16 de dez. de 2008

One more weekend

Sábado dei uma volta pela Akropoli e fui andando até o Templo de Zeus, que estava fechado. Como ainda não tenho o mapa de Atenas, lá fui eu pedir informação pra achar o estádio Panathinaiko, onde ainda não tinha ido. O bom é que aqui todo mundo sempre diz que é mais longe do que realmente é. Duas pessoas me disseram que levava cerca de 15 minutos pra chegar lá, mas na verdade eram só 5.

Segui as direções e logo cheguei ao antigo estádio Panathinaiko, construído em 566 a.C. e reconstruído em 329 a.C., inteiramente em mármore branco. O estádio foi restaurado em 1870 e em 1895 foi reformado para a realização dos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna em Atenas. Um casal de turistas, que também estava lá apreciando, começou a conversar comigo em inglês, e continuamos conversando por um tempo, até que eles falaram algo em português entre si e descobri que eram brasileiros, de Porto Alegre.

Mais tarde, fui pra balada com Patrick (tcheco) e Andrej (romeno). Nos encontramos em Syntagma perto da meia-noite e pretendíamos ir a Glyfada. Mas a rua onde pega o tram, que fica em frente ao Parlamento, estava bloqueada, pois tinha uma galera na frente do edifício para iniciar mais um protesto. Então mudamos os planos e fomos andando até Monastiraki, passando por uma galera de policiais por toda a parte. Fizemos um verdadeiro tour por várias baladinhas. Entre elas, tentamos entrar numa que parecia bem legal e pelo que Patrick me contou, ele já foi meio que expulso de lá porque estava numa "pegação" selvagem com uma grega. Como precisava de reserva pra entrar, tentei engabelar o segurança. Primeiro que ele não acreditava que eu era brasileira, disse que eu era inglesa e que tinha sotaque britânico. Falei que se tinha sotaque, era americano, pois tinha morado nos Eua. Depois perguntou meu nome e ele acreditava menos ainda: "Então você é brasileira, de pele branca, tem nome francês, morou na América e agora está aqui?". Mostrei meu passaporte brasileiro pra comprovar. Até que ele leu meu sobrenome e perguntou se era o mesmo dos cristais. Expliquei a origem da família e tudo mais. Gastei uns 15 minutos conversando com a criatura e ele só disse que eu tinha uma história bem interessante e lógico que não deixou a gente entrar.

No fim da noite, Patrick já havia gastado mais de 115 euros em bebida e eu cheguei em casa as 7h da manhã. Definitivamente curei meu trauma de taxistas gregos, pois os 2 últimos que peguei foram gente boa. Dessa vez, fiquei conversando com o taxista para saber a opinião dele sobre as manifestações e ele se empolgou tanto que até ficou falando mais depois que já tinha parado o carro para me deixar.

Domingo, dia de descanso. Patrick contou que dormiu no metrô voltando pra casa, e fez o caminho de Piraeus(porto) - Aeroporto três vezes. Ou seja, andou Atenas inteira várias vezes e foi acordado pela mulher do metrô algumas vezes, dizendo que se ele não saísse de uma vez, iam chamar um táxi para ele voltar pra casa.

Descobri que tem um lugar ótimo perto de casa que vende suvlakis deliciosos. O melhor, é que fica aberto aos domingos, coisa rara por aqui.

15 de dez. de 2008

One more week in Athens

Terça fui pra academia e quinta, depois da musculação, resolvi experimentar uma aula de yoga em grego. A professora foi bem gente boa e de vez em quando falava em inglês pra eu entender o que tinha que fazer. As meninas que fazem a aula também foram bem queridas, me emprestaram uma esteira e todas elas trabalham na DDB, que também fica aqui no prédio e que é uma das maiores agências de publicidade do mundo. (No Brasil, é sócia da DM9DDB).

11 de dez. de 2008

Segunda

Acordei cedíssimo para encontrar Claudia em Omonia para vermos umas questões do meu visto. Estava morrendo de sono e enjoada da noite de ontem. Comecei bem a semana...

Mandei dinheiro pro Brasil e fui ao banco ao lado do correio com Claudia, tomamos um café e fomos trabalhar.

Passei no mercado antes de ir pra casa. Enquanto singelas musiquinhas de Natal tocavam entre as gôndolas, o centro de Atenas pegava fogo. Estava cansadíssima e as filas do caixa estavam enormes, cheias de gente comprando pinheirinho, velas e enfeites de natal.

Chegando em casa, vi na TV os manifestantes quebrando e queimando tudo no centro. Hoje foi o pior dia. Fiquei boquiaberta assistindo as cenas de destruição, de fogo e bombas por todos os lados. Inclusive o banco que tínhamos ido de manhã tinha sido todo destruído. Nem o pinheirinho e a decoração de natal que estava prontinha pra inaugurar escapou. Só se via a fumaça negra subindo aos céus. Como disse o Rodrigo, estava mais pra festa junina.

A polícia foi instruída a praticamente não fazer nada, pra não piorar a situação. E ainda há uma lei que proíbe a entrada da polícia nas Universidades (onde os manifestantes se refugiam), desde um acontecimento histórico de quando a polícia entrou nas Universidades e matou pessoas. Ou seja, estamos vivendo uma guerra com fraiz.

As manifestações continuaram durante toda a semana. O mais engraçado é ficar assistindo na TV os gregos comentando o que está acontecendo. Eles colocam vários quadrinhos com pessoas falando ao mesmo tempo, com aquele jeito grego e exaltado de falar. Fica uma gritaria nervosa, todo mundo falando ao mesmo tempo e não dá pra entender nada.

10 de dez. de 2008

Domingo

Fui dar uma volta no centro. Desci em Monastiraki, comi um suvlaki em plaka e fui subindo a rua Ermou, até encontrar uma construção incendiada, carros queimados, cheio de bombeiros, TV filmando e turistas tirando foto.

Andei mais a frente e vi várias lojas isoladas, que tinham sido apedrejadas, vitrines quebradas e policiais por toda a parte.

Depois, Claudia me ligou para que eu tomasse cuidado andando pelas ruas, por causa das manifestações que estavam acontecendo em virtude do que aconteceu ontem a noite. Um grupo de anarquistas atacou a polícia, que deu um tiro e acabou acertando um menino de 15 anos, que morreu. A partir de então começaram as manifestações, que não tem previsão de parar tão cedo. Depois encontrei com Claudia e Vassili em Syntagma. Tomei sorvete de kaimaki, tradicional da Grécia. As ruas estavam bem vazias e a polícia passava de carro, avisando pra sairem do local pois os manifestantes estavam chegando ali.

Voltando pra casa, Michal me ligou para fazermos alguma coisa. Nos encontramos em Ambelokipi, onde algumas ruas também estavam isoladas por causa das manifestações. Entramos num pub, onde tomamos vinho e comemos uma sobremesa de iogurte. Mais tarde, Patrick, mais duas amigas tchecas que estavam na casa deles este fim de semana e o romeno psicopata nos encontraram lá. Patrick, a amiga tcheca e eu emendamos para uma baladinha em Monastiraki. Estava tudo meio vazio e muitos lugares fechados, por causa das manifestações. A tcheca não falava inglês e tive a oportunidade de treinar mais um pouco de alemão. Acabamos pulando para uma outra baladinha que estava mais animada e cheguei em casa quase 3h.

01 a 06/12

Mal dá pra acreditar que já estamos em dezembro. Essa semana até que estava quente. Uma delícia pra quem acabou de voltar do frio congelante de München.

Essa semana fui ao Factory Outlet, próximo ao Aeroporto, fazer umas comprinhas.

Quinta-feira finalmente tomei coragem e estreei na academia. Vou tentar freqüentá-la a partir de agora.

1 de dez. de 2008

Wilkommen in München

Tinha planejado sair de casa as 6h20, mas quando acordei e olhei no relógio já eram 6h15. Corri para o banho, terminei de arrumar a mala, e saí correndo para pegar o metrô para o aeroporto.

Estava morrendo de sono e ainda cansada da semana. A viagem foi um tanto angustiante, pois eu estava na janela, as outras duas poltronas estavam ocupadas e a comissária de bordo demorou séculos pra retirar nossas bandejinhas de comida. Senti uma espécie de claustrofobia, presa naquela poltrona.

Cheguei em München as 10h10, pois é 1 hora a menos de fuso. Peguei um trem para a Hauptbahnhof. A estação é enorme, não consegui achar a saída que o hostel indicou e saí de lá pedindo informações, mas ninguém sabia direito. Andei um pouquinho, resolvi atravessar a rua e eis que pela graça de Deus eu estava na rua do Euro Youth hostel.

Deixei minhas coisas no locker, e peguei um free walking tour que ia começar em meia hora. Não sou fã de guias turísticos, mas eu estava tão cansada e sem clima que resolvi ver qual era. Em três horas vimos os principais pontos turísticos que ficam próximos. Foi meio chato e estava excessivamente frio. As piadinhas de guia turístico com american/british sense of humor não estavam combinando nem um pouco. De qualquer forma, visitamos a Marienplatz, a alte und neue Rathhaus (antiga e nova prefeitura), a Frauenkirche, The legend of the Devil's Footprint, The National Theater, St Peter's Kirche, Maximilianstrasse, Hofbräuhaus, Open Air Market, New Jewish Cultural Centre, etc.

Já estava escuro quando peguei o U-Bahn para o hostel. Pensei em pegar o challenge beer tour, que leva a galera pra vários bierkellers em uma noite, mas resolvi ir ao Hofbrauhaus por conta própria, pois já tinha o ticket do trem comprado e estava de saco cheio de tours em grupo. Agora sim, eu tinha entrado no clima de München.

Primeiro, aproveitei um pouco mais do Christmas Market na Marienplatz. Passeei por lá e comi um crepe de nutella maravilhoso. Depois, entrei em algumas lojas, o preço e as roupas pareciam ótimos. Pena que não tinha tempo para ir às compras. Saí de lá com um brinco e fui para a Hofbräuhaus, a cervejaria mais tradicional e turística de München.

O lugar é enorme, diz que cabem até 5.000 pessoas. Dei alguns giros por lá até encontrar uma mesa bacana que pudesse me acolher. Conheci quatro suíças de Asppenzell muito simpáticas. Depois de uma caneca de chopp tamanho único de 1L (que a gente levou junto), fui com elas para o outro Christmas Market que estava rolando no mesmo lugar onde acontece a Oktoberfest. Eu nem sabia que tinha outra feira de natal acontecendo. Uma das meninas roubou uma lamparina de algum lugar no meio do caminho e guardou as canecas dentro. Tava todo mundo pra lá de Bagdá e quando vi já estava com outra cerveja na mão. Comprei um cachecol e antes de ir embora, um crepe de maçã pra acordar 100% no dia seguinte.

Peguei o U-Bahn de volta para o Hostel, onde havia uma dupla de australianos tocando violão e cantando músicas boas. Tomei um jägermeister e muita água. Tinha um pessoal bacana curtindo, mas infelizmente estava exausta e tive que ir dormir.

O Hostel é ótimo, os funcionários são prestativos e dormi num quarto mixed de 18 dormitórios.

Acordei domingo ouvindo português. Tinham mais duas brasileiras de Porto Alegre perto da minha cama. O café da manhã era excelente. Fiz o check out e parti para o BMW museum. O lugar é incrível. Me emocionei ao entrar num lugar tão bem pensado e projetado para visitantes.

Depois, segui para o Parque Olímpico e subi na Olympiaturn, a torre de onde se tem a vista panorâmica de Munich de uma altura de 250m. De lá da pra ver o estádio olímpico e também o Allienz Arena bem de longe. Então fui para a Alte Pinakotheken, onde estão expostas pinturas a partir do séc XV. Como algumas salas estavam fechadas, a parte mais interessante eram as obras renascentistas italianas de Leonardo da Vinci, Sandro Boticceli e Raphael.

De lá peguei um tram para Marienplatz, onde provei weisswurst com repolho agridoce e batata. Já eram 16h quando estava chegando no Hostel para pegar minha mochila, sendo que meu vôo era as 17h45 e levava 45 min de trem até lá. Saí correndo até a Hauptbahnhof e por muita sorte, o S8 para o aeroporto não demorou nem 5 minutos pra chegar.

Chegando ao enorme aeroporto de München, saí correndo para o Terminal 2, onde tinha que achar o inexpressivo guichê da Aegean Airlines em meio a multidão. Uma moça me informou que deveria ir ao andar de cima, mas chegando lá outro funcionário disse que era no andar de baixo. Desci correndo até achar a Aegean. O Senhor falou que eu estava super atrasada e me indicou onde devia fazer o check in, que nem nome da Aegean tinha. Mas tinha fila. Gritei "Aegean Airlines? To Athens??". A mulher respondeu afirmativamente, e anunciou a todos que a preferência era para Atenas, pois o vôo já estava saindo. Então furei a fila, e o cara atrás de mim me seguiu, pois também estava atrasado para o mesmo vôo. Ainda perguntei se podia levar linguiça (que comprei pra Claudia) e vidro (a caneca enorme da Haufbräuhaus) na bagagem de mão. Ela disse que o risco era meu, não havia tempo para despachar nada.
Lá fui eu correndo com o cartão de embarque, até achar o Gate 20. Surpreendemente as Wursts passaram batido pelo raio X.

Sentei na última janela do avião. Não sei se era o lugar, mas por um breve momento, a turbulência foi forte. De qualquer forma, dormi praticamente a viagem inteira. Só acordei quando achei que estávamos passando por uma turbulência fortíssima, mas na verdade o avião já estava pousando.