23 de fev. de 2009

Última semana

mSegunda-feira saí novamente à caça de roupinhas de bebê, dessa vez por encomenda, para uma amiga da minha irmã. Depois passei na casa da Cláudia, pedimos pizza e ganhei de presente 4 litros de azeite de oliva especialíssimo para levar ao Brasil.

Terça dia de supermercado e quarta-feira fui com a Claudia ao "Bodies exhibition", que esteve em São Paulo em 2007 e chegou em Atenas em fevereiro. A exposição é única e bem mais interessante do que os cadáveres que a gente vê na escola. De uma forma bem organizada e explicativa, podemos ver tudo o que tem dentro da gente: ossos, órgaos e músculos reais em diversas fatias, camadas e ângulos possíveis. Além disso, o sistema nervoso, como o sangue corre pelo corpo e os danos causados a determinadas partes por doenças ou hábitos específicos. Há uma seção que você pode pular se quiser, mas que não dispensei: a de fetos reais, etapas por etapas da gestação. Também não abri mão de tocar em um fígado e um cerébro humano, que estava a disposição de quem quisesse experimentar a textura do que está muito abaixo da nossa pele.

Quinta-feira arrumei as malas, pois no dia seguinte sairia direto do trabalho para o aeroporto rumo a Itália.

9 de fev. de 2009

Domingo

Domingo fui a Plaka novamente comprar os últimos souvenirs e depois encontrei com Michal. Comi um crepe de chocolate maravilhoso e ficamos conversando, assistindo ao anoitecer da Acrópole.

Nos despedimos e fui a Keramikos encontrar com Natia, minha amiga da Yoga e sua amiga Despina, que há quatro meses faz aula de português com um professor baiano e está indo passar 22 dias no Brasil depois do Natal deste ano. Ela me surpreendeu com o ótimo português, faz aula de capoeira e já fez aula de samba, além de se interessar por candomblé e orixá. Em resumo, Despina é mais brasileira do que eu.

Foi uma noite muito agradável e divertida. Conversamos quase o tempo todo em português, pois Natia fala um pouco de espanhol e italiano, então ela entendia bastante coisa. Bebemos vinho e petiscamos um enroladinho de frango com pimentão e molho agridoce saborosíssimo.

Salve o Korinthos

Patrik já havia voltado para Praga na semana passada, e essa sexta-feira foi o último dia de Michal. Agora Claudia e eu teremos a sala inteira só para nós, sabe se lá até quando.

Sábado peguei um trem para Korinthos, cidade que foi autônoma e soberana durante o período arcaico da história da Grécia. Desde aqueles tempos, Corinto era bem desenvolvida comercialmente devido à localização. Depois de anos de guerras de resistência ao domínio persa e de lutas entre os gregos pela hegemonia na península, Corinto, assim como as demais cidades independentes da Grécia, veio a fazer parte do Império Macedônio de Alexandre, o Grande, perdendo parte da autonomia antes existente.

A cidade é bem interessante, parece uma mini Atenas com cara de praia. Peguei um táxi até o sítio arqueológico, mas era tarde demais. Já estava fechado. Pelo menos deu pra ver de longe e já visitei tantas ruínas nesse país, que acredito que não vai fazer grande diferença.

Voltei ao centro e fui andando até uma praça, onde também fica o porto da cidade. Apreciei a paisagem e peguei um ônibus até o Canal de Corinto, que liga o Golfo de Corinto com o Mar Egeu. Ele passa pelo istmo de Corinto e separa a península do Peloponeso da parte principal da Grécia, tornando o Peloponeso uma ilha.

O canal possui 6.3 km de comprimento, e foi construído entre 1881 e 1893. Torna a locomoção de barcos pequenos na região mais fácil, pois assim elas não precisam dar a volta em cerca de 400 km, em torno do Peloponeso. Porém, por ter apenas 21 metros de largura, é muito estreita para cargueiros internacionais. Por isso, o canal atualmente é usado mais por barcos turísticos.

A primeira tentativa de construir um canal nessa região foi realizada pelo Imperador romano Nero, no ano de 67. Ele ordenou a 6 mil escravos que escavassem a região usando pás. No ano seguinte, Nero morreu, e seu sucessor, Galba, abandonou o projeto, por ser caro demais.

*** I Coríntios e II Coríntios
O cristianismo em Corinto é citado no Novo Testamento da Bíblia como uma das cidades visitadas pelo apóstolo Paulo em suas viagens missionárias. Paulo quando esteve lá, em sua segunda viagem missionária (At. 18:1-18), estabeleceu nela uma igreja e mais tarde escreveu duas epístolas aos cristãos dessa congregação cristã, dando-lhes vários conselhos pastorais.

*** Salve o Corinthians
Devido ao fato de Corinto ser sede dos Jogos Ístmicos, ela recebeu uma fama "esportiva", sendo homenageada em 1882 no nome do Corinthians, um clube renomado do futebol da Inglaterra no fim do século XIX e começo do XX, que significa "Coríntio", habitante de Corinto, em inglês. Devido a língua inglesa, freqüentemente a imprensa se referia aos jogadores do Corinthian, aos "Corinthians", que se tornou mais usado que o nome real do time.
Esse clube, em 1910, fez uma viagem ao redor do mundo para popularizar o futebol, indo inclusive ao Brasil, onde derrotou os grandes times do país na época, influenciando os operários que fundavam um novo clube de futebol em São Paulo, que seria chamado de Corinthians Paulista.

Great and bad news

Essa semana recebi a melhor notícia do ano: vou ser tia. E com o privilégio de ser a primeira a saber da novidade depois do papai, é claro. Não resisti e no dia seguinte já estava comprando
roupinhas para o bebê.

Sábado de chuva. Encontrei com Claudia e Vassili em Syntagma e fomos ao museu de Cyclades, onde encontramos a Bruna. Estava havendo uma exposição interessantíssima sobre cenas do cotidiano da Antigüidade, além da coleção permanente de arte das regiões cyclades.

Em seguida fomos almoçar em Kolonaki, numa pasteria deliciosa. Depois de vinho branco e spaghetti de salmão, resolvemos ir ao Planetário assistir às 7 maravilhas do mundo. A Bruna então foi para casa e nós emendamos um Festival de piano, onde a amiga de Vassilis estava se apresentando, junto a um saxofonista. De lá fui direto para a despedida da Sara e só cheguei em casa as 4 da manhã.

Domingo passei a tarde em Plaka gastando dinheiro com souvenirs e à noite recebi uma notícia muito triste: não poderei mais matar as saudades do meu cachorro. Aos 12 anos, Whisky nos deixou, mas também deixará ótimas lembranças, momentos únicos e sem dúvida, muita saudade.