30 de set. de 2010

Weird weekend

Sábado dormi até o celular tocar. Era Lucci me acordando para irmos às compras. Combinamos de nos encontrar em Syntagma, de onde o levaria para a loja da Louis Vuitton que ele tanto queria.

Ao sair de casa, fechei a porta e me dei conta que a chave ficou do lado de dentro. Não conseguia acreditar no que tinha feito, porque aqui todas as portas trancam automaticamente e não poderia mais entrar em casa. Imediatamente liguei para Klea, a proprietária. Ela riu e disse que não é a primeira vez que isso acontece neste apartamento.

Ao entrar com Lucci na loja da Louis Vuitton, me senti num circo. Achei graça nos preços dos produtos, nos vendedores formalmente fantasiados dentro do ar condicionado, com seus discursos e coreografias "sofisticados", cujos gestos e palavras minuciosamente selecionados escondem o medo de não receber a comissão das vendas no fim do mês. Como qualquer loja de "grife", o cenário é artificialmente luxuoso e calculado para alimentar a ilusão de seus clientes de que são seres humanos especiais e exclusivos. Mais engraçado, só as pessoas mentalmente manipuladas que pagam fortunas para andar na rua com uma logomarca estampada no corpo, sem se dar conta que estão apenas tentando suprir suas carências e necessidades inventadas e condicionadas de consumir status, com o pretexto de que estão comprando apenas "qualidade".

Depois do circo Louis Vuitton, deixei Lucci na Zara e fui encontrar com Klea para que ela abrisse o apartamento com a chave reserva. Porém, a chave estava virada no lado de dentro, e não teve jeito de abrir. Disse que teríamos que chamar um chaveiro e que ia custar em torno de 100 euros, principalmente porque era sábado e ninguém mais estava trabalhando. Já tinha idéia de que era caro, pois na vez passada que estava em Atenas meu vizinho perdeu a chave e disse que custaria 200 euros para fazer outra.

Ela chegou a sugerir que dormisse na casa de alguma amiga e deixasse isso para segunda-feira, mas não achei uma boa idéia. Então fomos atrás de um chaveiro, com Klea e seus dois filhos pequenos no carrinho, mas todos estavam fechados. Então ela ligou para um que já conhecia e disse que eu era prima do marido dela para que ele cobrasse menos pelo serviço.

Em quinze minutos ele chegou. Foi só desparafusar a tranca, empurrar a chave que estava dentro até cair no chão e usar a chave reserva para abrir. O serviço todo levou um minuto, o tempo de Omar ligar e dizer a ele para esperar em Syntagma. O chaveiro ficou me olhando enquanto eu olhava para ele, porque como ele não fala inglês, eu estava tentando só falar grego para que colasse a idéia de que o marido de Klea era meu primo. Então ele disse "Krímata!" - que significa "dinheiro", e aquele minuto me custou inacreditáveis 40 euros. Bom, poderia ter sido pior. Encontrei com Omar e fomos resgatar Lucci na Zara, que estava carregando duas sacolas enormes e pagando a conta de 400 euros. Omar comprou um perfume e fomos deixar as sacolas de compras lá em casa.

Aproveitei para fazer uma sessão de shiatsu em Lucci, como presente de aniversário, conforme havia prometido, enquanto Omar rezava voltado para a Meca perto da janela. Depois foi a vez dele de receber massagem.

Tinha acabado de esquentar a água para tomar banho e sairmos para jantar quando repentinamente a energia elétrica caiu. Neste momento, Chiara, minha vizinha, estava no skype desesperada porque estava atrasada para uma festa e a luz caiu bem na hora em que secava o cabelo. Omar respondeu por mim, chamando-a para vir até minha porta, mas não tinha a menor idéia de que os meninos estavam lá. Chegou xingando Deus e o mundo quando deu de cara com Omar, e logo em seguida, Lucci surgiu por detrás da parede. Ela ficou mais assustada do que já estava. Perguntei se tinha ouvido algum barulho de queda no disjuntor, mas disse que não e voltou ao apartamento dela.

Importunei novamente Klea e ela pediu pra que fosse até o painel do apartamento de Chiara verificar se todos os pinos estavam voltados para cima. Batia na porta e ela não respondia. De vez em quando ouvia "só um momento!" - e nada de abrir a porta. Dez minutos depois, Klea ligou novamente e disse que ainda não tinha conseguido entrar no apartamento de Chiara. Como pode alguém demorar tanto tempo para vestir uma roupa e abrir a porta? Mais alguns minutos e painel verificado depois, Klea estava indo até lá. Como o técnico estava longe de Atenas, fui com ela até uma espécie de sótão nebuloso que tem em todos os prédios aqui, para verificar os geradores. O local é um cenário perfeito para cena de filme de terror. Klea então chamou o serviço público e depois de me arrumar no escuro, finalmente saímos para jantar.

Encontramos Milena em Syntagma e andamos até Monastiraki. Jantamos num restaurante próximo a Akropoli, à mesa kebab, vinho branco e muita risada. Omar foi muito gentil em pagar a conta como presente aos aniversariantes da semana.
Já era meia noite quando resolvemos ir andando até Psiri, onde o tanzaniano e a polaca beberam várias tequilas. Muçulmano não bebe, mas até Omar bebeu tequila. Eu acabei não resistindo e tomei uma também. Depois partimos para Gazi, entramos em algumas baladinhas e Lucciano não parava de beber. Reclamou a semana inteira que a Grécia inteira fuma e quando vi estava com um cigarro na mão, me chamando de "Santorini". Num dos lugares que entramos, estava tocando Britney Spears e havia aproximadamente dez jovens gregos em catarse coletiva brincando de fazer montinho num sofá e Lucci, é claro, queria se juntar a eles.

Partimos para outro lugar, onde Milena encontrou um mineiro, ele e outro amigo brasileiro moram em Barcelona. Omar já tinha ido embora e Lucci estava trôpego de bêbado. Pedi informações de como voltar pra casa e por sorte um casal super gente boa ofereceu uma carona. Tive que levar Lucci junto. Quis matá-lo quando vi que vomitou na pia do meu banheiro cheiroso, sendo que não se pode jogar nada que não seja puramente líquido nela ou terei sérios problemas com entupimentos. A criatura acabou dormindo lá em casa e não conseguiu levantar da cama até final da tarde de tanta ressaca. Para completar, de manhã cedo o sino da igreja deu sessenta badaladas estridentes, em três séries de vinte que latejavam na minha cabeça. Estava quase conseguindo dormir novamente, quando um alarme que parecia de incêndio gritava incessantemente. Fiquei preocupada pois não sabia de onde vinha, levantei e segui o som até descobrir que era do despertador do celular de Lucci. Quis máta-lo (2).

Saí para almoçar e trouxe um suco de laranja ao ressaquiado, apertei alguns pontos de Lucci para tratar fígado, náuseas e dor de cabeça. Ainda bem que Omar apareceu lá em casa mais tarde para buscar as sacolas e carregou Lucci junto. A primeira coisa que fiz foi faxina no apartamento para purificar as energias deste fim de semana atípico. Depois falei com a família na webcam e só de ver o sobrinho através de som, imagem e movimento, já ganhei o domingo. Fiquei feliz por não estar no Brasil neste dia e não ter que decidir em quem votar nas eleições.

Neste fim de semana teve festa da indepedência da Nigéria. Não sabia que tanto Nigéria quanto Tanzânia só conquistaram sua independência há aproximadamente singelos 50 anos atrás.

Picuinhas

Mais uma redatora chegou essa semana. Sempre tive curiosidade em conhecer alguém da Polônia, por causa da origem familiar, e fiquei ainda mais contente quando descobri que Milena, além de polaca, também fala português. Ela morou em Portugal durante seis meses, onde namorou um brasileiro. Sabe falar uma porção de palavrões e dei risada quando ela disse que gosta de ouvir Mauricio Manieri. Assim como o romeno e o africano, também veio me falar da novela "O Clone". O pessoal aqui sabe mais das novelas brasileiras do que eu. Sempre tiram sarro, dizendo que não sou brasileira. Estou espantada com a abrangência "global" da "rede globo".

Se tem uma novela que não acaba nunca, é a da máquina de lavar. Ela foi recém-tirada da caixa e estava funcionando muito bem até a italiana usá-la. Já fiz várias tentativas, li e reli o manual e as roupas continuam saindo super ultra enxarcadas lá de dentro e desta vez não tem sacada em casa.

Além do transporte público, parece que aqui os caminhões de transporte também entram em greve e por isso ficamos alguns dias sem água mineral no escritório. Certo dia, voltando do trabalho, vi vários policiais por toda a parte e um grupo enorme de pessoas reunidas pertinho de casa em protesto, carregando faixas, liderado por alguém que falava alguma coisa em grego no auto falante.

Happy Birthday

Vinte e sete de setembro. Dia de esquecer o celular em casa e comemorar o aniversário trabalhando loucamente até 10h30 da noite. Lucci ia me levar para jantar, mas como o trabalho me deixou estupidamente ocupada até tarde, ficou para outra ocasião. Mesmo assim o dia foi divertido. Recebi alguns tímidos "Happy birthdays" e raros abraços. Esse hábito de abraçar não parece ser a praia dos europeus. Para entrar na onda da tradição grega de dar doces em ocasiões especiais, trouxe dois quilos de sonho de valsa do Brasil que distribuí para o pessoal, entre faxineiras, guardas, colegas, gerentes e chefes.

Essa é a semana dos aniversários. Lucci faz 25 anos na quinta-feira e Vicky, uma colega que trabalha em outra empresa aqui do prédio e de vez em quando almoça conosco, faz aniversário na sexta-feira. "Xronia polla"!

Yoga e meditação

Quase não acreditei quando recebi a notícia de que vamos ter yoga de graça no trabalho, e dessa vez o professor não fala grego. Ele nasceu na Suíça, foi criado na Alemanha e agora mora em Kalamos, a meia hora de Atenas. Quinta-feira tive a primeira aula e foi simplesmente a mais incrível aula de Hatha e Krya yoga que já experimentei. A sensação que tive foi de que estava finalmente entrando em contato com a Yoga pura, completamente diferente do que se encontra em qualquer esquina. Ele comentou que no dia seguinte haveria um seminário de meditação que duraria todo o fim de semana.

O investimento era alto mas a programação se encaixava perfeitamente com o que eu estava precisando. Sexta-feira antes do trabalho arrumei rapidamente algumas coisas na mochila, pois caso realmente fosse ao Seminário teria que ir direto do trabalho para Kalamos. Liguei para o professor, arranjei uma carona e pedi para sair uma hora mais cedo para encontrar com o simpático Gol vermelho dentro do qual três pessoas muito especiais aguardavam para juntos irmos até o Seminário.
Foram sete horas diárias de prática de yoga e meditação, iniciando as seis horas da manhã, intercaladas por refeições naturais, acompanhada de paz, ar puro e pessoas queridas. Especialmente George, um menino lindo que foi super gentil e atencioso comigo durante todo o fim de semana e emprestou seu moleton e meias para aquecer uma colega completamente desprevinida para o frio de Kalamos. Marcel, o professor, é uma daquelas figuras difíceis de descrever. Ele tem mais de cinquenta anos e é pura energia, objetividade, serenidade e sabedoria. Em apenas alguns dias de prática exaustiva e com a colaboração do método intenso de Marcel, já pude notar alguns dos benefícios e fiquei surpresa com o que o corpo é capaz de fazer. Sem dúvida, o melhor plano de saúde que conheço é praticar Yoga.

Foi um tanto estranho voltar a Atenas no domingo a noite e perceber quão maluca é a realidade atual das grandes cidades. Ainda dentro do metrô, as pessoas pareciam me olhar de um jeito diferente, como se notassem toda a energia positiva acumulada no fim de semana.

Shopping

Quarta-feira fui às compras depois do trabalho. Lucci foi me encontrar no supermercado e logo em seguida Omar também apareceu. Imagine um árabe, um tanzaniano e uma brasileira num supermercado grego. Foi no mínimo divertido. Lucci me ajudou a escolher as laranjas e pegamos todos o mesmo ônibus pra voltar pra casa. Esses meninos são dotados de um senso de humor e corações lindos. Sou muito grata por tê-los perto todos os dias.

23 de set. de 2010

Hakuna Matata

Lucci estava me contando que o filme do Rei Leão foi inspirado na Tanzânia, não só os cenários como também a tão famosa frase "Hakuna Matata", que significa "no worries" em swahili, a língua oficial do país. Aqui vai o link para quem quiser lembrar esta adorável canção: http://www.youtube.com/watch?v=ejEVczA8PLU
Achei o máximo ter um amigo que fala a língua do Rei Leão. O filme é realmente cheio de músicas tão lindas quanto suas mensagens, como de "we are one" - http://youtu.be/glDGAo9SIqs

As you go through life you'll see
There is so much that we
Don't understand

And the only thing we know
Is things don't always go
The way we planned

But you'll see every day
That we'll never turn away
When it seems all your dreams come undone

We will stand by your side
Filled with hope and filled with pride
We are more than we are
We are one

If there's so much I must be
Can I still just be me
The way I am?

Can I trust in my own heart
Or am I just one part
Of some big plan?

Even those who are gone
Are with us as we go on
Your journey has only begun

Tears of pain, tears of joy
One thing nothing can destroy
Is our pride, deep inside
We are one

We are one, you and I
We are like the earth and sky
One family under the sun

All the wisdom to lead
All the courage that you need
You will find when you see
We are one

21 de set. de 2010

Agistri II

Posso dizer que tive o melhor despertar de toda minha vida. A naturalidade com que o Sol atravessava a cortina e iluminava as paredes brancas daquela manhã macia, cuja paz era delicadamente colorida pelo som dos pássaros, compunha junto ao silêncio a mais pura melodia para chamar um novo dia. Foi quando me dei conta da poluição sonora a que estou expondo os ouvidos diariamente ao viver no centro da turbulenta Atenas.

Depois de mais um banho abençoado, do desjejum na sacada e de desejar bom dia aos donos do lugar, paguei a conta, agradeci, devolvi a chave e fui até a igrejinha de Skala para saber do ônibus que me levaria para o outro lado da ilha. Mais sincronizado, impossível. Por sorte, ele estava ali parado à espera da última passageira a embarcar.

Ao chegar no porto, um grupo enorme da terceira idade invadiu o ônibus. Uma senhorinha muito simpática sentou ao meu lado e disse que todo o grupo também estava indo até Aponissos. Ela foi professora de francês e entendia inglês mais do que falava, mas se esforçava muito para se comunicar.

Agistri é uma ilha que esbanja verde comparada às outras ilhas gregas. Aponissos é o ponto final do ônibus e dali mais alguns passos, mal dá para acreditar no que se vê. Uma enorme piscina natural cristalina e transparente que convida o olhar a nadar livremente por entre as tonalidades e nuances daquela paisagem exuberante. Precisei de vários minutos para contemplar tamanha perfeição da natureza até enfim mergulhar naquelas cores irresistíveis. Em Aponissos não existe outra opção além de ficar imersa na transparência de suas águas até cansar os cinco sentidos de tanta beleza ao redor.

Como era de esperar, tive a companhia de várias senhorinhas e senhores simpáticos, inclusive um deles veio gentilmente até mim oferecer torradas. Muitas lanchas param ao redor de Aponissos para tomar banho no local. Encontrei uma espécie de prancha, onde fiquei mais de uma hora estirada sob as águas e me diverti numa espécie de mini piscina suspensa onde é possível ficar sentada, sentindo-se parte de toda aquela criação divina.

Depois de algumas horas de imersão, alimentei o corpo com uma banana solarizada, que literalmente assou dentro da mochila com o calor do Sol. Hora de pegar o último ônibus de volta à Skala.

Tem grego que parece criança pequena tentando sentar no ônibus e guardar lugar pro amigo. A senhorinha com quem tinha conversado na ida também estava lá na volta. Ela disse que na minha idade também vivia viajando sozinha. "Liberdade!" - disse ela. Há momentos em que o ônibus parece passar a menos de um centímetro de distância entre as construções. Definitivamente habilidade é requisito para ser motorista por aqui.

Chegando em Skala, comprei o ticket para o ferry de volta a Atenas e repousei todo o corpo na espreguiçadeira com os pés tocando a água, que por sua vez tocava preguiçosamente a terra. Faltavam dez minutos para as dezoito horas quando o ferry aportou em Agistri.

Subi até o último deck, de onde pude apreciar toda a imensidão do mar. A viagem levou o tempo de o Sol se pôr, de risadas, reflexões, palavras, beijos e carinhos, a soneca dos cãezinhos, o vôo dos passarinhos, várias fotografias, páginas de livro e músicas no fone de ouvido.

Já era noite quando aportamos em Piraeus, onde jantei um gyros pitta de frango antes de pegar o metrô. Ao chegar em Monastiraki, descia a escada rolante da estação para fazer conexão até Syntagma, e eis que olho para o lado e sob exatamente o mesmo degrau em que me encontrava, estava também ela: a senhorinha do ônibus de Aponissos. Nós nos olhamos concomitante e sincronizadamente e as duas não podiam acreditar naquela coincidência. Não tivemos outra reação a nao ser cair na gargalhada. Ela então perguntou se eu tinha celular e trocamos os números. O nome dela é Melina, um dos meus nomes preferidos e disse que qualquer coisa que precisasse em Atenas, poderia ligar pra ela. Linda.

20 de set. de 2010

Agistri

Acordei no exato instante em que meu corpo físico desejava. Através da janela, o Sol doava todo o seu brilho a mais um dia de sábado sem esperar nada em troca.

Por motivos femininos, achei que fosse melhor ficar em casa este fim de semana. Mas o calor estava tão intenso que não tive outra escolha: preparei a mochila e parti em direção ao Porto de Piraeus, onde comprei um ticket com destino a Ilha de Agistri.

Uma hora e uma parada na ilha de Aegina depois, estava colocando os pés neste pedaço de terra pacato e não muito turístico chamado Agistri. Não tinha a menor ideia de qual lugar da ilha desembarquei. Todos que estavam no ferry faziam fila para entrar no ônibus que estava ali parado. Perguntei para onde ele ia e me responderam com uma pergunta: - Para onde você quer ir? - Não sei - respondi com um sorriso.

Entrei no ônibus e cheguei na praia de Skala, passando pela encantadora vila de Megalochori. Meus olhos mal podiam acreditar na cor daquelas águas contornadas por singelos quiosques de palha e na graciosidade de uma porção de tavernas gregas despretensiosas em receber seus visitantes. Fiquei perplexa e neste momento me dei conta que essa pequena ilha pode ter muito mais a oferecer do que as famosas e visadas como Mykhonos ou Santorini.

Caminhei por entre algumas ruas para reconhecer a área, perguntar por itens de sobrevivência como quanto custava para dormir e comer. Peguei um mapa da ilha, algumas referências e fui com a mochila nas costas para Skliri, uma mini praia lindissima, cujo acesso se dá por uma descida daquelas que você escolhe onde pisar e cuja linha de chegada tem cor de azul e transparência mais gratificantes do que qualquer troféu ou medalha.

Subi e segui as setas que indicavam a direção até Chalkida. O caminho ia se desenhando a minha frente e em alguns momentos o verde da ilha se fechava, como quem queria apagar seus traços para me confundir. Não havia ninguém por perto, apenas algumas barracas de camping vazias.
Foi então que avistei duas pessoas no alto de um morro de pedras e fui até lá. O lugar era incrível, um abismo de cores e contrastes que convida o olhar a se atirar sem medo. Um dos turcos que ali estavam advertiu para ter cuidado, pois era perigoso ali de cima. Conversamos um pouco e cada um fez questão de tirar uma foto comigo antes de ir embora.

Eu queria descer até a praia que se exibia lá embaixo do jeito mais lindo que a água pode encontrar a terra. Não fazia ideia de como chegar até lá, quanto mais andava mais abismos encontrava. Mas se algumas pessoas conseguiram chegar, eu também poderia. Percorri todos os caminhos possíveis e cada vez me distanciava mais de qualquer possibilidade de acesso. Foi então que avistei algumas pessoas descendo do outro lado de onde estava. Voltei até lá, olhei para baixo e não tive certeza se era possível. Mas não havia outra maneira. Coloquei a câmera na mochila e desci cuidadosamente, estudando cada passo para minimizar os riscos de qualquer deslize das havaianas, que em alguns instantes estavam pisando em Chalkida. Nada como a sensação de superação acompanhada de um presente de Deus que é esta praia.

Foi aí que vi algumas pessoas nuas e outras sem a parte de cima do biquini e então me dei conta que estava numa praia nudista. Algumas barracas de camping faziam parte do cenário e neste momento percebi quão abençoado é o mar mediterrâneo. Além das suas cores maravilhosas, da temperatura agradável e da quase ausência de ondas que o transformam numa gigante piscina natural, a maré aqui não oscila. Confesso que deu uma vontade enorme de acampar ali.

Desenrolei a canga, deitei, inspirei e apreciei o degradê da cor verde para o azul da água em contraste com as pedras brancas arredondadas em que meu corpo se apoiava. Até o barulho das ondas soava como o paraíso na Terra. Se Deus tivesse que escolher uma praia para passar as férias, essa praia seria Chalkida.

Estava me sentindo tão à vontade naquele lugar que quando me dei conta estava tirando a parte de cima do biquini. A sensação de liberdade, bem estar e integração com a natureza ao sentir o Sol e se atirar nas águas daquele mar, livre de qualquer pedaço de tecido elástico e de qualquer pressão sob a pele, músculos e ossos não tem preço. De fato, biquini é desnecessário.

Estava vendo, ouvindo, tocando, saboreando e respirando a mais pura paz até um grego vir falar comigo. Uma coisa é você fazer topless, outra completamente diferente é alguém puxar assunto quando você não está vestindo a parte de cima do biquini. Cortei o papo e disse que ia para o outro lado onde havia mais Sol. Poucos minutos depois, o mesmo homem grego e nu sentou-se ao meu lado e começou a conversar.

No fim das contas, a conversa foi agradável, ele já esteve no Brasil e estava com uma lancha ancorada na praia. A sombra tomava conta de Chalkida e então ele me convidou para ver o pôr-do-Sol do outro lado da ilha. Achei melhor não. Ele insistiu e disse que depois me deixaria no Porto. Acabei aceitando, pois estava com vontade de dar uma volta de barco e assim não precisaria escalar aquele morro de pedras para voltar. Kostas trouxe a lancha mais perto da praia e então a personalidade libriana aflorou e mudei de ideia. Disse a ele que nao ia mais, até porque não estava mais com vontade de entrar na água e ainda havia a minha mochila. Ele então voltou e trouxe a lancha ainda mais perto. Neste instante a praia inteira assistia à cena. Levou a mochila com todo o cuidado para não molhar até o barco e eu acabei embarcando.

Ancoramos próximo a Dragonera, uma praia que havia planejado ir no dia seguinte. Foi ótimo porque assim pude descartá-la e tornar o roteiro de domingo mais proveitoso. Próximo ao barco havia uma super mini praia privativa só para nós e o mar inteiro para nadar. Nossa conversa então começou a tomar outro rumo e Kostas começou a me cantar, a me fazer carinho e tentou me beijar. Mas como poderia beijar aquele homem que mal conhecia? O ambiente era propício, a conversa era boa, ele era atraente, tudo estava agradável mas aquilo não teria significado algum. Deixei claro a ele que nada aconteceria. Ele foi persistente, mas resisti mesmo assim. Não sei exatamente onde estava com a cabeça quando aceitei a ideia de subir naquele barco mas no fim das contas valeu a pena. Ele então me deixou no Porto e fui atrás de um lugar para dormir antes que a escuridão predominasse sob o dia.

Sinto que minhas aulas virtuais de grego estão fazendo efeito. Consegui me comunicar com uma senhorinha em grego, já que ela não falava inglês. Ela dizia que em Agistri era muito bom, não tinha aquele monte de carros e barulho que tem em Atenas e que a água é azul e cristalina. É realmente incrível a paixão que alguns gregos alimentam pelo nosso país. Basta dizer que você é do Brasil que parece que um tapete vermelho se estende a sua frente e eles fazem o maior fuzuê para quem estiver por perto "Ela é brasileira!". Quase dá para ouvir o barulho das vuvuzelas de tanta alegria.

Só encontrava lugares para dormir por 30 ou 40 euros, até achar os Studios Green Islands que, custavam 40 euros, mas como estava sozinha, me alugaram um quarto com cheiro de novo, cama de casal, mais cama de solteiro, TV de plasma, sacada e uma ducha maravilhosa por 20 euros. Fiquei feliz da vida. Eu não precisava de tudo aquilo, mas tomei um dos melhores banhos da minha vida, me enxuguei em toalhas brancas cheirosas e fui ao mini mercado próximo comprar bananas, suco e chá para o domingo.

Estava morrendo de fome quando entrei numa taverna onde um garçom vestia a camisa azul do Robinho da seleção brasileira. Ele esperava que fosse pedir o jantar, mas antes perguntei se ele gostava do jogador, e então me contou que a camisa era presente de um amigo. Quando falei que eu vinha do Brasil, ele ficou todo sem jeito, e depois o ouvi todo prosa contando para os colegas "Ela é brasileira".

Depois de passar o dia inteiro com uma torrada no estômago, me presenteei com um delicioso jantar numa taverna encantadora, onde saboreei peixe fresco grelhado com legumes sob o luar e as estrelas, à luz de velas e com a vista de Agistri. Neste momento, só faltou o homem da minha vida sentado na cadeira à minha frente.

De volta ao hotel, descansei o corpo no colchão de densidade perfeita e adormeci entre lençóis brancos e macios, coberta de gratidão. Antes de de cerrar os olhos, uma mensagem especial de aniversário que infelizmente não chegou ao seu destino.

Dia-a-dia

Quarta-feira ao chegar em casa uma energia sem igual tomou conta de mim. Aproveitei para arrumar a casa, lavar roupa e organizar o guarda-roupa, ao som de músicas felizes.

Quinta-feira Giorgos ligou, mas não escutei. Percebi que tenho sérias dificuldades em ouvir o toque do celular. Giorgos é alguém que não conheço, mas conheci a irmã dele numa loja chamada "Feng Shui House", que vende artigos esotéricos entre outros apetrechos interessantes. Ela me passou o contato dele, para que eu pudesse encontrar alguém aqui em Atenas a fim de trocar ideias sobre terapias orientais. Como trabalhei até mais tarde, ficamos de nos encontrar em outra ocasião.

A sexta-feira foi de bastante trabalho, cheguei em casa exausta e exclusivamente disponível para minha cama. Queria ir a uma ilha no fim de semana e Lucciano desistiu de ir junto quando falei que tinha que acordar cedo. Como eu também não estava com vontade de acordar com despertador, resolvi simplesmente dormir e deixar amanhã no seu devido tempo: amanhã. Um dia de cada vez.

15 de set. de 2010

A Saga de cada dia

Terça-feira poderia trabalhar mais tarde, o que eu não sabia era que o metrô estaria em greve neste horário em alguns trechos e eles só avisaram em grego na estação. Resultado: fui até Plakentias, uma estação antes de onde trabalho, onde me disseram que teria que voltar até Halandri para pegar um ônibus. Chegando lá, recebi o aviso para voltar mais três estações. Ao menos não estava sozinha, pois antes um casal argentino havia me pedido informações para chegar ao aeroporto, e nós três acabamos indo pra lá e pra cá juntos. Depois de quinze minutos de espera em Ethnyki Amina, entramos no ônibus que vai até o aeroporto, cheio de desesperados e atrasados para pegar seus respectivos vôos, sendo esprimidos pela porta que não fechava, caindo que nem boliche em cima das suas bagagens enormes. Isso sim é Grécia. Tinha acabado de tomar banho e minha perna já escorria de suor.

A partir de então, tudo parecia correr bem. Entre malas e axilas, pedi para o ônibus parar no ponto onde eu deveria sair. Por incrível que pareça o ônibus passou reto, eu não conseguia acreditar. Só restou curtir o passeio e torcer para que houvesse ainda alguma parada antes do aeroporto. Então atravessei a avenida sob o Sol escaldante e peguei outro ônibus para voltar. Ufa.

Mesmo assim o dia foi divertido. Confesso que às vezes sai lágrima do olho de tanto dar risada com esse menino da Tanzânia. Acho que ele é o único que tem um senso de humor parecido com o meu por aqui.

Depois do trabalho, o metrô continuava em greve e entrei no primeiro ônibus que apareceu na minha frente escrito "Athina", pois tinha marcado de encontrar com Despina na estação Megaro Moussikis. O ônibus não era circular, mas desses de viagem, por isso tive que pagar um euro e quarenta cents. O motorista me deixou muito longe de onde eu desejava e tive que andar alguns quilômetros até chegar ao ponto de encontro.

Foi muito bom rever Despina, uma amiga grega que fala português. Tomamos chá num barzinho especialmente lindo, depois a acompanhei até a academia de capoeira. Assisti um pouco da aula e voltei pra casa.

*** Um diálogo entre um argentino e uma brasileira:
- Where are you from in Brazil?
- Joinville.
- Oh... most known as "Chuvaville"?

14 de set. de 2010

Busy day

Esqueci de dizer que quarta-feira passada surgiu uma oportunidade incrível através do Couchsurfing de viajar por dois dias para cidades do Norte da Grécia. Tudo de graça, organizado por uma ONG, incluindo transporte de ônibus, workshop sobre agricultura alternativa em Edessa, pernoite em sacos de dormir, refeições (naturais) e banhos terapêuticos nas águas quentes de Aridaia. Fiquei super empolgada e na mesma hora pedi dois days off para a chefa, pois seria na quinta e sexta-feira, mas infelizmente não foi possível. "This is impossible Sandrine, sorry". Ok, fica para próxima. Descobri que provavelmente não poderei pegar os dois dias de folga a que tenho direito por mês porque dessa vez só tem eu de brasileira por aqui. De qualquer forma, quem foi adorou e o projeto dessa organização parece super interessante, tomara que aconteçam outros eventos como este.

Inacreditavelmente trabalhei até quase uma hora da manhã na segunda-feira. Pelo menos foi divertido, pude voltar de táxi pra casa e ir trabalhar só ao meio dia no dia seguinte.

13 de set. de 2010

Saronida

Mesmo com as badaladas do sino da igreja, não tem nada melhor do que acordar sem despertador. Fiz um desjejum caprichado e fiquei pensando o que fazer deste domingo. Lucciano tinha comentado em ir no cinema assistir a "Step up 3d" e lá de fora vinha um vento com ares de chuva e um céu que estava perdendo suas cores. Foi então que lembrei que mesmo quando o tempo está cinza no centro, o Sol sempre se mantém insistente no litoral, com a vantagem de que o ônibus até lá está mais vazio porque ninguém se arrisca a ir a praia. Não exitei e logo estava na rua me sentindo um ET com os lacinhos do biquini a mostra enquanto alguns gregos vestiam casacos. Foi chegar no ponto de ônibus e o meu amigo E22 apareceu. Foi só fazer a curva para a avenida das Praias, que o Sol intenso parecia desdenhar de todas aquelas nuvens carregadas que ficaram para trás.

Desta vez fui até Saronida, o ponto final desta linha, que fica depois de Varkiza e antes de Sounion. O caminho é longo, porém agradável, daqueles que cansam as vistas de tantas paisagens bonitas e praias diferentes.

Um mar azul contrastando com as cores da palha dos quiosques estava a minha espera. O lugar é lindo e tinha pouquíssima gente. Estiquei a toalha e deixei os raios solares livres para penetrar a epiderme. Tomei um banho delicioso de mar mediterrâneo, cuja transparência permite ver perfeitamente até a ponta do dedão. A impressão é de que é possível cruzar o oceano andando pelas águas, pois você anda, anda, anda e continua dando pé. Entre as curvas e o horizonte, fica uma forte e real sensação de fazer parte de toda aquela imensidão oceânica.

Estava indo embora quando me ofereci para tirar uma foto para um casal que estava próximo. Inacreditavelmente, eles eram brasileiros. Jamais ia imaginar encontrar um conterrâneo em Saronida, ainda mais que a praia estava quase deserta. Eles eram de São Paulo e por coincidência, tinham amigos da maçonaria em Joinville. Ganhei uma conversa interessante e uma carona de volta.

Depois de um bom banho, já era hora de matar a fome. Spaguetti a moda da casa e gaufres de sobremesa.

Akropoli

Nove e meia da manhã, a chefa me ligou para ir trabalhar as 11h. Como era sábado, disse que poderia ir e voltar de táxi.

Chegando em casa, pensei ainda em ir a praia mas logo o céu ficou cinza e por incrível que pareça a previsão do tempo estava certa e choveu em Atenas, com direito a trovoada. Abri as janelas para deixar o cheiro gostoso de chuva invadir o ambiente. Chuva em Atenas é como ver neve pela primeira vez e não durou muito tempo. O Sol, ainda que intimidado por algumas nuvens, logo voltou a brilhar. Resolvi então calçar meu par de tênis e fazer uma caminhada pela Akropoli.

Acho que fiz o caminho mais alternativo possível até lá. Andei por plaka e deixei o Universo me conduzir por algumas ruelas entre casinhas brancas, cercadas de vasos azuis com flores rosa-púrpura, seguindo placas artesanais com setas indicando o caminho. Por um momento pensei que poderia ser até uma pegadinha. Em outros momentos, jurei estar dentro de um cenário de filme. Até que enfim cheguei ao morro de pedras que tem uma vista incrível de Atenas. Fiquei lá até anoitecer, admirando a imponente Akropoli mais iluminada do que a Lua crescente, enquanto ela olhava para mim.

Duas horas depois, cheguei em casa. Era sábado a noite e as meninas italianas queriam sair. Depois de um dia cansativo, preferi dormir cedo para aproveitar o dia de domingo.

8 de set. de 2010

Ramadhan und Deutsch sprechen

Um dia desses no trabalho, fui buscar água e me deparei com o árabe ajoelhado no chão. Levei um susto, pensei que ele estava passando mal. Logo percebi que estava apenas praticando uma das orações diárias voltado para a Meca que se espera de todo muçulmano. O Ramadhan acabou nesta semana e então ele finalmente pôde juntar-se a nós na hora do almoço. Perguntei a ele como era almoçar depois de tanto tempo, enquanto os braços dele tremiam. Parecia fraqueza, resultado de um mês se privando de algumas refeições e fiquei um pouco constrangida de presenciar a cena.

Quinta-feira Claudia ligou para tomarmos um café depois do trabalho, mas tinha marcado de encontrar um pessoal do Couchsurfing em Syntagma para um CS Deutsch meeting em Atenas. Definitivamente não foi a melhor idéia do mundo tentar falar alemão, mas foi divertido e interessante conhecer novas pessoas. Mais tarde, a praça encheu de gente para assistir a um show ao ar livre. Esses gregos são meio malucos. Sexta-feira saí do trabalho as 20h e provavelmente terei que ir trabalhar neste sábado.

7 de set. de 2010

7 de setembro

Feriadão no Brasil é dia de ir trabalhar por aqui. Angela foi até o centro comigo segunda-feira, a acompanhei em algumas lojas, onde tentei convencê-la a não usar só roupas escuras.

Depois ela me mostrou onde fica o melhor gyros (suvlaki) de Atenas, segundo ela, do lado de casa. Realmente é uma delícia. Ficamos conversando até depois das 11 pm, uma conversa bem interessante e agradável. Fiquei louca para conhecer a cidade de 2 mil habitantes ao norte da Itália de onde ela veio. É incrível como as pessoas as vezes passam uma impressão bem diferente do que elas são.

No dia seguinte ela me passou vários links para me mostrar algumas coisas que a gente tinha conversado. Aliás terça-feira tive uma aula de música grega com Angela e de música nigeriana com o Emannuel. Está começando a ficar mais divertido no escritório. Apesar do silêncio estranhíssimo que predomina por aqui, me divirto com o Lucciano, da Tanzânia, pelo msn. O romeno Alex que sempre ia almoçar comigo foi embora sexta-feira. Hoje chegou Chiara, a italiana que agora também é minha vizinha. Isso quer dizer que o vizinho da Califórnia que encontrei por acaso na lavanderia já deve ter ido embora.

Uma das coisas mais legais de ir trabalhar com o metrô que vai até o aeroporto é que todo dia ele está cheio de gente dos mais variados lugares do mundo com suas respectivas bagagens. Certo dia fui conversando com uma senhorinha grega muito simpática que mora na Austrália há 40 anos. Hoje tinham alguns brasileiros que estavam indo embora, um deles trabalha na Nestlé, na Suíça.

De acordo com Emannuel, apesar de o inglês ser a língua oficial da Nigéria, existem três "tribos", ou seja, três dialetos diferentes: yoruba, hausa e ibo. Vale a pena ouvir essa música lindíssima em yoruba: http://youtu.be/-XEKOW51nkc

Letra: Asa Eye Adaba

Oju mo ti mo
Oju mo ti mo mi
Ni le yi o
Oju mo ti mo
Mo ri re o

Eye adaba ye adaba
Eye adaba ti n fo lo ke lo ke
Wa ba le mi o o
Oju mo ti mo
Mo ri re o

Tradução:
I wake up at dawn
As it dawn’s upon me
I wake up to the sun
Shining upon me
I see doves in the sky
Birds flying high
Then in silence
I pray for peace
For my people

6 de set. de 2010

Fds

Não sabia o que inventar no fim de semana. Preguiça de viajar, vontade de descansar.

Sábado então fiz faxina em casa, organizei algumas coisas e quando fui almoçar já eram umas 15h. Claudia ligou para encontrar ela e Mariana no café do Shopping Attica, que é aqui pertinho de casa. Depois fomos ao restaurante de sushi e caminhamos por plaka e Akropoli até a casa da Claudia, onde fizemos sessão de manicure e de shiatsu. Acabei tomando banho por lá mesmo e fomos jantar numa taverna com o Vassilis, a irmã dele e mais uns amigos. Carne de coelho com beringelas, salada grega, etc.

Fazia tempo que não ia dormir tarde. O sino da igreja no domingo até me acordou por alguns milésimos de segundo, mas logo voltei a dormir. Mais tarde encontrei o pessoal em Sygrou e fomos na marina Flasvos tomar café (suco) e uma bola de haagen dazz. A Marina é enorme e lindíssima, cheia de iates gigantes e bem estruturada com restaurantes, lojas e barzinhos.

Segui com a Mari até a casa dela em Varkiza, uma das regiões nobres daqui. A casa tem 3 andares e todas as casas ao redor são muito tipicamente gregas. A praia é muito bonita, fica no caminho para Sounion. Depois de um banho de mar revigorante, aproveitamos o sol deitadas na espreguiçadeira até umas 7 pm. Tomei banho enquanto Mari preparava um strogonoff de frango delicioso para nós. Peguei o ônibus das 9 pm e chegando em Syntagma, resolvi visitar a feira do livro, tudo em grego, claro. Mesmo assim, saí de lá com um livrinho infantil para o sobrinho aprender as letras do alfabeto.