12 de mar. de 2009

É carnaval em Veneza

19.02.09 Massimo é uma pessoa difícil de descrever. Sua casa e sua vida são constantemente compartilhadas com couchsurfers de todo o mundo. É um vício que começou há 5 meses (ele está próximo de completar seu centésimo hóspede) sem prazo para terminar. Praticamente todo dia tem algum viajante de alguma parte do mundo hospedado em sua casa, quando não 7 pessoas ao mesmo tempo (o recorde, segundo ele). Ele não despreza ninguém, se for necessário, coloca um colchão no chão da cozinha e está tudo resolvido. Seu altruísmo e habilidade em compartilhar sua rotina de trabalho com tantas pessoas diferentes me surpreenderam, assim como a confiança que deposita em todos esses seres desconhecidos que vem parar na porta da sua casa. Por falar em porta, ele tem várias cópias das chaves que deixa com todos os hóspedes, além de vários mapas da região, pilhas de toalhas, pacotes enormes de papel higiênico e sabonete à disposição, tudo bem organizado para nos recepcionar da melhor forma possível.

Acordo cedo para pegar o trem e agradeço ao Universo por estar chegando ao carnaval mais famoso da Europa. Eu mal podia acreditar que estava naquela cidadezinha que tanto ouvi falar, tão poética quanto turística, exibindo o charme de seus numerosos canais, que fazem qualquer um se perder entre paisagens tão lindas quanto melancólicas.

O carnaval de Veneza é conhecido pela beleza das máscaras. É uma delícia se entregar em suas ruelas, contemplando cada detalhe pitoresco que se revela diferentemente belo a cada ângulo. O Sol parecia contente em iluminar aquela cidade e fui caminhando com uma energia sem igual até a Piazza San Marco. Visitei a Basilica di San Marco, e bem ao lado, entrei no Palazzo Ducale, símbolo da cidade de Veneza e uma obra-prima do gótico-veneziano. O palácio atual, construído entre 1309 e 1424, foi a residência do Doge de Veneza e contém os escritórios de várias instituições políticas, entre eles a sala del Maggior Consiglio, que é a principal e é illuminada através de sete grandes janelas ovais. Dentro de suas enormes dimensões de 53 metros de comprimento por 25 de largura (que faz dela uma das mais vastas da Europa) eram realizadas as reuniões do Maggior Consiglio, assembleia soberana do Estado veneziano, onde até 2000 membros compareciam. Além da "Escada de Ouro", projetada por um famoso arquiteto e escultor do Renascimento italiano, os tetos também me surpreenderam, mais uma vez.

Bem próximo ao Palácio, subi na Campanile di San Marco, onde pude apreciar toda a bela Veneza e as ilhas próximas de cima, num visual de encher os olhos naquele dia ensolarado. Em seguida, continuei minha caminhada despretensiosa, explorando cada parte desse lugar mágico, até chegar ao museu Peggy Guggenheim. Colecionadora e sobrinha de Salomon R. Guggenheim, (fundador do museu em Nova York que leva o seu nome - por isso a semelhança), Peggy adquiriu obras dos artistas contemporâneos mais importantes, entre eles Pablo Picasso e Vasili Kandinsky, e hoje é um dos mais importantes museus na Itália, cuja coleção envolve cubismo, surrealismo e expressionismo.

Depois de andar por quase toda Veneza, resolvi seguir o cronograma de eventos carnavalescos que estava acontecendo por todos os cantos. Depois de mais uma longa e prazerosa caminhada, cheguei em uma Piazza, onde pude provar quentão e uma espécie de sonho típico veneziano for free, e de lá saí correndo até a Piazza San Marco novamente, onde havia apresentações de música, teatro e outras atrãções. Já estava escuro quando continuei a completar a segunda volta a pé por toda a Veneza em um dia, correndo desta vez até Dorsoduro, onde havia uma apresentação artística muito interessante, que mistura dança, teatro, acrobacia, pernas de pau e muito fogo. Provei o famoso spirit, drink com martini, e curti um pouco da festa com DJ até o horário do último trem de volta a Vicenza. Para chegar até a estação, fui caminhando junto a uma menina que mora em Veneza e que foi super gentil em me orientar até lá.

No trem havia uma turma de intercambistas que estudavam em Padova, entre eles uma albanesa que estava muito bêbada e não parava de repetir "life is long but life is short as well", que fazia todos rirem.

Cheguei em Vicenza um pouco antes da meia noite sem a menor idéia de como voltar para casa a pé, já que não havia mais ônibus. Estava muito frio, e saí andando na direção que julguei correta, e para minha sorte grande, havia uma menina andando naquela cidadezinha pacata, especialmente neste horário. Pedi informação, e com mais um pouco de sorte, ela falava um ótimo inglês. Ela ama idiomas e trabalha com tradução. Notou que eu estava perdida e fomos juntas conversando. Que sorte - mais uma vez - ela estava indo na mesma direção que eu e tive que andar apenas uma ruazinha sozinha até reconhecer a casa de Massimo.

Chegando "em casa", Massimo havia acabado de jantar com um mexicano e uma sueca que chegaram hoje e estavam me esperando para preparar uma caipirinha, acompanhada de um drink preparado com a melhor tequila mexicana. Ficamos conversando até as 3h da manhã e me despedi de Massimo, pois no dia seguinte iria mais vê-lo.

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