem conversei na Acrópole domingo passado. Foi muita coincidência a gente se encontrar naquele lugar. Ainda não acreditando na coincidência, fomos comer um gyros (que é tipo uma tortilha mexicana em forma de cone) gostoso e barato. Como Ruy tinha alugado uma scooter, fomos juntos conhecer as praias do outro lado da ilha. De cima da motoca, filmei uns trechos da estrada para o documentário sobre o mundo que Ruy disse estar fazendo. Mais de meia hora ao som estridente da scooter e em meio às paisagens surreais da estrada, chegamos a Kamari, uma praia exótica, de areia preta vulcânica. Demos uma volta, tiramos algumas fotos, enquanto Ruy recitava uma poesia dele que já ganhou prêmio. Sentamos para tomar uma água e ficamos conversando por um bom tempo sobre a essência da vida.

Depois, fomos de scooter até Perissa. Nos perdemos no caminho, um casal de alemães tentou nos ajudar até que conseguimos chegar na praia. Enquanto Ruy foi estacionar a moto, uma mulher bizarra dona de um restaurante me abordou e já foi gritando e me apresentando pra todo mundo como a amiga "brasileira" dela. A praia é muito bonita, embora alguém tenha pixado "putia" nas pedras. Achei engraçado.

A volta de Scooter para Thira foi difícil, muito vento, frio e areia no olho. Quando finalmente chegamos, fomos direto procurar uma pasta bem quente para jantar. O céu estava encobrindo no final da tarde e já estava anoitecendo, por isso infelizmente perdi o famoso pôr-do-sol em Ya, onde tem a vista mais linda da ilha e dizem que o pôr-do-sol é um dos mais belos e coloridos do mundo. Vou ter que voltar para ver.

Fomos então tomar um café antes de eu pegar o ônibus para o Porto. Provei um greek coffee, que é um café fraco cheio de pó, diferente e gostoso. Fiquei com a sensação de que eu assisti a um mega longa metragem da vida de Ruy durante o dia, e de que eu realmente tinha que encontrá-lo aqui para que ele me dissesse exatamente as coisas que eu precisava ouvir. É difícil descrever, mas tudo o que conversamos foi muito intenso e fez toda a diferença naquele momento.

Chegando no Porto, o ferry ainda não estava lá. Ia atrasar 2 horas. O mar estava agitadíssimo. Eu achei ótimo porque ia chegar as 2h40 da manhã na Ilha de Creta e teria que esperar até 5h30 para pegar um ônibus de Heraklion pra Chania. Fiquei ouvindo música até chegar o ferry, e duas horas depois estava embarcando.

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