30 de out. de 2008
Paraskevi graças a Zeus!
À noite fui com Claudia, o namorado Vassiles, o irmão dele e mais um amigo ao aniversário da Mariana, uma amiga brasileira que também mora em Atenas. Claudia já tinha me avisado que era uma balada latina, ou seja, um tanto quanto bizarro.
Logo na entrada, vários seres vestidos com suas respectivas camisas sociais semi-abertas. Ao som de salsa e outros ritmos latinos, um amigo brasileiro da Mariana que trabalha lá, dançava e todo mundo o imitava. Parecia ginástica na praia, porém dentro da balada. De vez em quando tocava "música brasileira", como "pegue a latinha e bate uma na outra.. tchá tchá" ou "jogue seus braços pra trás, balança seu pescoço.... morto muito louco". Surreal ver os gregos fazendo as coreografias enfileirados.
Entre as músicas de dançar aos pares, um egípcio me convidou para dançar. Como ele era professor de aeróbica e dança (e também decorador de ambientes, se eu entendi certo), ele me conduziu muito bem, no final já me sentia no palco da dança do Faustão. Ninguém acredita quando falo que sou brasileira, todo mundo acha que sou inglesa. No fim da noite, tive até que me virar num portunhol forjadíssimo com um grego que insistia em conversar em espanhol, sonhando que é igual à língua portuguesa.
Thursday
Desci 2 pontos antes, então resolvi pegar o próximo pra ir mais adiante. Estava transbordando de seres humanos. A hora que abriu a porta quase fiquei presa. Já basta meu dedo que ficou na porta do carro hoje de manhã. Enfim, cheguei em casa tarde.
29 de out. de 2008
Wednesday
Enquanto estávamos em reunião, Thomas, meu vizinho tcheco engraçadão, trocou o casaco da Claudia com o meu de cadeira, pois ambos eram vermelhos. Bem engraçadinho.
*** Um diálogo com a embaixada ao telefone ***
- How can I get a visa to Egypt?
- Where are you from?
- From Brazil.
- Where?
- Brazil!
- Brazil?
- Yes. I'm brazilian.
- Where is Brazil?
- In south America.
- In south America?
- Yes.. Brazil... B-r-a-z-i-l.
- Hmm... Hold on.
E transferiu a ligação. Até os tchecos já estavam dando risada.
Feriado
O fato é que pude dormir até acordar, limpar a casa, lavar roupa e descansar o dia inteiro.
28 de out. de 2008
Monday
Pela primeira vez desde que estou aqui, o céu de Atenas amanheceu nublado. Hoje começou a esfriar um pouco.
Pouca gente trabalhando, pois aproveitaram pra pegar day off e emendar o feriado. O trânsito vazio, assim como as bandejas do refeitório. Como hoje nem comida tinha, pedimos suvlaki pelo telefone.
Os tchecos foram advertidos no final da tarde, por causa do comportamento que estão apresentando. Sair mais cedo, chegar atrasado, ir pra balada e nao conseguir acordar. Parece que não estão tão satisfeitos com o trabalho dos meninos.
A Saga rumo a Shipwreck - Don't drive alone
As 8h desci novamente e inaugurei o café-da-manhã. Não lembrava como é bom tomar café de hotel, e o café em si realmente estava uma delícia.
Fiz o check-out e resolvi ir a Gerakas Beach antes de ir ao Norte da ilha, com a minha mania de achar que sempre dá para fazer tudo. Muitas estradinhas sinuosas pelas montanhas depois, cheguei na praia, que fica no final do final do sul da ilha. Muito bonita, pena que o céu estava um pouco nublado. Tirei algumas fotos e curti a praia deserta, pois só apareceram pessoas depois que eu estava indo embora. Entrei no carro e voltei correndo que nem louca pelas estradinhas no meio do nada.
Cheguei em Zakynthos Town e segui de lá rumo ao Porto de Saint Nicholas, de onde eu queria pegar o barco para o Shipwreck, que ficava na outra ponta da ilha. Fiz o caminho pela costa, mas me perdi muito pelas estradinhas. Entrei na contramão e tive que pedir informação várias vezes. As pessoas me olhavam com uma cara de desacreditadas "é muito longe daqui" ou "vai levar umas 2 horas pra você chegar lá", "o caminho é complicado", "tem que saber chegar lá", mas eu prefiri fingir que só ouvi "você consegue chegar lá".
Andei, andei, andei sempre correndo contra o tempo até começar a subir pelas montanhas. Muitas curvas e subidas intermináveis, que já estavam me deixando enjoada. As placas diziam que faltavam poucos quilômetros, mas não chegava nunca. Duas horas e meia depois, finalmente cheguei ao Porto e descobri que não iria encontrar pessoas suficientes querendo fazer o passeio até o Shipwreck. Eu não podia acreditar que tinha ido até lá realizar meu sonho de pisar naquela praia e não iria conseguir.
Uma família de ingleses muito simpática estava indo fazer o passeio nas Blue Caves, então aproveitei pra ir junto. Até consegui convencê-los de ir até a Shipwreck de barco e pagaríamos um pouco mais quando voltássemos. Mas não teve jeito. Com aquele barquinho não dava pra chegar lá. De qualquer forma, as cavernas são muito lindas e em determinados pontos a água é de um azul iluminado inacreditável. E o tempo nem estava tão bom assim, imagino como deve ser num lindo dia de sol de verão. Perguntei ao senhor que dirigia o barquinho há anos o por quê de a água ser tão clara em determinados pontos das cavernas. Ele disse que não sabia e, rindo, acrescentou "I only work here". Mergulhei no mar jônico e 45 minutos depois estávamos de volta ao Porto.
Já eram 15 para 13h e eu tinha que pegar o ferry em Zakynthos town as 15h. Calculei que se eu levasse o mesmo tempo pra voltar, nem chegaria a tempo. E eu estava passando muito mal, porque as curvas das bad roads estavam me enjoando e pra completar, o balanço do barquinho entre as Blue Caves me fizeram ficar muito pior. Eu tremia muito e não conseguia comer nada.
De qualquer forma, já que não consegui ir até a Navajo Beach de barco, não podia sair da ilha sem ao menos ver a praia de cima. Então subi as montanhas mais uma vez agora rumo ao oeste para chegar ao topo. Eu realmente estava muito mal, minhas pernas tremiam no pedal da embreagem e por alguns momentos achava que não ia conseguir. Passei por uns caminhos desertos, achei que estava errado e voltei. Então pedi informação pro primeiro carro que passou e ele disse para segui-lo. Ótimo. Várias curvas cada vez mais altas depois e chegamos ao topo da montanha, onde dá pra ver a Shipwreck. É realmente incrível ver ao vivo lá de cima aquele cartão postal. A paisagem do navio naufragado em harmonia perfeita com as cores da água do mar mescladas à areia branca, em meio a um refúgio de pedras é única. É inexplicável.
Mas eu estava quase vomitando, atrasada e sem a menor idéia de como eu ia voltar para pegar o ferry a tempo. Conversei com o mesmo senhor que disse para segui-lo até a Shipwreck. O seu avô é de Zakynthos, então ele me contou toda a história do navio naufragado naquela praia, enquanto meu estômago fazia redemoinhos. Segundo ele, o barco transportava narcóticos e como a máfia italiana ficou sabendo, tiveram que abandoná-lo em alto mar e o barco acabou indo parar em Navayo Beach. Não tinha lugar mais paradisíaco para encalhar.
Pedi a ele que me explicasse qual a melhor forma de voltar pra Zakynthos Town e ele então falou para segui-lo novamente até pegarmos a saída do topo. Foi um anjo que caiu do céu. A partir dali, fiz um caminho de volta diferente do que tinha vindo, pelo oeste da ilha, e pelas montanhas. Mas pelo menos era só uma estrada e eu não tinha como me perder. Era só seguir as placas. Mais ou menos, pois em determinado momento a placa não indicava pra qual lado era Zakynthos. Bem nesta hora apareceu um carro na direção contrária. Lá de dentro, um cara totalmente empolgado me falou que era pra esquerda (talvez eu já tivesse pedido informação pra ele antes) e então ele disse "Don't drive alone!". Fui correndo loucamente e passando muito mal, passando por curvas e precipícios, mas a paisagem ainda assim era gratificante.
Quarenta e cinco quilômetros depois cheguei no Porto de Zakynthos Town às 14h da tarde. Mal podia acreditar que tinha chegado tão rápido. Sobrou tempo até pra comprar um coca-cola pra melhorar meu enjoô que estava de matar. Larguei o carro no estacionamento do porto, conforme combinei com o menino da rental store e entrei no ferry aínda pálida. Troquei de roupa e deitei nos bancos da popa da embarcação vislumbrando um pôr-do-sol de lado. Já estava melhor quando cheguei em Kylini e entrei num ônibus direto para Atenas. Mais 5 horas de viagem, com parada de 20 minutos e às 21h30 estava em Atenas. Era incrível o mar de luzes que os carros formavam no pedágio da estrada, em certa altura. Contei 20 linhas recheadas de carros um ao lado e na frente do outro. Acho que nunca vi tantos carros juntos. Chegando na rodoviária, mais um ônibus até Omonia para pegar o metrô até Katehaki e andar até em casa. Ufa.
27 de out. de 2008
Perdida na Ilha de Zakynthos
Passamos por umas ruas meio congestionadas neste horário, provavelmente por causa da saída das baladas. Apenas 3,30 euros depois eu estava em Larissa Station, a estação nacional de trem de Atenas. Comprei o ticket até o lugar mais próximo do Porto de Kylini, de onde sai o ferry pra Zakynthos, e fui esperar o trem, que saía 6h05.
Acho que nunca viajei tão sem saber como ir, qual trem pegar, como chegar ao Porto, onde dormir na ilha e como voltar. Mas como diz a música, "nós não precisamos saber aonde vamos, nós só precisamos ir".
Entrei no trem que era feio por fora, mas por dentro até que não era ruim. Sentei ao lado de uma senhora grega e tentei me comunicar com ela pra saber em qual estação eu tinha que descer, pois ainda tinha que pegar outro trem em Kiato. Finalmente usei a palavra nova do meu vocabulário "epomini" pra dizer próxima! Me senti triufante ao quase formar um diálogo em grego.
O trem parava o tempo inteiro, e um pouco mais de uma hora depois, chegamos finalmente em Kiato. O dia estava começando a clarear. Segui a senhora que estava do meu lado e ela fazia gestos para seguí-la. Pegamos um outro trem (este sim estava em bad shape), e ela foi muito gentil em procurar qual era a poltrona que eu tinha que sentar. Um amor de pessoa.
Agora eu podia dormir tranqüila, pois tinha mais de 3 horas de viagem pela frente. O trem fazia o caminho pela costa, e as paisagens iam se transformando aos poucos, revelando lindos visuais. Em certo momento, me senti viajando pela rua principal das praias de Itajuba e Barra Velha, com construções muito parecidas em frente ao mar.
Um senhor estava sentado ao meu lado, perguntei se ele falava inglês para saber se podia me contar por onde estávamos passando. Descobri que além de não falar outra língua, ele também não tinha vários dentes na boca. Ele tinha o braço quebrado, um sorriso angustiante e se esforçava pra me perguntar coisas. Insistia. Eu não entendia nada. No fim das contas, até que a gente conseguiu comunicar algumas coisas, a intenção dele era boa, pelo menos.
Perto das 10h fui até a minha "amiga" do trem anterior perguntar se onde eu ia parar já estava chegando. Eu não conseguia decorar nem como falava o nome da cidadezinha que eu tinha que descer. Um casal ouviu, e disse que iam descer no mesmo ponto, então foi só acompanhar os senhores. Eis que no meio do nada, desci do trem e adentrei a pé em Relená (mais ou menos esse o nome) em busca de um táxi ou ônibus para Kylini. Pedi informação a um senhor que andava pela rua, mas ele só respondia em grego. Enfim, entendi que ele tava indo pra lá também, que era só segui-lo. Como já eram quase 10 pras 11 e o ferry deveria sair as 11h05, peguei um táxi até o porto para garantir que chegaria a tempo. Chegando lá, comprei o ticket e a mulher disse que o barco só saía as 13h30 e que tinham me informado errado no telefone. Então lá fui eu conhecer as redondezas do simpático e bonito porto de Kylini para ver o tempo passar.
A viagem de Kylini para Zakynthos é linda, feita de uma hora de águas claras de um azul esverdeado impossível que se perdem no horizonte. O ferry é bem aberto e moderno, deixando a viagem ainda mais agradável. Grande parte do pessoal que estava viajando para lá eram alemães e ingleses. Zakynthos fica no oeste da Grécia e ao sul da Itália. Fiquei conversando com um alemão que não falava muito inglês, o que foi bom pois me forcei a praticar o alemão enferrujado de anos. Fiquei feliz que consegui dialogar em alemão, não sem recorrer a algumas palavras em inglês, é claro.
Chegando em Zakynthos, o visual da ilha se aproximando cercada pela imensidão azul é de encher os olhos e pensar que valeu a pena ter chegado até lá. Eu tinha saído de casa as 5h30 da manhã e quando finalmente pisei na ilha já eram 16h.
Lá fui eu e minha mochila percorrer o centrinho de Zakynthos atrás de algum hotel barato e de um loja de aluguel de automóveis. Para minha surpresa, estava praticamente tudo fechado, pois além de ser o último fim de semana da temporada (e já estava bem out of season), também era a hora da siesta. O comércio fecha as 15h e só volta a abrir as 17h30. Andei, andei e encontrei uma agência de turismo aberta, onde conversei com uma moça muito simpática de Budapeste, que me explicou tudo o que eu precisava da ilha, de uma forma muito prática e rápida, do jeito que eu precisava. Contei que queria ver tudo em um dia, e ela me passou o telefone de um pessoal que faz o passeio de barco até o Shipwreck, na praia que é cartão postal da Grécia e que me fez ir até lá.
Planejei ir ao sul da ilha, em Gerakas Beach para aproveitar o fim da tarde, e depois ir até Laganas para tentar encontrar mais pessoas e achar uma pousada mais em conta. Não tem albergues na ilha. Andei pra lá e pra cá no centro atrás de hotel, mas só encontrei um por 40 euros. E o máximo que consegui pexinxar foi pra 35. Resolvi alugar um carro de uma vez e parar de andar pra lá e pra cá, mas estava tudo fechado. Só encontrei a Europcar aberta. Queria cobrar 40 euros por um carro! Voltei na minha amiga de Budapeste e contei sobre a dificuldade que estava tendo. Eles alugavam carro ali por 25 euros mas não estaria aberto amanhã para devolver. Ela se esforçava pra me ajudar, mas nao tinha jeito.
Depois de perder mais tempo andando e me desesperando porque ia ter que gastar todo meu dinheiro com hotel e carro, voltei na Europcar pra alugar o dito cujo, e a mulher então me pede a carteira de habillitação internacional, que eu nem trouxe pra Grécia porque estava vencida. Tinha pesquisado antes de sair do Brasil, e li que a carteira brasileira é válida por 3 meses, assim como nos Eua. Até porque já tinha alugado um carro em Creta. Mas franchisings como Europcar, Hertz e cia não aceitam. Fiquei com muita raiva da mulher. Estava perdida em Zakynthos, sem carro nem lugar pra dormir, e o tempo passando. Voltei na agência de turismo pra falar com a minha amiga de Budapeste e ela disse que de qualquer forma, ali também exigiam a carteira internacional. Mas me disse para ir até Laganas onde encontraria várias rental stores que não exigem nada, mas também não oferecem seguro nenhum.
Ônibus naquela ilha, eu podia esquecer. Devia passar 2 por dia. Pechinchei um táxi pra me levar até Laganas e o senhor me deixou na beira da praia. Resolvi curtir um pouco antes que o sol fosse embora e depois segui em busca de hotéis. Andei bastante, mas a maioria estava fechado. Encontrei um que estava lotado por uma empresa e outro que estava totalmente sem móveis porque iam fechar no dia seguinte. Então saí em direção à praia, me troquei no banheiro da piscina do último hotel que fui perguntar, e resolvi caminhar um pouco na areia. Como já eram quase 6 horas da tarde, fui atrás de uma rental store antes que fechassem. Aluguei um carro amarelo chamado "Alta" da Suzuki. Bem simples, meio batido, mas por 15 euros eu não podia pedir nada melhor. Na mesma loja, chegou um cara que tinha um hotel e acabei me hospedando lá por 30 euros. O café da manhã me convenceu.
Fiz o check-in, deixei algumas coisas no quarto e voltei para praia, agora de carro. Encontrei duas escocesas extremamente trêbadas, que gritavam, riam alto e me abraçavam com os copos na mão. Nunca ouvi a língua inglesa tão alcoolizada. Os respectivos maridos tinham voltado pra Pousada e elas estavam lá, felizes da vida.
Voltei pro hotel pra tomar um banho e depois fui a um barzinho na beira da praia comer alguma coisa. Eles chamavam o pessoal pra dançar a dança grega e também apresentavam um pouco da dança em meio a um círculo de fogo. Coisa pra turista ver. Tomei um drink cremoso com chocolate e o dono do lugar me deu o telefone dele pra irmos a algum outro lugar tomar alguma coisa depois que fechasse o restaurante. Ia ficar muito tarde.
Estava muito cansada, mas antes de voltar pro hotel resolvi tomar uma água num barzinho que era mais uma balada, a única que estava um pouco agitada. Não tinha muita gente, mas mesmo assim tinha de tudo lá. Velhos, gays, adolescentes, drogados, bêbados, enfim, tudo o que se pode imaginar vestindo tudo ou muito menos do que se pode imaginar. Além de drinks psicodélicos no estilo suco gummy incrementado num baldinho com vários canudinhos que brilham na luz negra, tinha também gás hélio pra inalar por 3 euros e jogos de fliperama. Havia também uma mulher totalmente fora da casinha, vestindo um mega mini short jeans, com as células adiposas tranbordando também pela mini blusa branca, que ficava dançando eroticamente e sem noção na porta de entrada do lugar. Ela grudou num ser albino que surgiu na balada e que veio falar comigo qualquer coisa que eu não entendi e então a mulher veio atrás e tentou me agarrar à força. Tive que usar também a força pra impedir que aquela criatura me beijasse. Credo. Voltei pro hotel sonhando com a minha cama e pensando que definitivamente, balada não é a minha praia.
Sexta 24.10
Falei com Ruy hoje, ele está em Istambul, na Turquia. Marco, o australiano, também está lá. Como o fim de semana já estava quase começando, foquei no plano B. Mas como terça é feriado, lembrei que os ônibus deviam estar cheios. Liguei pra rodoviária e de fato só tinha ônibus as 12h30 para Zakynthos. Ia chegar muito tarde na ilha, mas então descobri que dá pra ir de trem.
Quinta 23.10
23 de out. de 2008
Quarta 22.10
21 de out. de 2008
Terça 21.10
Como hoje era dia de greve dos metrôs e ônibus, voltamos de táxi para casa.
Liguei o som, e fiz a faxina em casa.
Como começar bem a semana
Quase 10h da manhâ, e Panayotis descobre que perdeu as chaves de casa. Ele pegou a minha emprestada e fomos atrás de um chaveiro para fazer cópias. O trânsito estava infernal. Na primeira key store, precisavam de 1 hora pra copiar a maldita chave. Recomendaram um outro lugar. Fomos até lá e estava fechado. Então fomos em um terceiro chaveiro, onde finalmente conseguimos fazer a cópia.
Cheguei no trabalho quase meio-dia. Panayotis tinha ligado pra lá, avisando do nosso atraso e do ocorrido.
Eu estava cansadíssima do fim de semana. Mal conseguia me manter "viva" e estava com uma dor de cabeça fora do normal.
Assim que cheguei em casa, dormi até o outro dia.
Super Paradise
Primeiro fomos a Panormou Beach, que fica mais ao norte da Ilha. Só havia a gente em meio àquela paisagem exótica. Estava ventando um pouco e o céu estava encoberto. Estendemos as toalhas na areia, e começamos a praticar yoga. O sol surgiu assim que começamos as primeiras posturas. Foi um tanto surreal praticar yoga por quase 1 hora numa praia deserta de Mykonos. Só uma lancha se aproximou pela água, em certo momento.
Depois voltamos e seguimos para Psarou Beach. Andar pelas estradinhas de quadriciclo é uma diversão a parte. Você tem que subir e descer morros até chegar nas praias, e a paisagem que antecede cada descida é surreal. Assim que chegamos em Psarou Beach, vários guarda-sóis de palha, cadeiras de deitar acolchoadíssimas, lanchas, hotéis e restaurantes com baldes de champagne. Estávamos na praia mais elitizada de Mykonos. Deitamos num desses acolchoados e sentimos o sol penetrar pela epiderme. Delícia.
As 13h partimos para a Super Paradise Beach. No caminho, passamos no mercado e compramos água, sanduíche e batatas. Chegando na praia, eu mal acreditava no que meus olhos estavam vendo. As águas cristalinas cobriam a branca extensão de areia, em meio a um cenário exuberante de pedras. Não dá pra descrever tamanha beleza natural. O fato é que, de fato, eu estava no paraíso.
É comum a prática de naturismo nas praias de Mykonos. Inclusive um desses seres despidos se ofereceu pra tirar uma foto (e inclusive Ruy é praticante). Dava pra contar nos dedos quantas pessoas tinham na praia. A Super Paradise era quase só nossa. Entramos no mar Egeu, geladíssimo, e curtimos a tarde na praia que faz juz ao nome que tem. Mais tarde, apareceu um grupo de pessoas falando alto e fazendo um book estilo fotos de família. Só podiam ser brasileiros. Fui até lá interagir, também eram de São Paulo.
Voltamos para o hostel no final da tarde. Antes, mais um gyro frango no caminho. O responsável do hostel, que ia me levar pro porto, não estava lá. Então Ruy teve que me levar de scooter. Nem sabíamos onde era. Comprei o ticket em cima da hora e saímos correndo atrás do ferry que saía as 18h55. Cheguei as 18h50 no porto. Ufa. Me despedi do meu amigo-personal-massagista-professor-de-yoga-motorista-particular-cantor-compositor-poeta e da energia do fim de semana zen e maravilhoso de Mykonos. É incrível como Ruy fala coisas sobre mim que talvez nem eu mesma sabia, ou fingia não saber. E assim como a despedida em Santorini, dessa vez também deixei escorregar algumas lágrimas, sem saber o porquê. É uma salada de emoções distintas, e uma sensação boa de que há tanta beleza no mundo e nas pessoas.
Dessa vez, tive que ficar no deck do barco. Quatro horas sentada numa cadeira de plástico. Não tinha a menor idéia de que seria assim. Mas acabou sendo bem agradável, pois os australianos do hostel também estavam lá e eu fiquei conversando a viagem inteira com Marco. Fiquei tirando sarro do sotaque australiano, é muito diferente do americano e as vezes, palavras muito simples ficam difíceis de entender. Chegamos em Piraeus, o porto de Atenas, as 23h30. Meia hora de atraso. Fomos juntos pegar o metrô e torcer pra não perder o último trem do dia na conexão.
Marco é muito querido, mandou uma mensagem perguntando se eu tinha chegado bem em casa, pois eles perderam o último trem e ficaram andando 1 hora cheio de mochilas pesadas nas costas até chegar no hostel. Eu peguei o último trem no último minuto, e cheguei em casa exausta.
*** Um comentário que o vento levou ***
- Brasileiro tá ganhando dinheiro ein. Como tem brasileiro aqui na Grécia.
Mykonos Island
Pra variar, tinha brasileiro no vôo, então fiquei conversando com um casal muito simpático de São Paulo que estava de férias e peguei umas dicas sobre o Egito, de onde eles tinham vindo há poucos dias.
A viagem é brevíssima, mal dá tempo de tomar todo o suco de laranja. Cheguei em Mykonos as 12h30 e fui encontrar alguém do hostel que estaria me esperando. Ninguém estava com a plaquinha, mas 2 minutos depois apareceu. O simpático responsável pelo hostel me levou até lá, pelas ruelas da ilha paradisíaca.
Quando cheguei no hostel, Ruy estava tomando café da manhã. Dessa vez, não por acaso. Como ele já estava lá há mais dias, reservei no mesmo lugar, até porque saía bem mais em conta do que os que eu vi na internet. Dei sorte porque havia reservado um quarto com shared bathroom, mas como estavam todos lotados, fiquei com um banheiro privativo e uma linda vista da Ilha.
Fui dar uma volta pelo centrinho, que ficava há uns 200 metros dali, e almocei um gyro de frango. É cheio de lojinhas com artigos turísticos, como todo centro de ilha turística. E tem também várias lojas de grifes famosas entre as suas ruazinhas rústicas.
Como o hostel ficava numa ladeira (como tudo em Mykonos), aluguei um quadriciclo fofíssimo para andar por lá. Voltei para o hostel, e fui com Ruy para a praia, ele de scooter, eu de quadriciclo. Fomos para Paraga Beach, e curtimos um fim de tarde relaxante. O tempo estava um pouco nublado, mas deu pra aproveitar. Na volta, meu quadriciclo não pegava de jeito nenhum. Liguei para a loja de aluguel de carros, e o menino veio até lá para dar um jeito. Voltei com Ruy, paramos para jantar e depois fomos para o hostel.
Fiquei conversando com dois australianos que estavam hospedados no mesmo lugar, antes da sessão de massagem que dessa vez eu não iria dispensar. Ruy colocou sons de natureza no laptop e preparou o chão com uma esteira e coberta. Trinta minutos de mãos cheias de energia e relaxamento. Para finalizar, quiropraxia: estralou meu corpo inteiro, e senti que carregava 5 kgs a menos.
Mykonos estava bem tranqüila, totalmente antagônica à sua característica de agitação e baladas do verão, pois é um dos destinos internacionais mais procurados e badalados quando faz calor. Por isso, não havia quase nada aberto, apenas uma balada bem frenqüentada pelo público gay, pelo qual a Ilha também é conhecida.
Como queríamos acordar cedo no dia seguinte, ficamos conversando na varanda do hostel, vislumbrando a vista noturna de Mykonos. Ruy pegou o violão e começou a tocar e cantar (muito bem inclusive), e os australianos e australianas que estavam sentados na varanda de cima, ficaram curtindo o som com a gente. Foi uma noite muito agradável.
Sexta-feira!!
Cheguei em casa por volta das 23h e ainda tinha que arrumar minha mochila para passar o fim de semana em Mykonos.
17 de out. de 2008
Quinta
First tour - Athens by night
Mais tarde fui com Lina, Michal e Patrick (tchecos) num barzinho no centro e logo depois, Ivy e Paula, as meninas que conheci em Creta, foram lá nos encontrar, pois estariam em Atenas até amanhã. Era um lugar bem pequeno, mas muito legal, com uma boa música tocando. Como não tinha cerveja grega, provei um chopp tcheco, chamado Pilsner Urquell. Era um pouco amarga, mas gostosa.
Voltamos para casa as 2h30, e como não tem metrô neste horário, pegamos um táxi. Lina explicou aos taxistas o caminho e disse o máximo que devíamos pagar, pois os taxistas aqui tem uma fama horrível. E não é para menos. O motorista que me levou disse que não falava um A em inglês, e de repente ele virou numa rua nada a ver, e ficou se fazendo, como se estivesse procurando por alguém. Ficou andando devagarzinho, e eu fiquei perguntando o que ele queria, se estava perdido, precisava de ajuda, ou estava procurando alguém, mas ele só resmungava. Parecia uma mula grega. Então alterei minha voz falando qualquer coisa em inglês ou português, só para ele entender que estava errado e que era pra me levar pra casa logo. Ele deu mais uma volta no mesmo lugar, achando que eu era idiota. Eu tentava me comunicar, mas a nossa conversa eram na verdade, dois monólogos independentes. Ninguém fazia a menor idéia do que o outro estava dizendo. Então uma hora ele saiu do carro, na maior lentidão do mundo, enquanto o taxímetro continuava rodando. Ele foi falar com alguém como se estivesse indo pedir informação, mas dava pra ver que ele não estava perdido coisa nenhuma. Quando ele voltou, apontei brava para o taxímetro, disse que não ia pagar, que era ridículo e que ele ia descontar depois, mesmo que ele não estivesse entendendo nada. Falei inclusive que ia chamar a "Police!", como Lina tinha me orientado caso o taxista fosse um idiota. Então ele falou "Finish!" e mandou eu sair do carro. (finish ele sabia falar). Já tinham me falado que eles fazem isso. Falei que não, que ele ia me levar. Liguei pra Lina e ela explicou o caminho ao motorista. Então ele finalmente me levou em casa. A conta tinha dado quase 7 euros. Dei 5, ele gesticulou que faltava "2" mas eu disse que "nao, ok?", aí ele insistiu, mas depois acabou concordando e só gesticulou pra eu sair logo do carro dele. Patético.
Tuesday
Lina veio me perguntar o que fiz no fim de semana, pois sexta eu havia perguntado o que ela achava de eu ir para Santorini e Creta num fim de semana. E ela definitivamente falou pra eu não fazer essa loucura. Conclusão: me achou uma louca.
Hoje foi engraçado quando Thomas, o vizinho tcheco, resolveu fazer uma brincadeirinha com os seus colegas tchecos no trabalho. Os outros dois tiveram que dar uma saída para ir ao banco, então ele deixou um recado na mesa deles "me procure imediatamente", como se tivesse sido escrito pela assistente de RH. Quando eles voltaram, ficaram todos preocupados, e sairam procurando a mulher em todos os lugares, enquanto Thomas continuava sério e confirmou que ela realmente tinha deixado ali. Esse menino é meio estranho, quando ele vem trabalhar, fica com o computador mais um laptop. ouvindo música eletrônica tão alta que a gente consegue ouvir, e bebendo diariamente 1 L de Coca-Cola, mais café (que as vezes é o frappe-gelado super mega forte daqui) mais acholatado, etc. Segundo ele, é o único jeito de ele se manter acordado. E fica acordado até demais.
16 de out. de 2008
Segunda-feira zumbi
14 de out. de 2008
Domingo na Ilha de Creta
Aportando em Creta, ouvi berros vindos do outro salão. Alguma coisa deve ter caído ou caiu alguém no chão, pois percebi que o ferry estava balançando horrores. Chegamos as 4h30 em Heraklion, a vila mais "cidade" de Creta, e fomos atrás de um telefone público. As meninas ligaram para o hostel onde elas pretendiam se hospedar, mas o quarto só iria liberar mais tarde. Então fomos juntas pegar o ônibus para Chania, as 5h30 da manhã e chegamos no Hostel que eu tinha "semi reservado" as 8h da manhã. Constantino foi nos buscar na estação de ônibus, muito gente boa e atencioso. As meninas foram realmente um achado, pois dividimos aquela diária que eu teria que pagar só para tomar banho e escovar os dentes.
Depois fomos dar um giro pela praia que era muito perto, e almoçamos num restaurante à beira-mar. O garçom não falava inglês, e como se não bastasse, era um mala. Dava vontade de sair correndo dali. Comi um greek plate saboroso e sugeri que alugássemos um carro para aproveitar o dia, já que a Ilha de Creta é enorme, estava ventando muito e de vez em quando chuviscava.
Aluguei um Getz azul da Hyundai e saímos para nos perder em Chania. Entramos numas ruazinhas sinuosas que não nos levavam a lugar nenhum. As ruas são estreitas e o trânsito é meio louco, mas chegamos a Old Town. Além do Old Harbour, dá pra ver uma arquitetura muito fofinha, que lembra uma pequena Veneza, cheia de cafés, restaurantes e lojinhas. Tomamos um café e seguimos rumo à highway para conhecer algumas praias.
De mapa na mão e música grega no rádio, chegamos 40 minutos depois em Kolimbari. Não ficamos muito tempo e fomos para Kissamou, mas a ventania estava fora do comum e o mar de ressaca. De qualquer forma, valeu pela paisagem das estradas e das praias, lógico.
Na volta, sem querer, pegamos um caminho alternativo para Chania, a "old road", que nada mais é do que uma estradinha sinuosíssima que vai subindo pelas montanhas de Creta, com curvas piores do que a subida da serra para Campo Alegre, com uma pequena diferença: só cabe um carro na estrada e ela é de duas mãos! Sim, a qualquer momento podia vir um carro na direção contrária, por isso tinha que ir devagar. Estávamos ficando desesperadas, porque além da possibilidade de estar no caminho errado, a highway não parecia estar nem um pouco próxima.
Não havia uma alma para pedir informação, até que passou um carro e graças a Deus a mulher falava um pouco de inglês. Disse que tínhamos mesmo que seguir aquela estradinha, porque já tínhamos andado bastante e que depois devíamos pegar mais informações para tentar chegar a highway.
Seguimos em frente até achar que tínhamos pego uma rua errada e tive que fazer a volta numa dessas curvinhas estreitas de duas mãos. Acabamos descobrindo que o caminho era mesmo aquele. Continuamos andando e eu já não agüentava mais ter que prestar tanta atenção, porque qualquer descuido podia provocar um acidente. Pelo menos a civilização estava ficando mais próxima, mas nada de aparecer a highway.
Pedimos milhares de informações, mas todo mundo fala grego em Creta. Até que alguém disse para seguirmos reto numa estrada de barro, porém ela acabou em cones de obras de manutenção. Tinha uma vendinha neste local, mas o senhor só falava grego. Ele se esforçava pra explicar, mas a gente não entendia lhufas. Até que ele fechou a vendinha, pegou o carro dele, e falou para segui-lo. Era inacreditável a bondade daquele senhor. Segui o carro dele, e eu definitivamente jamais iria fazer aquele caminho se ele não estivesse na frente. Entramos num atalho (nem dá pra chamar de rua) no meio do mato até chegar numa estrada (que ainda não era a highway, mas já era um grande passo). Não sabíamos como agradecer tamanho esforço, então pedimos para tirar uma foto. O sorriso mal cabia no rosto dele.
Continuamos a estrada até chegar numa bifurcação que tinha pixado "Chania" com uma flecha para a esquerda. Acho que era pegadinha porque acabamos voltando para o mesmo lugar. Fomos pedir informações em tudo quanto é estabelecimento até achar alguém que falasse inglês e descobrimos que haviam 2 caminhos para a highway. Seguimos um que demorou, mas chegou lá. A essa altura já tínhamos andado a maior parte do caminho por ruas alternativas. Dá pra imaginar a euforia que sentimos ao finalmente entrar na highway, depois de horas vagando perdidas. Deixei as meninas no Hostel e resolvi ir de carro para o aeroporto pegar meu vôo para Atenas. Constantino me explicou o caminho e disse que era tranqüilo, só 20 min de carro.
Ainda bem que eu tinha tempo para me perder. Porque me perdi muito, e levei 1 hora para chegar no aeroporto. Pedia informações, mas só ouvia grego, grego e grego. E era muito mais longe do que eu pensava, não chegava nunca e tinha que subir muitas ruas até lá.
Estava andando muito tempo sem ver nenhuma placa, então parei o carro no acostamento, liguei o pisca-alerta e pedi para que alguma alma em alta velocidade tivesse a boa vontade de parar. E logo parou um mais a frente. Fui até lá e ele disse que realmente eu devia seguir em frente.
Anoiteceu, começou a chover e as placas ficavam cada vez mais difíceis de ler. Minha lente estava embaçada de maresia pra ajudar. Não consegui ler uma placa e segui reto. Achei que devia voltar e por sorte, alguém no meio do nada, estava chegando em casa, e eu entrei junto no portão para pedir informação. Um grego muito bonito me disse que realmente eu havia passado reto. Voltei e segui o caminho certo, porém estava andando demais novamente e não via placa alguma. Achei que tinha algo errado e parei o carro novamente, liguei o pisca-alerta e implorei pra que alguém parasse. Me senti uma idiota no acostamento, de havaianas amarelas, à noite, na chuva, totalmente perdida, fazendo gestos de "me ajude por favor". Ninguém parou dessa vez. Resolvi então ir em frente e achei um boteco de beira de estrada. Me disseram para ir adiante. Algum tempo depois, finalmente achei o aeroporto. Larguei o carro no estacionamento e fui fazer o check-in. Então descobri que meu vôo não era às 20h35, e sim às 20h55. No fim das contas, tive que esperar mais um pouco. Quando cheguei em casa, ainda estava no balanço do ferryboat.
O Diário de Uma Motocicleta - Santorini Island
Não ouvi o despertador tocar. Acordei as 8h36 atrasadíssima para pegar o metrô que vai para o aeroporto. Ainda bem que tinha deixado tudo bem organizado e consegui sair de casa as 9h, correndo com a mochila nas costas para pegar o metrô das 9h10, o mesmo que pego para ir trabalhar. Nunca corri tanto, estava suando quando olhei a placa que dizia que faltava 1 minuto para chegar o trem. Não esperei nem 30 segundos e o bendito já apareceu. Se eu o perdesse, outro só depois de meia hora e eu perderia o meu vôo para Santorini.
Chegando ao aeroporto, fui para a Aegean Airlines fazer o check-in, e na fila encontrei uma porção de brasileiros que estavam indo para Mykonos. Já estavam fazendo a última chamada para Santorini, então tive que pular a fila. O atendente era bem charmoso e ficou falando dos cristais por causa do meu sobrenome. E eu tinha 5 minutos para estar no portão de embarque. Saí correndo mais uma vez.
Fiquei triste porque jogaram fora meu shampoo e condicionador, esqueci totalmente que não podia levar na bagagem de mão. Tinha um senhor que tinha comprado um whisky no freeshop, tirou da sacola e colocou na mala, e ficou transtornado quando soube que ia ter que deixar lá. Tentou de tudo, mas não conseguiu, até porque o vôo já estava pra sair e não tinha mais como despachar.
A viagem a Santorini é feita de breves 35 minutos de vôo sobre diversas ilhas lindas, todas contornadas de branco e azul. Esse fim de semana estava ventando fora do normal, e eu realmente fiquei com medo de voar. Antes do pouso, o avião fica muito próximo do mar, eu olhava para um lado e via pedras, do outro lado muita água, e nao dava para ver o que vinha pela frente. O fato é que o avião cada vez mais se aproximava do mar e eu fiquei rezando para que realmente tivesse um pedaço de terra na frente.
Chegando ao aeroporto, pedi informações turísticas pra ter alguma noção do que fazer, aonde ir e como me mexer por lá. Paguei 15 euros num taxi que me deixou em Thira (Fira), onde tem vários restaurantes e lojas. O taxista me contou que todos os ferrys tinham sido cancelados por causa do tempo, e eu tinha que ir para Creta, pois meu vôo de volta para Atenas saía de lá. Graças a Deus um único ferryboat ia partir as 21h30, comprei o ticket e subi rumo a linda paisagem de Santorini.
A ilha é encantadora, e peculiar com suas construções brancas no estilo mediterrâneo, à beira dos penhascos. Logo no início, conversei com um casal de franceses muito simpáticos, que me deram algumas dicas para me localizar por lá. Tem gente de tudo quanto é lugar, também conversei com uma chinesa que estava viajando sozinha. Fui passeando pela vista maravilhosa, que a cada passo mostrava uma paisagem ainda mais incrível. Entre as ruelas de Thira há uma quantidade enorme de cafés, restaurantes, lojas (muita loja de jóias), artesenato e outros artefatos turísticos.
Estava andando feliz e contente entre um destes corredores, quando alguém me chama. Olho para trás, e encontro Ruy, o brasileiro com quem conversei na Acrópole domingo passado. Foi muita coincidência a gente se encontrar naquele lugar. Ainda não acreditando na coincidência, fomos comer um gyros (que é tipo uma tortilha mexicana em forma de cone) gostoso e barato. Como Ruy tinha alugado uma scooter, fomos juntos conhecer as praias do outro lado da ilha. De cima da motoca, filmei uns trechos da estrada para o documentário sobre o mundo que Ruy disse estar fazendo. Mais de meia hora ao som estridente da scooter e em meio às paisagens surreais da estrada, chegamos a Kamari, uma praia exótica, de areia preta vulcânica. Demos uma volta, tiramos algumas fotos, enquanto Ruy recitava uma poesia dele que já ganhou prêmio. Sentamos para tomar uma água e ficamos conversando por um bom tempo sobre a essência da vida.
Depois, fomos de scooter até Perissa. Nos perdemos no caminho, um casal de alemães tentou nos ajudar até que conseguimos chegar na praia. Enquanto Ruy foi estacionar a moto, uma mulher bizarra dona de um restaurante me abordou e já foi gritando e me apresentando pra todo mundo como a amiga "brasileira" dela. A praia é muito bonita, embora alguém tenha pixado "putia" nas pedras. Achei engraçado.
A volta de Scooter para Thira foi difícil, muito vento, frio e areia no olho. Quando finalmente chegamos, fomos direto procurar uma pasta bem quente para jantar. O céu estava encobrindo no final da tarde e já estava anoitecendo, por isso infelizmente perdi o famoso pôr-do-sol em Ya, onde tem a vista mais linda da ilha e dizem que o pôr-do-sol é um dos mais belos e coloridos do mundo. Vou ter que voltar para ver.
Fomos então tomar um café antes de eu pegar o ônibus para o Porto. Provei um greek coffee, que é um café fraco cheio de pó, diferente e gostoso. Fiquei com a sensação de que eu assisti a um mega longa metragem da vida de Ruy durante o dia, e de que eu realmente tinha que encontrá-lo aqui para que ele me dissesse exatamente as coisas que eu precisava ouvir. É difícil descrever, mas tudo o que conversamos foi muito intenso e fez toda a diferença naquele momento.
Chegando no Porto, o ferry ainda não estava lá. Ia atrasar 2 horas. O mar estava agitadíssimo. Eu achei ótimo porque ia chegar as 2h40 da manhã na Ilha de Creta e teria que esperar até 5h30 para pegar um ônibus de Heraklion pra Chania. Fiquei ouvindo música até chegar o ferry, e duas horas depois estava embarcando.
13 de out. de 2008
Friday!!
Descobri que o meu vizinho turco na verdade é grego. Ele me contou toda a histórica de Cypos, a ilha de onde ele é, que já foi da Turquia mas agora é da Grécia. Até 20 anos atrás, quem era de lá não podia ir a Istambul, por exemplo, por isso ele nunca foi pra lá. Ele tem um sotaque muito forte, então é meio difícil entender o que ele fala, ainda mais de manhã cedo. Ele inclusive disse que a língua grega deles lá é diferente do grego de Atenas, é um outro dialeto.
Dia de trabalhar em ritmo frenético, com pausa para um moussaka no almoço, 2a vez que como essa semana. Demos uma de turista no trabalho, e tiramos algumas fotos.
Final do dia fiquei conversando com os os tchecos sobre o fim de semana. Michal só quer saber de fazer hicking, treking e swimming. Ele estava me falando que na Grécia os empregados tem direito a 2 dias off / mês. Fiquei toda empolgada com essa possibilidade, e fui perguntar a Lina, responsável pelo RH da empresa. Ela explicou que na verdade são as férias que aqui são parceladas, e no fim das contas, somam menos de 30 dias por ano.
É interessante que os tchecos não conhecem muitos lugares, estando tão perto de tantos países. Como Michal mesmo tinha me dito, de lá para Atenas não são mais do que 3 horas de avião, mas para eles sair do país é como se estivessem indo muito longe.
Claudia estava me contando que viu Thomas, o tcheco que é meu vizinho, indignado ao saber que na Grécia nem todos tem acesso a computador e internet. Ele achou um absurdo, disse que isso devia ser um problema daqui, pois segundo ele, na República Tcheca, todo mundo tem acesso.
Cheguei em casa e fiquei até tarde comprando passagens para o fim de semana (que já tinha começado) e pesquisando o que fazer nas ilhas de Santorini e Creta.
Quinta-feira normal
Arroz com frango sem graça no almoço e a noite fiquei planejando o fim de semana.
8 de out. de 2008
Quarta-feira em greve
Dia de muito trabalho. Fomos almoçar hoje no Carrefour e comemos um Moussaka delicioso, preparado com beringela, batatas, purês, um toque leve de canela e queijo gratinado. Adorei.
Eu estava enganada quanto ao carrinho de supermercado. Na verdade, coloca-se 1 euro para usar, mas quando devolve o carrinho, recebe o euro de volta. É para assegurar que ninguém vai largá-lo em qualquer lugar, como geralmente acontece no Brasil. Inteligente.
No final da tarde, chegou Thomas, outro redator tcheco. Como ele vai ser meu novo vizinho de porta, fomos juntos de táxi para casa. No caminho expliquei a ele o que sei sobre Atenas, o trabalho e a região que moramos. Como ele estava sem as chaves, liguei para o responsável do prédio para abrir o apto. Foi então que descobri que temos internet nos apartamentos, e eu sofrendo para encontrar wireless aleatórias. Aproveitei para perguntar como usava a máquina de lavar roupas, pois aqui é diferente. Ela abre em cima e você se depara com o tambor giratório fechado, mas Mr. Athenspolou me mostrou como abre.
*** notas sobre o trânsito grego***
Graves e agudas.
Terça-feira
O café que eu tomo na empresa parece mais cremoso e saboroso.
Hoje comecei a escrever perguntas para o game da campanha em que estamos trabalhando. Esqueci de dizer que ontem chegou mais um tcheco e amanhã chega outro. Hoje conversei também com Natia, uma redatora italiana que já trabalhou na embaixada brasileira em Roma. Ela fala um pouco de português, até leu Memórias Póstuma de Bras Cubas.
Rodrigo mora com um italiano, o Tonino, que sabe preparar um bom carbonara, compra ração no supermercado pra cachorro de rua e bebe todo dia em casa.
Chega a ser engraçado, a gente escreve em português, fala inglês, ouve tcheco o dia inteiro e sempre tem alguém falando grego. Na hora do almoço, a gente escuta italiano e por aí vai.
A primeira segunda-feira
Terminei algumas traduções e depois fui com a Claudia ao único Shopping Center de Atenas, recém-construído em 2006. Não é muito grande, mas tem bastante loja, é bem bonito e moderno, até porque ainda é novo. Fica próximo ao estádio Olímpico, deu pra tirar uma foto de longe. Descobri que as roupas não são caras aqui, encontra-se peças até mais em conta, mesmo convertendo de euro pra real. A Zara aqui é que nem Renner ou C&A e ninguém faz questão de falar que comprou lá.
Depois, comemos um suvlak grego na praça de alimentação. Espetinho de frango, tomate assado, pão com muito azeite de oliva e uma porção generosa de batatas fritas. Gostoso.
Domingo na Acrópole
Chegando na estação, segui o fluxo, sem noção nenhuma de qual direção seguir. Como é uma região turística, tinha várias lojinhas por perto. Então perguntei a uma vendedora pra que lado deveria seguir. Logo que você entra no parque arqueológico, fica maravilhado ao avistar a imensidão e a beleza da colina rochosa. É surreal, encantador e indescritível a sensação de estar naquele lugar. Quase chorei na hora.
Antes de subir, há o Teatro de Dionísio, onde estrearam as maiores peças da antigüidade. A medida que você sobe, a paisagem de Atenas vai ficando cada vez mais ampla e bonita. As acrópoles da Antiga Grécia eram construídas nos pontos mais altos das cidades, para proteger contra invasores e cidades inimigas. Com o tempo, passaram a servir como sedes administrativas civis ou religiosas. A Acrópole de Atenas é a mais famosa delas, foi construída por volta de 450 a.C., liderado por Péricles e foi dedicada a Atena, deusa padroeira da cidade.
É um tal de pedir pra tirar fotos que chega a ser hilário. Eu como uma boa turista-by-myself, me senti ainda mais a vontade para pedir a pessoas aleatórias que tirassem fotos. Uma grega bizarra pediu para eu tirar uma foto pra ela, e no fim tive que tirar umas 10 fotos, sem exageros. A mulher se empolgou descontroladamente, fazia várias poses, deitava na grama, levantava os cabelos, abraçava árvore, fazia poses sexys (tentava) e eu lá com uma câmera de filme convencional mal pintada de dourado, obedecendo às direções que ela ordenava. E ela nem falava inglês. Surreal. Mais tarde, um libanês se ofereceu para tirar uma foto minha, e a gente começou a conversar. Ele me explicava um pouco sobre os templos, e no fim pediu meu telefone. Beijou a minha mão e me convidou para tomar um drink qualquer dia. Educado, pelo menos.
Cada passo acima na Acrópole é uma descoberta. Lá pude ver o Propileu, o portal para a parte sagrada; o Partenon, templo principal; o Erecteion, templo dos deuses do campo, e o Templo de Athena Nike, símbolo da harmonia. É incrível ver de perto a perfeição da construção, a arquitetura, a riqueza de detalhes e simbologias existentes há tanto tempo atrás. Além da beleza surreal dos templos, a paisagem branca das construções de Atenas com suas elevações e vista para o mar é um deus à parte. É tão impactante que nem senti fome nem sede. Já eram 4 horas da tarde e eu ainda não havia comido nada. Não lembrei que lá em cima não tinha lanchonete. Tinha ido sem mapa, sem água e sem informação alguma do que era a tal da Acrópole, de fato.
Desci e subi uma outra colina, cuja vista também é privilegiada. Havia um grupo de pessoas com as mãos levantas para o céu, cantando "Thanks Jesus" numa vibe contagiante. Até me senti religiosa. A energia é inexplicável naquele lugar.
Saí perdida sem saber o que mais tinha para conhecer na região, morrendo de sede e fome, e sem encontrar nenhum restaurante por perto. Foi então que dei de cara com Michal, o redator tcheco que chegou na sexta-feira. Foi realmente muita coincidência. Para minha sorte, ele tinha água e mapa. Então seguimos em direção à comida, e fomos até outro templo, que pelo que entendi seria uma igreja, mais antiga, e ainda assim, melhor conservada. Michal é bem legal e foi bom manter um diálogo mais extenso em inglês. Depois, cada um seguiu seu caminho, e eu queria voltar lá pra cima para ver o pôr-do-sol.
Na subida, abordei uma pessoa com uma camiseta estampada "Brasil", pois ainda não havia encontrado nenhum brasileiro. Ele era todo zen, na mesma hora pensei que só podia usar drogas. Começamos a conversar e ele me contou quase a vida inteira. Fez cursos de yoga e quiropatia na Índia, mora na Espanha e vive viajando pela Europa, pois também é DJ. Ele de fato já usou muitas drogas, já foi expulso da aula de cataquese e hoje é super ligado em Deus. Ele passou pelo desespero de não ter mais dinheiro, começou a lavar pratos pra sobreviver, quando chamaram pra fazer massagens em Ibiza. Segundo Ruy, a massagem dele é psicodélica, é como usar drogas sem tóxicos. Ele até me deu um folder em várias línguas, com site e telefone e me ofereceu uma massagem com desconto nesta semana que ia estar na Grécia. De repente, começou a ler a minha mão e a falar coisas relevantes a meu respeito. Conversamos sobre karmas, existência de Deus e de outras vidas, foi um diálogo surreal em um lugar peculiar, que me fez refletir sobre algumas coisas. Ele me convidou para ir comer algo, mas como eu tinha acabado de me alimentar segui em busca do pôr-do-sol.
No caminho, um grego me abordou para perguntar de onde eu era. "You look artistic, I want to take a picture of you". Ok, cada um que aparece. Conversamos um pouco e ele me levou a um lugar ainda mais alto, onde tem outro monumento e dá pra ver toda a Acrópole e Atenas de outro ponto. Uma vista inesquecível. Ele era querido, tirou algumas fotos, disse que eu fazia ele feliz e que queria cuidar de mim, mas eu já não via a hora de me livrar da criatura. Ele me deu uma flor e convidou para assistir ao show que iria ter mais tarde. Depois queria me dar carona, mas não aceitei. Queria meu telefone, inventei um número do Brasil. Como ele não confiava no celular, insistiu para marcarmos um encontro para o dia seguinte. Não fui.
5 de out. de 2008
Sábado
04/10/08
Acordei ao meio dia com o sol forte entrando pela janela. Depois de mais de 15 horas dormindo, quase dá pra dizer que recuperei meu sono. Tomei banho e arrumei a minha mala que chegou atrasada. Organizei e limpei a casa, e saí pra dar um giro a pé pela redondeza e conhecer o que existe perto de casa.
Fui andando em direção ao centro, e parei numa lanchonete que me parecia típica. Cardápio em grego, comi um espetinho de frango que vem em cima de 2 rodelas de pão com pimentão verde grelhado por cima. Não era ruim, mas também não era nada demais. Segui em frente e parei num supermecado chamado "Dia" que é bem pequeno, mas bom saber que tem um deste perto de casa. Em seguida, entrei em uma loja da Cosmoté. operadora nacional de celular aqui da Grécia, onde comprei um chip para fazer e receber ligações por um valor mais acessível do que usando o meu celular do brasil.
Segui em frente andando sob o sol escaldante de Atenas, e entrei no T.G.I.Friday's, pelo menos tem cardápio em inglês. Comi uma tortilha de ricota e tomate seco com azeite de oliva e um molho meio doce. Nem era tão gostoso, mas era saudável pelo menos. A garçonete perguntou de onde eu era e disse q eu não tinha a menor cara de brasileira, que eu mais parecia ser da Inglaterra ou Holanda.
Próximo ao restaurante, há varios cafés e barzinhos elegantes, alguns com mesas na calçada. Continuei a caminhada, passei por um estádio, uma enorme estação policial e construções comerciais de arquitetura lindíssimas e modernas. A paisagem é bastante verde para uma cidade grande, os ônibus tem linha própria e são conectados por um fio em cima.
Entrei numa lan house, pois não estava conseguindo conectar mais a wireless em casa. Era tudo em grego no computador. Já era noite quando voltei para casa.
Segundo dia.
Esta noite dormi um pouco melhor, mas ainda não foi o suficiente pra voltar a virar gente. Fui ao trabalho de carona novamente com Panagioti (lê-se Panaioti). Este nome equivale a Mário, assim como Panagiota, Maria. Minha mala extraviada chegou hoje pela manhã na Upstream e hoje também chegou Michal, um redator da República Tcheca. Segunda-feira vai chegar mais um brasileiro. Na sala onde trabalho, serão 3 redatores brasileiros e 3 tchecos trabalhando. Há redatores da Itália na empresa também. Achei interessante a privada do banheiro da empresa, que vem com um plástico cobrindo o lugar que se senta. È só apertar um botão e o plástico vai andando pro lado, sendo trocado automaticamente. Além disso, você é obrigado a fechar o tampo do vaso para poder puxar a descarga. Bem inteligente.
Carreguei a minha mala até em casa. Não via a hora de chegar e dormir até acordar.
*** Algumas palavras em grego ****
Ia - Oi
Kalispera - Boa tarde ou Boa noite
Kalinirxta - Boa noite (para ir domir)
Kalimera - Bom dia
Ekfaristo - Obrigada
Parakalo - Por favor / De nada
Primeiro Dia
Não consegui dormir bem. Acordei as 2h da manhã preocupada com a mala perdida e em perder a hora pois estava sem despertador. Aqui a tomada é diferente, por isso não consegui recarregar meu celular. Então fiquei conversando com meus irmãos no msn, que me lembraram da existência de alarme no Ipod. Já tinha passado das 5h da manhã e eu ainda não tinha dormido.
Acordei as 8h e fui para o meu 1o dia de trabalho na Upstream de carona com Panagioti, meu vizinho turco que também trabalha lá. A Upstream fica no piso térreo de um prédio comercial, cuja arquitetura é bem diferenciada, muito bonita, onde há várias empresas de comunicação. Meu computador já estava todo configurado, assim como meu e-mail personalizado da empresa.
Conheci Claudia, uma jornalista brasileira que mora aqui há 5 anos e que vai trabalhar comigo nesta campanha. É ótimo porque ela fala grego e português, e já conhece muita coisa por aqui, então ela me ajuda bastante. Os chefinhos do projeto se apresentaram e me passaram algumas traduções para fazer. O ambiente de trabalho é ótimo, amplo e tranqüilo. O horário também é tranqüilo, das 9h30 às 17h30, pois aqui são 8h de trabalho por dia, porém não há horário de almoço, a gente come e já volta a trabalhar. No piso debaixo, tem uma cafeteria que serve almoço até as 15h, por um valor e sabor razoável. Eu estava muito cansada e não adaptada ao fuso horário no primeiro dia. Ganhei um cartão-ponto para marcar os horários de entrada e saída. Fiquei feliz que no final da tarde me ligaram da Air France dizendo que minha mala foi encontrada.
Após o trabalho, fui ao carrefour comprar o adaptador de tomada e acabei fazendo um turismo básico no supermercado. Tentei pegar o carrinho, mas não soltava de jeito nenhum. Aí que eu percebi que tinha um lugar pra inserir moedas. 1 euro pra poder usar o carrinho de compras no supermercado! Assustador. Peguei a pobre e primitiva cestinha e segui em frente. Tem bastante coisa diferente e opções de comida pronta, pena que é quase tudo em grego. Alguns produtos tem a tradução em inglês, mas são poucos. É um tanto quanto desgastante. Dá dor de cabeça ficar tentando adivinhar do que se trata. Algumas etiquetas de preço são digitais nas gôndolas, dá a sensação de que podem mudar a qualquer hora. Fiquei surpresa ao ver uma caixa de sabão em pó gigante de quase 7 kg, custava 20 euros. Uma garrafa de bacardi eram 16 euros, o mesmo valor de uma absolut. Tem muito tipo de azeite de oliva, e até uma caixa de suco com azeite de oliva dentro e bastante opção de pães também. Tinha coisas que não tinha como saber o que era, porque estava tudo em grego mesmo. É horrível não fazer a menor idéia do que está escrito na embalagem. Acabei levando um pote de alguma coisa que parece um molho de salada, mas já com um pouco de salada dentro, que parece ser típico daqui, e outras coisinhas também. Na saída do mercado, comprei uma torta de queijo em forma de pastel que era bem gostosa e fui em direção a estação de metrô. Os metrôs são novos, bem modernos e limpos. Parei na estação próxima da minha casa, Katehaki, porém não fazia a menor idéia de qual direção seguir a partir dali. Pedi informação para várias pessoas, mas cada uma apontava uma direção diferente.
*** Um diálogo jovem e bonito ***
- Do you speak english?
- Yes.
- Do you know where is Gounari Street?
- Gounari?
- Yes, Gounari Street.
- I don't know, because I don't live nearby. What did they tell you to get there?
- Well, they don't tell me anything. Actually, I'm living there but that's the first time I'm going home by myself.
- First time, yeah? (risos)
- Yes, do you know to which direction is the center?
- Go straight in this direction.
- Ok, but I'm not sure if that's the right.
- Don't you have anybody to call?
- Yes, I can do that! But I think 'll try one way and see what happens.
- (risos) You're funny!
Resolvi seguir o meu instinto e fui andando em uma direção, que não era aquela que o grego tinha sugerido. Podia jurar que estava certa até perceber que estava andando demais e estava me afastanto de coisas comerciais e luminosas. Então resolvi voltar, pedi informaçõe pra várias pessoas, até num hospital e para um taxista, e cada um dizia uma direção diferente. Quando voltei a estação do metrô, uma mulher me disse que onde eu queria ir ficava meia hora dali e que devia pegar um ônibus. Foi aí que eu percebi que o endereço que eu tinha da minha casa estava errado. Eu acabei indo para um apartamento diferente daquele que me passaram o endereço inicialmente. Então, sem sequer saber o endereço correto da minha casa, resolvi tentar o caminho em direção ao centro, fui andando até reconhecer a pequena estação policial, que é a minha referência para virar na rua certa, pois esses nomes de ruas estão todos em grego.
Dá pra imaginar o quanto fiquei feliz ao chegar em casa depois de andar muito tempo perdida com várias sacolas de compras do supermercado e um dia desgastante de trabalho depois de 3 noites extremamente mal dormidas.
3 de out. de 2008
Uma brasileira na Grécia
Welcome to Athens! Estou de volta ao blog para mantê-los atualizados das novidades dessa aventura que começou semana passada, quando recebi uma proposta de trabalho em Atenas. Menos de 7 dias para largar a rotina ainda recente e viver uma vida um tanto quanto diferente em outro lugar do planeta.
A viagem foi tranqüila, apesar de cansativa e de eu já estar cansada por causa da correria dos preparativos. Os vôos não atrasaram, conheci o aeroporto do Rio, que está precisando de uma reforma, e o de Paris, que é enorme, bonito e cheio de gente fazendo escala de tudo quanto é lugar.
Dessa vez quase não consegui dormir, achei a poltrona da Air France mega desconfortável. Ainda bem q tinha bastante opção de filme, deu pra assistir a 3 filmes e meio. Ao menos, somos muito bem servidos no jantar, com caneloni ou bife, salada de maçã, sonho de valsa, champagne, vinho tinto, branco, cerveja, suco, etc. Mas nem vinho serviu de sonífero.
Um dos comissários de bordo me abordou durante o vôo para perguntar se o meu destino final era Atenas. Ele mora aqui, e estava curioso para saber o motivo da minha viagem.
A imigração foi feita em Paris, mas mal olharam meu passaporte. Tanto que só fui lembrar que já tinha passado pela imigração quando já estava no taxi em Atenas.
Já no embarque para Atenas, era possível perceber um outro clima, mais descontraído. O vôo parecia excursão da terceira idade rumo à Balneário Camboriu. Só se via cabelos brancos e uma alegria que só aposentados ou pessoas de férias conseguem exibir. Foi neste momento que eu comecei a me dar conta para onde eu estava indo, já que não ouvia mais português. Até o serviço de bordo do avião ficou exótico. Serviram, em plena tarde, uma salada de cenoura, pimentão e ovo cozido meio mole, além de muita vagem acompanhada de uma tortinha de beringela com pimentão e sei-lá-o-quê-mais, mas era gostoso. Enquanto isto, através da pequena janela do avião, deu pra ver a encantadora paisagem dos alpes suíços e inúmeras ilhas paradisíacas. Ao meu lado estavam dois franceses, o da ponta não falava inglês e o do meio traduzia pra gente conversar. Fiquei supresa ao ouvir de um francês que estava indo para a Grécia dizer q Foz do Iguacu é um dos lugares mais bonitos do mundo. E também com vergonha por ainda não ter ido conhecer, estando tão perto. Não conseguia tirar os olhos dos pêlos do nariz que transbordavam do nariz do francês que estava no meio, enquanto ele me explicava por onde estávamos sobrevoando. Na saída do avião era só alegria, todo mundo desejando a "good time" pra todo mundo.
Não bastasse a exaustão, el gran finale: uma mala extraviou, pra variar. Pelo menos foi a minha e de mais uma galera e a fila do 'baggage claim' ficou grande.
Logo que saí do aeroporto, senti um cheiro de Grécia. Difícil de explicar, é um cheiro de antigüidade, de sarcófago. Não que eu já tenha cheirado um, mas é a sensação que tenho é de estar num filme do indiana jones [?]
Peguei um táxi rumo à Upstream, a empresa onde estou trabalhando. Lá, Lina estava à espera para me levar até o meu apartamento. Com o seu jeito extrovertido e espontâneo, ela me deu as primeiras noções de Atenas. O apartamento é bem confortável e aconchegante, tem cama de casal, cozinha com microondas, bastante armário embutido, uma TVzona, TV a cabo, DVD, escrivaninha, sacada, ar condicionado com controle remoto, calefação no banheiro, sacada, etc. Como o meu shampoo estava na mala extraviada, saí em busca de algum mercadinho aberto. Achei um na esquina, desorgazanizado, um pouco sujo e com gaiolas com periquitos em plena gôndola de comida. Blergh. A mulher não falava inglês, então nos comunicamos por mímica e saí de lá com um shampoo 2 em 1, cereais e leite para o café da manhã.