Domingo, onze de dezembro. Nevava quando Dibeh chegou no dia mais frio do inverno de Atenas. Ela seria vizinha da Glória e agora estávamos em quatro no prédio. Lucci e eu nos equipamos com casaco, gorro e luvas para nos proteger da neve lá fora e ajudar a nova redatora libanesa com direções, supermercado, etc. Descobrimos uma Delikatesse maravilhosa perto de casa, com produtos tão selecionados quanto os preços.

Dibeh trabalhou no Comitê Internacional da Cruz Vermelha por oito anos, sempre em locais de guerra, sendo que sua última missão foi como porta-voz da Cruz Vermelha no Iraque. Ela está muito longe de aparentar seus 33 anos, tem um coração tão grande e bonito quanto seus olhos de Jasmin, testemunhas de muitas histórias que ela teria para contar, se não fosse proibida de compartilhar a maioria delas. Em pouco tempo aqui, ela já entrou para a "família". As vezes fica até difícil focar no trabalho quando estamos rodeado de amigos e irmãos. É surreal o grau de intimidade a que chegamos, a atmosfera de amor, carinho, cuidado e os momentos impagáveis de rir até sair lágrimas dos olhos. As nossas semelhanças como seres humanos falam mais alto do que as diferenças étnicas e culturais e as peculiaridades da realidade grega que experienciamos neste país e no dia-a-dia do trabalho cria uma forte conexão, pois nos vemos impotentes ao tentar compartilhar a vida na "cápsula do tempo" com quem está fora dessa "matrix".
Para completar, uma nova redatora originalmente Palestina que mora em Dubai chegou em dezembro. Hazar tem o olhar mais forte e intenso que já cruzei em toda a minha vida. A primeira vez que conversamos me senti constrangida, como se ela pudesse enxergar até o fundo da minha alma. Algumas semanas depois, descobri que era verdade.
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