26 de nov. de 2008

Um pé na Ásia

Acordei às 8h30 e fui tomar o café da manhã. Só tinha mais uma pessoa no local. Mete é da Austrália e já tinha ido para Istambul quando era mais novo. Mas dessa vez, ia conhecer os pontos turísticos. Então resolvemos ir juntos.

No caminho, encontramos Korai, o turco que conheci na noite anterior. Ele não gostou que Mete estava indo junto, ficou com ciúmes e disse para o australiano que eu era a namorada dele. Falei que não tinha nada a ver, tentei explicar a situação e ele ficou ainda mais aborrecido, falou "finish", que ele não ia mais seguir adiante e que eu podia ir junto com Mete conhecer a cidade. Ok, perdemos o guia turco. Mas em compensação, Mete é quase turco e também fala um pouco da língua. Os pais dele são de Cyprus e muçulmanos.

Seguimos em frente e paramos no estádio do principal time da Turquia, BJK. Mais a frente, chegamos ao Dohlmabahce Palace, onde compramos o tour completo. Tentamos escapar da guia várias vezes, para fazer o tour mais rápido, mas não deixaram. Quase 2 horas depois, resolvemos seguir a pé pela costa do Estreito de Bósforo - que liga o Mar Negro ao Mar de Mármara e também marca o limite dos continentes asíatico e europeu na Turquia - e chegamos até Suhltanameht, a região onde estão os principais pontos turísticos. Antes, paramos na Galata Tower, de onde se tem uma vista panorâmica e lindíssima de Istambul.

Depois, cruzamos a ponte que jurávamos ser a Galata Bridge, mas pegamos uma outra. De qualquer forma, atravessamos o continente a pé, pois parte de Istambul é na Europa e outra parte na Ásia. Paramos no caminho para comer um fish kebap (sanduíche de peixe) fresco feito no barco com peixe recém-pescado.

Alimentados, entramos numa mesquita muito bonita achando que era a tal da Blue Mosque, mas depois descobrimos que não era. Tivemos que tirar os calçados para entrar e as mulheres tinham que cobrir a cabeça com um véu. Simplesmente adorei o ambiente, é muito calmo e relaxante. É como uma igreja vazia, sem bancos, toda forrada de tapete feito à mão. É muito interessante sentar no tapete e assistir aos religiosos descalços se ajoelhando, deitando e realizando todo o ritual da reza. Sem contar que antes de entrar na mesquita, eles também se lavam nas torneiras que tem no lado de fora, independente do frio que está, como uma forma de purificação. Por coincidência, na hora que estávamos saindo encontrei os dois canadenses que estavam no ônibus.

De lá fomos para o Spice Market, onde também vendem tudo o que dá pra imaginar. Desde variadas pimentas, peixe e todos os doces turcos tipicos até carteira de identidade falsa. Foi uma diversão ficar provando um pouco de tudo, pois você pode experimentar. Mete foi me explicando o que era cada queijo e cada doce. Comprei uma caixa de turkish delights para levar pro Brasil.

Já eram quase 5 horas da tarde e já estava escurecendo. Fomos entao â procura da estação de trem para comprar meu ticket de volta para Atenas. Nos perdemos bonito, e depois de um dia inteiro andando, nossas pernas latejavam. Quando finalmente encontramos a estação de trem, descobrimos a volta imensa que demos sem precisar. Comprei a passagem e encontramos um casal de alemães muito simpáticos que nos deram algumas direções. Pegamos um ônibus de volta para Taksim Square e fomos à caça do famoso baklava, sobremesa com pistache típica da Turquia e da Grécia, que eu queria experimentar e Mete adora. Entramos numa doceria e dividimos vários doces diferentes. Delícia.

Depois passeamos pela Istiklal Street, e resolvemos parar no Starbucks para tomar um hot chocolate. Os funcionários do café são muito simpáticos. Mete me contou que talvez ele apareça no próximo filme do Nicholas Cage, que na Austrália, deve ser lançado em março. Depois, demos mais algumas voltas, e como ainda não era tarde, fomos tomar uma cerveja turca perto do nosso hostel. Provei a Efos, muito gostosa e suave, enquanto Mete me ensinava a jogar gamão. Perdi a primeira, mas ganhei as outras duas partidas, com uma ajudinha do dono do lugar, profissional no jogo. Foi muito divertido. Depois, aprendi a falar os naipes em inglês, jogando baralho. Agora fazem sentido as cartas (K)ing, (Q)ueen e (J)ack. Nunca tinha notado que os baralhos do mundo inteiro estão em inglês. Mete é adorável, muito querido e legal de conversar. É um gentleman e faz questão de fazer todos que estão a sua volta se sentirem bem. Foi realmente um prazer passarmos o dia juntos.

Já havia passado da meia-noite. Estávamos exaustos e fomos dormir.

Um comentário:

Unknown disse...

ai ai ai esse "Mete", com todo esse galanteio tava querende dar um "mete" aí, não???

huahuahuahuahua
bjos