11 de nov. de 2010

Fin de semana en Barcelona

O local do seminário era próximo a Praça da Espanya e do Museu de Arte Contemporânea. Foram mais de oito horas com David Icke, das dez da manhã até nove e meia da noite, com alguns intervalos de quinze minutos e um intervalo um pouco maior na parte da tarde - quando aproveitei para caminhar pela região e visitar o Caixa Forum, um local cultural fantástico e gratuito, cheio de exposições interessantes.

A noite, Ton convidou-me para jantar em um restaurante chamado "la paradeta" - uma espécie de imitação de mercado onde você escolhe entre lulas, mariscos, peixes e camarões que ficam ali expostos, alguns ainda vivos - e pede para preparar do jeito que você quiser. Sentamos e esperamos chamar o número de nossa mesa para buscar os pratos prontos, acompanhados de vinho branco espanhol.

Como troquei o sábado de Sol em Barcelona por um dia inteiro dentro de uma sala escura com David Icke, tinha apenas domingo para conhecer a cidade de fato. Acordei cedo e peguei o metrô em Barceloneta rumo ao Parc Guell. Como Barcelona tem uma notável inclinação, me senti quase escalando as ruas para chegar até lá, mas valeu a pena: não esperava encontrar um parque tão lindo de cair o queixo. Explorei todos os caminhos, e me deixei encantar pelos jardins e obras de Gaudi. Por todos os lados do parque, encontram-se músicos tocando diferentes instrumentos que reproduzem as mais belas músicas do mundo que contagiam os ouvidos e tocam o coração de qualquer ser humano. Comprei um cachecol no meio do caminho e já era meio dia quando saí de lá.

Caminhei até La Pedreira, onde pode-se visitar o museu, o terraço e um apartamento. Fiquei impressionadíssima com a ousadia, irreverência e a genialidade de Gaudi. Todo arquiteto deveria conhecer os trabalhos dele de perto. Depois, Casa Batló e de lá segui caminhando até a belíssima Sagrada Família, a obra prima de Gaudi que ainda está em construção e não tem data para ser concluída. O Templo imponente é uma obra de arte gigante formada de várias esculturas combinadas cuja quantidade e graciosidade de detalhes na imensidão da construção é de brilhar os olhos. Infelizmente o Papa estava em Barcelona naquele domingo para consagrar a Sagrada Família pela primeira vez, então não era permitido entrar dentro do Templo. Só se falava nisso na cidade. O Papa não foi muito bem-vindo, havia protestos por todos os lados, das sacadas dos apartamentos até esculturas de areia na praia, pois muita gente não concorda com o sistema da Igreja. Ele foi "calorosamente" recebido por um beijo coletivo gay em protesto contra sua posição em relação à homossexualidade.

De lá peguei um metrô, funicular e um teleférico até o Castell de Montjuic, um forte antigo de onde se tem uma vista incrível de Barcelona. Voltei caminhando, me perdi entre algumas ruas até encontrar uma estação de metrô e chegar em Barceloneta. Caminhei por toda a orla da praia, de ponta a ponta, e fiquei encantada com a infra-estrutura litorânea e das marinas contornadas por veleiros e restaurantes. A certa altura, já não sabia mais pra qual lado era a Marina onde estava hospedada. Fui até o hotel que tem formato de veleiro iluminado dos cartões postais, onde ajudaram a me localizar. No caminho, Ton ligou para jantarmos com mais dois couchsurfers que chegaram, uma americana e um canadense. Na hora que pulei pra dentro do barco, meu anel caiu do dedo e não consegui mais achar. Não sei se foi porque emagreci depois de caminhar feito Forrest Gump o dia inteiro sem parar, mas o fato é que foi muito estranho o anel que nunca cai do dedo cair justamente na hora que estava entrando no barco. Ton e o canadense tentaram me ajudar com a lanterna, mas não teve jeito de encontrar. Deve ter caido na água. Logo em seguida, Ruy enviou uma mensagem dizendo que estava livre para fazermos uma sessão de massagem, mas tive que deixar para depois do jantar.

Fomos super mimados por Ton com pizza, salada agridoce exatamente do jeito que adoro, abacates e tomates regados a vinho tinto espanhol, além de cheesecake e bolo de chocolate de sobremesa. Delícia. Estava super cansada, os músculos das minhas pernas estavam entrando em colapso quando começou a chover forte e acabei cancelando a sessão de massagem.

Segunda-feira de manhã fui até a praia ao amanhecer e tentar encontrar o apartamento de Ruy para nos despedir, mas como entendi o numero da casa errado, acabei não encontrando e tive que ir para o aeroporto.

Uma tristeza tomou conta na sala de embarque, essa viagem a Barcelona parece ter embaralhado todas as minhas cartas. Uma vida inteira parecia rodopiar dentro da minha cabeça. Com sorte, tinha duas poltronas livres ao meu lado e dormi o vôo inteiro.

Ao aterrissar nas terras gregas, achei engraçado o cheiro forte e típico de sarcófago que tem Atenas. Meu cérebro estava tão desorientado, que quando fui comprar uma água no quiosque perto de casa, vi que estava falando espanhol.

Uma felicidade me inundou em estar de volta. Incrivelmente já estava com saudades do clima mais agradável e até de ouvir grego. Nunca foi tão bom chegar em casa. Lar, dulce lar.

9 de nov. de 2010

Bienvenidos a Espana

Sexta-feira foi dia de lavar roupa, organizar a casa e a mochila para partir rumo a Barcelona. Sinto todas as células do corpo vibrarem toda vez que entro em um aeroporto. Adoro o ambiente cheio de pessoas de todos os cantos do planeta se misturando e brincando de se deslocar a milhas de distância no globo terrestre com esses pesados aviões que voam velozes pelo ar.

Duas horas e meia dentro do avião. Foi um tanto entediante porque não levei nenhum livro pra ler e companhia aérea barata não serve lanche pra distrair a gente. Ao invés disso, oferecem um variado cardápio e o vôo fica parecendo uma lanchonete barulhenta, entre pessoas escolhendo o que comer, pagando e recebendo o troco.

No meio do vôo, me dei conta que esqueci de trazer o PIN code do chip do celular. Na europa, se você desliga o celular, é necessário um código para ligá-lo novamente. Como desliguei por causa do avião, o resultado é que eu estava sem meio de comunicação móvel em Barcelona. Por sorte, tinha anotado o número de Ton, que iria me hospedar através do couchsurfing, num papel.

Chegando ao aeroporto, a primeira coisa que fiz foi ajustar o relógio de acordo com o horário local e usar as três tentativas que tenho direito de tentar adivinhar a senha até bloquear o celular. Tive então que comprar um chip da Espanha. Fiquei espantada com a atmosfera de Barcelona - cheio de jovens e pessoas felizes. "Aqui as pessoas sorriem!" - pensei. Estava mesmo precisando de um break da população idosa grega e me rodear de espíritos mais tranqüilos e expressões faciais leves.

Peguei o trem até Passeig de Gracia e fiquei tão feliz em poder entender o que as pessoas conversavam ao redor que meu cérebro parecia querer prestar atenção em todas as conversas ao mesmo tempo. Também podia ler o que estava escrito em todos os lugares sem esforço. Como é bom lembrar que existe outra realidade além da vida de analfabeta em Atenas.

Saindo da estação, dei de cara com a encantadora Casa Batló de Gaudi. Passei pela praça de Catalunya, caminhei por Las Ramblas, visitei o Mercado de la Boqueria e fui até a Marina Port Vell, onde ficaria hospedada no barco de Ton. Como ele tinha um jantar, deixou a chave na portaria e passou as instruções pelo telefone.

Por incrível que pareça, me vi falando grego na Espanha. Toda vez que queria pedir licença, acabava falando "signomi", e até para dizer sim, estava dizendo "né". Quanto tentava hablar espanhol, o inglês atrapalhava.

Já estava escuro quando cheguei na Marina. Senti-me na cena de um filme policial ao ter que encontrar o barco de Ton em meio a tantos veleiros ancorados e pular dentro de um barco vazio para encontrar a chave escondida e então finalmente entrar. Encontrei a cabine que esperava por mim com um saco de dormir, descansei um pouco e fui até o vestiário, onde estão os banheiros, duchas, máquinas de lavar e secar. Tudo super organizado, limpo e seguro. O acesso ao trapiche e ao vestiário é feito através de um cartão magnético.

Um dos motivos que me levou a Barcelona foi reencontrar Ruy, um grande amigo que conheci na Grécia há quase dois anos e desde então não mais nos vimos. Como não tinha mais o número dele pois estava no chip bloqueado, fui até Orange Claris - o bar em que ele estava tocando aquela noite. Na frente do bar, uma placa indicava em letras escritas a giz "Ruy Mendes en concierto". Haviam poucas pessoas no local, e Ruy estava entretido com os últimos preparativos antes de começar. Quando me viu, lançou o olhar para longe no infinito como quem viajou a um outro mundo por alguns milésimos de segundo. Cumprimentamo-nos com um longo e caloroso abraço. Logo o show começou e fiquei ali sentada só saboreando a delícia que é a voz de Ruy cantando e tocando as músicas mais lindas que existem. Algumas pessoas que passavam pela calçada eram atraídas pelas canções e aos poucos o bar foi ficando mais cheio. A certa altura, Ruy disse que a próxima música seria para mim e começou a cantar Emoções, de Roberto Carlos. Foi lindo, ali olhando para ele, e as mesmas emoções sentindo. Ele comentou que David Icke estava em Barcelona para um seminário no dia seguinte que duraria o dia inteiro e acabei achando uma boa idéia ir também.

2 de nov. de 2010

Fitness week

Assistir a Marathona inspira qualquer um a entrar em forma. Segunda-feira fui pra academia e para minha surpresa, descobri que está tendo aula de pilates duas vezes por semana. Super empolguei.

Depois de chegar em casa, quando estava pronta para ir ao banho, repentinamente as luzes se apagaram mais uma vez. Não acreditava. Liguei para Chiara, minha vizinha, para verificar se o apartamento dela também estava sem eletricidade, e ela não atendeu o telefone. Bati na porta, e nada. Então liguei pra Klea, a proprietária, e ela disse que estaria indo até lá em quinze minutos.

Foi um pouco aterrorisador ficar sozinha no escuro naquele apartamento, porque tem acontecido muitos incidentes naquele prédio e confesso que as vezes a vizinha dá medo. Além de que a construção é super antiga e considerando a longínqua história da Grécia e algumas experiências que tive recentemente, estava começando a imaginar um monte de coisa até que enfim, Klea chegou. Batemos na porta de Chiara mais uma vez, e nada. Ela resolveu abrir o apartamento com a chave reserva e Chiara então deu sinal de vida. Disse que já ia abrir a porta, pois estava dormindo. O estranho é que eu sei que ela nunca dorme antes das duas horas da manhã. Perguntei se também estava sem luz e ela confirmou. Klea então percebeu que o disjuntor que aquece a água estava ligado, e que segundo ela, sempre devemos desligar depois de vinte minutos. Completou dizendo que sempre que vai lá o aquecimento do apartamento dela está ligado e começou a ficar realmente brava. A situação foi um tanto constrangedora. De qualquer forma, Klea chamou o serviço e em alguns minutos as luzes se acenderam.

Logo em seguida, Gloria, que mora no primeiro andar, ligou. Como era quase meia noite e eu já estava quase dormindo, achei que algo havia acontecido, mas ela só pediu a chave da lavanderia emprestada. Quando foi buscar, disse que também precisava de sabão em pó. Fazia tempo que não me achava a pessoa mais normal do mundo, ao me dar conta do quão sem noção é minha vizinhança. A meia noite de uma segunda-feira definitivamente não é o horário mais adequado pra pegar uma chave e sabão em pó emprestado.

Terça feira foi aniversário da chefinha e ela trouxe docinhos maravilhosos para nós. Se tem uma coisa que os gregos sabem fazer é essas sobremesas super fofas enfeitadas dentro de um copinho. Comi uma espécie de mousse ou tiramissu, de acariciar as papilas gustativas. Além do doce, ela também me deu dois dias de folga para esta semana e resolvi aproveitar para viajar.

George ligou, dizendo que ficou uma semana sem o celular, pois esqueceu lá em Kalamos, na casa do professor de yoga e ficamos de combinar alguma coisa para o fim de semana.

A energia está mais leve desde que fiquei sabendo que Chiara não será mais minha vizinha. Ela está se mudando para o apartamento em que Omar estava, assim como Milena também está de mudança para o mesmo prédio, no apartamento que Lucci morava, pois não estava dando certo compartilhar o teto com a libanesa.

Na quarta-feira a mangueira do chuveiro lá de casa quebrou e tive que fazer milagre para tomar banho. No dia seguinte, ganhei um chuveiro novinho em folha. Essa semana foi de academia, pilates e yoga todo dia. Estou encantada com a abrangência dos efeitos de exercícios físicos e me dei conta do quanto é essencial encontrar uma atividade que se gosta e de não ficar parada.

1 de nov. de 2010

Marathona 2500 anos

Marquei um compromisso comigo na sexta-feira a noite. Adoro minha companhia. Acordei no sábado no exato momento que meu corpo desejava e depois de um desjejum com os saborosos iogurte e mel gregos, fui até o hospital público de Evangelismos tentar tomar vacina contra febre amarela. O hospital parecia bem vazio e um tanto desorganizado, com um monte de médicos e enfermeiras com aquela cara fechada de infelicidade típica grega. Fiquei um pouco assustada com a primeira sala que você encontra quando entra no hospital, chamada "Ressuscitation Room". No fim das contas, eles não tinham a vacina lá e me deram o endereço de outro lugar que abre apenas durante a semana.

Claudia ligou e fui encontrá-la perto de casa, passeamos pelo centro e acabei comprando um vestido. Depois encontramos Vassilis numa taverna em Omonia, que tem mais de cem anos e continua conservada como era desde aquela época. Com ares rústicos, a taverna fica no subsolo e é bem pequena, adorei o ambiente. Claudia disse que frequentam o local há quatros anos e foi a primeira vez que o dono da taverna sentou pra conversar. Ele queria saber de onde eu era e disse que simpatizou comigo. Quis tirar uma foto e pediu pra gente imprimir e levar pra ele depois. Super fofo. Ele explicou que só ele já está lá há mais de cinquenta anos, e que a administração da taverna foi passada de geração em geração.

Fomos pra casa e mais tarde nos encontramos para ir ao aniversário da Mariana. Fazia tempo que não ia em festa na casa de alguém, com tanto capricho em todos os mínimos detalhes. Com direito a bolo, brigadeiro, beijinho, cachorro quente, canapés de atum, salmão defumado, tudo feito por ela e mais uma amiga brasileira que também estava de aniversário. Luz de balada na sala, dj e uma porção de velas espalhadas pelo ambiente. Quando os brasileiros chegaram, fizeram a festa. Foi super animado, matei a saudade de dançar forró com um lindo brasileiro que me fez derreter e flutuar só de encostar, além de perceber que ainda estou longe de dançar decentemente.

Domingo os sinos da igreja ajudaram o despertador a me acordar. Liguei para Cláudia e ela ainda estava dormindo. Saímos correndo para assitir a Maratona histórica que estava fazendo aniversário de 2500 anos. De acordo com a história, no ano de 490 a.C., o soldado e atleta Filípides foi escolhido para correr da cidade de Marathonas até Athenas (cerca de 42km) para avisar que os gregos ganharam a batalha contra os persas na Primeira Guerra Médica. Ele correu a distância o mais rápido que pode, e ao chegar, conseguiu dizer apenas "vencemos", e caiu morto pelo esforço. Por isso a Maratona de Atenas é feita com o percurso original, onde os participantes saem de Marathonas e chegam no estádio de mármore Panathinaikos em Atenas.

A cidade estava cheia de turistas este fim de semana, e os hoteis todos lotados. Cerca de doze mil pessoas correram. Tínhamos pensado em nos inscrever, mas por causa do aniversário da Mari e de nosso preparo físico vergonhosamente sem resistência acabamos desistindo. Vassilis e seu irmão participaram do trecho de 5 km, assim como o Primeiro Ministro da Grécia. Tivemos que correr junto com a galera pra conseguir chegar no estádio a tempo de tirar a foto dele chegando. Foi emocionante assistir a chegada. Como sempre, um queniano venceu. Teve dois brasileiros entre os primeiros colocados. Ficamos cerca de quatro horas assistindo a multidão atravessando a linha de chegada, sentindo o frescor do clima em contraste com o calor dos raios solares que vinham do céu azul. Em meio a multidão, aparecemos na televisão que transmitia o evento ao vivo. Entre os não tão bem preparados, faltando alguns metros para a chegada, um participante teve que parar pra vomitar. O corpo de outro corredor entrou em colapso e paralizou, fazendo-o cair no chão. Outros dois participantes que vinham em seguida tentaram ajudá-lo e ele então fez todo mundo parar pra ver e aplaudi-lo completando a prova engatinhando até o final. Alguns correram fantasiados de espartanos, outros de Deus grego, e até mamães atletas completaram a prova empurrando o carrinho com seus bebês. Foi muito lindo de ver.

Depois fomos até a casa da Claudia para buscar o título de eleitor, com uma paradinha para um sorvete. Vassilis nos levou até a embaixada, onde ela fez valer seu voto, mas não pude votar, pois só é permitido para residentes. Brasileiros em trânsito não tem direito.

Eram quatro horas da tarde e ainda haviam pessoas correndo pela cidade, quando fomos almoçar no TGI Friday's, onde superei meu trauma e pela primeira vez tive uma boa experiência. Salada com laranjas, twist fries e matei saudades de tortillas ao estilo tex mex. Voltamos pra casa da Claudia, onde fiz sessão de shiatsu no Vassilis, depois de correr os 5 km na marathona. Foi lindo ver a cara de bebê que ele ficou depois da terapia. O casal gentilmente me deixou em casa com 5L de azeite de oliva extra virgem de presente e uma sensação de ter corrido 42 km depois de um domingo intenso.

Goodbye Omar

Depois que Lucci voltou para Tanzânia, Omar entrou em depressão a ponto de não conseguir levantar da cama cedo para ir trabalhar e decidiu que vai voltar para Arábia Saudita. Saímos para jantar depois do trabalho na segunda-feira. Terça foi dia de academia e supermercado e na quarta-feira fomos jantar novamente em Monastiraki, desta vez com o pessoal do trabalho. Choveu torrencialmente como nunca havia visto em Atenas. O tempo aqui está estranhíssimo e já esfriou bastante. As meninas então foram embora, e seguimos a um dos barzinhos na frente de casa para encontrar Emmanuel, que chegou mais tarde.

No feriado de quinta-feira, acordei com o barulho dos adoráveis sinos da igreja e depois ao som de fogos de artíficio ou tiros, difícil definir. Até Gloria, que mora no primeiro andar, enviou uma mensagem preocupada com os barulhos. Liguei a TV pela segunda vez em dois meses para ver se estava acontecendo alguma coisa, mas só vi a enchente em Thessaloniki. Provavelmente era só uma forma de celebração do feriado, nos desfiles em Syntagma. Passei o dia em casa lavando roupa, cozinhando, arrumando a casa e vendo filme. Como no dia seguinte Omar estaria partindo, nos encontramos todos a noite em um restaurante americano em Kolonaki para a última despedida