Sexta-feira foi dia de lavar roupa, organizar a casa e a mochila para partir rumo a Barcelona. Sinto todas as células do corpo vibrarem toda vez que entro em um aeroporto. Adoro o ambiente cheio de pessoas de todos os cantos do planeta se misturando e brincando de se deslocar a milhas de distância no globo terrestre com esses pesados aviões que voam velozes pelo ar.
Duas horas e meia dentro do avião. Foi um tanto entediante porque não levei nenhum livro pra ler e companhia aérea barata não serve lanche pra distrair a gente. Ao invés disso, oferecem um variado cardápio e o vôo fica parecendo uma lanchonete barulhenta, entre pessoas escolhendo o que comer, pagando e recebendo o troco.
No meio do vôo, me dei conta que esqueci de trazer o PIN code do chip do celular. Na europa, se você desliga o celular, é necessário um código para ligá-lo novamente. Como desliguei por causa do avião, o resultado é que eu estava sem meio de comunicação móvel em Barcelona. Por sorte, tinha anotado o número de Ton, que iria me hospedar através do couchsurfing, num papel.
Chegando ao aeroporto, a primeira coisa que fiz foi ajustar o relógio de acordo com o horário local e usar as três tentativas que tenho direito de tentar adivinhar a senha até bloquear o celular. Tive então que comprar um chip da Espanha. Fiquei espantada com a atmosfera de Barcelona - cheio de jovens e pessoas felizes. "Aqui as pessoas sorriem!" - pensei. Estava mesmo precisando de um break da população idosa grega e me rodear de espíritos mais tranqüilos e expressões faciais leves.
Peguei o trem até Passeig de Gracia e fiquei tão feliz em poder entender o que as pessoas conversavam ao redor que meu cérebro parecia querer prestar atenção em todas as conversas ao mesmo tempo. Também podia ler o que estava escrito em todos os lugares sem esforço. Como é bom lembrar que existe outra realidade além da vida de analfabeta em Atenas.
Saindo da estação, dei de cara com a encantadora Casa Batló de Gaudi. Passei pela praça de Catalunya, caminhei por Las Ramblas, visitei o Mercado de la Boqueria e fui até a Marina Port Vell, onde ficaria hospedada no barco de Ton. Como ele tinha um jantar, deixou a chave na portaria e passou as instruções pelo telefone.
Por incrível que pareça, me vi falando grego na Espanha. Toda vez que queria pedir licença, acabava falando "signomi", e até para dizer sim, estava dizendo "né". Quanto tentava hablar espanhol, o inglês atrapalhava.
Já estava escuro quando cheguei na Marina. Senti-me na cena de um filme policial ao ter que encontrar o barco de Ton em meio a tantos veleiros ancorados e pular dentro de um barco vazio para encontrar a chave escondida e então finalmente entrar. Encontrei a cabine que esperava por mim com um saco de dormir, descansei um pouco e fui até o vestiário, onde estão os banheiros, duchas, máquinas de lavar e secar. Tudo super organizado, limpo e seguro. O acesso ao trapiche e ao vestiário é feito através de um cartão magnético.
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