Acordo cedo para pegar o trem e agradeço ao Universo por estar chegando ao carnaval mais famoso da Europa. Eu mal podia acreditar que estava naquela cidadezinha que tanto ouvi falar, tão poética quanto turística, exibindo o charme de seus numerosos canais, que fazem qualquer um se perder entre paisagens tão lindas quanto melancólicas.
Bem próximo ao Palácio, subi na Campanile di San Marco, onde pude apreciar toda a bela Veneza e as ilhas próximas de cima, num visual de encher os olhos naquele dia ensolarado. Em seguida, continuei minha caminhada despretensiosa, explorando cada parte desse lugar mágico, até chegar ao museu Peggy Guggenheim. Colecionadora e sobrinha de Salomon R. Guggenheim, (fundador do museu em Nova York que leva o seu nome - por isso a semelhança), Peggy adquiriu obras dos artistas contemporâneos mais importantes, entre eles Pablo Picasso e Vasili Kandinsky, e hoje é um dos mais importantes museus na Itália, cuja coleção envolve cubismo, surrealismo e expressionismo.
Depois de andar por quase toda Veneza, resolvi seguir o cronograma de eventos carnavalescos que estava acontecendo por todos os cantos. Depois de mais uma longa e prazerosa caminhada, cheguei em uma Piazza, onde pude provar quentão e uma espécie de sonho típico veneziano for free, e de lá saí correndo até a Piazza San Marco novamente, onde havia apresentações de música, teatro e outras atrãções. Já estava escuro quando continuei a completar a segunda volta a pé por toda a Veneza em um dia, correndo desta vez até Dorsoduro, onde havia uma apresentação artística muito interessante, que mistura dança, teatro, acrobacia, pernas de pau e muito fogo. Provei o famoso spirit, drink com martini, e curti um pouco da festa com DJ até o horário do último trem de volta a Vicenza. Para chegar até a estação, fui caminhando junto a uma menina que mora em Veneza e que foi super gentil em me orientar até lá.
No trem havia uma turma de intercambistas que estudavam em Padova, entre eles uma albanesa que estava muito bêbada e não parava de repetir "life is long but life is short as well", que fazia todos rirem.
Cheguei em Vicenza um pouco antes da meia noite sem a menor idéia de como voltar para casa a pé, já que não havia mais ônibus. Estava muito frio, e saí andando na direção que julguei correta, e para minha sorte grande, havia uma menina andando naquela cidadezinha pacata, especialmente neste horário. Pedi informação, e com mais um pouco de sorte, ela falava um ótimo inglês. Ela ama idiomas e trabalha com tradução. Notou que eu estava perdida e fomos juntas conversando. Que sorte - mais uma vez - ela estava indo na mesma direção que eu e tive que andar apenas uma ruazinha sozinha até reconhecer a casa de Massimo.
Chegando "em casa", Massimo havia acabado de jantar com um mexicano e uma sueca que chegaram hoje e estavam me esperando para preparar uma caipirinha, acompanhada de um drink preparado com a melhor tequila mexicana. Ficamos conversando até as 3h da manhã e me despedi de Massimo, pois no dia seguinte iria mais vê-lo.
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