2 de jan. de 2009

Kifissia, despedida e bouzokia

Sábado de sol. Fui encontrar Rodrigo em Kifissia, onde ele mora, e finalmente conhecer o bairro chique de Atenas. Saindo da estação de metrô, o vento frio me dava boas-vindas à região mais alta da cidade.

Rodrigo me mostrou as casas lindas e enormes de Kifissia e seguimos em frente até me deparar com uma espécie de Shopping Crystal a céu aberto. Várias lojas de variadas grifes preenchiam algumas quadras com suas próprias construções especialmente arquitetadas. Um luxo, cujo preço nas vitrines eram de doer os olhos - 490 euros por um par de sapatinhos, por exemplo.

Fomos então tomar um café numa Panificadora tradicional de Kifissia, existente desde 1898. Rodrigo experimentou o adocicadíssimo baklava e eu provei um doce de nome estranho, galactoboureko. Conversamos até o sol se pôr e, como não havia almoçado, não resisti à um crepe de queijo e presunto no caminho. Passamos no supermercado, onde pude achar miojo (item básico de sobrevivência) e Rodrigo me apresentou à Retsina, vinho grego resinado que é feito há pelo menos 2000 anos. Levei uma pequena garrafa e fomos até a estação de metrô. Como as lojas ainda estavam abertas por causa do horário especial de Natal, aproveitei para dar uma paradinha em Maroussi para comprar umas coisinhas.

Voltei pra casa para me arrumar e ir à depedida do Tonino, o redator italiano que mora com Rodrigo e também trabalha na Upstream. Encontrei com a Sara na estação de Keramikos. Fomos a pé até uma taverna, onde encontramos o resto do pessoal. Entre gregos e italianos, comemos e bebemos até 2 horas da manhã e finalizamos com uma rodada de raki, uma espécie de cachaça grega que sempre é oferecida em qualquer lugar que você vai. Emendamos para uma baladinha chamada antropo, cuja "porta" do banheiro unissex era aberta e fechada por um zíper gigante. O lugar estava lotado, e cada vez que tentava passar pelas pessoas dizendo "excuse me", me paravam pra perguntar de onde eu era e assim acabei conversando com várias pessoas. Depois de se empolgar com a rodada de raki, Rodrigo acabou encontrando um sofá na balada. Assim que conseguimos acordá-lo, fomos todos embora no mesmo táxi.

Domingo acordei jurando que nunca mais vou beber raki. Á noite, encontrei Sara e Rodrigo em Keramikos para irmos a bouzoukia, marcar presença na festa de fim de ano da empresa. O lugar era imenso e luxuoso, as pessoas extremamente bem arrumadas e tínhamos algumas mesas reservadas próximo ao palco, além de whisky, vodka e vinho à vontade. O show iniciou de forma inusitada, ao som de músicas de formatura na voz de personagens bizarramente caracterizados, junto com acrobacias no solo e no ar ao estilo cirque du soleil, que ocupavam muito bem todo o espaço da bouzokia.

Na segunda parte, começou o tão esperado show do cantor Antonius Remos, celebridade grega, pelo qual a mulherada vai ao delírio. Neste momento, pude presenciar o tradicional ato de jogar flores, que veio substituir o antigo costume de jogar pratos e copos, que era um tanto perigoso. A bandeja de flores que algumas gregas extremamente maquiadas carregavam, circulando entre as mesas, custava 15 euros, e os ali presentes compravam dezenas, felizes e contentes, incluindo homens, para simplesmente "tacar" as pétalas no cantor. Só na Grécia.

Um comentário:

Paulo Motta disse...

Ebaaa! Mais um post pra alegria dos amigos com saudade, hehe. Hilária sua última empreitada. E o vinho retsina, é bom? Bjos guria.