Primeiro, uma pequena fila na Galleria dell'Accademia, onde está uma das esculturas mais famosas de Michelangelo - David. O trabalho retrata o herói bíblico com realismo anatômico impressionante e é considerada uma das mais importantes obras do Renascimento e do próprio autor. A escultura é enorme, mede 5,17 m e Michelangelo levou três anos para ser concluida (de 1501 a 1504). O artista foi inovador nesta obra, pois retrata David não após a batalha contra Golias (como outros antes dele fizeram), mas no momento anterior a ela, quando ele está se preparando para enfrentar uma força que todos julgavam ser impossível de derrotar. É o máximo dar uma encarada olho-a-olho na expressão daquele imenso David no meio da galeria.
De lá parti para o Duomo, uma bela catedral, cujo teto (ai esses tetos) são também de impressionar, além do visual externo. De lá, uma fila não muito extensa, porém demorada para entrar na Galleria degli Uffizi, um palácio que abriga um dos mais famosos museus do mundo.
A Uffizi é grande e dividida em salas e ambientes, cerca de cinqüenta, algumas dedicadas aos maiores artistas do Renascimento, como Leonardo da Vinci e Rafael, salas com arte clássica da Roma antiga. A verdade é que tomei um chá de museu e arte renascentista em Florença, o que me levou a exaustão, até porque não é o tipo de arte que aprecio, apesar de ter me encantado com as telas ‘’Primavera’’ e ‘’O Nascimento de Venus’’ de Boticelli. Depois de alimentar meus olhos, eu merecia um crepe de chocolate antes de continuar a explorar essa simpática cidadezinha da Toscana chamada Firenze.
Passei pela Basílica Santa Croce, onde meu guarda-chuva virou do avesso de tanto vento, atravessei a Ponte Vecchio e subi até a Piazza Michelangelo, de onde se tem a mais bela vista de Florença. Já estava escurecendo quando entrei no Pitti Palace e tinha muito pouco tempo para ver tudo antes de fechar. De fato, fui a última a sair, junto a mais um casal, sendo perseguida pelos funcionários do Museu, que iam trancando as portas de cada ambiente que deixávamos para trás, além do alarme que começou a tocar.
Fui a Piazza S. Spirito jantar uma pasta carbonara acompanhada de vinho branco e já era tarde quando vi a mensagem de Davide perguntando se eu queria chegar antes de ele sair pro jantar de trabalho. Só o que me restava era esperar, então resolvi seguir a dica da Sara, uma amiga italiana, e fui ao pop art bar que se localiza na mesma praça.
Era um pouco tarde quando Davide me avisou que já estava em casa, e já não havia mais ônibus até a casa dele. Peguei um que ia até SMN (a estação de trem) e de lá fiquei perguntando para vários motoristas, mas nem eles sabiam que ônibus tinha nesse horário nem onde pegar. Então arrisquei um para a Piazza San Marco, rezando para que de lá ainda houvesse alguma saída. Assim que desci do ônibus, apareceu o 67 que eu tinha visto no mapa ou simplesmente tive o feeling de que poderia passar por perto, e fiquei entre perguntar ou tentar esperar pelo ônibus certo que não ia chegar nunca. A porta estava quase se fechando quando gritei o nome de uma rua próxima a de Davide, com meu forjado sotaque italiano. O motorista entendeu que era um outro lugar e disse que não passava lá, mas para minha sorte, um senhor nos interrompeu. Repetiu claramente o nome e disse que neste horário, só este ônibus passava por perto. Doce anjo que caiu do céu. Pulei dentro do ônibus, mostrei o mapa a ele para me ajudar a descobrir aonde deveria descer. Com um pouco mais de sorte, ele ia parar no mesmo ponto que eu e me mostrou o caminho com toda a boa vontade do mundo. Grazie mille. Chegando em casa, mostrei as fotos para Davide, tomei banho e capotei.
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