26 de jan. de 2009

Delphos e Arachova

Sexta-feira dormi cedo para acordar no sábado às 5h30 da manhã e seguir, finalmente, rumo a Delphos. Cheguei na rodoviária às 7h25 (sendo que o ônibus partia as 7h30) e o atendente disse que este horário já estava lotado e o próximo era só às 10h30. Mais uma vez, mal podia acreditar. Que difícil ir a Delphos - pensei. Fiquei insistindo e conversando com a criatura, até que ele disse que eu poderia ir sem poltrona. "Can I go without seat? Great!" - enquanto comprava a passagem, um menino bonitinho se aproximou do balcão. Parte do seu violão escapava da mochila, e com uma voz interessante e num bom inglês pediu que trocassem a passagem dele. O senhor da rodoviária me sorriu: "You're lucky, you'll get his ticket". Perfeito. Embarquei no ônibus e sentei na poltrona 39, de onde só levantei depois de 3 horas e meia de uma soneca consistente.

Chegando em Delphi, garanti a passagem de volta e atravessei a rua para apreciar a bela paisagem do lago entre as montanhas. Segui em direção ao sítio arqueológico e, no caminho, parei para tomar café da manhã num hotel: toast e chocolate quente para esquentar.

Primeiro visitei o museu, pequeno e moderno, que exibe algumas peças interessantes. Sempre me impressiono com a arte desta época. Esculturas e peças artísticas muito bem acabadas, rica em detalhes e expressivas, datadas de até 450a.C. Depois, subi pelo sítio arqueológico, me deliciando entre as ruínas, a história e a paisagem.

Delfos era reverenciado por todo o mundo grego como o o centro do universo. Em épocas antigas, era o local de um famoso oráculo, que ficava dentro de um templo dedicado ao deus Apolo e predizia o futuro baseado na água ondulante e no sussurro das folhas das árvores. Este oráculo exerceu uma influência considerável e foi consultado antes de todos os empreendimentos principais como guerras e fundação das colônias. Era também altamente respeitada em países semi-helênicos como Macedônia, Lídia, Cária e Egito. O rei Creso da Lídia consultou Delfos antes de atacar a Pérsia e recebeu a resposta: "Se você o fizer, destruirá um grande império". Creso achou a resposta favorável, atacou e foi completamente derrotado (resultando, naturalmente, a destruição de seu próprio império).

Alegadamente o oráculo também proclamou Sócrates o homem mais sábio na Grécia, ao que Sócrates respondeu que, se assim era, isso devia-se a ser o único que estava ciente da sua própria ignorância. A afirmação está relacionada com um dos lemas mais famosos de Delfos, que Sócrates disse ter aprendido lá, γνωθι σεαυτον (gnothi seauton, "conhece-te a ti próprio"). Um outro lema famoso de Delfos é μηδεν αγαν (meden agan, "nada em excesso").

A maior parte das ruínas que lá sobrevivem datam dos séculos VI a IV a.C. O templo de Apolo era rodeado de várias capelas, chamadas de tesouros, pois guardavam os ex-votos e as oferendas das cidades-estado gregas, para comemorar vitórias dedicadas ao deus, ou para agradecer benefícios. De todos, o mais importante é o Tesouro de Atenas, hoje o único restaurado, construído para comemorar a vitória na Batalha de Maratona.

Como resultado destas valiosas doações, Delfos tornou-se um centro de grande riqueza e influência, e funcionava na prática como o banco da Grécia antiga. Mais tarde suas riquezas foram apanhadas por sucessivos conquistadores, sendo uma das causas do declínio da cultura grega.

Subindo mais um pouco, cheguei ao teatro, instalado na parte superior do complexo, que oferece uma vista panorâmica do vale de Delfos e de todo o santuário e podia receber até 5 mil pessoas.

Por fim, o estádio. Localizado na parte superior da encosta, ele foi construído originalmente no século V a.C. e podia acolher até 6.500 espectadores.

Depois de descer todo o sítio arqueológico, andei mais um pouco pela estrada até encontrar o santuário de Atena Pronaia, que foi erguido entre 380 e 360 a.C. e fica próximo ao gymnasium.

Já eram 3 horas da tarde quando voltei ao centro de Delfos para saborear um crepe salgado, vislumbrando a bela vista das montanhas. Em seguida, cheguei à "rodoviária" e perguntei se podia usar meu ticket para pegar o ônibus anterior, parar em Arachova e depois seguir de lá para Atenas mais tarde. O Senhor disse ok e por sorte, o ônibus chegou em 2 minutos.

Arachova é uma cidadezinha turística, devido a proximidade com Delfos e à presença de uma estação de esqui, muito bem freqüentada no inverno. Tem cerca de 4 mil habitantes e está numa altitude de 968 metros. Caminhei pelas ruazinhas, entre dezenas de lojas de ski, roupas, mercearias e artefatos turísticos até avistar as casas construídas nas montanhas. Um lugar muito agradável, aconchegante e perfeito para a estação mais fria do ano.

Pedi um waffle com sorvete e cobertura de chocolate num restaurante e peguei o ônibus de volta a Atenas as 18h30. Ao invés de ir direto pra casa, resolvi andar por Gazi, tomar uma taça de vinho branco e ver o movimento. Definitivamente, depois de andar o dia inteiro, simplesmente mereci mais um domingo acompanhada de filme e spaghetti.

Sales, goodbye and sunset

Quinta-feira começaram os descontos de até 70% nas lojas. Fui direto ao shopping depois do trabalho.

Sexta-feira teve a despedida de Andrej, o romeno psicopata, na casa dos tchecos.

Provei um licor tradicional da Rep. Tcheca, preparado a partir de 40 ervas, cujo sabor não era dos mais agradáveis e ficamos conversando ate as 5h da manhã, horário que eu me rendi a uma soneca no quarto de hóspedes. Entre a rápida aparição da romena Dana e o namorado grego, chegou também Alex, o venezuelano que trabalhava conosco, que já morou nos EUA e México, além da Grécia, e acabou de lançar um livro de crônicas de um imigrante.

Sábado fui às compras novamente, dessa vez no centro, e voltei pra casa cheia de sacolas.

Domingo decidi aproveitar o bom tempo e ir a Sounion, ver o Templo de Poseidon e o pôr-do-sol mais lindo da Grécia. Quando cheguei na estação de Monastiraki, a linha verde estava em manutenção. Tive que voltar a Omonia e de la fazer conexao ate a estacao de Viktoria e adivinhar pra qual direção tinha que andar até chegar na estação de ônibus que vai pra Sounion. Chegando lá, o senhor me falou que o onibus estava saindo naquele exato momento. Sai correndo loucamente, pois o proximo provavelmente so sairia em 2 horas.

O ônibus percorre um caminho encantador pelo litoral, passando por todas as praias e baías. Depois de 2 horas, cheguei à península onde localiza-se um dos templos gregos mais bem conservados, erguido em homenagem à Poseidon para proteger as águas gregas. De fato, os gregos sabiam escolher, há tanto tempo atrás, os lugares mais incríveis para construir esses templos: um paraíso para fotógrafos ou simples apreciadores da história, da natureza e da vida.

12 de jan. de 2009

Seja bem-vindo, 2009!

Segunda-feira encontrei com George novamente, e como terça aqui foi feriado assistimos DVD com pipoca. Quarta-feira, quando cheguei em casa nem acreditei que estava tudo arrumadinho e limpo, a faxineira me fez mais uma visita. O legal é que nunca avisam que ela vem, então é sempre uma surpresa.

Sábado foi o dia da festa de aniversário, name day e despedida da Oana, redatora romena. Na Grécia, assim como em vários países da Europa, eles comemoram o dia do nome, geralmente originado do calendário católico ou ortodoxo. Por isso que aqui todo mundo tem o mesmo nome, Giannis, Panayotis, Nikos, e por aí vai, são nomes de santos ou bíblicos. E tem que ser lembrado e comemorado que nem aniversário, então todo mundo tem motivo pra festejar pelo menos duas vezes ao ano. Como esta foi a última semana do Rodrigo, a festinha também serviu pra despedida dele. Depois, acabei indo com Patrik e a namorada tcheca até um lugar bem tosco, mas engraçado, com música árabe e mulheres dançando dança do ventre. Fiquei lá até o horário do primeiro ônibus, pois não estava afim de pegar um táxi.

8 de jan. de 2009

Kronia Pola

Acordei para trabalhar no último dia do ano, quando de repente toca a campainha de casa. Quem poderia ser a essa hora? - pensei. Abri a porta e dois garotinhos me olhavam, prontos para começar a cantar qualquer música de natal e tocar o tradicional triângulo que suas mãos seguravam. Já havia visto várias crianças realizando esta tradição em todos os lugares na véspera de natal, sendo que depois da cantoria temos que dar algumas moedinhas. No dia 24, Claudia e eu haviamos dado alguns euros a 2 crianças e depois as acompanhamos indo até uma senhora e entregando todo o dinheiro. Claro que sempre tem alguém se aproveitando da tradição e da boa fé alheia. Então desta vez dispensei e disse que não tinha tempo pois estava atrasada. Os meninos ficaram me olhando com cara de assustados, provavelmente porque inglês pra eles, é grego.

Último dia do ano e pra variar ainda não sabia o que ia fazer para celebrar a virada. Michal me convidou para a festa "tcheca" de fim de ano na casa deles, pois alguns amigos da Rep. Tcheca estavam hospedados lá. Mas acabei indo para a casa da Bruna, onde também estava a Mariana, e de lá fomos a uma festa num hotel muito charmoso chamado Athens Life Gallery. Geralmente o que tem de melhor em Atenas no reveillon são as festas em hotéis. A festa era só para convidados e a entrada custava 70 euros, open bar.

Chegando lá, parecia que eu estava no paraíso: nunca na minha vida vi tantos homens lindos por metro quadrado. Todos muito elegantes e bem vestidos, em perfeita harmonia com a sofisticação do ambiente. Champagne, vinho, vodka, whisky a vontade e alguns petiscos como frango e camarões empanados completavam a festa. Lá conheci a Marcia, que é assessora do Roupa Nova no Brasil e estava de férias em Atenas. Claro que comemoramos a virada as 4h da manhã, no horário em que o Brasil inteiro estava estourando a champagne e assistindo aos fogos de artifício. No fim da festa, todos já sabiam que éramos brasileiras, até o garçom do café da manhã que veio nos informar que o breakfast custava 30 euros.

Dormimos todas na casa da Bruna, por volta das 9h da manhã e acordamos no primeiro dia de 2009 com a ressaca usual, combatida por uma macarronada ao alho e óleo, preparado pela Bruna. Já era noite quando saímos de lá e fui direto pra casa para me regenerar.

Na sexta-feira ainda tive que trabalhar e mais tarde encontrei George, que conheci na festa do reveillon. No sábado, encontrei a Sara e seus amigos italianos em Monastiraki e fomos a um pub alternativo. De lá, acabamos indo para um baladinha minúscula, smoky e horrorosa, que nos fez ir embora rapidinho.

Domingo, dia de ficar de molho, cozinhar spaguetti e assistir filmes baixados na internet. Estou ficando especialista em macarronadas com poucos ingredientes.

*** uma contradição descoberta ***
Mover a cabeça no sentido lateral, de um lado para outro, em quase todos os países do ocidente, significa "não". Na Grécia, (assim como na Bulgária, Irã e Turquia), significa, por incrível que pareça, "sim". E quando querem dizer "não", eles levantam a cabeça - parece até desconfiança ou uma intimação: "vai encarar?".

Meteora

Estava completamente entediada depois de ficar em casa dois dias seguidos. Não pude planejar nenhuma viagem para aproveitar o feriado, pois não tinha certeza se conseguiria a extensão do visto. Então no sábado, acordei de madrugada e fui até a rodoviária com destino a Delphi. Como peguei um ônibus na direção errada e um taxista queria me surrupiar 15 euros para me levar até lá, acabei chegando as 7h35, cinco minutos depois do ônibus para Delphi ter partido. Para minha alegria, o próximo era só as 10h30. Resolvi então comprar uma passagem para Meteora, que saía 9h30.

Depois de duas horas mofando na rodoviária, mais 5 horas de viagem até Trikala, onde teria que pegar outro ônibus até Kalambaka. Ironicamente, este ônibus tinha acabado de sair, e o próximo era só depois de 2 horas. Um casal de espanhóis que estavam no mesmo ônibus também iam a Meteora, então mofamos juntos na estação de Trikala. Juan é professor de filosofia e Carmen restauradora de obras de arte.

Mais 50 minutos de viagem até Kalambaka, estava nevando e quase escurecendo. A neve estava super molhada e fomos atrás de um hotel. Eu não estava nada preparada, pois havia planejado apenas passar o dia em outra cidade e voltar para casa. Total programa de índio, pensei. A mulher, que não falava inglês, queria me cobrar 40 euros pelo quarto. Perguntei se ela conhecia outro hotel mais barato. Então ela disse que tinha quartos menores por 25 euros. Negociei sem o café da manhã, e paguei 20 euros.

Cinco e meia da tarde e eu não sabia o que inventar naquela cidadezinha pequena, nevando sem parar. Meu quarto do hotel nem TV tinha e eu havia dormido o dia inteiro, viajando até lá. Peguei meu guarda-chuva e fui afundando meu tênis até o centrinho, mas só encontrava terceira idade e famílias em todos os lugares. Até que finalmente encontrei uma praça com uns barzinhos ajeitados e gente jovem. Pedi um chocolate quente, e fiquei observando o comportamento alheio. De lá resolvi ir comer alguma coisa, mas como ainda estava cedo, resolvi procurar algum outro lugar antes de ir para o hotel. Encontrei um outro bar, com uma boa música e cheio de jovens, até novos demais. Sentei numa mesa e pedi uma taça de vinho branco. Estava realmente curtindo a minha companhia naquele lugar até que alguém veio conversar comigo. Miris é de Kalambaka e designer de móveis de madeira. Foi interessante conversar com um grego de uma cidade pequena, totalmente diferente de Atenas.

Acordei cedo no domingo para finalmente conhecer Meteora, o segundo maior complexo de mosteiros ortodoxos da Grécia, que é parte de Kalambaka. Fui em busca de qualquer lugar aberto para comer alguma coisa e a mulher da padaria disse que havia ônibus para Meteora em 15 minutos. Fiz o checkout do hotel e fiquei esperando na praça, enquanto conversava com um casal de canadenses que também pretendia subir. Descobrimos que ônibus só tem no verão, então voltei ao hotel e esperei os espanhóis para pegarmos um táxi até lá. Estava tudo coberto de muita neve e não parava de nevar. Quanto mais subíamos, mais surpreendentes as paisagens se revelavam. A cada curva, um novo ângulo, uma visão deslumbrante e a certeza de que valeu a pena ter ido até lá.

O taxista nos deixou próximos ao maior mosteiro. Eles foram construídos no topo de rochas enormes de arenito, o maior pico tem 549 metros. Como é baixa temporada, tivemos que esperar que alguém abrisse a porta para entrarmos. Depois de subir centenas de degraus escorregadios cobertos de neve, entramos no mosteiro e visitamos os museus.

Na volta, fomos descendo a pé e me despedi de Juan e Carmen, pois eles iam visitar outro mosteiro e eu infelizmente não tinha mais tempo e tinha que voltar a Kalambaka para pegar o ônibus de volta a Atenas. Continuei descendo a pé apreciando toda a beleza que se exibia diante dos meus olhos até que um carro parou para me pedir informação e acabei pedindo uma carona. Logo eles pararam no próximo mosteiro e eu continuei caminhando a pé. Resolvi pedir carona para outro carro e uma senhora muito gentil e sua cachorrinha linda me levaram de volta até Kalambaka.

Morrendo de fome, fui atrás de um souvakli e saí a procura da mini rodoviária da cidadezinha para ir até Trikala. Quando entrei no ônibus, Miris ligou para tomarmos um café, mas eu já estava a caminho de casa. Por causa do congestionamento, cheguei em Atenas apenas por volta das 20h.

7 de jan. de 2009

Kala Kristogenna

Terça-feira tivemos uma aula especial de yoga de encerramento do ano. No final, cada uma ganhou uma vela e uma mensagem escrita em um pedaço de papel. Com as luzes apagadas, nos reunimos em um círculo para convergir as energias e cada uma acendia a sua vela para ler a mensagem. Como estava tudo em grego, todas gentilmente traduziram para que eu compreendesse.

Trabalhamos até a véspera de Natal, dia que ganhei o meu presente do Papai Noel: a extensão do meu visto. Nos liberaram um pouco mais cedo e pude dar um pulo no Carrefour, insuportavelmente lotado. A caixa do supermercado batia o pé no chão incessantemente, assim como não parava de reclamar qualquer coisa em grego e voz alta. Nitidamente ela estava descontente em trabalhar na véspera de Natal. Quando fui devolver o carrinho do supermercado, não havia mais nenhum para que eu pudesse engatar e resgatar a moeda de 1 euro que usei para liberá-lo. Por sorte, percebi que um casal estava procurando por um e ofereci o meu, em troca de outra moeda, claro.

Fui pra casa dormir, sem a menor idéia do que faria na véspera de Natal. Mais tarde, encontrei com Claudia e Vassili na estação de Sygrou-fix para irmos jantar num restaurante grego, cujo cardápio é típico da ilha de Creta. Pela primeira vez, realizei a "ceia" pontualmente à meia noite, ao sabor de carne de coelho e vinho branco.

Depois, fomos até o apartamento do cônsul, encontrar a Mariana e a Bruna que estavam lá jantando, onde também conheci Irene, turca que trabalha com as meninas e Paris, brasileiro filho do consul, que é pintor e faz doutorado em belas artes na Espanha. O consul tocava muito bem piano e a sua esposa é adorável.

Claudia e Vassilis voltaram para casa, pois viajariam a Paris no dia seguinte, enquanto a Bruna conseguiu convencer um taxista a levar 5 pessoas no táxi, então fomos todos para uma baladinha chamada circus. Não estava lá aquela maravilha, então fomos para Gazi. Estava dolorosamente frio e como já estava tarde, nada estava muito cheio. Acabamos ficando num lugar um tanto alternativo, e de lá fomos embora. Enquanto Bruna e Mariana pegaram um táxi, Irene, Paris e eu resolvemos esperar o metrô abrir. Entramos em uma balada bem próxima da estação, só para sentar num lugar quente e agradável. Estava super vazio, mas a música boa. Cheguei em casa ás 7h da manhã.

2 de jan. de 2009

Kifissia, despedida e bouzokia

Sábado de sol. Fui encontrar Rodrigo em Kifissia, onde ele mora, e finalmente conhecer o bairro chique de Atenas. Saindo da estação de metrô, o vento frio me dava boas-vindas à região mais alta da cidade.

Rodrigo me mostrou as casas lindas e enormes de Kifissia e seguimos em frente até me deparar com uma espécie de Shopping Crystal a céu aberto. Várias lojas de variadas grifes preenchiam algumas quadras com suas próprias construções especialmente arquitetadas. Um luxo, cujo preço nas vitrines eram de doer os olhos - 490 euros por um par de sapatinhos, por exemplo.

Fomos então tomar um café numa Panificadora tradicional de Kifissia, existente desde 1898. Rodrigo experimentou o adocicadíssimo baklava e eu provei um doce de nome estranho, galactoboureko. Conversamos até o sol se pôr e, como não havia almoçado, não resisti à um crepe de queijo e presunto no caminho. Passamos no supermercado, onde pude achar miojo (item básico de sobrevivência) e Rodrigo me apresentou à Retsina, vinho grego resinado que é feito há pelo menos 2000 anos. Levei uma pequena garrafa e fomos até a estação de metrô. Como as lojas ainda estavam abertas por causa do horário especial de Natal, aproveitei para dar uma paradinha em Maroussi para comprar umas coisinhas.

Voltei pra casa para me arrumar e ir à depedida do Tonino, o redator italiano que mora com Rodrigo e também trabalha na Upstream. Encontrei com a Sara na estação de Keramikos. Fomos a pé até uma taverna, onde encontramos o resto do pessoal. Entre gregos e italianos, comemos e bebemos até 2 horas da manhã e finalizamos com uma rodada de raki, uma espécie de cachaça grega que sempre é oferecida em qualquer lugar que você vai. Emendamos para uma baladinha chamada antropo, cuja "porta" do banheiro unissex era aberta e fechada por um zíper gigante. O lugar estava lotado, e cada vez que tentava passar pelas pessoas dizendo "excuse me", me paravam pra perguntar de onde eu era e assim acabei conversando com várias pessoas. Depois de se empolgar com a rodada de raki, Rodrigo acabou encontrando um sofá na balada. Assim que conseguimos acordá-lo, fomos todos embora no mesmo táxi.

Domingo acordei jurando que nunca mais vou beber raki. Á noite, encontrei Sara e Rodrigo em Keramikos para irmos a bouzoukia, marcar presença na festa de fim de ano da empresa. O lugar era imenso e luxuoso, as pessoas extremamente bem arrumadas e tínhamos algumas mesas reservadas próximo ao palco, além de whisky, vodka e vinho à vontade. O show iniciou de forma inusitada, ao som de músicas de formatura na voz de personagens bizarramente caracterizados, junto com acrobacias no solo e no ar ao estilo cirque du soleil, que ocupavam muito bem todo o espaço da bouzokia.

Na segunda parte, começou o tão esperado show do cantor Antonius Remos, celebridade grega, pelo qual a mulherada vai ao delírio. Neste momento, pude presenciar o tradicional ato de jogar flores, que veio substituir o antigo costume de jogar pratos e copos, que era um tanto perigoso. A bandeja de flores que algumas gregas extremamente maquiadas carregavam, circulando entre as mesas, custava 15 euros, e os ali presentes compravam dezenas, felizes e contentes, incluindo homens, para simplesmente "tacar" as pétalas no cantor. Só na Grécia.