Esta semana chegou uma nova redatora italiana que está morando no apartamento onde morava antes.
Quarta-feira, no caminho ao trabalho, um carro bateu no ônibus há duas paradas e meia do escritório. Estava concentrada lendo um livro quando percebi a brusca freada e os gritos de algumas pessoas que cairam no chão. Prato cheio para grego fazer escândalo dentro do ônibus, gritar e xingar por cinco minutos sem parar. Pareciam ter saído de casa naquela manhã não para pegar o ônibus, mas para participar do acidente que lhes dava a oportunidade de despejar todo o descontentamento alheio. Embora não parecia ter se machucado, um senhor que caiu não conseguiu se levantar, como se o peso das palavras ao redor bloqueasse as suas pernas. No momento do acidente, estava justamente lendo um livro que explicava como as palavras criam as emoções e o exemplo estava ali na minha frente. Compraram água para o Senhor e estavam ligando como quem chamava a ambulância. Desci do ônibus parado contaminado de palavras e segui caminhando. Era uma linda quarta-feira de Sol que inspirou a comprar flores no meio do caminho. É incrível como a singela presença de suas cores transforma o ambiente de trabalho. Quando contei a Milena sobre o acidente do A5 ela mal podia acreditar que tinha perdido a chance de vivenciá-lo. Segundo ela, estava esperando todos esses meses em Atenas pelo dia em que o ônibus ia colidir - pois a cidade é como um grande parque de diversões em que os ônibus mais parecem carrinhos de choque.
No meio da tarde, eis que surge Lucciano no escritório com sua bagagem de mão. Sim, ele está de volta pela segunda vez. Quando nos tocamos levamos um baita choque e prometi que nunca mais vou me despedir dele porque ele sempre acaba voltando.
Dibeh voltou de um fim de semana prolongado no Líbano na quinta-feira, trouxe docinhos e souvenir. Faz uma diferença enorme ter Dibeh e Lucci de volta.
Sexta-feira de manhã foi dia de acordar mais cedo e ir até onde Judas perdeu as botas para lá de além da última estação de metrô para levar a câmera no suporte da Casio e verificar se vale a pena consertá-la. Quando cheguei no trabalho, a chefinha perguntou se eu era louca porque tinha enviado uma mensagem informando que estava viva após a aventura da manhã e acho que a escolha das palavras a deixou preocupada.
2 comentários:
Lendo, imaginei a situação e os gritos! Então os gregos realmente são escandalosos como a gente pensa? rs Pior não são só os gritos...mas os gritos em grego! hahaha deve ser uma verdadeira loucura.
Ana! Sim, poderia dizer que os gregos em geral são uma versão rabugenta dos italianos - o jeito explosivo, impaciente e exagerado de gesticular é o mesmo ;)
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