6 de abr. de 2009

Coincidências em Paris

24.03 Já na sala de embarque para Paris, notei que havia um casal de brasileiros, que acabaram sentando nas poltronas atrás de mim. Ele era diretor da Vivo e o motivo da viagem era uma feira de telecomunicações. Segundo eles, sempre aproveitam para emendar um turismo. Sua esposa também era muito simpática e querida, eu diria que passei o início do vôo virada para trás. Me mostraram as fotos da viagem à Espanha com direito a legenda oral, enquanto o avião decolava.

Chegando ao aeroporto Charlles de Gaulle, fui atrás de uma left luggage room, onde deixei uma das minhas malas hospedada durante cinco dias a preço de hotel cinco estrelas. Em meio àquela imensidão de terminais e andares, comprei passagens de trem para Bruxellas e outra para o centro de Paris.

Não sabia em qual trem deveria entrar. Várias estações apareciam nas telas, mas são tantas nessa cidade que era impossível descobrir onde estava a minha. Perguntei a uma menina, que estava tão perdida quanto eu. Até que uma voz do além disse para entrar naquele em que a porta estava quase fechando. Ufa. Agora o desafio era descobrir onde tinha que descer. Perguntei a uma moça loura que sentava à minha frente e que foi muito gentil em me mostrar todo o caminho no mapa. Logo o trem lotou e eu percebi que estava atrasada para encontrar com Ramain, meu último anfitrião do couchsurfing. Enviei uma mensagem e combinamos de nos encontrar na estação de Convention uma hora mais tarde. Dois brasileiros de Minas estavam no trem e fizeram questão de me ajudar a levar a mala para fora.

Lá estava eu, na estação central de Paris com uma mala enorme e pesada, tentando descobrir pra que lado deveria seguir. Feliz e contente, segui em direção às escadas rolantes, mas elas não estavam funcionando. Perguntei a um rapaz se aquele era o único acesso, ele confirmou e me ajudou a carregar aquele chumbo de rodinhas escada acima. Uma boa primeira impressão da cidade Luz.

As estações de metrô de Paris são cheias de degraus por toda a parte, o que dificulta a legião de pessoas que carregam suas malas pra cima e pra baixo nessa cidade que é um dos maiores destinos turísticos do mundo. Estava cansada quando cheguei à estação Convention, onde Ramain iria me encontrar.

Em passos receosos, foi se aproximando um jovem rapaz magro, de óculos e barba rala. Apesar do seu senso de humor, Ramain está sempre sério, cada sorriso que você provoca nele é uma conquista que logo se apaga. Andamos algumas quadras até chegar na sua casa. A região é nobre e o elevador do prédio é igual àqueles de filme europeu. O apartamento é bem confortável. Ramain voltou a morar com a mãe e a irmã. O pai mora na região metropolitana, onde eles tem outra casa. Mas nesses dias em que ficaria lá, ele estava sozinho, pois a família estava viajando. Tinha o quarto da irmã dele só para mim, mas claro que ela não tinha a menor idéia de que uma brasileira estava hospedada lá.

Ramain me levou então para o primeiro passeio em Paris. Fomos até Quartier Latin, onde está a a Sorbonne, uma das mais antigas e respeitadas universidades do mundo. Foi da Sorbonne que os estudantes franceses coordenaram as Barricadas em 1968, que mudaram todo o sistema educacional francês, derrubaram o presidente Charles de Gaulle e inspiraram estudantes de todo o mundo pela causa revolucionária.

Para o jantar, um restaurante típico. Pedi um fondue de queijo e Ramain o tradicional menu francês, no qual veio salada de entrada, carne como prato principal e uma sobremesa que dividimos. Logo depois, fomos até a Notre Dame, uma das mais antigas catedrais francesas em estilo gótico, cuja arquitetura externa elegi a mais linda de todas que vi até hoje. Bem em frente, na praça Parvis, encontra-se uma placa de bronze que representa o ponto zero a partir do qual todas as distâncias das estradas nacionais francesas são calculadas. Ramain brincou que estávamos no centro do mundo.

Logo ao lado, a vista noturna e encantadora do rio Sena. Para voltar para casa, passamos pela Fontana Saint Michel. Chegamos à estação de metrô, onde os trens saem de 2 em 2 minutos, quando escuto uma voz feminina chamando "Sandrine! Sandrine!". Não era possível haver alguém conhecido em Paris, àquela hora, naquela mesma estação - pensei. Era Elaine, Rogério (meu primo e padrinho) e os três filhos. Coincidência é pouco. Pegamos o mesmo trem.

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