27 de out. de 2008

Perdida na Ilha de Zakynthos

Saí de casa as 5h30 da manhã. Ainda estava escuro. Pensei em pegar o metrô, mas como começa a funcionar a partir deste horário, achei que ia demorar a chegar na estação. Resolvi pegar um táxi na rua e não demorou a parar um. Logo depois, o taxista parou para pegar mais uma pessoa, pois aqui na Grécia os táxis levam vários passageiros na mesma corrida. Fiquei feliz que era um policial (aqui eu confio neles). Se fosse no Brasil, ficaria com medo. Fiquei quieta a viagem inteira e deixei os dois conversando, pra ver se o taxista esquecia que eu não falava grego e resolvesse me engambelar.

Passamos por umas ruas meio congestionadas neste horário, provavelmente por causa da saída das baladas. Apenas 3,30 euros depois eu estava em Larissa Station, a estação nacional de trem de Atenas. Comprei o ticket até o lugar mais próximo do Porto de Kylini, de onde sai o ferry pra Zakynthos, e fui esperar o trem, que saía 6h05.

Acho que nunca viajei tão sem saber como ir, qual trem pegar, como chegar ao Porto, onde dormir na ilha e como voltar. Mas como diz a música, "nós não precisamos saber aonde vamos, nós só precisamos ir".

Entrei no trem que era feio por fora, mas por dentro até que não era ruim. Sentei ao lado de uma senhora grega e tentei me comunicar com ela pra saber em qual estação eu tinha que descer, pois ainda tinha que pegar outro trem em Kiato. Finalmente usei a palavra nova do meu vocabulário "epomini" pra dizer próxima! Me senti triufante ao quase formar um diálogo em grego.

O trem parava o tempo inteiro, e um pouco mais de uma hora depois, chegamos finalmente em Kiato. O dia estava começando a clarear. Segui a senhora que estava do meu lado e ela fazia gestos para seguí-la. Pegamos um outro trem (este sim estava em bad shape), e ela foi muito gentil em procurar qual era a poltrona que eu tinha que sentar. Um amor de pessoa.

Agora eu podia dormir tranqüila, pois tinha mais de 3 horas de viagem pela frente. O trem fazia o caminho pela costa, e as paisagens iam se transformando aos poucos, revelando lindos visuais. Em certo momento, me senti viajando pela rua principal das praias de Itajuba e Barra Velha, com construções muito parecidas em frente ao mar.

Um senhor estava sentado ao meu lado, perguntei se ele falava inglês para saber se podia me contar por onde estávamos passando. Descobri que além de não falar outra língua, ele também não tinha vários dentes na boca. Ele tinha o braço quebrado, um sorriso angustiante e se esforçava pra me perguntar coisas. Insistia. Eu não entendia nada. No fim das contas, até que a gente conseguiu comunicar algumas coisas, a intenção dele era boa, pelo menos.

Perto das 10h fui até a minha "amiga" do trem anterior perguntar se onde eu ia parar já estava chegando. Eu não conseguia decorar nem como falava o nome da cidadezinha que eu tinha que descer. Um casal ouviu, e disse que iam descer no mesmo ponto, então foi só acompanhar os senhores. Eis que no meio do nada, desci do trem e adentrei a pé em Relená (mais ou menos esse o nome) em busca de um táxi ou ônibus para Kylini. Pedi informação a um senhor que andava pela rua, mas ele só respondia em grego. Enfim, entendi que ele tava indo pra lá também, que era só segui-lo. Como já eram quase 10 pras 11 e o ferry deveria sair as 11h05, peguei um táxi até o porto para garantir que chegaria a tempo. Chegando lá, comprei o ticket e a mulher disse que o barco só saía as 13h30 e que tinham me informado errado no telefone. Então lá fui eu conhecer as redondezas do simpático e bonito porto de Kylini para ver o tempo passar.

A viagem de Kylini para Zakynthos é linda, feita de uma hora de águas claras de um azul esverdeado impossível que se perdem no horizonte. O ferry é bem aberto e moderno, deixando a viagem ainda mais agradável. Grande parte do pessoal que estava viajando para lá eram alemães e ingleses. Zakynthos fica no oeste da Grécia e ao sul da Itália. Fiquei conversando com um alemão que não falava muito inglês, o que foi bom pois me forcei a praticar o alemão enferrujado de anos. Fiquei feliz que consegui dialogar em alemão, não sem recorrer a algumas palavras em inglês, é claro.

Chegando em Zakynthos, o visual da ilha se aproximando cercada pela imensidão azul é de encher os olhos e pensar que valeu a pena ter chegado até lá. Eu tinha saído de casa as 5h30 da manhã e quando finalmente pisei na ilha já eram 16h.

Lá fui eu e minha mochila percorrer o centrinho de Zakynthos atrás de algum hotel barato e de um loja de aluguel de automóveis. Para minha surpresa, estava praticamente tudo fechado, pois além de ser o último fim de semana da temporada (e já estava bem out of season), também era a hora da siesta. O comércio fecha as 15h e só volta a abrir as 17h30. Andei, andei e encontrei uma agência de turismo aberta, onde conversei com uma moça muito simpática de Budapeste, que me explicou tudo o que eu precisava da ilha, de uma forma muito prática e rápida, do jeito que eu precisava. Contei que queria ver tudo em um dia, e ela me passou o telefone de um pessoal que faz o passeio de barco até o Shipwreck, na praia que é cartão postal da Grécia e que me fez ir até lá.

Planejei ir ao sul da ilha, em Gerakas Beach para aproveitar o fim da tarde, e depois ir até Laganas para tentar encontrar mais pessoas e achar uma pousada mais em conta. Não tem albergues na ilha. Andei pra lá e pra cá no centro atrás de hotel, mas só encontrei um por 40 euros. E o máximo que consegui pexinxar foi pra 35. Resolvi alugar um carro de uma vez e parar de andar pra lá e pra cá, mas estava tudo fechado. Só encontrei a Europcar aberta. Queria cobrar 40 euros por um carro! Voltei na minha amiga de Budapeste e contei sobre a dificuldade que estava tendo. Eles alugavam carro ali por 25 euros mas não estaria aberto amanhã para devolver. Ela se esforçava pra me ajudar, mas nao tinha jeito.

Depois de perder mais tempo andando e me desesperando porque ia ter que gastar todo meu dinheiro com hotel e carro, voltei na Europcar pra alugar o dito cujo, e a mulher então me pede a carteira de habillitação internacional, que eu nem trouxe pra Grécia porque estava vencida. Tinha pesquisado antes de sair do Brasil, e li que a carteira brasileira é válida por 3 meses, assim como nos Eua. Até porque já tinha alugado um carro em Creta. Mas franchisings como Europcar, Hertz e cia não aceitam. Fiquei com muita raiva da mulher. Estava perdida em Zakynthos, sem carro nem lugar pra dormir, e o tempo passando. Voltei na agência de turismo pra falar com a minha amiga de Budapeste e ela disse que de qualquer forma, ali também exigiam a carteira internacional. Mas me disse para ir até Laganas onde encontraria várias rental stores que não exigem nada, mas também não oferecem seguro nenhum.

Ônibus naquela ilha, eu podia esquecer. Devia passar 2 por dia. Pechinchei um táxi pra me levar até Laganas e o senhor me deixou na beira da praia. Resolvi curtir um pouco antes que o sol fosse embora e depois segui em busca de hotéis. Andei bastante, mas a maioria estava fechado. Encontrei um que estava lotado por uma empresa e outro que estava totalmente sem móveis porque iam fechar no dia seguinte. Então saí em direção à praia, me troquei no banheiro da piscina do último hotel que fui perguntar, e resolvi caminhar um pouco na areia. Como já eram quase 6 horas da tarde, fui atrás de uma rental store antes que fechassem. Aluguei um carro amarelo chamado "Alta" da Suzuki. Bem simples, meio batido, mas por 15 euros eu não podia pedir nada melhor. Na mesma loja, chegou um cara que tinha um hotel e acabei me hospedando lá por 30 euros. O café da manhã me convenceu.

Fiz o check-in, deixei algumas coisas no quarto e voltei para praia, agora de carro. Encontrei duas escocesas extremamente trêbadas, que gritavam, riam alto e me abraçavam com os copos na mão. Nunca ouvi a língua inglesa tão alcoolizada. Os respectivos maridos tinham voltado pra Pousada e elas estavam lá, felizes da vida.

Voltei pro hotel pra tomar um banho e depois fui a um barzinho na beira da praia comer alguma coisa. Eles chamavam o pessoal pra dançar a dança grega e também apresentavam um pouco da dança em meio a um círculo de fogo. Coisa pra turista ver. Tomei um drink cremoso com chocolate e o dono do lugar me deu o telefone dele pra irmos a algum outro lugar tomar alguma coisa depois que fechasse o restaurante. Ia ficar muito tarde.

Estava muito cansada, mas antes de voltar pro hotel resolvi tomar uma água num barzinho que era mais uma balada, a única que estava um pouco agitada. Não tinha muita gente, mas mesmo assim tinha de tudo lá. Velhos, gays, adolescentes, drogados, bêbados, enfim, tudo o que se pode imaginar vestindo tudo ou muito menos do que se pode imaginar. Além de drinks psicodélicos no estilo suco gummy incrementado num baldinho com vários canudinhos que brilham na luz negra, tinha também gás hélio pra inalar por 3 euros e jogos de fliperama. Havia também uma mulher totalmente fora da casinha, vestindo um mega mini short jeans, com as células adiposas tranbordando também pela mini blusa branca, que ficava dançando eroticamente e sem noção na porta de entrada do lugar. Ela grudou num ser albino que surgiu na balada e que veio falar comigo qualquer coisa que eu não entendi e então a mulher veio atrás e tentou me agarrar à força. Tive que usar também a força pra impedir que aquela criatura me beijasse. Credo. Voltei pro hotel sonhando com a minha cama e pensando que definitivamente, balada não é a minha praia.

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