27 de mar. de 2009

Vicenza Venezia Murano Burano Milano Athina

20.02.09 - Dormi muito pouco esta noite. Fui de mala e cuia pegar o trem para Veneza, onde deixei minhas coisas no locker da estação.

Iniciei meu segundo e último dia por lá seguindo em direção ao gueto, situado em Cannaregio, um dos bairros mais modestos e cuja residência foi imposta e reservada aos judeus antigamente. De lá, um longo caminho até chegar ao ponto de saída do vaporetti, barco que vai até a ilha de Murano, a qual durante algum tempo chegou a ser a maior produtora de cristal da Europa. De lá, mais um vaporetti até Burano, ilha conhecida por suas casinhas coloridas. Hora de voltar a Veneza e pegar o trem para Milano. Só o passeio pela Lagoa Veneziana já vale a pena.

Eu estava exausta e tinha dormido muito pouco, mas os gatíssimos que frequentavam aquele trem eram de tirar o sono. Fortes, grandes, morenos, de olhos claros e estilosos, não faltam adjetivos para descrever um italiano de verdade.

Claudia tinha enviado uma mensagem de manhã cedo, dizendo que minha mãe estava preocupada, pois não havia dado notícias. Como o meu celular não enviava mais nada, e ia demorar até chegar em Milão, vesti minha máscara de cara-de-pau e pedi um celular aleatório emprestado para dizer que estava tudo bem.

Cheguei à segunda maior cidade da Itália completamente perdida. Queria ver o Duomo, então desci de mala escada abaixo até achar o metrô. Antes de saber exatamente onde estava e para onde ir, encontrei quatro brasileiros, que me ajudaram a comprar o ticket da máquina, enquanto encontramos mais dois conterrâneos. Coincidentemente, todos iam pegar a mesma linha e estavam indo para o mesmo lado. Até tiramos uma foto verde-amarela dentro do metrô.

Chegando na estação, a Catedral ia se impondo a cada degrau que subia. A arquitetura externa é estonteante. Mal deu tempo de posicionar a máquina fotográfica e um jovem italiano se ofereceu para tirar uma foto. Ficamos conversando e ele me levou para dar uma volta até o Castello Sforzesco, e como um bom cavalheiro, foi levando a minha mala. Ele estava na missa no Duomo com os amigos, mas como ele tem taquicardia, teve que dar uma saída pra tomar um ar.

Caminhamos pelas ruas de Milão, enquanto ele me contava, com seu inglês esforçado, que é de Udine, na região de Vêneto (lembro que passei por lá de trem). Era perceptível o amor que ele tinha à sua cidade, só estava em Milão por causa da faculdade. Ele dizia que Udine era o máximo, que em Udine ele podia ver as estrelas no céu.

Voltamos para o fim da missa. Me despedi e saí correndo para pegar o metrô de volta ao zentrale station e brincar de procurar o lugar de onde sai o shuttle para o aeroporto de malpensa. Já dentro do ônibus, chegou um senhor perguntando se alguém falava alemão e como ninguém deu sinal de vida, falei que podia ajudar. Ele trazia uma mulher e a sentou próxima de mim, pediu que eu a ajudasse pois o vôo dela era bem mais tarde. Praticamente gritou várias coisas pra moça, o que me fez pensar que devia ser uma filha mimada e reprimida de uma conservadora e tradicional família alemã.

22.02.09 Assim que chegamos ao aeroporto de Malpensa, descobri que a tal moça na verdade tinha 42 anos, uma linda filha de 15, é cantora profissional e estava na Itália a trabalho. Ela só falava alemão e eu tive que pegar uma pá e uma inchada bem grande pra desenterrar essa língua da minha cabeça.

O Terminal 2 do aeroporto estava praticamente lotado de pessoas dormindo. Já tinha visto a dica no site (sleepingatairports.com) que o Malpensa é ótimo para dormir, pois os bancos não tem aquele apoio para os braços, então você pode deitar com todo o conforto. Pelo jeito todo mundo já sabia disso, porque era meia noite e a gente simplesmente não encontrava um lugar para sentar. Entre jovens e velhos esparramados em sono profundo naqueles bancos, encontramos uma região um pouquinho mais afastada que tinha lugar. Haviam pessoas jogando baralho, escutando música, conversando e até mesmo roncando alto. Tirei o sapato, fiz do casaco travesseiro, peguei o lençol, tapa-olhos, ipod, agarrei minha bolsa como se eu tivesse 5 anos e ela fosse meu ursinho de pelúcia predileto e tentei dormir. Consegui tirar um cochilo, entre os barulhos aleatórios que um brinquedo infantil soltava a cada meia hora. Até tentaram tirar da tomada, mas não teve jeito. Devia ser quase 3 horas da manhã, quando ouvi vozes na língua portuguesa. Era Adilson e André, dois brasileiros muito queridos que também estavam indo para Atenas.

Ficamos conversando até abrir a cafeteria. Adilson mora em Torino, dá aulas de informática numa escola e André estuda medicina no interior de São Paulo, estava fazendo um estágio na Europa e naquele momento estava só viajando. Eles são da mesma cidade e se conhecem desde pequenos. Estavam indo a Atenas a turismo e dei todas as dicas possíveis da Grécia. Fizemos o checkin na easyjet, companhia aérea de baixo custo que eu estava experimentando pela primeira vez.

É bem engraçado porque não tem poltrona marcada então todo mundo sai correndo pra pegar lugar. Eles geralmente fazem overbooking, então quem chegar por último corre o risco de ter que esperar o próximo vôo. E convenhamos que quem dormiu no aeroporto pra pegar o vôo das 6h45 da manhã não ia querer perdê-lo de jeito nenhum. Mas o mais engraçado é que todo mundo presta atenção nas orientações de segurança em caso de emergência. Deve ser o medo de voar com essas companhias aéreas. Entre as poltronas mais esprimidas que já experimentei e que sequer reclinam, dormi a viagem inteira. Pelo menos não corri o risco de perder o serviço de bordo, que nesse vôo é claro que também não tinha.

Cheguei em casa quase 11h da manhã, por causa da diferença de fuso horário. Dormi o dia inteiro. Como era meu último fim de semana em Atenas, resolvemos sair. Eu ainda estava morta da viagem, e fomos parar num fim de mundo onde havia uma festa brasileira carnavalesca. Desistimos da idéia de entrar e fomos num bar em Glyfada, com direito a blackout e barraco.

22.02 No dia seguinte, encontrei Anastacia e Despoina no Mamaka's, uma taverna contemporânea e caríssima que fica em Keramikos. O futuro Primeiro Ministro da Grécia estava na mesa ao lado e veio cumprimentpa-las, pelo que elas falaram agora ele é da oposição. Depois de saborear diversos pratos típicos gregos, partimos a pé para um lugar só de sobremesas típicas com sorvete. Deliciosamente doce. Voltei pra casa no fim da tarde, ainda muito cansada e com a missão de colocar uma casa em duas malas.

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