Lucci na Tanzânia, Dibeh no Líbano e Milena em casa antes de voltar para Polônia. Não havia trazido o livro para ler e por um instante desejei que na escuridão daquele ponto de ônibus deserto houvesse alguém com quem conversar no caminho para casa. Eis então que surge um senhorzinho grego perdido estudando os horários dos ônibus, os quais veio me perguntar. Hesitou por um momento quando disse que não falava grego, e então disparou a falar inglês. Perguntou se eu estava há muito tempo esperando o Alfa Pende - A5 - e lhe disse que tinha acabado de chegar. A partir de então não paramos mais de conversar. O ônibus chegou, sentamos juntos e descobrimos que somos quase vizinhos - portanto descemos no mesmo ponto. Ele acabou de se aposentar como controlador de tráfego aéreo do aeroporto de Corfu e é divorciado. Um filho mora com a mãe em Thessaloniki e o outro mora com ele agora em Atenas, pois sua mãe está doente e não sobreviveria a umidade da ilha de Corfu. Ele não quis falar muito sobre o divórcio, percebi que ainda o machucava e me aconselhou a não casar tão cedo. Disse para casar só quando quisesse ter filhos, como se o matrimônio só servisse para isso. Conversamos além do clichê brasil-ronaldinho-rivaldo-amazonas-carnaval-crise grega-corrupção-greves-etc e no fim ele já estava me chamando de "Santorini" e riámos como bons velhos amigos. Pegou meu telefone e quis andar comigo até em casa e convidou para tomar um café. De vez em quando a gente encontra uns greguinhos simpáticos e que não falam sozinhos.
Sábado acordou uma linda manhã de Sol e céu azul. Depois de yoga e meditação, um chá de frutas vermelhas, banana com linhaça dourada e iogurte, fui com a toalha de praia deitar no parque aqui do lado de casa. Há tempos estava sentindo a necessidade de verde, ar puro e, principalmente, de encostar os pés na terra, pois em tudo que encosto levo choque. Incrível que morei por cinco meses neste prédio há dois anos atrás e nunca tinha explorado este parque de verdade. Não é muito grande, nem popular e não é super organizado, faz mais o estilo selvagem e ainda é pouco freqüentado - o que faz dele perfeito. Além de ser bem maior do que imaginava, descobri também que tem pôneis, patos, galinhas e outras aves e animais que não sei o nome.
Depois de passear por tudo, escolhi um local por onde os raios solares atravessavam as árvores, estiquei a toalha e deitei. Senti a terra tocando todo o meu corpo, olhando o céu azul, as folhas das árvores que se mexiam como se fossem meu cabelos ao vento, enquanto os pássaros cantavam. Juntei-me a eles e comecei a cantar como se não houvesse mais ninguém no Planeta Terra naquele instante, além do Sol, das árvores, dos passarinhos e o coração cheio de gratidão, encantada com a simplicidade de existir.
Depois de uma ou meia hora, escuto latidos de cachorro e um deles se aproxima. Levanto da toalha e ele deita e se esparrama em cima dela. Aparentemente, eles moram no parque, pois haviam casinhas de cachorro mais ao longe. Como ele era grande, pesado e não conhecia suas intenções, não ousei puxar a toalha. Conversamos, pedi desculpas por ter invadido o território dele, tentei fazê-lo se interessar por qualquer outra coisa que não fosse a toalha, convidei pra correr e brincar comigo, mas ele estava muito bem ali deitado aninhado no meu cheiro sem fazer nada como um típico cachorro grego. Quando pensei em deixar a toalha com ele e depois voltar para buscar, ele se deitou de lado e tive a oportunidade de puxá-la, mas o peso do cachorro ganhou a batalha. Ao menos, ele então percebeu que eu queria a toalha e resolveu se levantar. Agradeci, me despedi e fui ao mercadinho próximo antes de comprar um souvlaki e voltar para casa. O destino da toalha então foi a máquina de lavar e do meu corpo um longo banho de banheira.
Mais tarde, despedida da Milena. Fomos em um café em Panormou, perto de casa, e quando chegamos descobrimos que o Olimpiakos estava jogando contra Larissis. Todo mundo vidrado no jogo de futebol na TV, porém ao invés de cerveja, muito café e frappe em cima das mesas. O jogo terminou e em seguida chegou Kat, a americana e Angela, a italiana. Experimentei dois coquetéis de café que eram sonhos de sabor que se transformaram em pesadelo a noite. Apesar do cansaço e do sono, o excesso de cafeína não permitiu meu corpo a desligar e tive uma noite um tanto quanto psicodélica e esquisita - daquelas que quando você acorda não sabe dizer exatamente se dormiu de verdade. Vou sentir falta de brincar de falar português com a Milena, da risada dela que me é tão familiar e das nossas conversas em grego com os taxistas para ir ao trabalho em dias de greve.
Sábado acordou uma linda manhã de Sol e céu azul. Depois de yoga e meditação, um chá de frutas vermelhas, banana com linhaça dourada e iogurte, fui com a toalha de praia deitar no parque aqui do lado de casa. Há tempos estava sentindo a necessidade de verde, ar puro e, principalmente, de encostar os pés na terra, pois em tudo que encosto levo choque. Incrível que morei por cinco meses neste prédio há dois anos atrás e nunca tinha explorado este parque de verdade. Não é muito grande, nem popular e não é super organizado, faz mais o estilo selvagem e ainda é pouco freqüentado - o que faz dele perfeito. Além de ser bem maior do que imaginava, descobri também que tem pôneis, patos, galinhas e outras aves e animais que não sei o nome.
Depois de passear por tudo, escolhi um local por onde os raios solares atravessavam as árvores, estiquei a toalha e deitei. Senti a terra tocando todo o meu corpo, olhando o céu azul, as folhas das árvores que se mexiam como se fossem meu cabelos ao vento, enquanto os pássaros cantavam. Juntei-me a eles e comecei a cantar como se não houvesse mais ninguém no Planeta Terra naquele instante, além do Sol, das árvores, dos passarinhos e o coração cheio de gratidão, encantada com a simplicidade de existir.
Depois de uma ou meia hora, escuto latidos de cachorro e um deles se aproxima. Levanto da toalha e ele deita e se esparrama em cima dela. Aparentemente, eles moram no parque, pois haviam casinhas de cachorro mais ao longe. Como ele era grande, pesado e não conhecia suas intenções, não ousei puxar a toalha. Conversamos, pedi desculpas por ter invadido o território dele, tentei fazê-lo se interessar por qualquer outra coisa que não fosse a toalha, convidei pra correr e brincar comigo, mas ele estava muito bem ali deitado aninhado no meu cheiro sem fazer nada como um típico cachorro grego. Quando pensei em deixar a toalha com ele e depois voltar para buscar, ele se deitou de lado e tive a oportunidade de puxá-la, mas o peso do cachorro ganhou a batalha. Ao menos, ele então percebeu que eu queria a toalha e resolveu se levantar. Agradeci, me despedi e fui ao mercadinho próximo antes de comprar um souvlaki e voltar para casa. O destino da toalha então foi a máquina de lavar e do meu corpo um longo banho de banheira.
Mais tarde, despedida da Milena. Fomos em um café em Panormou, perto de casa, e quando chegamos descobrimos que o Olimpiakos estava jogando contra Larissis. Todo mundo vidrado no jogo de futebol na TV, porém ao invés de cerveja, muito café e frappe em cima das mesas. O jogo terminou e em seguida chegou Kat, a americana e Angela, a italiana. Experimentei dois coquetéis de café que eram sonhos de sabor que se transformaram em pesadelo a noite. Apesar do cansaço e do sono, o excesso de cafeína não permitiu meu corpo a desligar e tive uma noite um tanto quanto psicodélica e esquisita - daquelas que quando você acorda não sabe dizer exatamente se dormiu de verdade. Vou sentir falta de brincar de falar português com a Milena, da risada dela que me é tão familiar e das nossas conversas em grego com os taxistas para ir ao trabalho em dias de greve.
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