22 de mar. de 2011

Mudança

Um dia desses algo interessante aconteceu no trabalho. Estava sentindo uma pressão na cabeça, atrás das orelhas, como se usasse aqueles arcos de cabelo que incomodam. Olhei para Dibeh, que senta ao meu lado, e ela estava usando um. Pedi a ela para tirar e ver o que acontecia e então o incômodo passou. Depois do almoço, comecei a sentir denovo. Olhei para o lado, e ela tinha voltado a colocar o arco. Tive que pedir para ela tirar, foi um tanto engraçado. Falei pra ela cuidar com o que ela sentia porque eu podia sentir também.

Outro dia, comecei a ter sensações esquisitas e saí do escritório. Senti uma dormência que começou pelos braços, fiquei gelada e todo meu corpo começou a tremer. Veio então uma vontade incontrolável de chorar sem o menor motivo, um choro que sequer parecia ser meu. Queriam que eu fosse a um Hospital, mas sabia que nenhum médico entenderia o que estava acontecendo. Pedi para Dibeh chamar Hazar e chorei que nem uma criança. O trabalho me parecia tão pequeno naquele momento que não fazia o menor sentido voltar a olhar para uma tela de computador naquele dia. Pegamos um taxi e quando cheguei em casa já estava me sentindo melhor. No dia seguinte, Elena que trabalha na administração veio falar comigo, dizendo que podia ver meus chakras e que era pra cuidar pois estavam abertos demais. Hazar já havia comentado, mas nunca imaginei que ela podia ver essas coisas.

Na sexta-feira resolvi que não ia trabalhar simplesmente porque sabia que meu corpo precisava de descanso. Parecia que toda minha energia tinha sido sugada por um ralo. Aproveitei o dia para empacotar a casa e fazer a mudança para outro apartamento. Não sobreviviria mais um dia sequer morando no centro, com toda aquela conturbação, a música e borburinho. Esperei Dibeh chegar do trabalho para me ajudar com as malas. Não sei como nós duas e todas aquelas bagagens e sacolas entraram dentro do pequeno elevador. Tanto que quando chegamos no térreo, não conseguimos sair e o elevador subiu denovo. Por sorte, Yan era quem tinha chamado e quando abriu a porta, mal conseguiu ver a gente lá dentro. Desceu pelas escadas e nos ajudou a levar tudo para rua e achar um táxi.

Voltei a morar no mesmo prédio que morava há dois anos atrás. Milena, que agora era minha vizinha, estava esperando para ajudar a subir com as malas. O apartamento é tão branco e iluminado que achei que tinha morrido e ido para o céu. Era tudo o que eu precisava. O silêncio acariciava os ouvidos, enquanto o amor das plantas do jardim circulavam nos meus pulmões cor-de-rosa. Coloquei o celular no silencioso para que nada perturbasse aquela noite de sono. Mal sabia que uma das experiências mais estranhas de toda a minha vida estava por vir.

Eram oito horas da manhã quando acordei com a porta do apartamento aberta e um homem estranho saindo por ela e dizendo "sorry", com sotaque grego. Levantei em um pulo e fui até o olho mágico, mas não vi ninguém. A porta de entrada do apartamento fica exatamente em frente a cama, o que tornou a situação ainda mais esquisita. Tudo o que vi foi ele fechando a porta, portanto não sabia há quanto tempo podia ter estado ali. Verifiquei a bolsa, a carteira e estava tudo lá. Ainda desorientada com os acontecimentos da semana e a mudança, fiquei pensando em quem poderia ter a chave e em certo momento já não sabia mais se aquilo tinha mesmo acontecido, se tinha sido só um sonho ou se estava vendo espíritos. Milena ficou apavorada com a história. De quaquer forma, aproveitei o sábado inteiro para descansar e curtir a nova casa. No dia seguinte, quando acordei, fui verificar a hora no celular e vi que tinham cinco chamadas não atendidas e mais uma mensagem de texto. Era o proprietário do apartamento pedindo desculpas, pois o pai dele tinha vindo trocar as lâmpadas queimadas e não sabia que eu já tinha me mudado. E eu tinha esquecido o celular no silencioso desde sexta-feira.

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