02/10/08
Não consegui dormir bem. Acordei as 2h da manhã preocupada com a mala perdida e em perder a hora pois estava sem despertador. Aqui a tomada é diferente, por isso não consegui recarregar meu celular. Então fiquei conversando com meus irmãos no msn, que me lembraram da existência de alarme no Ipod. Já tinha passado das 5h da manhã e eu ainda não tinha dormido.
Acordei as 8h e fui para o meu 1o dia de trabalho na Upstream de carona com Panagioti, meu vizinho turco que também trabalha lá. A Upstream fica no piso térreo de um prédio comercial, cuja arquitetura é bem diferenciada, muito bonita, onde há várias empresas de comunicação. Meu computador já estava todo configurado, assim como meu e-mail personalizado da empresa.
Conheci Claudia, uma jornalista brasileira que mora aqui há 5 anos e que vai trabalhar comigo nesta campanha. É ótimo porque ela fala grego e português, e já conhece muita coisa por aqui, então ela me ajuda bastante. Os chefinhos do projeto se apresentaram e me passaram algumas traduções para fazer. O ambiente de trabalho é ótimo, amplo e tranqüilo. O horário também é tranqüilo, das 9h30 às 17h30, pois aqui são 8h de trabalho por dia, porém não há horário de almoço, a gente come e já volta a trabalhar. No piso debaixo, tem uma cafeteria que serve almoço até as 15h, por um valor e sabor razoável. Eu estava muito cansada e não adaptada ao fuso horário no primeiro dia. Ganhei um cartão-ponto para marcar os horários de entrada e saída. Fiquei feliz que no final da tarde me ligaram da Air France dizendo que minha mala foi encontrada.
Após o trabalho, fui ao carrefour comprar o adaptador de tomada e acabei fazendo um turismo básico no supermercado. Tentei pegar o carrinho, mas não soltava de jeito nenhum. Aí que eu percebi que tinha um lugar pra inserir moedas. 1 euro pra poder usar o carrinho de compras no supermercado! Assustador. Peguei a pobre e primitiva cestinha e segui em frente. Tem bastante coisa diferente e opções de comida pronta, pena que é quase tudo em grego. Alguns produtos tem a tradução em inglês, mas são poucos. É um tanto quanto desgastante. Dá dor de cabeça ficar tentando adivinhar do que se trata. Algumas etiquetas de preço são digitais nas gôndolas, dá a sensação de que podem mudar a qualquer hora. Fiquei surpresa ao ver uma caixa de sabão em pó gigante de quase 7 kg, custava 20 euros. Uma garrafa de bacardi eram 16 euros, o mesmo valor de uma absolut. Tem muito tipo de azeite de oliva, e até uma caixa de suco com azeite de oliva dentro e bastante opção de pães também. Tinha coisas que não tinha como saber o que era, porque estava tudo em grego mesmo. É horrível não fazer a menor idéia do que está escrito na embalagem. Acabei levando um pote de alguma coisa que parece um molho de salada, mas já com um pouco de salada dentro, que parece ser típico daqui, e outras coisinhas também. Na saída do mercado, comprei uma torta de queijo em forma de pastel que era bem gostosa e fui em direção a estação de metrô. Os metrôs são novos, bem modernos e limpos. Parei na estação próxima da minha casa, Katehaki, porém não fazia a menor idéia de qual direção seguir a partir dali. Pedi informação para várias pessoas, mas cada uma apontava uma direção diferente.
*** Um diálogo jovem e bonito ***
- Do you speak english?
- Yes.
- Do you know where is Gounari Street?
- Gounari?
- Yes, Gounari Street.
- I don't know, because I don't live nearby. What did they tell you to get there?
- Well, they don't tell me anything. Actually, I'm living there but that's the first time I'm going home by myself.
- First time, yeah? (risos)
- Yes, do you know to which direction is the center?
- Go straight in this direction.
- Ok, but I'm not sure if that's the right.
- Don't you have anybody to call?
- Yes, I can do that! But I think 'll try one way and see what happens.
- (risos) You're funny!
Resolvi seguir o meu instinto e fui andando em uma direção, que não era aquela que o grego tinha sugerido. Podia jurar que estava certa até perceber que estava andando demais e estava me afastanto de coisas comerciais e luminosas. Então resolvi voltar, pedi informaçõe pra várias pessoas, até num hospital e para um taxista, e cada um dizia uma direção diferente. Quando voltei a estação do metrô, uma mulher me disse que onde eu queria ir ficava meia hora dali e que devia pegar um ônibus. Foi aí que eu percebi que o endereço que eu tinha da minha casa estava errado. Eu acabei indo para um apartamento diferente daquele que me passaram o endereço inicialmente. Então, sem sequer saber o endereço correto da minha casa, resolvi tentar o caminho em direção ao centro, fui andando até reconhecer a pequena estação policial, que é a minha referência para virar na rua certa, pois esses nomes de ruas estão todos em grego.
Dá pra imaginar o quanto fiquei feliz ao chegar em casa depois de andar muito tempo perdida com várias sacolas de compras do supermercado e um dia desgastante de trabalho depois de 3 noites extremamente mal dormidas.
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