8 de jan. de 2009

Meteora

Estava completamente entediada depois de ficar em casa dois dias seguidos. Não pude planejar nenhuma viagem para aproveitar o feriado, pois não tinha certeza se conseguiria a extensão do visto. Então no sábado, acordei de madrugada e fui até a rodoviária com destino a Delphi. Como peguei um ônibus na direção errada e um taxista queria me surrupiar 15 euros para me levar até lá, acabei chegando as 7h35, cinco minutos depois do ônibus para Delphi ter partido. Para minha alegria, o próximo era só as 10h30. Resolvi então comprar uma passagem para Meteora, que saía 9h30.

Depois de duas horas mofando na rodoviária, mais 5 horas de viagem até Trikala, onde teria que pegar outro ônibus até Kalambaka. Ironicamente, este ônibus tinha acabado de sair, e o próximo era só depois de 2 horas. Um casal de espanhóis que estavam no mesmo ônibus também iam a Meteora, então mofamos juntos na estação de Trikala. Juan é professor de filosofia e Carmen restauradora de obras de arte.

Mais 50 minutos de viagem até Kalambaka, estava nevando e quase escurecendo. A neve estava super molhada e fomos atrás de um hotel. Eu não estava nada preparada, pois havia planejado apenas passar o dia em outra cidade e voltar para casa. Total programa de índio, pensei. A mulher, que não falava inglês, queria me cobrar 40 euros pelo quarto. Perguntei se ela conhecia outro hotel mais barato. Então ela disse que tinha quartos menores por 25 euros. Negociei sem o café da manhã, e paguei 20 euros.

Cinco e meia da tarde e eu não sabia o que inventar naquela cidadezinha pequena, nevando sem parar. Meu quarto do hotel nem TV tinha e eu havia dormido o dia inteiro, viajando até lá. Peguei meu guarda-chuva e fui afundando meu tênis até o centrinho, mas só encontrava terceira idade e famílias em todos os lugares. Até que finalmente encontrei uma praça com uns barzinhos ajeitados e gente jovem. Pedi um chocolate quente, e fiquei observando o comportamento alheio. De lá resolvi ir comer alguma coisa, mas como ainda estava cedo, resolvi procurar algum outro lugar antes de ir para o hotel. Encontrei um outro bar, com uma boa música e cheio de jovens, até novos demais. Sentei numa mesa e pedi uma taça de vinho branco. Estava realmente curtindo a minha companhia naquele lugar até que alguém veio conversar comigo. Miris é de Kalambaka e designer de móveis de madeira. Foi interessante conversar com um grego de uma cidade pequena, totalmente diferente de Atenas.

Acordei cedo no domingo para finalmente conhecer Meteora, o segundo maior complexo de mosteiros ortodoxos da Grécia, que é parte de Kalambaka. Fui em busca de qualquer lugar aberto para comer alguma coisa e a mulher da padaria disse que havia ônibus para Meteora em 15 minutos. Fiz o checkout do hotel e fiquei esperando na praça, enquanto conversava com um casal de canadenses que também pretendia subir. Descobrimos que ônibus só tem no verão, então voltei ao hotel e esperei os espanhóis para pegarmos um táxi até lá. Estava tudo coberto de muita neve e não parava de nevar. Quanto mais subíamos, mais surpreendentes as paisagens se revelavam. A cada curva, um novo ângulo, uma visão deslumbrante e a certeza de que valeu a pena ter ido até lá.

O taxista nos deixou próximos ao maior mosteiro. Eles foram construídos no topo de rochas enormes de arenito, o maior pico tem 549 metros. Como é baixa temporada, tivemos que esperar que alguém abrisse a porta para entrarmos. Depois de subir centenas de degraus escorregadios cobertos de neve, entramos no mosteiro e visitamos os museus.

Na volta, fomos descendo a pé e me despedi de Juan e Carmen, pois eles iam visitar outro mosteiro e eu infelizmente não tinha mais tempo e tinha que voltar a Kalambaka para pegar o ônibus de volta a Atenas. Continuei descendo a pé apreciando toda a beleza que se exibia diante dos meus olhos até que um carro parou para me pedir informação e acabei pedindo uma carona. Logo eles pararam no próximo mosteiro e eu continuei caminhando a pé. Resolvi pedir carona para outro carro e uma senhora muito gentil e sua cachorrinha linda me levaram de volta até Kalambaka.

Morrendo de fome, fui atrás de um souvakli e saí a procura da mini rodoviária da cidadezinha para ir até Trikala. Quando entrei no ônibus, Miris ligou para tomarmos um café, mas eu já estava a caminho de casa. Por causa do congestionamento, cheguei em Atenas apenas por volta das 20h.

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