10 de mar. de 2009

Uma real luta de gladiadores

14.02.09

O apartamento de Natia é muito bem-localizado numa região nobre de Roma e está apenas a uma estação de metrô de Otaviano, pertinho do Vaticano. Paulo foi muito gentil em me levar até a estação, que aliás era bem perto de casa, mas como ele não fala inglês e eu não falo italiano, a única alternativa era mostrar pessoalmente.

Combinei de encontrar com a Gisele em Termini, que está em Roma há apenas uma semana e também quer conhecer todos os pontos turísticos. Ela vai permanecer durante dois meses pois está fazendo um estágio em medicina, então pudemos aproveitar o fim de semana juntas. Como ela estava atrasada, fui comprar minha passagem para Firenze e depois almoçamos e acabei provando um McNapoli bem meia-boca.

De Termini pegamos um ônibus até a Piazza Venezia e fomos andando até o Colosseo, onde tivemos a sorte de presenciar uma real luta de gladiadores. Há varios senhores fantasiados de "Júlio César" para tirar foto ali por perto e um turista albino começou a implicar com um deles. Como não falavam a mesma língua, ficavam se encarando e soltando "murros" tipo: "UMM" cara-a-cara, face-a-face, e a fila do coliseu inteira já estava observando para ver no que ia dar. E não deu outra: partiram para a agressão física e outro "Júlio César" se meteu no meio, soco pra lá, multidão se afastando, nariz sangrando e nenhum segurança ou policial por perto pra acabar com a brincadeira.

Nosso guia falou que o incidente não fazia parte do tour e pediu que entrássemos logo, pois dessa vez a Gi e eu pagamos mais para pular a fila e ter alguém explicando tudo. E pela primeira vez valeu a pena, pois o guia contou histórias e fatos bem interessantes. Segundo ele, se há um lugar no mundo em que mais mortes ocorreram e sangue foi jorrado, este lugar é o Coliseu.

O mais famoso símbolo do Império Romano, o Coliseu era um enorme anfiteatro reservado para combates entre gladiadores ou opondo esses guerreiros contra animais selvagens. Sua construção foi iniciada no ano 72 d.C. e as obras levaram oito anos para serem concluídas. Os primeiros combates disputados para comemorar a conclusão do Coliseu duraram cerca de 100 dias e se estima que, só nesse período, centenas de gladiadores e cerca de 5 mil animais ferozes morreram em sua arena de 85 por 53 metros. As lutas levavam o público ao delírio. Suas arquibancadas, construídas a partir de 3 metros do solo, acomodavam mais de 50 mil pessoas. Um camarote bem próximo à arena era destinado ao imperador de Roma, que era reverenciado pelos gladiadores antes dos espetáculos com uma saudação que se tornaria famosa: "Salve, César! Aqueles que vão morrer te saúdam".

Durante a Idade Média, o mármore e o bronze de sua estrutura foram sendo saqueados aos poucos (o que é bem perceptível) e usados para ornamentar igrejas e monumentos católicos. Algumas peças de mármore foram empregadas até na construção da Basílica de São Pedro, no Vaticano.

É incrível olhar pra arena e imaginar o que representava esse espetáculo naquela época. Imagine-se vivendo, há tanto tempo atrás, sem comunicação, sem fácil acesso a outros lugares do mundo, e poder ir de graça assistir a centenas de animais ferozes, como leões, panteras, leopardos e elefantes vindos da África e outras partes (animais que jamais haviam visto) sendo primitivamente mortos por gladiadores ou seres humanos reais sendo engolidos por um deles na sua frente. Como disse o guia em relação ao entretenimento, "naquele tempo a realidade se sobrepunha a imaginação e hoje a imaginação está acima da realidade". Um fato bem interessante, é que os animais podiam "aparecer" nos duelos a qualquer momento por um esquema de elevadores que surgiam em alguns pontos da arena.

Logo depois da overdose de informações, conhecemos uma família brasileira, cuja filha mora em Berlim. Muito simpáticos, acabei encontrando-os por acaso quatro vezes em Roma, durante meus singelos 3 dias na cidade.

Roma é belissima e sua grandiosidade, história e beleza me surpreenderam. Ficamos de encontrar Luca e Eleonora, pois faziam questão de nos mostrar um pouco da cidade. Encontramos com eles e seguimos pela via del Fori Imperiale, passando pelas ruínas da Roma Antiga, o circo massimo, onde eram realizadas as corridas de cavalo, boca verita, cujas cópias todo mundo já viu em algum shopping center (aquela cara de pedra que a gente coloca a mão dentro e a máquina "lê" o seu futuro), teatro marcello, ghetto e o Portico di Ottavio.

Depois, pausa para descongelar os dedos e saborear um doce crepe de nutella. Em seguida, caminhamos até o badalado Campo di Fiori e mais além, uma trégua de descanso em plena missa na Igreja Santa Maria Maggiore. De lá, entramos num restaurante árabe, do qual acabamos desistindo da idéia de ficar, mas que serviu de ponto de encontro para o Daniel. Fomos andando até a Piazza Argentina para irmos a um restaurante muito bom, tão bom que tivemos que ficar na lista de espera - do lado de fora - congelando.

Eleonora é muito querida e fez questão de deixar cada um em casa, mesmo de ônibus. Sábado a noite e Valentine's Day: os italianos estavam enlouquecidos dentro daquele meio de transporte coletivo. Era um barulho misturado com alegria, todo mundo interagindo, gritando, rindo e falando alto - um ônibus tipicamente italiano.

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