26 de out. de 2010

Goodbye Lucci

Lucci está estranho desde quinta-feira. Apesar de estar louco para voltar pra Tanzânia, acho que está sentindo em nos deixar no sábado. Para falar a verdade, desde quinta-feira a noite estou sentindo uma energia densa nessa cidade. Há uma forte tensão no ar e acho que estou absorvendo a típica agonia grega.

Sempre que observo ao redor cada olhar que cruza, cada ser que passa ou senta ao meu lado no ônibus ou metrô, o que vejo é uma população rude de músculos faciais tensos, sobrancelhas franzidas de infelicidade crônica e de aborrecimento na alma. O clima está atipicamente cinza e úmido e estou sentindo-me cheia de pisar nessas calçadas e de respirar a atmosfera pesada de Atenas.

Sexta-feira fomos a um restaurate africano para a despedida de Lucci. Sugestão do nigeriano Emmanuel. O restaurante fica numa região um tanto 'negra' e foi uma experiência encantadora. Nos sentimos de fato na África. Algumas comidas eram excessivamente apimentadas e tinha gosto de ração, outras não tinha idéia do que era mas eram uma delícia e matei a saudade de comer batata doce. Aprendi a comer até arroz com a mão, um hábito que faz você se sentir meio bicho, mas parece acentuar o sabor da comida. Para isso, existe uma bacia com água para lavar as mãos antes de comer. Para beber, um líquido fermentado que sai da palmeira, que diz curar até malária. Puro é até gostoso, mas misturado com cerveja, tem gosto de kefir. Chiara foi a grande revelação da noite com seu jeito peculiar de ser. A dança árabe de Omar rendeu muitas risadas e Emmanuel nos deu uma canja de dança africana.

Sábado de manhã explorei algumas ruas próximas de casa e descobri milhares de lojas e joalherias. Não resisti a uma bolsa que estava na vitrine e não acreditei quando Lucci ligou dizendo que perdeu o vôo. Estava inconsolável. Bem que havia falado a ele de manhã que tinha a sensação de que iríamos nos ver em breve. Nos encontramos à noite na casa da Milena e ele teve que escalar a sacada do apartamento dele pra entrar e dormir, porque a chave havia ficado lá dentro. Felizmente, conseguiu pegar o vôo no domingo, um dia um tanto melancólico, no qual tudo que consegui fazer foi dar uma volta por Akropoli.

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