8 de out. de 2008

Domingo na Acrópole

Domingo de sol, como são todos os dias aqui. Céu azul sem nuvens, ainda não vi um dia nublado nem chuva. Um belo dia para visitar a Acrópole. Não é muito longe, fica a 6 estações de metrô de onde moro.

Chegando na estação, segui o fluxo, sem noção nenhuma de qual direção seguir. Como é uma região turística, tinha várias lojinhas por perto. Então perguntei a uma vendedora pra que lado deveria seguir. Logo que você entra no parque arqueológico, fica maravilhado ao avistar a imensidão e a beleza da colina rochosa. É surreal, encantador e indescritível a sensação de estar naquele lugar. Quase chorei na hora.

Antes de subir, há o Teatro de Dionísio, onde estrearam as maiores peças da antigüidade. A medida que você sobe, a paisagem de Atenas vai ficando cada vez mais ampla e bonita. As acrópoles da Antiga Grécia eram construídas nos pontos mais altos das cidades, para proteger contra invasores e cidades inimigas. Com o tempo, passaram a servir como sedes administrativas civis ou religiosas. A Acrópole de Atenas é a mais famosa delas, foi construída por volta de 450 a.C., liderado por Péricles e foi dedicada a Atena, deusa padroeira da cidade.

É um tal de pedir pra tirar fotos que chega a ser hilário. Eu como uma boa turista-by-myself, me senti ainda mais a vontade para pedir a pessoas aleatórias que tirassem fotos. Uma grega bizarra pediu para eu tirar uma foto pra ela, e no fim tive que tirar umas 10 fotos, sem exageros. A mulher se empolgou descontroladamente, fazia várias poses, deitava na grama, levantava os cabelos, abraçava árvore, fazia poses sexys (tentava) e eu lá com uma câmera de filme convencional mal pintada de dourado, obedecendo às direções que ela ordenava. E ela nem falava inglês. Surreal. Mais tarde, um libanês se ofereceu para tirar uma foto minha, e a gente começou a conversar. Ele me explicava um pouco sobre os templos, e no fim pediu meu telefone. Beijou a minha mão e me convidou para tomar um drink qualquer dia. Educado, pelo menos.

Cada passo acima na Acrópole é uma descoberta. Lá pude ver o Propileu, o portal para a parte sagrada; o Partenon, templo principal; o Erecteion, templo dos deuses do campo, e o Templo de Athena Nike, símbolo da harmonia. É incrível ver de perto a perfeição da construção, a arquitetura, a riqueza de detalhes e simbologias existentes há tanto tempo atrás. Além da beleza surreal dos templos, a paisagem branca das construções de Atenas com suas elevações e vista para o mar é um deus à parte. É tão impactante que nem senti fome nem sede. Já eram 4 horas da tarde e eu ainda não havia comido nada. Não lembrei que lá em cima não tinha lanchonete. Tinha ido sem mapa, sem água e sem informação alguma do que era a tal da Acrópole, de fato.

Desci e subi uma outra colina, cuja vista também é privilegiada. Havia um grupo de pessoas com as mãos levantas para o céu, cantando "Thanks Jesus" numa vibe contagiante. Até me senti religiosa. A energia é inexplicável naquele lugar.

Saí perdida sem saber o que mais tinha para conhecer na região, morrendo de sede e fome, e sem encontrar nenhum restaurante por perto. Foi então que dei de cara com Michal, o redator tcheco que chegou na sexta-feira. Foi realmente muita coincidência. Para minha sorte, ele tinha água e mapa. Então seguimos em direção à comida, e fomos até outro templo, que pelo que entendi seria uma igreja, mais antiga, e ainda assim, melhor conservada. Michal é bem legal e foi bom manter um diálogo mais extenso em inglês. Depois, cada um seguiu seu caminho, e eu queria voltar lá pra cima para ver o pôr-do-sol.

Na subida, abordei uma pessoa com uma camiseta estampada "Brasil", pois ainda não havia encontrado nenhum brasileiro. Ele era todo zen, na mesma hora pensei que só podia usar drogas. Começamos a conversar e ele me contou quase a vida inteira. Fez cursos de yoga e quiropatia na Índia, mora na Espanha e vive viajando pela Europa, pois também é DJ. Ele de fato já usou muitas drogas, já foi expulso da aula de cataquese e hoje é super ligado em Deus. Ele passou pelo desespero de não ter mais dinheiro, começou a lavar pratos pra sobreviver, quando chamaram pra fazer massagens em Ibiza. Segundo Ruy, a massagem dele é psicodélica, é como usar drogas sem tóxicos. Ele até me deu um folder em várias línguas, com site e telefone e me ofereceu uma massagem com desconto nesta semana que ia estar na Grécia. De repente, começou a ler a minha mão e a falar coisas relevantes a meu respeito. Conversamos sobre karmas, existência de Deus e de outras vidas, foi um diálogo surreal em um lugar peculiar, que me fez refletir sobre algumas coisas. Ele me convidou para ir comer algo, mas como eu tinha acabado de me alimentar segui em busca do pôr-do-sol.

No caminho, um grego me abordou para perguntar de onde eu era. "You look artistic, I want to take a picture of you". Ok, cada um que aparece. Conversamos um pouco e ele me levou a um lugar ainda mais alto, onde tem outro monumento e dá pra ver toda a Acrópole e Atenas de outro ponto. Uma vista inesquecível. Ele era querido, tirou algumas fotos, disse que eu fazia ele feliz e que queria cuidar de mim, mas eu já não via a hora de me livrar da criatura. Ele me deu uma flor e convidou para assistir ao show que iria ter mais tarde. Depois queria me dar carona, mas não aceitei. Queria meu telefone, inventei um número do Brasil. Como ele não confiava no celular, insistiu para marcarmos um encontro para o dia seguinte. Não fui.

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