28 de nov. de 2008
Back to Athens
Quinta e sexta tivemos cardápio especial na hora do almoço de comida indiana. Até me presentiei com um sorbet de abacaxi de sobremesa, que vem dentro da própria casca da fruta. Sexta pedi também uma entrada com crab cake e mais donuts de chocolate a tarde.
Depois do trabalho, fui pra casa da Cláudia comer pizza e beber vinho. O vinho branco do norte da Grécia é ótimo. A Mariana, a Bruna e a Georgia (filha dela), também foram. Bem divertido, assistindo ao DVD do Furacão 2000.
Tinha planejado dormir cedo, mas cheguei em casa tarde e tinha que fazer a mochila pra viajar. Ainda não tinha me recuperado de Istambul.
Thessaloniki
Visitei uma igreja e fiquei abismada com a religiosidade desse povo. Primeiro que na entrada há vários tipos de velas a venda. Cada um que entra compra as velas, as acendem e colocam num lugar determinado. Depois beijam as imagens dos santos várias vezes - sim, todos colocam a boca no mesmo lugar.
Depois visitei um arco construído no período romano, a praça aristóteles, a white tower e o monumento do cavalo. Segui caminhando pela water front, onde lembra uma espécie de beira-mar, porém com frente para uma baía. É uma região muito bonita, cheia de cafés e restaurantes bem decorados. Provei um crepe delicioso e fui conhecer uma espécie de mercado sujo e bagunçado que tem nas ruas, onde você encontra de tudo, de roupa a comida. Fui até uma igreja chamada Aghia Sofia e peguei o ônibus de volta para a estação.
O trem de Thessaloniki para Atenas não é dos melhores. A viagem foi um pouco cansativa e cheguei em casa perto da meia-noite.
Lovely Monday in Istanbul
Estava um lindo dia de sol e céu azul. Passamos por uma praça linda até chegar no famoso Blue Mosque. Muito parecido com a mesquita que fomos ontem, porém é impossível descrever a beleza das seis minaretes que se vê do lado de fora. A cúpula por dentro é forrada de azulejos de cor azul e arabescos florais. Lá fomos nós tirar os calçados novamente. Ficamos relaxando um bom tempo deitados no tapete da mesquita e observando o comportamento dos turistas.
O que mais me chamou a atenção em Istanbul é que em qualquer canto da cidade se houve de tempos em tempos (acho que quatro vezes ao dia) as vozes de lamentações dos muezins vindas das minaretes de dezenas de mesquitas espalhadas pela cidade. É uma espécie de canto exótico, que chamam os muçulmanos para rezar. Era exatamente meio-dia quando estávamos justamente entre três mequitas (entre elas a mesquita azul e a Basílica Santa Sofia) quando começou a tocar novamente os cantos, que se revezavam, parecendo uma conversa entre elas, pois cada hora vinha de um lugar diferente.
Antes de seguirmos ao Topkaki Palace, adquirimos um pouco de energia comendo um kebap aberto e também provei um suco natural de romã, feito na hora. Gastamos mais de 2 horas no Palácio, que hoje é museu de grande magnitude com seus jardins, cheio de salas e salões enormes, onde se destacam porcelanas, jóias com brilhantes e diamantes, armas, etc.
De lá fomos à Basílica Santa Sofia, que infelizmente está fechada na segunda-feira. Puro amadorismo, deveria ter me informado antes. Então fomos tomar um cappuccino e pegamos um ônibus de volta para Taksim Square. Comemos um kebap tradicional com uma bebida típica de iogurte com sal. Um tanto estranho, pois estava esperando algo levemente adocicado. Finalizamos com uma sobremesa com todos os grãos e frutas secas que se tem direito.
Voltamos para o bar perto do hostel para jogar mais umas partidas de gamão antes de eu partir de Istambul. Peguei minha mochila, me despedi de Mete e peguei um metrô e um tram para a estação de trem. Despedidas são tristes. Me emocionei ao me despedir da Turquia e de Mete e mais uma vez estava voltando para casa com aquela sensação de que há tantas pessoas especiais nesse mundo.
Embarquei no trem para Thessaloniki, onde faria conexão para Atenas. Era um sleeping train, extremamente confortável. Tinha uma cabine com duas camas só para mim. Perguntei a uma menina quantas horas de viagem eram e descobri que ela é americana e está morando em Thessaloniki. Disse que podia me dar todas as dicas e direções para conhecer a cidade no dia seguinte, já que eu estava planejando ficar algumas horas lá antes de ir para Atenas.
Teria dado pra dormir muito bem no trem até o outro dia, senão fosse as interrupções agressivas da polícia de madrugada. Eu havia trancado a porta da minha cabine e estava dormindo profundamente. A polícia bateu horrores na minha porta até acordar. Acho que o meu passaporte foi o último que eles conseguiram pegar. Perguntaram se eu era estudante, disse que sim. Uns 10 minutos depois eles voltaram para entregar os passaportes carimbados. Achei que agora ia poder dormir tranqüila. Mas logo fui acordada novamente para mais uma carimbada. Dessa vez um senhor ficou me perguntando mais coisas, se tinha alcool ou cigarro, deve ter confundido minha cara de sono com cara de drogada. Mais alguns minutos, passaporte em mãos e agora sim, direto para Thessaloniki.
26 de nov. de 2008
Um pé na Ásia
No caminho, encontramos Korai, o turco que conheci na noite anterior. Ele não gostou que Mete estava indo junto, ficou com ciúmes e disse para o australiano que eu era a namorada dele. Falei que não tinha nada a ver, tentei explicar a situação e ele ficou ainda mais aborrecido, falou "finish", que ele não ia mais seguir adiante e que eu podia ir junto com Mete conhecer a cidade. Ok, perdemos o guia turco. Mas em compensação, Mete é quase turco e também fala um pouco da língua. Os pais dele são de Cyprus e muçulmanos.
Seguimos em frente e paramos no estádio do principal time da Turquia, BJK. Mais a frente, chegamos ao Dohlmabahce Palace, onde compramos o tour completo. Tentamos escapar da guia várias vezes, para fazer o tour mais rápido, mas não deixaram. Quase 2 horas depois, resolvemos seguir a pé pela costa do Estreito de Bósforo - que liga o Mar Negro ao Mar de Mármara e também marca o limite dos continentes asíatico e europeu na Turquia - e chegamos até Suhltanameht, a região onde estão os principais pontos turísticos. Antes, paramos na Galata Tower, de onde se tem uma vista panorâmica e lindíssima de Istambul.
Depois, cruzamos a ponte que jurávamos ser a Galata Bridge, mas pegamos uma outra. De qualquer forma, atravessamos o continente a pé, pois parte de Istambul é na Europa e outra parte na Ásia. Paramos no caminho para comer um fish kebap (sanduíche de peixe) fresco feito no barco com peixe recém-pescado.
Alimentados, entramos numa mesquita muito bonita achando que era a tal da Blue Mosque, mas depois descobrimos que não era. Tivemos que tirar os calçados para entrar e as mulheres tinham que cobrir a cabeça com um véu. Simplesmente adorei o ambiente, é muito calmo e relaxante. É como uma igreja vazia, sem bancos, toda forrada de tapete feito à mão. É muito interessante sentar no tapete e assistir aos religiosos descalços se ajoelhando, deitando e realizando todo o ritual da reza. Sem contar que antes de entrar na mesquita, eles também se lavam nas torneiras que tem no lado de fora, independente do frio que está, como uma forma de purificação. Por coincidência, na hora que estávamos saindo encontrei os dois canadenses que estavam no ônibus.
De lá fomos para o Spice Market, onde também vendem tudo o que dá pra imaginar. Desde variadas pimentas, peixe e todos os doces turcos tipicos até carteira de identidade falsa. Foi uma diversão ficar provando um pouco de tudo, pois você pode experimentar. Mete foi me explicando o que era cada queijo e cada doce. Comprei uma caixa de turkish delights para levar pro Brasil.
Já eram quase 5 horas da tarde e já estava escurecendo. Fomos entao â procura da estação de trem para comprar meu ticket de volta para Atenas. Nos perdemos bonito, e depois de um dia inteiro andando, nossas pernas latejavam. Quando finalmente encontramos a estação de trem, descobrimos a volta imensa que demos sem precisar. Comprei a passagem e encontramos um casal de alemães muito simpáticos que nos deram algumas direções. Pegamos um ônibus de volta para Taksim Square e fomos à caça do famoso baklava, sobremesa com pistache típica da Turquia e da Grécia, que eu queria experimentar e Mete adora. Entramos numa doceria e dividimos vários doces diferentes. Delícia.
Depois passeamos pela Istiklal Street, e resolvemos parar no Starbucks para tomar um hot chocolate. Os funcionários do café são muito simpáticos. Mete me contou que talvez ele apareça no próximo filme do Nicholas Cage, que na Austrália, deve ser lançado em março. Depois, demos mais algumas voltas, e como ainda não era tarde, fomos tomar uma cerveja turca perto do nosso hostel. Provei a Efos, muito gostosa e suave, enquanto Mete me ensinava a jogar gamão. Perdi a primeira, mas ganhei as outras duas partidas, com uma ajudinha do dono do lugar, profissional no jogo. Foi muito divertido. Depois, aprendi a falar os naipes em inglês, jogando baralho. Agora fazem sentido as cartas (K)ing, (Q)ueen e (J)ack. Nunca tinha notado que os baralhos do mundo inteiro estão em inglês. Mete é adorável, muito querido e legal de conversar. É um gentleman e faz questão de fazer todos que estão a sua volta se sentirem bem. Foi realmente um prazer passarmos o dia juntos.
Já havia passado da meia-noite. Estávamos exaustos e fomos dormir.
Türkiye'ye Hoşgeldiniz!
Logo depois, Türkiye'ye Hoşgeldiniz! Welcome to Turkey. Hora de passar pela imigração. Estava uma ventania fora do normal. Saímos do ônibus quase voando. Por incrível que pareça, os dois canadenses tiveram que pagar 45 euros pelo visto cada um, e o inglês, 15 euros. Eu, como sou brasileira, não paguei nada. Pelo menos aqui somos bem-vindos. Passaporte carimbado e lá fomos nós adentrar a este país peculiar. Era tanto vento que passamos por uma espécie de tempestade de areia, que simplesmente cobria todas as janelas do ônibus e não dava pra enxergar um palmo à frente. Ainda bem que logo parou.
Paramos próximo ao meio-dia numa cidadezinha pobre da Turquia. Fiquei conversando com o inglês e conheci um americano que mora no Alaska. Chegamos em Istambul às 14h30. Meus companheiros de ônibus iam ficar em hostels na parte baixa e mais turística da cidade. Então nos despedimos e peguei um microbus que estava incluso para Taksim Square, na parte alta da cidade, onde ficava o Hostel que eu havia reservado.
A primeira impressão que tive é que os turcos tem muito orgulho da sua pátria, pois encontra-se a bandeira da Turquia erguida em todos os lugares.
Cheguei na praça ainda um pouco atordoada da viagem e totalmente perdida. Pedi informação e cheguei no Chambers of Boheme Hostel, que fica numa portinha numa ruazinha perpendicular a principal rua da Taksim Square, uma espécie de rua XV de Curitiba, porém bem mais movimentada. A primeira impressão não foi das melhores, mas depois o lugar revelou-se razoável. O quarto era de 4 dormitórios mixed room e shared bathroom. Mas só havia eu e um espanhol que havia chegado na mesma hora, e que estava em Istambul para uma conferência. Ele trabalha no banco central da Espanha.
Tomei um bom banho e saí para trocar dinheiro, pois não tinha uma lira turca, e conhecer as redondezas. Foi só pisar na rua que veio um turco conversar comigo. E não desgrudava. Ele foi comigo trocar dinheiro e na agência de turismo. Não sabia mais o que fazer para me livrar da criatura. Já era noite e começou a chover forte, então acabei indo até a loja da família dele que vendia relíquias e tapetes. Tomei café, chá turco e chá de maçã. Depois fomos comer algumas comidas típicas da Turquia. A chuva não parava. Fomos até uma lanchonete comer um doce e esperar a chuva passar para eu ir pra "casa". Acabamos combinando de nos encontrar no dia seguinte de manhã, e ele iria me ajudar nas direções dos pontos turísticos.
*** algumas palavras em turco ***
Hello - merhaba
How are you - nasilsiniz
I'm fine - iYiYim
Thank you - Tesekkür ederim
Chegando no quarto, o espanhol havia acabado de chegar. Perguntei se não havia no hostel alguma sala para socializar e conhecer outras pessoas. Ele disse que neste não tinha, mas me convidou para ir junto com ele e mais alguns amigos para algum lugar. Acabei indo e conheci um italiano que trabalha com cinema em Roma, e também estava numa conferência de cinema em Istambul. Disse que tinha trabalhado com dois diretores famosos do Brasil, Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos. Também conheci uma outra italiana e uma menina que mora em Istambul, que nos levou a uma balada no topo de um prédio (onde geralmente são aqui) que se chama 360. Lá de cima, se tinha uma vista noturna de 360 graus de Istambul através das janelas panorâmicas. Incrível. A parte ruim é que cada drink custava 25 liras, ou seja, 25 dólares.
Partiu Istambul
Já estava com o roteiro pronto, sabia decor quais passagens ia comprar, o hostel que ia ficar e tinha contatos de brasileiros no Cairo. Mesmo assim, acabei mudando de idéia e adiei meu sonho de ir ao Egito. Com certeza este país e o respectivo investimento para chegar lá merecem mais tempo.
Já era quinta-feira quando resolvi ir para Istambul. Os trens já estavam lotados, por isso adiei meus dias de folga e comprei a passagem de ônibus para sexta-feira a noite. Fui trabalhar de mochila e fui direto para Larissa Station. O metrô estava em greve, foi um caos pegar o ônibus de manhã transbordando de gente com uma mega mochila nas costas. A noite, peguei o suburban railway que estava funcionando e depois fui a pé até a estação de trem.
O ônibus atrasou meia hora, e estava muito aqüem das minhas expectativas. Seriam 21 horas de viagem num meio de transporte que nem banheiro tinha, e minha mochila nem cabia no estreito compartimento de mochilas. Pra completar, havia uma senhora ao meu lado, que visivelmente estava descontente com a idéia de ter alguém sentada ao lado dela durante a viagem. Mesmo assim, fomos conversando e ela acabou se revelando simpática.
Na primeira parada, me mudei para outro banco que estava vago. Os ônibus para Istambul geralmente vão metade vazios, por isso cada um tem 2 poltronas para si. Foi ótimo, pois haviam 2 canadenses com cara de chineses e mais um inglês próximos. Ficamos conversando até 1 hora da manhã. Estava comentando com o inglês sobre a diferença da escrita entre o inglês britânico e americano, pois em Londres vi escrito "organise" com "s" por exemplo. Ele explicou que todas as palavras que terminam com "ise", como "realise" por exemplo, são com "s" e insistiu que a língua deles é a correta, afinal foram eles que inventaram.
Weekend
Do outro lado da estação de Maroussi ficam os cafés e restaurantes, um mais lindo que o outro. É um mar de cadeiras estofadas no calçadão, cobertos por guarda-sóis sofisticados. É incrível o cuidado que se tem com a decoração dos ambientes. Cada lugar que voce vai é unico, e dá pra perceber que cada detalhe é pensado para tornar aquele ambiente especial.
Cheguei em casa às 21h30 e me encontrei com a Bruna, amiga brasileira da Claudia, perto da estação de Syntagma. Como ela tinha se atrasado um pouco, acabou pegando um táxi. A motorista era mulher, segundo ela, uma das primeiras taxistas de Atenas.
Bruna então resolveu me mostrar o lounge bar do Grande Bretagne Hotel, o mais tradicional da cidade, muito bem freqüentado pela elite de Atenas. De lá partimos para Kolonaki e entramos numa baladinha mais tranqüila, pequena e aconchegante, muito bem decorada com espelhos e lustre de cristal. Provei o famoso Ouzo, a cachaça grega, que quando em contato com gelo, adquire uma aparência leitosa e tem um suave sabor, parecido com anis. Aprovado.
Depois fomos para uma outra balada, que antes tentamos entrar e ainda não estava aberta. Só tinha alguns gatos pingados e os garçons lá dentro. As baladas aqui costumam começar mesmo lá pelas 2h da manhã. Mais uma vez, o lugar era peculiar, a arquitetura
faz toda a diferença.
Saímos de lá para ir no Vila Mercedes, uma boate imensa que tem aqui. Mas, antes, resolvemos pegar um táxi para Psiri, a região que todo guia turistico cita ser a mais badalada. A Bruna já estava pra lá de Bagdá, e o taxista pra variar era um idiota. Nao sei bem aonde ele deixou a gente. Fomos andando e quando vimos entramos num restaurante argentino, quando por coincidência começou a tocar uma música brasileira. Saímos de lá e estavámos presa dentro de um estacionamento. Tivemos que pedir pra alguém abrir o portão.
Seguimos em frente e encontramos um extenso bar universitário, cheio de estudantes bêbados fumando narguile. A Bruna, então, me introduziu à cachaça com mel quente, tradicional da ilha de Creta. Compramos uma jarra, e tínhamos que virar os copinhos como se fosse porradinha. Pior que era gostoso. E quente mesmo. Depois sentaram dois meninos na nossa mesa e eu perdi as contas de quantas jarrinhas foram parar na nossa mesa. Quando fui ao banheiro, que geralmente é no andar de baixo, como em todos os lugares aqui, já vieram me perguntar se eu era a amiga da Bruna. Não faço a menor idéia de como eles sabiam. Enfim, eles estavam preparando as narguiles lá embaixo e eu provei quase todos os sabores que tinham.
Não agüentava mais cachaça com mel quente e a Bruna fissurou no meninos dos olhos azuis. Então fomos até a tal balada "bouzuki" que ele ia com os amigos. Foi ligar o rádio do carro, começou a tocar a música "não deixa o samba morreeeeeer". O Brasil está na moda aqui na Grécia. Cantávamos empolgadissimas, enquanto o menino não dizia nada.
Chegando lá, percebi que bouzoki sao as baladas gregas típicas. Extremamente decoradas com uma atmosfera um tanto árabe. O lugar por dentro era um luxo. Música grega rolando a noite inteira, a mulherada dançando qualquer coisa parecida com dança do ventre em cima das mesas, e algumas rodas de homens dançando a dança grega. Enquanto um deles fica se requebrando no meio da roda, os outros posicionam-se ajoelhados ao chão, batendo palma. Um tanto
quanto gay.
Como já tinha passado das 5h30 da manhã, voltei pra casa de metrô. É muito engraçado, porque todo mundo está bêbado a essa hora. Uma menina jogada na poltrona soluçava, enquanto outra ficava rindo sozinha. Fiquei conversando com um português e um tcheco que desceram na mesma estação e estão estudando inglês aqui em Atenas.
Domingo acordei de ressaca e estou pra dizer que a ressaca grega é a pior espécie que existe.
11 a 14.11.08
Sexta-feira provei no almoço beringela refogada com feta, queijo típico da grécia. É uma delícia.
10.11.08 - Segunda-feira
Não comecei a semana cansada como imaginei. Pelo contrário, estava ainda bem elétrica do fim de semana. Tive energia até pra ir ao mercado antes de ir pra casa. Talvez tenha sido efeito do frappe grego que experimentei hoje de manhã. É o tradicional café gelado daqui - gostoso - mas um pouco enjoativo. No verão deve ser melhor.
11 de nov. de 2008
Domingo em Londres
Pegamos o metrô para o British Museum. No caminho, paramos num pub para almoçar. Provei o tradicional Fish and Chips, que tem em toda esquina de Londres. Depois, fomos até o museu, que é enorme. Tive a sorte de estar com a Paula, que foi uma ótima guia, já que tinha ido lá duas vezes. Me mostrou as highlights e outras salas que eram imperdíveis, como a do Egito, por exemplo. Um fato interessante é que grande parte do Parthenon, mais especificamente 56 frisos, quinze placas de mármore e doze esculturas, estão no British Museum. Acho que agora quase dá pra dizer que vi o Parthenon inteiro.
Não eram nem 5h da tarde e já estava escuro quando chegamos em Candentown, que é tipo um flea market onde você encontra de tudo, localizado onde eram antigos estábulos. Estava chovendo e transbordando de pessoas. Saí de lá correndo para a estação de Liverpool Street, para pegar o trem para o Aeroporto. O vôo atrasou um pouquinho, e cheguei em Atenas quase 2 horas da manhã. Não tem metrô este horário, mas por sorte o único ônibus da madrugada estava saindo e parou pertinho de casa.
Presa em Londres
Viagem longa de 04 horas e fuso horário de 02 horas. Por isso, quando cheguei em Stansted, em Londres ainda eram 9h30. Para passar pela imigração, existem zilhões de guichês para passaportes de UK ou União Européia. E lá no fim do saguão, há um mísero guichê sinalizado por uma placa um tanto preconceituosa, "Rest of the world".
Preenchi o formulário e me dirigi ao atendente. Mostrei meu passaporte e ele começou a fazer milhares de perguntas. Tive que mostrar todo o meu dinheiro, documentos e passagens de volta. Como ele viu que eu ia ficar 3 meses na Europa, perguntou se eu não trabalhava no Brasil. Então falei que não estava mais trabalhando, e isso foi o suficiente pra ele achar que eu não podia entrar em Londres. Depois, ainda achou estranho a minha amiga ter me dado a carta convite de estadia com todos os documentos dela, sendo que eu não a conheço de longa data.
Pediu para eu sentar e vi que ele comentou com o superior: "She is only with this bag, but she has quit her job in Brazil to travel". Me chamou, disse que eu seria revistada e entrevistada e depois veriam o que iriam fazer comigo (com a maior cara de desdém). Então lá fui eu pra salinha da imigração.
Chegando lá, entrei numa outra salinha, onde um funcionário de uma empresa terceirizada pela imigração me deu um folheto em inglês para ler. Entre outras informações, eu li que tinha direito a um telefonema de até 2 minutos, que se fosse vegetariana, havia refeições para vegetarianos, que se eu não gostasse da forma como fosse tratada eu podia reclamar, etc. Na hora meus olhos ficaram úmidos e eu pensei, acho que estou sendo presa. Foi o que perguntei a ele: "Am I being arrested?". Daí ele me explicou que "não era bem assim", que eu não tinha feito nada de errado, mas no fim das contas era a mesma coisa, pois eu estava detida, assim como todos os meus documentos e não podia sair daqueles metros quadrados até que me autorizassem.
O primeiro procedimento foi tirar uma foto, e ele ainda disse "smile". Pouco tempo depois, sairam 4 fotos da minha cara sorridente. Então, como não havia nenhuma mulher no momento, ele me revistou com um aparelho de detector de metais. Em seguida, tirou tudo da minha carteira, contou todo o meu dinheiro, anotou tudo e tive que assinar. Depois, revistou toda a minha mochila com as suas luvas de borracha, item por item, inclusive minhas calcinhas e absorventes. A parte boa é que ele acabou encontrando o meu roteiro de viagem, com todos os pontos turísticos de Londres, assinalados e organizados por dia. Ele perguntou se podia levar o papel para a imigração ver, eu falei "sure!". Depois enfiou tudo dentro de qualquer jeito, e me levou para tirar as impressões digitais. Dedo por dedo de cada mão, depois todos os dedos juntos. Nunca tirei tanta impressão digital na minha vida. Lavei as mãos, ele trancou minha mochila na grade de bagagens detidas e me deu uns papéis da imigração. Um deles estava assinalado que eu tinha sido detida por dar informações insuficientes para ser aprovada a entrar no pais, de acordo com o parágrafo X, ou presa por ter infringido o parágrafo Y. Só não sei aonde estavam esses benditos parágrafos. Enfim, implorei para que fizessem tudo o mais rápido possível, pois tinha que voltar a Atenas no dia seguinte e estava perdendo o pouco tempo que tinha para conhecer Londres. Ele disse que ia levar tempo, pelo menos umas duas horas e podiam me deixar lá até 24h. Assustador. Como não tinha nada pra fazer naquela sala entendiante e sem janelas, aceitei um sanduíche de atum e tomei água para me acalmar um pouco. Usei meu telefonema para avisar a Ana Flávia que eu ia me atrasar (se é que eu ia entrar), pois ela já estava me esperando na estação de Liverpool Street.
Haviam dois portugueses também detidos, segundo eles, porque acharam que as fotos da ID deles eram falsas. Achavam que eles não eram portugueses, mesmo eles falando o português de Portugal, comendo vogais freneticamente. Tadinhos, estavam lá desde ontem e ainda choravam. Eles tinham passagem de volta para Porto naquele dia e nem assim queriam deixá-los ir, pois teriam que voltar para Milão, de onde vieram. Dormiram lá na sala, sendo que só havia 1 pseudo colchonete finíssimo, enquanto tinha um outro ser também lá capotado que estava dormindo nas poltronas desde ontem. Tentei animá-los um pouquinho, e ver o lado legal da situação (ok, difícil, já que eles estavam lá há muito tempo.) O fato é que eu me enchi de uma energia positiva e um otimismo extremo tomou conta de mim. Fiquei tranqüila, mesmo com os portugueses me falando: "não é por nada não, mas acho que você vai dormir aqui hoje".
Mais de meia hora depois, chegou a moça da imigração para fazer a entrevista. Todos os funcionários da imigração daquele aeroporto eram negros, enquanto os da empresa terceirizada eram todos brancos e gordos. Enfim, voltei à salinha. Ela pediu para que eu sentasse na cadeira perto da parede, e assim ficamos na diagonal. Percebi que era uma estratégia psicológica de posicionamento, como nos interrogatórios de filme.
Tive que mostrar novamente todo o meu dinheiro e cartão de crédito, e foi anotado mais uma vez a quantidade de dinheiro que eu tinha. Ela então começou a me perguntar tudo o que se pode imaginar e mais um pouco. Desde a minha profissão, do meu trabalho no Brasil, o que os meus pais fazem, onde está minha família, se tenho namorado, nome e sobrenome de quem eu conhecia em Londres, daonde conhecia, como conheci, quando conheci, por que só um dia em Londres. Enfim, é tanta pergunta que fica difícil lembrar. Como tinham alguns contatos de telefone no meu papel do roteiro, ela me perguntou quem era cada uma das pessoas que tinha ali anotado. E tudo o que eu falava, ela escrevia. Ainda bem que ela era gente boa, e modéstia a parte, eu dei uma entrevista que merecia no mínimo um bloco do Programa do Jô. Meus olhos brilhavam quando eu dizia que tinha vontade de conhecer o mundo inteiro e que viajar era importante para o meu trabalho no Brasil, pois trabalho com criatividade e preciso ver coisas novas, respirar outros ares, para ter novas idéias e que é isso que me faz sentir viva. Notei que ela se empolgava junto e simpatizou comigo. Me senti o máximo com as minhas respostas pomposas. No final, perguntou se eu tinha algo a acrescentar, então disse que estava com todas as passagens de volta compradas, inclusive do Brasil, e que estava tudo certo. Ela anotou tudo e foi falar com o big boss para dar o veredicto final. Implorei mais uma vez para que me desse a resposta o mais rápido possível, porque meu tempo estava passando. Eu frisava isso sempre que possível durante a entrevista. Se ela me perguntava quem era Fulana, eu dizia "minha amiga grega, que também está aqui, e que vou tentar encontrá-la. Se eu tiver tempo, claro". E de vez em quando olhava no relógio também.
*** Um trecho da entrevista ***
- Why are you going to London?
- To know the city, for tourism.
- But to know what?
- London!!! You know!
- But what in London?
- What everybody wants to see in london, the touristic points.
- Ok, so tell me the touristic points.
E lá fui eu falar alguns pontos turisticos que, por acaso, lembrava o nome.
Alguns minutos depois, a mulher da imigração voltou, pois depois do mega interrogatório, ela ainda tinha esquecido de perguntar algumas coisas. Voltamos à salinha. Ela questionou à respeito dos outros vistos que tinham no meu passaporte. O que eu fui fazer nos Estados Unidos e na Argentina e por quanto tempo fiquei em cada lugar. Expliquei tudo certinho e fiquei ainda mais feliz, por ter ganho mais pontos a meu favor. Estava praticamente certa de que iriam me liberar.
Enquanto aguardava, resolvi ir ao banheiro. Depois que saí, sentei para ler uma revista e percebi que tinha uma plaquinha em cima da porta, avisando que tinha câmera lá dentro do banheiro. Era só o que faltava.
Fiquei conversando com os portugueses para passar o tempo. É torturante ficar trancafiada naquela salinha, enquanto Londres está lá fora te esperando e você tem muito pouco tempo. E também frustrante e desgastante ter que passar por tudo isso para conhecer uma cidade. Depois, chegaram mais dois coreanos para nos fazer companhia.
Aproximadamente meia hora mais tarde, a mulher da imigração voltou à sala com uma cara de enterro. Na hora pensei que ia ter que voltar para Atenas. Mas ela me chamou e disse que tinham me autorizado a entrar em Londres. Fiquei super feliz e agradeci. O cara da empresa terceirizada fez um comentário do tipo "você vai pagar um café pra ela?". Como não tinha entendido direito a brincadeira, resolvi também fazer uma piadinha "ah! tenho que pagar pelo café e o sanduíche também?" Eles só deram risada. Fiquei tão empolgada que já estava saindo. O cara quis me matar. Tinha que assinar um papel antes. Assinei e perguntei se eles iam guardar minhas fotos e impressoes digitais. Ele respondeu "infelizmente temos que fazer isso", num tom sarcástico. Ok. Três horas depois de chegar no aeroporto, finalmente saí pela porta empolgadíssima, com um visto de 6 meses carimbado para UK. Logo me dei conta que esqueci de pegar a mochila. Voltei lá e pedi para desaprisionarem a minha companheira. Saí correndo rumo ao trem expresso para o centro. Mais 45 minutos e eu estava na estação de Liverpool Street. Estava frio e chovendo. Eu já não lembrava mais o que era chuva. Liguei para a Ana, que estava com a irmã dela, a Carol, e nos encontramos perto do telefone público.
A Ana já tinha um guarda-chuva para mim, então seguimos rumo ao nosso roteiro frenético "como conhecer London em 1 dia e meio". Fomos ao London Bridge e Tower of London caminhando ao lado do rio Tâmisa, até chegar a St. Pauls Cathedral, que é linda, mas infelizmente a hora que queríamos entrar estavam fechando. Eu diria que em menos de 2 minutos a mulher conseguiu tirar todo mundo de lá.
Depois fomos a Trafalgar Square, onde estava tendo um show, onde centenas de pessoas erguiam bandeirinhas. Visitamos a National Gallery, onde quadros incríveis estão expostos datados a partir do ano de 1500 e pouco. Eu realmente nunca tinha visto telas tão interessantes, enormes e retratando momentos especiais, com uma técnica indescritível para a época, uma perfeição que não se encontra na arte atual. Jogo de luzes, expressões faciais, dimensão, vestimentas e texturas que pareciam reais. Eu realmente não esperava encontrar um conjunto de qualidades tão visíveis e bem preservadas, além de que é incrível pensar no quanto a Europa era evoluída nesse sentido, enquanto o Brasil ainda estava sendo descoberto.
Começou a escurecer depois das 16h. Já era noite quando fomos ao Big Ben, Westminster Abbey, Parlament e London Eye, que ficam próximos um do outro. O bom de London é que todo mundo fala inglês e eu posso entender o que está escrito em todos os lugares, além de que tem bastante gente bonita. Estava precisando ver paisagens não-gregas e sair um pouco da minha vida de analfabeta de Atenas. Muitas fotos e frio depois, fomos a Picadilly, que é quase uma Times Square de NY. Várias lojas, telões publicitários iluminados, muitos turistas (como em toda Londres) e vários pubs e restaurantes mais adiante. Escolhemos um lugar para sentar e jantar. Comi um jack potato de frango e um muffin de blueberry para matar a saudade. Estávamos exaustas. Falei com a Paula, que conheci em Creta, e ela foi nos encontrar em Picadilly. Fomos a um pub tomar uma cerveja, e voltamos para casa próximo de meia noite. Por causa do fuso, era como se fossem 2 horas da manhã, e ainda tinha acordado as 5h. Dá pra imaginar o estado de putrefação. Pegamos 3 ônibus para chegar em Kingston, onde a Ana mora (na grande Londres). Estava um frio de arrepiar. Conheci parte do pessoal que mora com ela, tomamos banho e capotamos.
Paraskevi
6 de nov. de 2008
Pémpti
Tetárti
Hoje foi o último dia de Thomaz, pois ele ficaria só 1 mês. Perguntei a ele, na hora do almoço, até quantos litros de Coca-cola ele já tomou em um dia. Resposta: seis litros.
Depois do trabalho, fui ao centro com Claudia. Tirei foto 3x4 por 7 euros (um roubo) e troquei dinheiro. Chegando em casa, preparei beringela refogada para o jantar.
Tríti
Achei que resolveria minhas pendências lá, mas não tinha lugar pra tirar foto 3x4 nem casa de câmbio. Saí com um headphone pro ipod e um calça da Zara. As lojas fecham às 21h, então vou ter que voltar qualquer dia. Hoje percebi que o shopping é grande e tem vários cafés e restaurantes diferenciados, todos muito bem arquitetados.
5 de nov. de 2008
Deftéra
Decidi melhorar minha alimentação, então depois do trabalho, fui ao Carrefour fazer compras. Voltei com milhões de sacolas, mal consegui carregar até em casa. Comprei desde 1L de azeite de oliva, sal, sabão em pó, frutas, e várias outras coisas, ou seja, ficou pesado de carregar. Quando cheguei em casa, me dei conta que acabei levando 2 pacotes de sal por engano.
Kyriaki
Depois, aproveitei para continuar a linha de metrô, fazendo um caminho por onde nunca havia passado, dando toda a volta pelas estações de Atenas. Como este trem passa por cima da terra, deu pra conhecer um outro lado da cidade, mais residencial, cheio de prédios similares com suas sacadas esprimidas cobertas pelo toldinho típico. Parei na estação de Victoria, onde provei um prato do fast food grego Goodys e segui rumo ao National Archaelogical Museum. Incrível o tamanho, os detalhes e a quantidade de estátuas que datam de até 700 anos a. C.
Depois, segui para Monastiraki e fiquei andando pelas ruas lotadas de Plaka, uma região deliciosa de andar. Dei uma olhada nas bugingangas gregas que vendem no Flea Market e voltei pra casa exausta.
3 de nov. de 2008
Sáwato de Sol
Peguei o tram (bonde elétrico) que vai até Glyfada, passando por várias praias. Parei em Voulas Beach e de lá teria que pegar um táxi para Lemos Beach, que Claudia recomendou, pois é uma das melhores praias que não ficam tão distantes. Pedi informação a um casal grego que saía de um restaurante em Voulas sobre como chegar em Lemos, e como eu estava sozinha, eles me ofereceram uma carona até lá. Muito queridos. Quando falei que era brasileira, a mulher começou a rir e, toda empolgada, falou que tinha visto hoje na TV um comentário que ela queria saber se é verdade. Ela ouviu que no Brasil, toda menina que nasce já sabe que vai fazer pelo menos 7 cirurgias plásticas na vida. Achei engraçado e curioso, mas claro que desmenti, e acrescentei que a maior parte da população não tem nem como pagar. Mas que entre quem pode, é muito comum colocar silicone (comentei que tinha várias amigas que já fizeram), e que também é mais barato o procedimento no Brasil. "What's the problem with their breasts?" - ela perguntava.
Chegando em Lemos, havia 2 praias privadas, nas quais você tem que pagar 12 euros para entrar. Claro que fiquei numa teceira que era de graça. Quando eu estava pensando em como ia voltar para casa, Claudia me ligou, e disse que Theodosis, o irmão do namorado dela, estava na praia ao lado e que podia me dar uma carona. Excelente. Ele não fala muito bem inglês, mas conversamos bastante. Havia bastante trânsito, então demoramos a chegar no centro.
Estava morrendo de fome, pois não tinha almoçado e já eram 18h. Fui ao Mc donalds de Syntagma e aproveitei a promoção "por 1 euro" e comi 2 chickenburguers pequenos e 1 McShake. Compensei tudo o que não havia comido.
A Vodafone junto com o Iphone 3G estavam realizando uma grande ação promocional na praça de Syntagma. Três estandes com distribuição de brindes acompanhavam um estande central, iluminado, com telão e vários iphones de demonstração a quem tivesse curiosidade. Preenchi um cupom para participar do sorteio do aparelho que ia ter mais tarde, seguido de um show de hip hop.