8 de jan. de 2009

Kronia Pola

Acordei para trabalhar no último dia do ano, quando de repente toca a campainha de casa. Quem poderia ser a essa hora? - pensei. Abri a porta e dois garotinhos me olhavam, prontos para começar a cantar qualquer música de natal e tocar o tradicional triângulo que suas mãos seguravam. Já havia visto várias crianças realizando esta tradição em todos os lugares na véspera de natal, sendo que depois da cantoria temos que dar algumas moedinhas. No dia 24, Claudia e eu haviamos dado alguns euros a 2 crianças e depois as acompanhamos indo até uma senhora e entregando todo o dinheiro. Claro que sempre tem alguém se aproveitando da tradição e da boa fé alheia. Então desta vez dispensei e disse que não tinha tempo pois estava atrasada. Os meninos ficaram me olhando com cara de assustados, provavelmente porque inglês pra eles, é grego.

Último dia do ano e pra variar ainda não sabia o que ia fazer para celebrar a virada. Michal me convidou para a festa "tcheca" de fim de ano na casa deles, pois alguns amigos da Rep. Tcheca estavam hospedados lá. Mas acabei indo para a casa da Bruna, onde também estava a Mariana, e de lá fomos a uma festa num hotel muito charmoso chamado Athens Life Gallery. Geralmente o que tem de melhor em Atenas no reveillon são as festas em hotéis. A festa era só para convidados e a entrada custava 70 euros, open bar.

Chegando lá, parecia que eu estava no paraíso: nunca na minha vida vi tantos homens lindos por metro quadrado. Todos muito elegantes e bem vestidos, em perfeita harmonia com a sofisticação do ambiente. Champagne, vinho, vodka, whisky a vontade e alguns petiscos como frango e camarões empanados completavam a festa. Lá conheci a Marcia, que é assessora do Roupa Nova no Brasil e estava de férias em Atenas. Claro que comemoramos a virada as 4h da manhã, no horário em que o Brasil inteiro estava estourando a champagne e assistindo aos fogos de artifício. No fim da festa, todos já sabiam que éramos brasileiras, até o garçom do café da manhã que veio nos informar que o breakfast custava 30 euros.

Dormimos todas na casa da Bruna, por volta das 9h da manhã e acordamos no primeiro dia de 2009 com a ressaca usual, combatida por uma macarronada ao alho e óleo, preparado pela Bruna. Já era noite quando saímos de lá e fui direto pra casa para me regenerar.

Na sexta-feira ainda tive que trabalhar e mais tarde encontrei George, que conheci na festa do reveillon. No sábado, encontrei a Sara e seus amigos italianos em Monastiraki e fomos a um pub alternativo. De lá, acabamos indo para um baladinha minúscula, smoky e horrorosa, que nos fez ir embora rapidinho.

Domingo, dia de ficar de molho, cozinhar spaguetti e assistir filmes baixados na internet. Estou ficando especialista em macarronadas com poucos ingredientes.

*** uma contradição descoberta ***
Mover a cabeça no sentido lateral, de um lado para outro, em quase todos os países do ocidente, significa "não". Na Grécia, (assim como na Bulgária, Irã e Turquia), significa, por incrível que pareça, "sim". E quando querem dizer "não", eles levantam a cabeça - parece até desconfiança ou uma intimação: "vai encarar?".

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