23 de mar. de 2011

Domingo no parque

Angela havia comentado de um grupo que faz caminhadas por Atenas e no domingo resolvemos nos juntar a ele. Como nos atrasamos um pouco, acabamos perdendo o ponto de encontro. Segundo Angela, considerando que estamos na Grécia, é possível que eles estivessem ainda mais atrasados do que nós. O fato é que estávamos num lindo parque no alto da montanha, com quadras de esportes e um adorável café que nos convidava a apreciar a vista a cidade. O Sol estava radiante num domingo de inverno que mais parecia primavera e decidimos ficar por ali mesmo. Angela e eu somos gregas no que diz respeito a arte de não fazer nada e ficar horas tomando um café ou suco, jogando conversa fora. Estava maravilhada com aquele local, apreciando a vista, a energia das alturas e o melhor suco de laranja natural da Terra. Ficamos ali até o Sol tatuar o contorno da blusa nos nossos braços.

A mochila caiu quando fui ao banheiro e a câmera fotográfica - companheira de cinco anos de quilômetros e paisagens - que estava dentro quebrou. A verdade é que ela escutou meus pensamentos cheios de tentação em comprar uma câmera nova quando fui na loja de eletrônicos essa semana e decidiu se retirar. Aconteceu a mesma coisa com a Milena essa semana na Polônia. A mãe dela falou em trocar de carro e não deu outra: o carro pifou no dia seguinte.

Depois de apreciar a vista, o Sol e o ar tão fresco quanto o suco de laranja, finalmente retomamos os planos iniciais da caminhada e exploramos a região montanhosa por uma hora e meia. As flores já começavam a adornar as estradas que nos levaram a bairros peculiares que faz você se sentir no campo em plena cidade, com a simplicidade das casinhas gregas em contraste com o requinte da riqueza de uma vista panorâmica exuberante e inacreditável de Atenas. Que dia delicioso. No meio do caminho, uma Senhora nos parou e desandou a esbravejar em grego enquanto apontava para as minhas pernas. Do jeito que ela falava achei que algum cachorro ou animal perigoso se aproximava, mas Angela explicou que ela estava elogiando as  pernas e perguntou onde tinha comprado a calça que estava usando. Era a última coisa que eu podia imaginar que ela estava falando naquele momento.

Depois da caminhada sem rumo, achamos o nosso destino final: uma taverna verdadeiramente grega para almoçar as cinco e meia da tarde. Nenhum garçom falava inglês e cardápio só em grego - o que não nos impediu de ter uma refeição maravilhosa. Entre garfadas, o telefone de Angela tocou e ela voltou super empolgada dizendo que o irmão dela tinha acabado de ligar da Itália para contar em primeira mão que vai se casar em maio. Ela estava radiante de felicidade. "Nessas horas a gente percebe como a vida é maravilhosa" - disse ela com um sorriso autêntico e bonito de ver. O mais incrível é que alguma horas antes estávamos conversando exatamente sobre isso - o desafio de morar em outro país quando os irmãos começam a casar e ter filhos e não poder acompanhar de perto.

Já era noite quando voltamos para casa. Apesar da noite mal dormida seguida de um domingo intenso, havia prometido que acompanharia Milena assim que voltasse da Igreja no último souvlaki dela antes de voltar a Polônia.

Segunda-feira, ao chegar do trabalho, encontrei na frente da porta a herança que Milena tinha deixado - mais arroz e chá polonês, além de algumas cervejas, especiarias e outros condimentos. Fiquei super feliz com as novas aquisições para se divertir na cozinha e brincar de novos sabores.

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