Chegando ao aeroporto Charlles de Gaulle, fui atrás de uma left luggage room, onde deixei uma das minhas malas hospedada durante cinco dias a preço de hotel cinco estrelas. Em meio àquela imensidão de terminais e andares, comprei passagens de trem para Bruxellas e outra para o centro de Paris.
Não sabia em qual trem deveria entrar. Várias estações apareciam nas telas, mas são tantas nessa cidade que era impossível descobrir onde estava a minha. Perguntei a uma menina, que estava tão perdida quanto eu. Até que uma voz do além disse para entrar naquele em que a porta estava quase fechando. Ufa. Agora o desafio era descobrir onde tinha que descer. Perguntei a uma moça loura que sentava à minha frente e que foi muito gentil em me mostrar todo o caminho no mapa. Logo o trem lotou e eu percebi que estava atrasada para encontrar com Ramain, meu último anfitrião do couchsurfing. Enviei uma mensagem e combinamos de nos encontrar na estação de Convention uma hora mais tarde. Dois brasileiros de Minas estavam no trem e fizeram questão de me ajudar a levar a mala para fora.
Lá estava eu, na estação central de Paris com uma mala enorme e pesada, tentando descobrir pra que lado deveria seguir. Feliz e contente, segui em direção às escadas rolantes, mas elas não estavam funcionando. Perguntei a um rapaz se aquele era o único acesso, ele confirmou e me ajudou a carregar aquele chumbo de rodinhas escada acima. Uma boa primeira impressão da cidade Luz.
As estações de metrô de Paris são cheias de degraus por toda a parte, o que dificulta a legião de pessoas que carregam suas malas pra cima e pra baixo nessa cidade que é um dos maiores destinos turísticos do mundo. Estava cansada quando cheguei à estação Convention, onde Ramain iria me encontrar.
Em passos receosos, foi se aproximando um jovem rapaz magro, de óculos e barba rala. Apesar do seu senso de humor, Ramain está sempre sério, cada sorriso que você provoca nele é uma conquista que logo se apaga. Andamos algumas quadras até chegar na sua casa. A região é nobre e o elevador do prédio é igual àqueles de filme europeu. O apartamento é bem confortável. Ramain voltou a morar com a mãe e a irmã. O pai mora na região metropolitana, onde eles tem outra casa. Mas nesses dias em que ficaria lá, ele estava sozinho, pois a família estava viajando. Tinha o quarto da irmã dele só para mim, mas claro que ela não tinha a menor idéia de que uma brasileira estava hospedada lá.
Ramain me levou então para o primeiro passeio em Paris. Fomos até Quartier Latin, onde está a a Sorbonne, uma das mais antigas e respeitadas universidades do mundo. Foi da Sorbonne que os estudantes franceses coordenaram as Barricadas em 1968, que mudaram todo o sistema educacional francês, derrubaram o presidente Charles de Gaulle e inspiraram estudantes de todo o mundo pela causa revolucionária.
Para o jantar, um restaurante típico. Pedi um fondue de queijo e Ramain o tradicional menu
Logo ao lado, a vista noturna e encantadora do rio Sena. Para voltar para casa, passamos pela Fontana Saint Michel. Chegamos à estação de metrô, onde os trens saem de 2 em 2 minutos, quando escuto uma voz feminina chamando "Sandrine! Sandrine!". Não era possível haver alguém conhecido em Paris, àquela hora, naquela mesma estação - pensei. Era Elaine, Rogério (meu primo e padrinho) e os três filhos. Coincidência é pouco. Pegamos o mesmo trem.
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