Depois de mais um banho abençoado, do desjejum na sacada e de desejar bom dia aos donos do lugar, paguei a conta, agradeci, devolvi a chave e fui até a igrejinha de Skala para saber do ônibus que me levaria para o outro lado da ilha. Mais sincronizado, impossível. Por sorte, ele estava ali parado à espera da última passageira a embarcar.
Ao chegar no porto, um grupo enorme da terceira idade invadiu o ônibus. Uma senhorinha muito simpática sentou ao meu lado e disse que todo o grupo também estava indo até Aponissos. Ela foi professora de francês e entendia inglês mais do que falava, mas se esforçava muito para se comunicar.
Depois de algumas horas de imersão, alimentei o corpo com uma banana solarizada, que literalmente assou dentro da mochila com o calor do Sol. Hora de pegar o último ônibus de volta à Skala.
Tem grego que parece criança pequena tentando sentar no ônibus e guardar lugar pro amigo. A senhorinha com quem tinha conversado na ida também estava lá na volta. Ela disse que na minha idade também vivia viajando sozinha. "Liberdade!" - disse ela. Há momentos em que o ônibus parece passar a menos de um centímetro de distância entre as construções. Definitivamente habilidade é requisito para ser motorista por aqui.
Chegando em Skala, comprei o ticket para o ferry de volta a Atenas e repousei todo o corpo na espreguiçadeira com os pés tocando a água, que por sua vez tocava preguiçosamente a terra. Faltavam dez minutos para as dezoito horas quando o ferry aportou em Agistri.
Subi até o último deck, de onde pude apreciar toda a imensidão do mar. A viagem levou o tempo de o Sol se pôr, de risadas, reflexões, palavras, beijos e carinhos, a soneca dos cãezinhos, o vôo dos passarinhos, várias fotografias, páginas de livro e músicas no fone de ouvido.
Já era noite quando aportamos em Piraeus, onde jantei um gyros pitta de frango antes de pegar o metrô. Ao chegar em Monastiraki, descia a escada rolante da estação para fazer conexão até Syntagma, e eis que olho para o lado e sob exatamente o mesmo degrau em que me encontrava, estava também ela: a senhorinha do ônibus de Aponissos. Nós nos olhamos concomitante e sincronizadamente e as duas não podiam acreditar naquela coincidência. Não tivemos outra reação a nao ser cair na gargalhada. Ela então perguntou se eu tinha celular e trocamos os números. O nome dela é Melina, um dos meus nomes preferidos e disse que qualquer coisa que precisasse em Atenas, poderia ligar pra ela. Linda.
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