19 de mai. de 2009

A Torre Eiffel

26.02 Estava frio e nublado no dia de ver a Torre Eiffel bem de perto. Como toda s as manhãs em Paris, fiz o desjejum com os deliciosos, crocantes e macios croissants au berre que parecem derreter na boca.

A estação de metrô próxima da torre estava em manutenção, então desci na próxima e tive que caminhar um pouco, o que acabou sendo ótimo pois cheguei no melhor ponto para se observar e tirar fotografias. Apreciei os jardins e espelhos d’água do Trocadeiro e depois desci em direção à ela. Inaugurada em 1889, a Torre Eiffel foi construída para honrar o centenário da Revolução Francesa. Era para ser uma estrutura temporária, mas acabou ficando lá para sempre. Nem o céu cinza pode tirar o encanto de visualizar esse ícone mundial tão de perto.

Duas pessoas surgiram com o cartaz "free hugs" e eu não perdi a oportunidade de receber um abraço de graça de anônimos bem embaixo da torre de ferro mais conhecida do mundo. Não estava muito empolgada, mas entrei na fila pra ver a vista de lá de cima. Havia brasileiros por todos os lados, atrás e na frente. Tinha até um com medo de altura e só ia subir até o primeiro nível. Estava acostumada a encontrar brasileiros em todo o lugar, porém em Paris a quantidade era exagerada. A sensação que tive foi que estava no Brasil, onde se podia encontrar alguns franceses.

A vista lá do ponto mais alto estava prejudicada pela neblina, como já havia sido avisado antes de subir. Dentro de uma estrutura protegida, deu pra ver Paris em 360 graus e fugir do frio. Após uma longa contemplação por todos os ângulos da cidade Luz, encarei uma extensa fila para descer daquele lugar cheio de gente.

Saí caminhando sem noção de direção e nem exatamente para onde gostaria de ir. Fui perguntando para as pessoas onde ficavam os museus, até que encontrei um que não tinha nada a ver com o que eu queria visitar. Foi então que encontrei o Rio Sena e tive uma prazerosa e longa caminhada ao seu lado, vislumbrada com a beleza daquele conjunto harmonioso de pontes, avenidas e construções antigas que se exibiam ao meu redor.

Depois de uma considerável pernada, avistei à margem esquerda do Rio Sena o museé d'Orsay, que originalmente era uma estação ferroviária. O museu é muito bem organizado e com arte para todos os gostos, cujo destaque são as obras de Van Gogh, Monet e Degas. Estava exausta quando saí de lá e recebi uma mensagem de Romain no celular. Combinamos de nos encontrar em frente ao hotel de ville em meia hora.

Mal sabia eu que mais uma longa caminhada estava a minha espera. Já estava anoitecendo quando cruzei a ponte para chegar ao outro lado do rio e seguir as placas até o ponto de encontro. Eu fiquei pensando por que um Hotel tinha virado ponto turístico e se tornado merecedor de placas indicativas pela cidade.

Chegando lá, Romain me explicou que o tal "Hotel De Ville" era nada mais que a prefeitura de Paris, um centro administrativo e onde está o escritório do prefeito. A construção é de ficar sem ar. Rica em detalhes, linda e imponente. Logo à sua frente havia uma pista de patinação no gelo, onde várias pessoas se divertiam. Romain sugeriu que fossemos patinar juntos. A única vez que fiz isso foi dentro de um shopping center e foi uma experiência um tanto catastrófica. Romain prometeu que me ensinaria e eu até tinha gostado da idéia, imaginando suas mãos segurando as minhas e nós dois patinando juntos como numa cena de um filme francês até eu cair em cima dele. E ali no chão gelado, sentindo seu corpo sobre o meu, não resistiria ao seu olhar de poesia, ele me daria um beijo e começaria uma grande história de amor. Mas uma dor latejante me fez voltar a realidade. Depois de tantos dias consecutivos andando como Forrest Gump, a exaustão das minhas pernas me impediu de entrar na pista.

Então seguimos ao Centre Georges Pompidou, um complexo fundado em 1977, que abriga museu, biblioteca, teatros, entre outros espaços culturais. O projeto, desenhado por dois arquitetos italianos, foi considerado extremamente arrojado e bastante criticado pela sua arquitetura high-tech, observada nas grandes tubulações aparentes como dutos de ar condicionado, nas escadas rolantes externas e no sistema estrutural em aço por sua semelhança aos sistemas industriais. É um grande contraste com o resto da cidade. Achei que Paris precisava mesmo de algo assim para quebrar um pouco a paisagem antiga e preservada.

Naquela noite Romain me levou também a lugares menos turísticos e foi ótimo conhecer este lado de Paris menos tumultuado. Chegamos a uma rua com alguns bares e restaurantes um pouco alternativos, onde jantamos à francesa. Na volta, dois franceses do interior puxaram assunto com Romain e acharam que eu era a esposa dele.

Voltamos pra casa. O elevador do qual já falei, é bem pequeno, então nós ficávamos bem próximos um do outro e eu podia sentir a respiração de Romain até chegar ao quinto andar. Amanhã era meu último dia em Paris. Romain sentou-se ao meu lado e me explicou detalhadamente como chegar na RER, onde pega-se o trem até Versailles.

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