A estação de metrô próxima da torre estava em manutenção, então desci na próxima e tive que caminhar um pouco, o que acabou sendo ótimo pois cheguei no melhor ponto para se observar e tirar fotografias. Apreciei os jardins e espelhos d’água do Trocadeiro e depois desci em direção à ela. Inaugurada em 1889, a Torre Eiffel foi construída para honrar o centenário da Revolução Francesa. Era para ser uma estrutura temporária, mas acabou ficando lá para sempre. Nem o céu cinza pode tirar o encanto de visualizar esse ícone mundial tão de perto.
Duas pessoas surgiram com o cartaz "free hugs" e eu não perdi a oportunidade de receber um abraço de graça de anônimos bem embaixo da torre de ferro mais conhecida do mundo. Não estava muito empolgada, mas entrei na fila pra ver a vista de lá de cima. Havia brasileiros por todos os lados, atrás e na frente. Tinha até um com medo de altura e só ia subir até o primeiro nível. Estava acostumada a encontrar brasileiros em todo o lugar, porém em Paris a quantidade era exagerada. A sensação que tive foi que estava no Brasil, onde se podia encontrar alguns franceses.
Saí caminhando sem noção de direção e nem exatamente para onde gostaria de ir. Fui perguntando para as pessoas onde ficavam os museus, até que encontrei um que não tinha nada a ver com o que eu queria visitar. Foi então que encontrei o Rio Sena e tive uma prazerosa e longa caminhada ao seu lado, vislumbrada com a beleza daquele conjunto harmonioso de pontes, avenidas e construções antigas que se exibiam ao meu redor.
Depois de uma considerável pernada, avistei à margem esquerda do Rio Sena o museé d'Orsay, que originalmente era uma estação ferroviária. O museu é muito bem organizado e com arte para todos os gostos, cujo destaque são as obras de Van Gogh, Monet e Degas. Estava exausta quando saí de lá e recebi uma mensagem de Romain no celular. Combinamos de nos encontrar em frente ao hotel de ville em meia hora.
Mal sabia eu que mais uma longa caminhada estava a minha espera. Já estava anoitecendo quando cruzei a ponte para chegar ao outro lado do rio e seguir as placas até o ponto de encontro. Eu fiquei pensando por que um Hotel tinha virado ponto turístico e se tornado merecedor de placas indicativas pela cidade.
Chegando lá, Romain me explicou que o tal "Hotel De Ville" era nada mais que a prefeitura de Paris, um centro administrativo e onde está o escritório do prefeito. A construção é de ficar sem ar. Rica em detalhes, linda e imponente. Logo à sua frente havia uma pista de patinação no gelo, onde várias pessoas se divertiam. Romain sugeriu que fossemos patinar juntos. A única vez que fiz isso foi dentro de um shopping center e foi uma experiência um tanto catastrófica. Romain prometeu que me ensinaria e eu até tinha gostado da idéia, imaginando suas mãos segurando as minhas e nós dois patinando juntos como numa cena de um filme francês até eu cair em cima dele. E ali no chão gelado, sentindo seu corpo sobre o meu, não resistiria ao seu olhar de poesia, ele me daria um beijo e começaria uma grande história de amor. Mas uma dor latejante me fez voltar a realidade. Depois de tantos dias consecutivos andando como Forrest Gump, a exaustão das minhas pernas me impediu de entrar na pista.
Então seguimos ao Centre Georges Pompidou, um complexo fundado em 1977, que abriga museu, biblioteca, teatros, entre outros espaços culturais. O projeto, desenhado por dois arquitetos italianos, foi considerado extremamente arrojado e bastante criticado pela sua arquitetura high-tech, observada nas grandes tubulações aparentes como dutos de ar condicionado, nas escadas rolantes externas e no sistema estrutural em aço por sua semelhança aos sistemas industriais. É um grande contraste com o resto da cidade. Achei que Paris precisava mesmo de algo assim para quebrar um pouco a paisagem antiga e preservada.
Naquela noite Romain me levou também a lugares menos turísticos e foi ótimo conhecer este lado de Paris menos tumultuado. Chegamos a uma rua com alguns bares e restaurantes um pouco alternativos, onde jantamos à francesa. Na volta, dois franceses do interior puxaram assunto com Romain e acharam que eu era a esposa dele.
Voltamos pra casa. O elevador do qual já falei, é bem pequeno, então nós ficávamos bem próximos um do outro e eu podia sentir a respiração de Romain até chegar ao quinto andar. Amanhã era meu último dia em Paris. Romain sentou-se ao meu lado e me explicou detalhadamente como chegar na RER, onde pega-se o trem até Versailles.
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